Cidades

CAMPO GRANDE

Tribunal de Contas do Estado deve reduzir contrato entre Águas e prefeitura

Renovação, sem licitação, da concessão, será julgada pela Corte Fiscal

EDUARDO MIRANDA

27/01/2017 - 06h00
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O Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul deve anular nos próximos dias, a prorrogação do contrato de concessão do serviço de água e esgoto da prefeitura de Campo Grande com a Águas Guariroba, que presta serviços desde 2000. Em 2012, num intervalo de três dias, a prefeitura editou dois aditivos ao contrato, um primeiro, no dia 23 de abril, prorrogando o período de concessão que terminaria em 2030, por mais 11 anos e 3 meses, e um segundo, no dia 26, esticando ainda mais a vigência do vínculo, por mais 18 anos e 7 meses, estabelecendo a data final de prestação dos serviços, em 23 de agosto de 2060. 

O processo que pede a anulação da prorrogação do contrato com a Águas Guariroba já está com o setor da corte de contas que analisa os atos da prefeitura de Campo Grande, agora sob a responsabilidade do conselheiro Jerson Domingos. Somente para o aditivo de 18 anos e 7 meses, a Águas Guariroba pagou nova outorga de R$ 76,1 milhões. O objetivo deste aditivo era universalizar o serviço de esgoto em toda a zona urbana do município. Tudo isso foi feito sem nova licitação.

O aditivo firmado três dias antes, em 23 de abril, que prorrogou a concessão da Águas Guariroba em Campo Grande por 11 anos e 3 meses, não envolvia novo pagamento de outorga, tinha o objetivo de  restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro do contrato. 

(*) A reportagem completa está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

Infraestrutura

Governo de MS lança pacote de R$ 176 milhões para obras de saneamento

Os investimentos têm como objetivo a ampliação dos sistemas de abastecimento de água e melhorias na rede de esgoto, com foco em segurança hídrica e crescimento urbano em 16 municípios

14/05/2026 17h57

Os investimentos têm como objetivo a ampliação dos sistemas de abastecimento de água e melhorias na rede de esgoto, com foco em segurança hídrica e crescimento urbano em 16 municípios

Os investimentos têm como objetivo a ampliação dos sistemas de abastecimento de água e melhorias na rede de esgoto, com foco em segurança hídrica e crescimento urbano em 16 municípios Foto: Sanesul/Arquivo

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O Governo de Mato Grosso do Sul, junto à Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul), anunciou para sexta-feira (15) o lançamento de um pacote de investimentos de R$ 176 milhões voltado à ampliação e modernização dos sistemas de saneamento em 16 municípios sul-mato-grossenses.

O ato será realizado às 10h, na sede da estatal, em Campo Grande, com a presença do governador Eduardo Riedel, do diretor-presidente da companhia, Renato Marcílio, além de prefeitos, parlamentares e autoridades públicas.

Considerado um dos maiores pacotes de investimentos em saneamento dos últimos anos no Estado, o conjunto de obras contempla ampliação da capacidade de reservação de água, reforço na distribuição, modernização operacional, implantação de novos sistemas e melhorias na infraestrutura de esgotamento sanitário.

As obras atenderão os municípios de Aral Moreira, Bataguassu, Bodoquena, Chapadão do Sul, Corumbá, Dois Irmãos do Buriti, Dourados, Inocência, Miranda, Naviraí, Pedro Gomes, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Sonora, Terenos e Ponta Porã, incluindo o distrito de Sanga Puitã.

Os recursos fazem parte de contratos vinculados ao programa Avançar Cidades e ao Novo PAC, com financiamento da Caixa Econômica Federal e contrapartidas destinadas à execução das obras.

O objetivo é ampliar a segurança hídrica e preparar os sistemas de saneamento para acompanhar o crescimento populacional, urbano e industrial observado em diversas regiões do Estado.

Mesmo com a universalização do abastecimento de água já alcançada nos 68 municípios atendidos pela empresa, a Sanesul afirma que mantém investimentos permanentes para garantir estabilidade no fornecimento e ampliar a eficiência operacional dos sistemas.

