Cidades

danos morais

União deve indenizar motorista e passageiros por abordagem abusiva da PRF em MS

Veículo foi abordado e revistado e forma considerada truculenta na região de fronteira com o Paraguai, segundo a Justiça Federal

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A 2ª Vara Federal de Campo Grande condenou a União a indenizar por danos morais um motorista e demais ocupantes de um veículo abordado de forma considerada indevida em uma rodovia de Mato Grosso do Sul. O caso aconteceu em 2013 e a decisão, da juíza federal Janete Lima Miguel, é deste mês.

A indenização foi fixada no valor de R$ 15 mil para cada autor da ação, que são sete pessoas, o que dá o valor total de R$ 105 mil.

Os ocupantes do veículo ajuizaram ação alegando que foram abordados por dois agentes da PRF no feriado de 7 de setembro e 2013, que exigiram os documentos de todos e pediram para que todos aguardassem no local enquanto iam atender uma ocorrência.

Ainda segundo os autores da ação, a ordem foi cumprida e os policiais voltaram após 30 minutos e começaram a pressionar o motorista e insinuar que ele estaria transportando mercadorias ilícitas.

Alegaram também que mesmo sem qualquer resistência por parte dos ocupantes, os policiais realizaram revista no veículo de maneira truculenta e desrespeitosa, revistando bagagens e danificando pertences, como alimentos que foram jogados ao chão ou manuseados de forma inadequada, resultando em prejuízos.

O fato teria causado abalo moral, pois motorista e passageiros afirmam terem se sentido ofendidos diante da abordagem que consideraram "excessiva e infundada". Na ocasião, também foi registrada uma reclamação formal na 3ª Superintendência Regional da PRF.

Em sua defesa, a União negou a irregularidade e sustentou que a abordagem realizada pela PRF se deu no "regular exercício da função de segurança pública" e afirmou não haver qualquer indício de ilicitude ou dano moral.

A União destacou ainda que a abordagem ocorreu em região de fronteira com o Paraguai e que o motorista possuía histórico criminal relacionado ao tráfico de drogas, fato que teria sido ocultado por ele no momento da fiscalização, além de demonstrar nervosismo, que aumentou as suspeitas de alguma irregularidade.

Por fim, a PRF justificou que não houve constrangimento na fiscalização, agressividade ou tratamento ofensivo por parte dos policiais e que a entrevista do motorista ocorreu em separado, como técnica de abordagem utilizada para preservar a intimidade do mesmo, considerando a condição de ex-presidiário.

Desta forma, a União concluiu alegando inexistir elementos configuradores de abalo moral, "uma vez que a atuação policial foi legítima, cautelosa e proporcional às circunstâncias",

Decisão

Para a juíza, não houve justificativa legal adequada para a busca veicular e pessoal realizada pelos policiais rodoviários.

“As provas trazidas ao processo permitem concluir que a abordagem policial não decorreu de denúncia de crime ou suspeita em relação ao veículo. A extrapolação de limites na fiscalização, com adoção de condutas truculentas e humilhantes, configura violação de direitos e enseja a reparação”, afirmou. 

A magistrada destacou o fato de que não houve resistência por parte dos ocupantes do veículo que justificasse a busca veicular e pessoal e salientou que o constrangimento imposto aos viajantes fere o princípio da dignidade humana.   

A sentença também observou que a versão policial não destoa da dos autores quanto à minúcia da busca realizada, de que malas foram reviradas e colocadas no chão da estrada, alimentos foram danificados e pertences pessoais expostos. 

 “Verifica-se, portanto, que abordagem extrapolou os limites do mero cumprimento do dever legal”, concluiu.

Mercado Clandestino

Vigilância queima 1 tonelada de canetas emagrecedoras e esteróides irregulares em Dourados

Os produtos foram apreendidos em operações nos centros de distribuição dos Correios em todo o Estado

18/06/2026 17h45

Operação Visa Protege já apreendeu mais de 20 mil produtos irregulares

Operação Visa Protege já apreendeu mais de 20 mil produtos irregulares Divulgação/SES

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A Vigilância Sanitária de Mato Grosso do Sul (CVISA) realizou a incineração de quase uma tonelada de medicamentos e produtos irregulares que foram apreendidos durante fiscalizações em todo o Estado. 

A queima dos produtos aconteceu nesta quinta-feira (19), no município de Dourados, para dar fim a medicamentos emagrecedores do tipo GLP-1, canetas emagrecedores, peptídeos para fins estéticos e esteroides anabolizantes de origem estrangeira, que não possuam comprovação de procedência ou registro e regularização junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Os itens que foram destruídos foram recolhidos em operações da CVISA em centros de triagem e distribuição dos Correios e em transportadoras que atuam em Mato Grosso do Sul. 

