Cidades

Referência Global

Ureia desenvolvida em Campo Grande tem fórmula única e é exportada para 17 países

A ureia é conhecida mundialmente como a fonte mais econômica de proteína para ruminantes; inovação desenvolvida em Campo Grande coloca o Brasil no mapa da inovação agropecuária

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Uma empresa campo-grandense se tornou referência global na suplementação proteica para rebanhos com o desenvolvimento de uma ureia extrusada com fórmula exclusiva. Atualmente, o produto, que é único no mercado, é exportado para 17 países.

A Amireia Pajoara, empresa com quase 30 anos de mercado, desenvolveu o produto inicialmente de forma empírica, ou seja, baseado em observações e experiências. O maquinário próprio para a produção da receita também foi desenvolvido pela empresa.

O atual CEO da empresa e filho do criador da fórmula da ureia extrusada, João Paulo M. Piotto, revelou que a forma com que o produto foi desenvolvido chega a ser inexplicável, porque o pai tinha muito "feeling" durante o trabalho.

“A gente nem sabe explicar direito, mas ele identificava pelo toque, pelo cheiro; foi desse jeito que tudo começou. Hoje, a Amireia 200 S, que é um produto único, tem alta tecnologia fabril e atende a suplementação proteica do rebanho, elevando a capacidade digestiva dos ruminantes e minimizando o custo de produção”. O produto, além de trazer segurança para o uso durante todo o ano, é uma fonte de Nitrogênio Não Proteico (NNP) protegida e garantida.

A ureia, que é conhecida mundialmente como a fonte mais econômica de proteína para ruminantes, serviu como ponto de partida para a empresa, que se dedicou a pesquisar alternativas de lenta degradação.

Após uma extensa investigação, a Amireia Pajoara encontrou na tecnologia STAREA uma resposta promissora. A tecnologia, desenvolvida na Universidade Estadual de Kansas, nos Estados Unidos, combina a extrusão da ureia com o milho, resultando em um produto altamente estável, seguro e com lenta degradação no organismo dos animais.

Com esse avanço, a Amireia Pajoara tornou-se a primeira empresa no mundo a produzir industrialmente ureia extrusada, utilizando essa tecnologia.

A fórmula única e pioneira desenvolvida em Campo Grande, coloca o Brasil no mapa da inovação agropecuária, reafirmando o potencial do país na produção de tecnologias eficientes e sustentáveis para a nutrição animal.

Para o secretário municipal de Inovação, Desenvolvimento Econômico e Agronegócio, Ademar Silva Junior, a empresa exemplifica o espírito inovador e empreendedor do campo-grandense.

“Temos muitas empresas aqui em Campo Grande, que são modelo para outras, por isso é tão importante termos políticas públicas que fortaleçam esses empresários, que transformam a cidade. Dentro da cidade já implementamos a Lei da Liberdade Econômica, a Lei das Franquias e seguimos trabalhando para aprimorar a Lei Municipal da Inovação, por exemplo”, ressalta.

Outra iniciativa importante é fortalecer as relações entre os países e fomentar o mercado exterior. Para isso, desde agosto de 2022 foi inaugurado em Campo Grande o Escritório Internacional CGR Business. Desde então, passaram por lá, autoridades e empresários das mais diversas cadeias produtivas de 43 países. O gestor do CGR Business, Paulo César Fialho, explica que o principal objetivo do Escritório Internacional é conectar a Capital aos mais relevantes centros de desenvolvimento político e econômico globais.

Em 2024, as exportações de Campo Grande somam US$ 320,416 milhões de dólares. Já as importações somam US$ 233,980 milhões de dólares. A corrente de comércio atinge US$ 554,397 milhões e o saldo comercial chega a US$ 86,436 milhões.

Em relação aos países integrantes da Rota de Integração Latino-Americana (RILA) – Argentina, Bolívia, Chile e Paraguai –, o comércio exterior de Campo Grande com estes países atingiu US$ 14,387 milhões em agosto de 2024 (cerca de 17,9% do movimento total da capital). O comércio entre Campo Grande e os países da RILA continua positivo para a capital, com saldo comercial de US$ 9,825 milhões no mês, demonstrando o grande potencial comercial, bem como de serviços e turismo que a integração com estes países está proporcionando. No ano, Campo Grande já acumula US$ 101,665 milhões transacionados com os países da RILA.

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julgamento

Conversas de Major Carvalho expuseram como funcionava rede de tráfico de drogas

Julgamento do Pablo Escobar Brasileiro e outros 30 acusados chegou ao terceiro dia na Bélgica

09/09/2026 18h52

Ex-major da PM de MS, Sérgio Roberto de Carvalho

Ex-major da PM de MS, Sérgio Roberto de Carvalho Foto: VRT News

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No terceiro dia de julgamento do ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sergio Roberto de Carvalho na Bélgica, o Ministério Público Federal daquele país mostrou como foi possível descobrir detalhes sobre o último carregamento de cocaína enviado do Brasil para a Europa pertencente a organização criminosa. A interceptação de mensagens entre o ex-policial foi fundamental para isso acontecer.