Segundo o diretor-presidente da companhia, Renato Marcílio, os investimentos integram um planejamento contínuo desenvolvido pelo Governo do Estado para fortalecer a infraestrutura hídrica dos municípios.

“Estamos avançando com investimentos estruturantes que ampliam a capacidade dos sistemas e garantem maior confiabilidade no abastecimento, acompanhando o desenvolvimento dos municípios”, afirmou.

Segurança hídrica e expansão da infraestrutura

Entre os maiores volumes de recursos previstos no pacote está Corumbá, que receberá R$ 25,6 milhões para obras de abastecimento de água. Ribas do Rio Pardo aparece na sequência, com mais de R$ 42 milhões em investimentos, sendo R$ 13,8 milhões destinados ao abastecimento de água e R$ 28,2 milhões para obras de esgotamento sanitário.

Inocência contará com R$ 13,1 milhões para ampliação do sistema de abastecimento. Já Ponta Porã e o distrito de Sanga Puitã receberão R$ 12,3 milhões. O mesmo valor será destinado a Naviraí para reforço do sistema de distribuição de água.

Chapadão do Sul terá investimento de R$ 11,3 milhões, enquanto Miranda receberá R$ 11 milhões. Dourados contará com aporte superior a R$ 8,9 milhões.

Também estão previstas obras em Bataguassu, Bodoquena, Dois Irmãos do Buriti, Pedro Gomes, Sonora, Santa Rita do Pardo, Terenos e Aral Moreira.

Parte das obras já está em andamento, enquanto outras se encontram em fase avançada de contratação e execução.

A expectativa do governo estadual é ampliar a capacidade operacional dos sistemas públicos e garantir maior regularidade no abastecimento, especialmente em cidades que apresentam crescimento acelerado impulsionado por novos investimentos industriais e expansão urbana.

O governador Eduardo Riedel tem defendido o fortalecimento da infraestrutura de saneamento como uma das prioridades da gestão estadual, associando os investimentos à estratégia de desenvolvimento regional e à melhoria da qualidade de vida da população.

Além de aumentar a eficiência dos sistemas de abastecimento e esgotamento sanitário, o pacote busca preparar os municípios para o avanço urbano e econômico registrado em Mato Grosso do Sul, sobretudo em regiões que recebem grandes empreendimentos industriais e logísticos.


 

operação

Servidores da Sisep manipulavam planilhas de medição por WhatsApp

Mensagens obtidas de celular apreendido mostram, segundo o Ministério Público, a dinâmica cotidiana do esquema: um engenheiro ditava os valores; um servidor os lançava nas planilhas; um secretário validava e os pagamentos eram emitidos

14/05/2026 17h46

Operação mirou empresa que presta serviços de tapa-buracos que, de acordo com a nota oficial do MP, faturou entre 2018 e 2025

Operação mirou empresa que presta serviços de tapa-buracos que, de acordo com a nota oficial do MP, faturou entre 2018 e 2025 Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Conversas de WhatsApp colhidas de celular apreendido pelo MPMS na operação Cascalhos de Areia mostram servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (SISEP) negociando os valores que seriam lançados nas planilhas de medição de contratos com a Construtora Rial Ltda.

O material foi usado para dar a partida na Operação Buraco sem Fim, que prendeu sete pessoas, entre elas o ex-diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese, que foi secretário de obras da Capital, empreiteiros e servidores.

As conversas, extraídas do celular apreendido do engenheiro Mehdi Talayeh, compõem um registro cronológico que o MP descreve como prova de "manipulação deliberada e sistemática das medições de serviço, em que os pagamentos não correspondiam ao trabalho efetivamente realizado, mas a valores fictícios arbitrados."

Dinâmica do esquema

O fluxo seguia três etapas. Primeiro, Mehdi Talayeh, fiscal de contratos e supervisor da SISEP, estipulava o valor a ser registrado para a Construtora Rial, sem qualquer referência à extensão ou ao volume de serviços efetivamente prestados. Em segundo lugar, o servidor Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula inseria os valores nas planilhas de medição, ajustando itens e regiões até atingir o total determinado.

