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União libera R$ 6 milhões e põe fim a outro conflito indígena em MS

Indenização será paga por 479 hectares da aldeia Jarará, no município de Juti, que está em disputa faz mais de três décadas

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Um ano e quatro meses após o acordo histórico que colocou fim a uma disputa de 25 anos  entre fazendeiros e indígenas pela posse de  9,3 mil hectares de terras no município de Antônio João, um segundo acordo foi firmado nesta sexta-feira (16) e encerrou uma guerra judicial envolvendo a Terra Indígena Jarará, no município de Juti, na região sul de Mato Grosso do Sul.

Desta vez, o Governo Federal  concordou em repassar R$ 6 milhões, o equivalente a R$ 12,5 mil por hectare, por uma parcela da fazenda São Miguel Arcanjo, pertencente à família Subtil. Em troca, os fazendeiros abrem mão a disputa judicial pela posse de 479 hectares. 

A área, próximo da área urbana de Juti, foi declarada terra indígena em 1992 e no ano seguinte foi demarcada, mas até hoje havia disputa judicial pela posse. Atualmente, cerca de 50 famílias vivem na aldeia, que há mais de duas década tem escola, posto de saúde, casas construídas com recursos públicos e energia elétrica, entre outras benfeitorias.

E, diferentemente do caso de Antônio João, não existem registros de violência relacionados à posse das terras. Em Antônio João, onde o acordo firmado em setembro de 2024 previu o repasse de R$ 146 milhões em troca dos 9.317 hectares, ocorreu uma série de assassinatos ao longo de quase três décadas. A última morte ocorrera semanas antes do acordo. 

Conforme o advogado Eloy Terena, secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, a comunidade recebeu, em dezembro de 2025, uma comitiva do ministério e da Funai  para apresentar proposta para encerrar o litígio que se arrastava havia mais de três décadas.

Naquele primeiro encontro, porém, a comunidade solicitou maior prazo para deliberação interna quanto aos termos do acordo que estava sendo construído judicialmente junto ao Superior Tribunal de Justiça, já que reivindicavam parcela maior da fazenda.

Depois disso, nesta sexta-feira (16) uma nova comitiva, composta por membros do Ministério dos Povos Indígenas, da AGU e da FUNAI realizou nova rodada de diálogo com as famílias da aldeia Jarará e a comunidade aceitou os termos do acordo judicial, segundo Eloy Terena.

Para Eloy, "isso representa, na prática, a garantia do direito territorial da comunidade que por tantos anos sofreu pela insegurança jurídica no território. A garantia do território é o ponto de partida para a construção e desenvolvimento de outros direitos. É uma medida efetiva para o povo e que sana uma demanda histórica por direitos", destaca o advogado sul-mato-grossense que ocupa o segundo posto mais importante do Ministério dos Povos Indígenas.

Conforme o acordo, a União terá de emitir um precatório no valor de R$ 6 milhões até fevereiro deste ano. E, se este prazo for cumprido, a indenização pelas benfeitorias e a terra nua será repassado no começo do próximo ano à família Subtil, que ainda continua na posse da maior parte da fazenda São Miguel Arcanjo. 

Sem os acordos judiciais, os proprietários das terras em Antônio João e em Juti teria direito somente à indenização pelas benfeitorias. No caso de Antônio João, por exemplo, a União emitiu um precatório no valor de R$ 102,2 milhões pelas terra, pagou R$ 27,8  milhões pelas benfeitorias e o governo do Estado repassou mais R$ 16 milhões para que os fazendeiros saíssem das propriedades. 

LONGE DO FIM

Os dois acordos firmados até agora são somente uma espécie de luz no fim do túnel para o problema das disputas entre indígenas e proprietários rurais em Mato Grosso do Sul.

Relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) divulgado em julho do ano passado revela que no Estado existiam 148 áreas com algum tipo de disputa. O levantamento mostrou que  que o Estado é o segundo do país com maior número de pendências, perdendo para o Amazonas, que tinha 222 conflitos.

O Governo Federal criou

E estes conflitos acabam saindo caro tanto para o poder público quando para os proprietários rurais, que não conseguem produzir e ainda precisam investir na segurança para tentar impedir novas invasões. 

Somente a manutenção constante da Força Nacional de Segurança Pública em Mato Grosso do Sul, criada em 2011, custa em torno de R$ 1 milhão por mês, conforme estimativa do Ministério dos Povos Indígenas. 

Moradores da aldeia Jarará e representantes do Governo Federal celebram o acordo que encerra longa disputa judicial

MARCA TRISTE

MS se aproxima de mil ocorrências de violência doméstica em 17 dias

Campo Grande lidera com mais de 300 denúncias, seguido por Dourados e Três Lagoas; média diário de denúncias é de 52

17/01/2026 11h00

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) atende presencialmente no Jardim Ima, na Capital

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) atende presencialmente no Jardim Ima, na Capital Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Mato Grosso do Sul está próximo de bater a triste marca de mil denúncias de violência doméstica em 2026, isso com apenas 17 dias.

Segundo dados do Monitor da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) em parceria com o Poder Judiciário, 896 denúncias foram formalizadas nos órgãos este ano. 

Considerando que os números foram atualizados até a noite desta sexta-feira (16), a média diária de denúncias é de 56. Seguindo essa lógica, janeiro deve fechar com cerca de 1,6 mil violências domésticas.

Mesmo que seja um número “assustador”, ainda é menor que o registrado em 2025, quando foram catalogadas 60 denúncias por dia, em média. Como reportado pelo Correio do Estado no final do ano passado, com quase 22 mil ocorrências, 2025 se tornou o ano mais violento contra mulheres desde 2015, quando os dados começaram a ser contabilizados e divulgados publicamente.

