Cerca de um mês e meio após o recolhimento, o livro "O Avesso da Pele" voltará a ser distribuído nas escolas da Rede Estadual de Mato Grosso do Sul, segundo informou a Secretaria Estadual de Educação (SED), em nota.
"Após análise realizada pela equipe técnica da pasta, a obra está em processo de devolução para as bibliotecas das unidades escolares da Rede Estadual de Ensino, com as orientações pedagógicas quanto à indicação de uso", diz a nota.
A obra de Jeferson Tenório foi retirada das unidades de ensino de Mato Grosso do Sul no dia 7 de março, sob determinação do governador Eduardo Riedel.
Na época, a justificativa foi de que a linguagem utilizada em trechos do material seriam consideradas impróprias para a faixa etária da maioria dos estudantes da rede estadual.
A solicitação de recolhimento foi feita por deputados estaduais, que consideraram o linguajar inadequado para adolescentes.
Além de Mato Grosso do Sul, O avesso da pele também havia sido recolhido em outros três estados. No dia 6 deste mês, ele voltou a ser disponibilizado nas escolas do Paraná e de Goiás.
O livro também chegou a banido no Rio Grande do Sul, mas voltou às unidades ainda em março.
Polêmica
O livro foi vencedor do Prêmio Jabuti de romance literário em 2021 e selecionado pelo PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático) junto ao FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação) que compra e distribui livros para as escolas públicas brasileiras a partir da avaliação de banca com professores, mestres e doutores.
O livro trata das relações raciais, sobre violência e negritude e identidade na história fictícia de Pedro, que, após a morte do pai, assassinado em uma desastrosa abordagem policial, sai em busca de resgatar o passado da família e refazer os caminhos paternos.
O caso ganhou repercussão depois que a diretora de uma escola gaúcha chamou de "lamentável" o envio de 200 exemplares da obra para a Escola Estadual de Ensino Médio Ernesto Alves de Oliveira.
Em vídeo postado nas redes sociais, Janaína Venzon criticou o envio dos livros "com vocabulários de tão baixo nível para serem trabalhados com estudantes do ensino médio"
Em nota, o Ministério da Educação (MEC) explicou o processo de inclusão de obras no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD).
O MEC esclareceu que os professores escolhem livros a serem adotados em sala de aula, e não o MEC e que a pasta envia obras para escolas apenas mediante solicitação dos próprios educadores.
“A escolha das obras literárias a serem adotadas em sala de aula é feita pelos educadores de cada escola a partir do Guia Digital, onde as obras integrantes do programa estão listadas para conhecimento de professores e gestores.”
Após a repercussão do caso, o "Avesso da Pele" registrou um aumento de 400% das vendas entre livros físicos e ebooks.