Por fim, Fernando de Souza Oliveira, Gerente de Controle de Medições, verificava os saldos contratuais remanescentes para calibrar quanto poderia ainda ser desviado, e os documentos seguiam para o empenho e pagamento.

O ex-Secretário Rudi Fiorese, segundo o MP, validava o processo e determinava urgência nos pagamentos.
No dia 1 de dezembro de 2020, Mehdi Talayeh diz a Erik: "Amanhã cedo consegue estar fechando Als e as duas RIAL pra pedir nota amanhã ainda? [...] E vê RIAL se nas duas 550." No dia seguinte, Erik teria respondido com fotos das planilhas fechadas nos totais solicitados: R$ 285.756,39 e R$ 321.926,53.

Em dois de fevereiro de 2021, Erik teria enviado áudio a Mehdi revelando o método: "já consegui chegar nesses valores, foi o máximo que eu consegui [...] eu 'tô' tendo que colocar bastante rua para chegar nesse valor." A expressão, segundo o MP, mostra que os lançamentos de ruas não correspondiam a serviços verificados, mas eram incluídos para atingir cifras predeterminadas.

Em três de fevereiro de 2021, Mehdi teria ditado: "Soma das duas RIAL 740 / fecha agora cedo o quanto antes e já passa pro Fernando." Erik teria respondido: "Total ficou R$ 740.792,93."

Em dois de marco de 2021, ao receber uma planilha, Erik perguntou a Mehdi "qual valor?", demonstrando desconhecer qual seria o montante da medição. Mehdi respondeu: "480 duas RIAL mais ou menos / 650 mais ou menos / Pode reduzir pra 610 mais ou menos." No dia seguinte, as planilhas fechadas totalizaram R$ 610.892,96, exatamente na faixa ordenada.

Em 01 de fevereiro de 2022, quando Erik perguntou se os valores seriam os mesmos, Mehdi foi taxativo: "Priorizando RIAL."

Em 29 de novembro de 2022, Mehdi teria determinado valores para várias empresas simultaneamente: "RIAL Anhanduí R$250.000,00, RIAL Bandeira R$250.000,00", e emitido a ordem: "Fecha mais ou menos nesses números."

Em 07 de marco de 2023, Erik admitiria estar fazendo medições "sem ter apontador", ou seja, sem os registros diários de campo que deveriam embasar qualquer medição.

Quanto à participação de Rudi Fiorese, o requerimento reproduz mensagem na qual Fernando de Souza Oliveira escreveria a Mehdi: "Pq o Rudi, tinha pedido para manter nessa proporção, da pra dar uma jogada fácil aqui, ms já foi. Jr vou aumentar uns 100 de caminhão", seguida de confirmação de Mehdi.

Lixo no tapa buraco

O MP também incluiu na investigação as medições da Região do Bandeira. O documento teria identificado, entre outras irregularidades: divergência entre o volume de revestimento primário apontado nos relatórios de medição e o volume verificado nos relatórios diários e semanais de campo; ausência de ensaios laboratoriais de controle de compactação; presença de matéria orgânica e resíduos de lixo urbano no solo compactado; e serviços executados por equipes próprias da Prefeitura que, nas planilhas, foram atribuídos, e pagos, à Construtora Rial.

O relatório calcula que, apenas na 50ª Medição, em março de 2023, a diferença entre o valor cobrado e o valor efetivamente realizado seria de R$ 55.714,55, equivalente a 30% do total daquela medição.

Uma engenheira servidora da SISEP é citada no requerimento como tendo classificado os trabalhos da Construtora Rial como de "péssima qualidade" em avaliações técnicas. Mensagens do próprio fiscal Edivaldo Aquino Pereira com um representante da empresa, segundo o MP, chegavam a classificar intervenções como "serviço de porco".

Um elemento destacado que diz respeito ao ex-secretário Rudi Fiorese é que após ser exonerado da Prefeitura de Campo Grande em 2023, Fiorese foi nomeado em cargo equivalente no Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, mantendo atuação na mesma área de infraestrutura.

Nessa nova função, segundo o MP, ele assinou contratos com a Construtora Rial e, em fevereiro de 2026, menos de um mês antes da Operação, assinou dois aditivos contratuais em favor da empresa.

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