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Policial se afunda em dívida de R$ 4,6 milhões em apostas esportivas

Em quatro anos, homem contraiu empréstimos com bancos e familiares, divorciou-se depois de oito meses de casado e foi diagnosticado com ludopatia

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Um policial lotado no interior do Estado, atualmente afastado, foi diagnosticado com ludopatia, após ter movimentado R$ 4,6 milhões em apostas esportivas na plataforma Betano em quatro anos.

Agora, o apostador abriu processo contra a empresa pedindo indenização por danos morais e materiais que ultrapassa os R$ 100 mil, após se afundar em empréstimos bancários e concedidos por familiares.

De acordo com o que consta nos autos do processo, ao qual o Correio do Estado obteve acesso, é relatado que o sul-mato-grossense entrou no mundo das apostas em outubro de 2022, primeiramente, como forma de entretenimento. Naquele ano, apenas quatro apostas foram realizadas no site.

Porém, a partir de fevereiro de 2023, ocorreu uma disparada no volume de apostas e nas movimentações financeiras realizadas pelo policial na plataforma, o que acabou se tornando um padrão do apostador até este ano, chegando ao uso incontrolável dos jogos de azar e ao quadro de doença mental.

Plataformas de Bets espalham publicidade por toda a partePolicial de Mato Grosso do Sul teria movimentado R$ 4,6 milhões no aplicativo de apostas da Betano - Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

Para se ter uma ideia, entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, foram registradas apenas 11 de apostas, com movimentação total de R$ 1.806,26. Somente em fevereiro de 2023, foram registradas 168 apostas, com movimentação de R$ 65.917,16.

A partir de março, os registros oficiais da Betano revelam movimentação de R$ 4.653.098,89 em apostas esportivas e cassino, distribuídas em 12.719 operações registradas e 43.402 eventos operacionais, descritos como “marco técnico-financeiro para a caracterização da ruptura comportamental compatível com o quadro de ludopatia”.

Ainda conforme o levantamento inserido nos autos, foi apurado que o apostador obteve R$ 114.332,28 de dano material mínimo, valor calculado diante da diferença dos depósitos (R$ 907.156,59) e dos saques (R$ 792.824,31) desde o marco técnico-financeiro, em março de 2023.

Em outra tabela que lista os 10 dias de maiores gastos do policial, as 24 horas do dia 2 de agosto de 2025 foram as mais movimentadas, com 110 operações, que movimentaram R$ 94,6 mil.

Outras sete datas do ano passado aparecem no ranking, o que confirma que 2025 foi o ano mais crítico para o apostador em termos financeiros.

De acordo com o advogado da vítima, era dever da Betano identificar as movimentações intensas do policial na plataforma, o que caracterizaria a prática de dano moral.

“O dano moral, no presente caso, não decorre de mero dissabor inerente a perdas voluntárias em jogos de azar. Decorre da exploração, por mais de três anos, de uma condição psiquiátrica grave e progressiva, que a ré [Betano] tinha o dever legal de identificar e conter, e cuja omissão culminou em quadro clínico de extrema gravidade”, destaca o advogado.

VIDA PESSOAL

Em junho deste ano, o apostador foi diagnosticado com ludopatia, transtorno mental que se caracteriza pelo desejo incontrolável e compulsivo de jogar, especialmente em jogos de azar e apostas on-line.

Além da doença, o policial também foi diagnosticado com transtorno depressivo Grave e transtorno do pânico, condições que também foram desenvolvidas em função do vício em cassinos virtuais.

“Diante da gravidade clínica atual, do risco de agravamento global do quadro psiquiátrico e da necessidade de manejo intensivo multidisciplinar, há indicação de internação psiquiátrica especializada para tratamento da dependência comportamental (vício em jogos), estabilização clínica, ajuste medicamentoso e reabilitação psicossocial”, indica o laudo.

As mudanças drásticas na vida pessoal da vítima foram cruciais para o diagnóstico. O apostador se casou em março de 2024, relacionamento que terminou oito meses depois, em função do agravamento do vício em apostas.