Desde o mês de fevereiro de 2026, as ações já resultaram nno recolhimento e apreensão de mais de 20 mil produtor irregulares, um prejuízo estimado em mais de R$ 15 milhões. 

Para o gerente da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Pirolo, a incineração dos produtos ilegais marca uma nova etapa no enfrentamento ao comércio de medicamentos contrabandeados. 

“Em apenas quatro meses de operação, alcançamos um volume de apreensões sem precedentes. Do ponto de vista da Vigilância Sanitária, trata-se de uma iniciativa inédita no Brasil, resultado de um trabalho permanente de fiscalização e proteção da saúde pública”.

Mercado clandestino

De acordo com a CVISA, os produtos apreendidos não possuiam garantia de procedência, nem transporte adequado, armazenamento correto, controle sanitário e eram comercializados nos canais ilegítimos e não autorizados, como redes sociais, marketplaces e aplicativos de mensagens. 

Com o aumento da apreensão de produtos irregulares vindo pelos Correios, foi implementada a Operação Visa Protege nos centros de distribuição, com inspeções diárias de mercadorias vindos de região de fronteira. 

Para a Vigilância, os centros de distribuição dos Correios são considerados, atualmente, um dos principais desafios para o controle do comércio irregular de produtos. 

Grande parte dos materiais apreendidos são medicamentos para emagrecimento que exigem avaliação médica, prescrição e acompanhamento profissional para serem utilizados, reforçando outro desafio observado pela Vigilância que é a automedicação, sem nenhum controle sobre dosagem ou procedência. 

Para Pirolo, nas apreensões foram encontradas substâncias sem nenhuma autorização de comercialização nos países de origem e produtos com concentração real desconhecida, o que aumenta o risco de superdosagem e danos ao fígado, rins e pâncreas. 

“Muitas pessoas observam apenas o resultado imediato, que geralmente é o emagrecimento. Mas não sabem quais serão os efeitos a médio e longo prazo. Estamos falando de produtos que podem causar alterações importantes no organismo e que, muitas vezes, sequer têm sua composição conhecida”, alerta.

O gerente ainda reforça que s Vigilância Sanitária não é contrária ao uso de medicamentos, desde que sejam utilizados da forma correta. 

“Não somos contra os medicamentos. Essas tecnologias representam avanços importantes da indústria farmacêutica e podem trazer benefícios significativos quando utilizadas de forma adequada. O que combatemos é o uso irracional, sem prescrição, sem acompanhamento médico e sem dispensação em estabelecimentos regularizados”.


 

Ciclovias

Campo Grande libera ciclovias para patinetes e equipamentos elétricos

Regra vale por 180 dias e busca organizar uso compartilhado, aumentar a segurança e orientar futura regulamentação

18/06/2026 17h28

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A Prefeitura de Campo Grande passou a permitir, em caráter experimental, o uso compartilhado de ciclovias e ciclofaixas por bicicletas e equipamentos de mobilidade individual autopropelidos, como patinetes elétricos.

A medida foi oficializada nesta quinta-feira (18), por meio de portaria publicada em edição extra do Diário Oficial do município.

Com validade inicial de 180 dias, a iniciativa pretende organizar a utilização da malha cicloviária da Capital diante do crescimento no uso desses modais alternativos. A proposta também visa ampliar a segurança no trânsito e reunir dados técnicos que subsidiem a criação de uma regulamentação definitiva.

A decisão acompanha a expansão dos equipamentos elétricos individuais como opção de deslocamento urbano.

A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) destaca que o período de testes permitirá avaliar o comportamento dos usuários e os impactos da convivência entre diferentes meios de transporte leve.

A regulamentação experimental permitirá que a AGETRAN acompanhe a evolução desses novos modais, garantindo segurança aos usuários e fornecendo subsídios técnicos para aperfeiçoar a legislação municipal e a infraestrutura cicloviária da Capital”, destaca a Agência.

Pelas regras estabelecidas, está autorizado o compartilhamento das vias exclusivas por bicicletas e dispositivos elétricos, desde que atendam às normas federais. Entre os critérios exigidos estão potência máxima de até 1.000 watts e velocidade de fabricação limitada a 32 quilômetros por hora.

Durante o período experimental, os usuários deverão respeitar normas de convivência, como adequação de velocidade ao fluxo de pessoas e às condições da via.

A portaria também prevê a realização de campanhas educativas, monitoramento contínuo da circulação e possível implantação de sinalização específica.

Entre os pontos que serão avaliados estão o volume de usuários, os padrões de utilização das ciclovias, ocorrências envolvendo segurança viária e eventuais conflitos entre os modais.

Ao final dos 180 dias, os dados coletados servirão de base para ajustes na infraestrutura cicloviária e para a elaboração de regras permanentes voltadas à mobilidade urbana sustentável em Campo Grande.

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