À espera de licença para instalação de uma nova fábrica de celulose em Bataguassu, a empresa Bracell, controlada pelo grupo asiático Royal Golden Eagle (RGE), de Singapura, tomou um empréstimo de R$ 1,5 bilhão junto ao BTG Pactual para o plantio de mais 54 mil hectares de florestas de eucalipto em Mato Grosso do Sul.
A previsão mais recente do Governo do Estado é de que em maio seja concedida a licença de instalação e a construção da fábrica comece ainda em 2026. E, após investimentos da ordem de R$ 16 bilhões entre em operação após 38 meses de obras.
De acordo dom o projeto inicial, serão produzidas em torno de 2,8 milhões de toneldas de celulose por ano, inclusível solúvel. Essa produção demandará em torno de 300 mil hectares de eucaliptos. Ou seja, o empréstimo de R$ 1,5 bilhão do BTG será suficiente para o plantiou de menos de 20% daquilo que será necessário para o consumo do fábrica.
O financiamento integra o segundo leilão do Eco Invest Brasil, um programa do Governo Federal para atrair investimenos estrangeiros e privados à recuperação de áreas degradadas. Por este programa, o tesouro federal oferece aos bancos recursos a um custo baixo (1% ao ano), exigindo em contrapartida que eles alavanquem esse dinheiro com captação de recursos privados.
Do total ofertado pelo banco, de R$ 4,9 bilhões, formado por 40% de recursos do Tesouro Nacional e o restante captado junto a investidores, o compromisso é viabilizar a restauração de 164 mil hectares, transformando essas áreas em sistemas de produção agropecuária e florestal.
O contrato firmado com a Bracell foi o primeiro assinado dentro dessa iniciativa e representa cerca de um terço da área total prevista pelo banco.
ELO COM SP
Antes de definir a região da Bataguassu como local para instalação de sua nova indústria, a Bracell planejava construir sua fábrica em Água Clara, onde iniciou o plantio de pelo menos 50 mil hectares ainda em 2021.
Estas florestas, porém, serão industrializadas na fábrica de Lençóis Paulista (SP). Na última terça-feira (12) a câmara de vereadores de Três Lagoas aprovou a doação de quase nove hectares para que empresa construa um porto às margens do Rio Sucuriu.
Deste porto será escoada a madeira rumo ao terminal de Pederneiras, próximo à fábrica em São Paulo. A previsão é de que sejam investidos R$ 97 milhões na instalação desta infraestrutura, que terá capacidade para operar até 24 horas por dia.
Como contrapartida, a empresa deverá investir ao menos R$ 3 milhões em obras de infraestrutura pública no Parque da Cascalheira. O projeto prevê a geração de cerca de 200 empregos durante as obras e 130 postos de trabalho diretos na fase operacional.
A madeira a ser extraída na região de Água Clara será levada em caminhões até o porto e de lá seguirá em barcaças pela hidrovia Paraná–Tietê, evitando que as carretas percorram os quase 400 quilômetros que separam Três Lagoas de Lençóis Paulista.
Após ser indagada pelo Correio do Estado se a construção do porto em Três Lagoas seria indicativo de um possível adiamento da construção da fábrica de Bataguassu, a Bracell enviou nota dizendo que "o projeto industrial de uma futura fábrica em Bataguassu possui logística própria, baseada em floresta plantada no entorno da unidade, não havendo relação ou conflito com a iniciativa em Três Lagoas".
(Com informações do Portal da Celulose)

