Cidades

Faixa de Fronteira

Unidades do Exército em MS terão reforço de 200 blindados

Equipamentos vão reforçar unidades do Comando Militar do Oeste em Dourados, Ponta Porã, Bela Vista e Amambai; na Capital, investimento será em inteligência e "guerra cibernética"

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As unidades do Exército em Mato Grosso do Sul terão o reforço de mais de 200 viaturas blindadas no curto prazo, revelou nesta terça-feira (22) o chefe do Estado-Maior do Exército, general Richard Fernandes Nunes. A informação foi trazida durante evento com autoridades do Estado, entre elas o governador Eduardo Riedel, para mostrar parte dos planos estratégicos da maior das Forças Armadas para o Comando Militar do Oeste (CMO) até 2027.

O reforço maior é endereçado à 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, de Dourados, que é uma das que mais receberão equipamentos até 2027.

Blindado Guarani, do Exército Brasileiro

Está prevista a chegada de pelo menos 75 blindados do tipo Guarani, sendo que a maioria será de viaturas de transporte, mas também estão previstas viaturas para posto de comando, ambulância, artilharia antiaérea e engenharia.

A unidade em Dourados é uma das mais equipadas da fronteira oeste do Brasil e é base da única unidade operacional do Sistema de Vigilância da Fronteira (Sisfron), projeto da década passada que ainda está em fase de implantação pelas Forças Armadas, após várias idas e vindas devido a restrições orçamentárias.

Também terão um importante reforço, com os blindados Centauro — que estão sendo importados da Itália — os Regimentos de Cavalaria Mecanizada de Ponta Porã e Amambai. Cada batalhão terá 12 unidades desse modelo de blindado.

A nova geração dos blindados Cascavel, velho conhecido da população brasileira, também terá unidades em Mato Grosso do Sul. O Regimento de Cavalaria Blindada de Bela Vista será contemplado com esses veículos.

Os blindados do modelo Guaicurus, desenvolvidos no Brasil e que têm se destacado por sua agilidade e mobilidade, também virão para os quartéis já citados de Bela Vista, Ponta Porã e Amambai.

Mais investimentos

Futuramente, também não se descarta que os modernos helicópteros Black Hawk, importados dos Estados Unidos, venham para o Batalhão de Aviação do Exército (Bavex), em Campo Grande.

O Comando Militar do Oeste ainda deve receber investimentos como a implantação do Sisfron na área da Brigada de Infantaria do Pantanal, em Corumbá, e na Brigada de Infantaria Motorizada de Cuiabá (MT).

Ainda segundo o chefe do Estado-Maior do Exército, estão previstos investimentos para prosseguir com a implantação do 6º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Campo Grande; do 9º Batalhão de Comunicações e Guerra Eletrônica, também na Capital de MS; na modernização de todos os pelotões de fronteira da área do CMO; e na implantação do Núcleo de Estudos Estratégicos do CMO.

Apesar da baixa densidade populacional, a faixa de fronteira faz do CMO um dos comandos mais estratégicos para o Exército Brasileiro. O Comando Militar do Oeste guarda 14,8% do território nacional e uma faixa de fronteira superior a 3 mil quilômetros, com Bolívia e Paraguai.
A título de comparação, a faixa de fronteira sob responsabilidade do CMO, com sede de comando em Campo Grande, é superior à fronteira México–Estados Unidos, que tem aproximadamente 3 mil quilômetros de extensão.

Necessidade

Richard falou da importância de se investir permanentemente em defesa. Ao comentar o custo dos equipamentos adquiridos pelo Exército, lembrou que são caros, porém necessários. Também comparou o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) que o Brasil gasta com defesa — aproximadamente 1% — com o de outros países, apontando que é um valor muito inferior.

“Pergunta lá para os europeus hoje se eles não gostariam de ter gastado mais um pouco na Defesa há alguns anos, para não estarem vivendo o que estão vivendo hoje”, ponderou.

E complementou, durante a apresentação, ao falar dos investimentos: “Ou o Brasil tem autonomia para preservar a soberania, ou vai correr o risco de ter outros coturnos pisando no nosso solo que não sejam de soldados brasileiros”, alertou.
 

Destino dos novos blindados em MS, por modelo: 

Centauro: 

  • 11º RC Mec Ponta Porã: 12 viaturas
  • 17º RC Mec Amambai: 12 viaturas

Cascavel NG: 

  • 10º RC Mec Bela Vista: 12 viaturas

Guarani: 

  • 4ª Bgda de Cavalaria Mecanizada Dourados: 75 blindados 

Guaicurus: 

  • 10º RC Mec Bela Vista: 32 viaturas
  • 11º RC Mec Ponta Porã: 32 viaturas
     
Centauro II é o mais moderno blindado da América do Sul em Operação, e virá para MS

 

 

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Fim das Bets

Governo mira 5 mil bets enquanto milhares de apostadores enfrentam prejuízos em MS

Ofensiva nacional já determinou bloqueio de 2.387 sites; em Campo Grande, 32,5 mil pessoas foram identificadas como apostadoras on-line

29/09/2026 15h57

A partir do dia 6 de outubro todos os aplicativos e site de bets deverão sair do ar, em todo o Brasil

A partir do dia 6 de outubro todos os aplicativos e site de bets deverão sair do ar, em todo o Brasil Foto: Paulo Ribas/arquivo

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Enquanto Mato Grosso do Sul já contabiliza milhares de pessoas envolvidas com apostas on-line, o governo federal intensificou a ofensiva contra plataformas irregulares. Até esta terça-feira (29), foram indicados para derrubada 5.209 domínios relacionados a apostas, dos quais 2.387 já tiveram o bloqueio determinado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

O número ganha dimensão local diante do levantamento publicado pelo Correio do Estado neste mês, que identificou 32,5 mil moradores de Campo Grande como apostadores on-line. O contingente corresponde a 3,35% da população da Capital e é superior à população de 63 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.