Para piorar, o quadro de ludopatia também gerou consequências quanto à guarda compartilhada da filha menor de idade, “circunstância que, associada ao colapso emocional e financeiro do autor, vem comprometendo severamente o convívio paterno-filial”.

Com remuneração mensal aproximada de R$ 5 mil, o sul-mato-grossense precisou buscar empréstimos informais com familiares e amigos para manter vivas suas operações diárias na plataforma, o que o fez acumular dívidas e gerou afastamento de inúmeras pessoas do seu círculo social. Inclusive, seu pai vendeu um imóvel para auxiliá-lo nas despesas.

“Os próprios extratos bancários acostados aos autos comprovam, ainda, que o autor passou a recorrer a sucessivos empréstimos informais de amigos e familiares, inclusive da ex-cônjuge, para sustentar o ciclo de apostas, numa espiral de endividamento que a separação precede e acompanha a desestruturação de sua vida pessoal”, aponta a defesa do policial.

Tanto que, segundo a folha salarial da vítima de junho deste ano, o policial recebeu um salário líquido de apenas R$ 1.054,02, o que representa cerca de 60% do salário mínimo atual.

Somado ao vale-alimentação, o total de proventos mensal deveria ser de R$ 6.045,30, mas os descontos de quase R$ 5 mil, em função dos altos empréstimos, acabam diminuindo drasticamente seu rendimento.

PROCESSO

Agora, o apostador e seus representantes abriram processo judicial contra a Betano, pedindo indenização por danos morais e materiais. Além disso, o advogado pede a nulidade das apostas, que é a devolução de valores com base na proibição legal de participação de pessoas diagnosticadas com ludopatia, como garante um dos artigos da Lei nº 14.790/2023 (Lei das Bets).

Em decisão assinada em julho pelo juiz Maurício Cleber Miglioranzi Santos, foi determinado que a empresa bloqueie todas as contas do policial na plataforma, além da Betano ter de apresentar diversos documentos da relação entre a vítima e o site desde o primeiro dia de aposta. Por fim, ficou marcada uma audiência de conciliação para o dia 15 de outubro.

*SAIBA

Segundo definição do médico Edgar Oliveira, a ludopatia é um transtorno caracterizado pela perda de controle sobre o comportamento de apostar mesmo diante de consequências negativas evidentes. A pessoa continua jogando apesar de dívidas, conflitos familiares, sofrimento emocional e prejuízos no trabalho ou nos estudos.

A doença envolve alterações no funcionamento cerebral, especialmente nos sistemas de recompensa, impulsividade e tomada de decisão. Por esse motivo, o transtorno do jogo é reconhecido como uma forma de dependência comportamental.

IMPOSTO

MPMS abre inquérito civil para investigar IPTU de Adriane Lopes

Tanto Adriane Lopes quanto seu marido, o deputado estadual Lídio Lopes, não declararam o imóvel ao TSE em 2022 e 2026

17/10/2026 11h45

Desde janeiro deste ano, há uma ação popular que cobra a atualização do IPTU do imóvel de Adriane Lopes

Desde janeiro deste ano, há uma ação popular que cobra a atualização do IPTU do imóvel de Adriane Lopes FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, através da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Comarca de Campo Grande, instaurou um inquérito civil para apurar irregularidades na cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) dos imóveis da Prefeita Municipal Adriane Lopes (PP)

O inquérito civil, de número 06.2026.00000715-8, encontra-se sob sigilo e exige senha. A decisão de instaurar o processo foi assinada pelo promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, na última terça-feira (13). Adriane Lopes possui residência em área nobre de Campo Grande, no bairro Carandá Bosque III, avaliada em R$ 1.163.425, segundo o cadastro imobiliário da Prefeitura de Campo Grande. Em 2026, o IPTU cobrado sobre a residência foi de R$ 11.634,25.

A mansão está localizada em um terreno que une duas áreas, uma de 588m² e outra com mais de mil m². O local era uma praça que foi desafetada e adquirida por Lídio Lopes (Avante), marido da Prefeita. Porém, a construção da casa não foi averbada, ou seja, apenas o IPTU do terreno foi cobrado e não da casa. 

O inquérito foi instaurado uma semana após Lídio Lopes ser reeleito deputado estadual. Em sua declaração de patrimônio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele não informou sobre o imóvel onde mora com a família.