Ainda sobre 2026, Campo Grande lidera como o município com mais denúncias, com 308, seguido por Dourados (70) e Três Lagoas (46). Até o momento, apenas as cidades de Rio Negro, Figueirão, Novo Horizonte do Sul, Taquarussu, Jateí e Aral Moreira.

Medidas protetivas

Também segundo o Monitor da Violência contra a Mulher, 758 medidas protetivas de urgência já foram solicitadas este ano, sendo que 64,38% (488) dessas foram concedidas e 11,21% (85) foram prorrogadas. O restante ainda deve estar em análise dos órgãos responsáveis.

Em 2025, Mato Grosso do Sul atingiu recorde de medidas protetivas solicitadas, com 16.027. Porém, não bateu recorde de concessões, já que “apenas” 14.408 foram autorizadas pela Justiça, o que corresponde a 89,90% do total.

Vale lembrar que as medidas protetivas são usadas para proteger mulheres em situação de violência familiar ou doméstica, sendo um dos principais instrumentos para, pelos menos, tentar proteger mulheres de qualquer tipo de violência seja qual for o âmbito.

"Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social", diz o art.2 da Lei nº 11.340 (Lei Maria da Penha).

1º de 2026

A primeira vítima de feminicídio do ano, Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta na manhã desta sexta-feira (16) ao levar um tiro de espingarda de seu marido em sua casa, próxima à Capela Santo Antônio na zona rural de Bela Vista. O homem, identificado como Fernando Veiga, cometeu suicídio logo após assassinar a esposa.

Na residência do casal, a Polícia Civil encontrou sinais de luta corporal. Foram apreendidas no imóvel duas armas de fogo tipo espingarda, calibre 12, arma artesanal .22, duas longas .22 e revólver .38 que serão analisadas durante a investigação. 

Conforme o relato de testemunhas, o casal possuía histórico de brigas e violência doméstica, mas sem registro policial das agressões. Os celulares do casal também foram apreendidos para a perícia analisar a motivação do crime.

Em 2025 Mato Grosso do Sul registrou um total de 39 feminicídios ao longo do ano, quatro casos a mais que o registrado em 2024, que contabilizou 35 feminicídios. O primeiro caso do ano passado havia sido registrado apenas em fevereiro, tendo janeiro sido o único mês sem mortes do tipo registradas.

Ligue 180

A Central de Atendimento à Mulher Ligue 180 é um serviço de utilidade pública para o enfrentamento à violência contra as mulheres.

A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O Ligue 180 presta os seguintes atendimentos:

  • orientação sobre leis, direitos das mulheres e serviços da rede de atendimento (Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros.;
  • informações sobre a localidade dos serviços especializados da rede de atendimento;
  • registro e encaminhamento de denúncias aos órgãos competentes;
  • registro de reclamações e elogios sobre os atendimentos prestados pelos serviços da rede de atendimento.
  • É possível fazer a ligação de qualquer lugar do Brasil ou acionar o canal via chat no Whatsapp (61) 9610-0180. Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar, por meio do 190.

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AVISO

Chuva deve atingir maior parte do Estado neste sábado

Inmet publicou alerta de 'chuvas intensas' para os 79 municípios sul-mato-grossenses, com chance de até 50 mm de precipitação

17/01/2026 10h00

Risco de chuva na Capital deve estender-se até a manhã deste domingo (18)

Risco de chuva na Capital deve estender-se até a manhã deste domingo (18) Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Todos os municípios de Mato Grosso do Sul estão sob o alerta de chuvas intensas até a manhã deste domingo (18), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Conforme o aviso, que começou às 08h26 deste sábado (17), chuvas entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, e ventos intensos que podem alcançar 60 km/h devem ser vistos pela população sul-mato-grossense na maior parte deste final de semana.

Mesmo assim, conforme o instituto, há “baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas”. Ainda, o Inmet emitiu orientações às populações das cidades alvos, como:

  • Em caso de rajadas de vento: (não se abrigar debaixo de árvores, pois há leve risco de queda e descargas elétricas e não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda).
  • Evitar usar aparelhos eletrônicos ligados à tomada.
  • Obter mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).

Outros estados brasileiros também estão sob aviso de chuvas intensas, especialmente na região norte e boa parte das regiões sudeste e sul.

Estragos recentes na Capital

Na tarde da última terça-feira (13), as chuvas que caíram em Campo Grande foram rápidas, mas o suficiente para causar alagamento em alguns pontos da cidade.

Um dos locais que ficou alagado é a Avenida Ministro João Arinos, na saída para Três Lagoas, embaixo do viaduto.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram que o trecho virou um rio e motoristas que se arriscaram a passar pelo local acabaram presos no alagamento.

Em um dos vídeos, é possível ver ao menos três veículos parados, sendo um caminhão, uma caminhonete e um carro de passeio, que chegou a ficar com parte frontal submersa.

Além disso, outros motoristas mais cautelosos evitaram enfrentar a enxurrada e aguardavam a água baixar, paralisando o tráfego no local.

A chuva forte durou menos de uma hora e até a publicação desta reportagem ainda não havia dados de quantos milímetros choveu.

As chuvas têm sido frequentes na Capital durante o mês de janeiro e são típicas de verão, que são precipitações fortes e rápidas.

Na semana passada, no dia 6, o temporal também causou alagamentos e alguns estragos, entre eles, a Avenida Rachid Neder, que é considerado um ponto crítico em períodos de chuva, teve parte do asfalto arrancado. O trecho foi recuperado na última sexta-feira (9), com liberação total da via.

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