A ofensiva também mira a divulgação das bets nas redes sociais. Até agora, foram removidas 300 páginas do Facebook e 90 perfis do Instagram usados para promover ou facilitar o acesso a apostas irregulares. O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), iniciou nesta terça-feira ações para retirar conteúdos relacionados às bets ilegais do TikTok.

No Telegram, a operação alcançou 1.014.722 membros e usuários de canais, grupos e perfis relacionados às plataformas irregulares. Também foram notificados 186 aplicativos para retirada das lojas da Apple e do Google até 6 de outubro.

Outras oito grandes plataformas: Google, Meta, YouTube, X, Telegram, TikTok, Kwai e Discord  receberam notificações para retirar publicidade de apostas irregulares do ar no prazo de dez dias.

Apostas e prejuízos

O avanço da fiscalização ocorre em meio a sinais dos impactos do mercado de apostas em Mato Grosso do Sul. Segundo levantamento anterior do Correio do Estado, mais de 300 sul-mato-grossenses buscaram ajuda do SUS em apenas seis meses por problemas relacionados às apostas.

Outro levantamento do jornal identificou 11 processos judiciais envolvendo apostadores que alegam ludopatia. Juntos, os casos movimentaram mais de R$ 22,7 milhões nas plataformas, enquanto as perdas relatadas chegaram a aproximadamente R$ 1,7 milhão.

Em um dos casos, um morador de Campo Grande movimentou cerca de R$ 9,5 milhões em apostas ao longo de três anos e acumulou perda aproximada de R$ 715,7 mil.

Os números mostram que a ofensiva contra as plataformas não se restringe ao bloqueio de endereços na internet, mas atinge um mercado que já tem alcance expressivo entre os consumidores sul-mato-grossenses.

Publicidade

A ação conjunta do MJSP e do Ministério da Fazenda ocorre no âmbito da Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa em território nacional.

A Secretaria Nacional de Direitos Digitais indicou 1.386 domínios, enquanto a Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, apontou outros 3.823.

A Polícia Federal também investiga crimes relacionados ao mercado ilegal de apostas. Entre março de 2023 e agosto de 2026, foram realizadas 12 operações, com pelo menos 73 mandados de busca e apreensão e 15 de prisão. Os pedidos de sequestro de bens e recursos registrados nessas ações somam aproximadamente R$ 4,17 bilhões.

As investigações envolvem organizações suspeitas de operar apostas ilegais e crimes associados, como lavagem de dinheiro.

Operação Obstructio

Advogado de delegado é preso por suspeita de vazar operação

Amilton Ferreira de Almeida, advogado de defesa do delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, ex-titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), preso no último dia 24

29/09/2026 15h45

Amilton Ferreira de Almeida, preso nesta terça-feira (29)

Amilton Ferreira de Almeida, preso nesta terça-feira (29) Foto: Reprodução / Instagram

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Amilton Ferreira de Almeida, advogado de defesa do delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, ex-titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), preso no último dia 24, também foi preso temporariamente por 30 dias, suspeito de vazar informações sigilosas da operação realizada na última semana.  

A ação batizada de "Obstructio" foi realizada na manhã desta terça-feira (29) por agentes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPMS), desdobramento da Operação Infiltrados, que culminou na prisão do delegado na última quinta-feira. 

Conforme divulgado pelo Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS), a operação cumpriu um mandado de prisão e dois de busca e apreensão na Capital. 

Ainda nas primeiras horas da manhã, agentes do Gaeco estiveram na altura do número 1.200 da rua 14 de julho, no Centro de Campo Grande, local de alguns escritórios de advocacia. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanhou as diligências.

Vazamentos

O Ministério Público frisou, em nota, que já existem evidências materializadas de que houve uma comunicação criminosa durante a ação da última semana, e que Amilton teria atuado justamente para dificultar o cumprimento das medidas judiciais. 

Deflagrada pelo Gaeco em conjunto com as corregedorias das polícias Civil e Militar na última quinta-feira, a investigação apura suspeitas de tráfico de drogas e outros crimes que envolviam integrantes das forças de segurança pública. 

Durante a primeira fase foram expedidos ao todo 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão para cumprimento em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Balanço divulgado pelo MPMS já indicou que, até então, já haviam sido cumpridos mandados de prisão preventiva contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.

As investigações que culminaram na prisão do delegado começaram em outubro de 2025 no decorrer das operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado.

O grupo é investigado por um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, especialmente cocaína, o que levou à prisão de Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa na última semana. 

Uma das suspeitas é de que parte dos entorpecentes apreendidos não fosse incluída nos registros oficiais. A investigação também apura a retirada de drogas armazenadas em depósitos de delegacias.

Os entorpecentes desviados seriam posteriormente repassados a traficantes ligados ao grupo e recolocados no mercado ilegal.

Colaboraram Leo Ribeiro e Alicia Miyashiro**

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