Na declaração de bens apresentada ao TSE, o parlamentar registrou patrimônio de R$ 562.375,84, o que representa aumento de aproximadamente 95% em relação aos R$ 288 mil declarados em 2022. 

Além disso, o imóvel do Carandá Bosque III também esteve ausente nos bens informados pela prefeita nas eleições municipais, durante a campanha pela reeleição em 2024.

Ação corre na Justiça

A denúncia sobre uma suposta manobra para reduzir o valor do IPTU da mansão já corre na Justiça desde a candidatura da Prefeita em 2024. Em janeiro deste ano, o advogado Luiz Henrique Correia de Pádua Pereira ingressou com uma nova ação popular, na 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, para denunciar a manobra.

Na ação, o advogado diz que o terreno de 588 metros quadrados foi declarado por Adriane como “lote sem edificação” e pagou imposto territorial. Com isso, além do valor do imóvel ser menor, a alíquota foi menor.

Entre os pedidos da ação estão: punição a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Semadur) pela omissão; que seja feita uma nova fiscalização da mansão, lance o valor correto do IPTU e cobre os valores atrasados da prefeita. 

Outro questionamento foi a mudança no enquadramento do Bairro Carandá Bosque 3, onde reside Adriane, que levou a redução de 41% na taxa do lixo, de R$ 1,2 mil para R$ 706.

O que diz a Prefeitura?

Nos autos da ação, a Prefeitura de Campo Grande e a Semadur sustentam que o imóvel foi adquirido há anos pela Prefeita e devidamente registrado como territorial. A aquisição foi em outubro de 2012, ainda na gestão de Nelsinho Trad , no valor de R$ 107.000,00, sendo registrada no dia 30 de janeiro de 2013, na gestão de Alcides Bernal, não sendo exigida qualquer transparência nesse sentido.

O Executivo aponta ainda que a praça foi objeto de desafetação e aquisição por ato oneroso sem qualquer lesão aos cofres públicos municipais e que a área não possui qualquer construção, tratando-se de terreno cuja alíquota incidente é de 3,5%. 

Para a Prefeitura, o aumento da área do terreno por remembramento, por si só, não causa aumento do valor venal do imóvel como um todo, sendo que apenas o aumento da área construída influiria no aumento da base de cálculo. 

Nos autos, a Semadur e o Executivo dizem que são exigidos dois IPTUs de Adriane Lopes e Lídio Lopes, sendo um para cada imóvel, além das respectivas taxas de coleta do lixo, que juntos somam R$ 16.643,78 e que não compete à fazenda pública obrigar qualquer contribuinte à regularizar sua construção perante a serventia registral.

Em MS

Homem de 69 anos é detido após denúncia de abuso contra criança em Dourados

Menina de 11 anos foi encontrada em apartamento, investigação apura se o suspeito pode ter feito outras vítimas

17/10/2026 11h15

O caso foi registrado na Depac-Dourados

O caso foi registrado na Depac-Dourados Foto: Divulgação/PCMS

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Um idoso de 69 anos foi preso no início da noite de sexta-feira (16), em Dourados, suspeito de estupro de vulnerável contra uma menina de 11 anos.

Segundo o Dourados News, a prisão ocorreu após denúncias levarem a Guarda Municipal até uma residência no bairro Ildefonso Pedroso, na região sul da cidade.

Conforme o boletim de ocorrência, por volta das 19h30, as equipes de segurança foram acionadas após informações de que a menina havia entrado no imóvel. Ao chegarem ao local, os guardas encontraram a criança no apartamento e o suspeito arrumando as calças.

Durante a abordagem, o homem negou ter cometido qualquer crime. Ainda segundo o registro policial, ele teria tocado na menina.

A vítima foi encaminhada ao Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), onde passou por exames para verificar se houve conjunção carnal.

Testemunhas relataram a possibilidade de existirem outras vítimas, situação que permanece sob investigação. Conforme os relatos, o suspeito teria atraído a criança oferecendo doces e dinheiro.

O idoso foi levado pela Guarda Municipal à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), onde o caso foi registrado como estupro de vulnerável.
 

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