Segundo o Ministério Público Federal da Bélgica, foi graças a mensagens obtidas através da criptografia do serviço de mensagens EncroChat que os investigadores conseguiram reconstruir integralmente o último carregamento de cocaína da organização.

Matéria de sites belgas apontam que a magistrada federal Marianne Capelle analisou hora a hora  das mensagens trocadas pelos suspeitos, entre eles o ex-major Carvalho, no período entre o final de março de 2020 e o começo de abril do mesmo ano. 

“Sergio Roberto de Carvalho, o fornecedor da cocaína, envia então fotos dos contêineres onde a cocaína está escondida, bem como fotos dos números dos contêineres e dos lacres, e inclui uma lista detalhada dos contêineres que de fato contêm cocaína e dos demais que contêm apenas minério de manganês”, revelou o Ministério Público da Bélgica ontem, no julgamento.

Essas informações teria sido mandadas para celular de membros da organização criminosa gerida por Flor Bressers, tratado com um dos cabeças da quadrilha. 

A remessa chegou neste período das mensagens trocadas ao Porto de Roterdã, na Holanda, onde foi interceptada pela alfândega e pela polícia do país.

Ainda segundo apurou o Minitério Público Federal, foi identificado por meio dessas mensagens, “uma considerável inquietação dentro da organização criminosa quando os contêineres inicialmente não foram liberados pela alfândega e ameaçaram passar por uma inspeção minuciosa”.

A carga foi finalmente liberada em 14 de abril de 2020. Porém, a alfândega holandesa já havia descoberto e substituído a cocaína, e decidiu vigiar os contêineres para prender os responsáveis pela coleta.

No dia seguinte a organização transferiu dois contêineres para um armazém em Best, município holandês. A polícia de lá invadiu o local e prendeu cinco suspeitos naquela ocasião.

O carregamento interceptado era de 3,2 toneladas de cocaína. Porém, ainda segundo as mensagens, a rede que tinha major Carvalho como um dos cabeças, contrabandeou pelo menos 45 toneladas de cocaína por meio de portos europeus em um período de seis meses.

As investigações também descobriram que a empresa de tratamento de água Kriva Rochem, da Bélgica, estava envolvida no contrabando de cocaína a partir do Brasil.

JULGAMENTO

O julgamento começou em 15 de setembro de 2025 e tem quase um ano em andamento, com inúmeras paralisações durante este período e foi retomado na última segunda-feira (7).

São mais de 30 acusados, entre ex-major da PM de MS. O local onde os acusados ficam durante o júri, uma espécie de cabine de vidro, também é questionada pelos advogados. 

MAJOR CARVALHO

O ex-major Carvalho foi preso na Hungria em 2023, com um passaporte mexicano falso e era procurado pelas polícias do Brasil e pela Europa. Atualmente ele está detido na Bélgica.

Conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, a Polícia Federal (PF) estima que Major Carvalho tenha movimentado R$ 2,25 bilhões entre os anos de 2018 e 2020, com exportações de cocaína à Europa. 
 
O ex-major ingressou na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul no fim da década de 1980 como comandante do Batalhão Militar de Amambai, área de fronteira do Estado com o Paraguai.  

Na década de 1990, Carvalho já estava envolvido com atos ilícitos, como o contrabando de pneus. Anos depois, o ex-major foi pego contrabandeando uísque.

No Brasil, o Porto de Paranaguá (PR) era o preferido da quadrilha de Carvalho para as remessas de drogas ao Velho Continente.

denúncia aceita

Ex-diretor de presídio vira réu por receber propina de facção para facilitar crimes na cadeia

Policiais penais eram pagos por criminosos para liberarem entrada de drogas, celulares e para beneficiar detentos do Presídio Estadual de Dourados

09/09/2026 18h41

Policiais penais recebiam propinas de internos da Penitenciária de Dourados

Policiais penais recebiam propinas de internos da Penitenciária de Dourados Foto: Dourados News

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O juiz Marcel Goulart Vieira, da 2ª Vara Criminal de Dourados, aceitou denúncia contra o ex-diretor da Peninteciária Estadual de Dourados (PED), Rangel Schveiger, e mais 10 pessoas, entre servidores, detentos e uma advogada, por envolvimento em crimes cometidos dentro do estabelecimento prisional, dentre eles tráfico de drogas, corrupção de servidores públicos e um homicídio.

Ao aceitar a denúncia, o magistrado afirmou que estão presentes prova da materialidade do crime, bem como indícios suficientes da autoria. Assim, todos viraram réus pelos crimes de pelos crimes de corrupção ativa e passiva, favorecimento real, fraude em licitações e advocacia administrativa.

Segundo a denúncia, o ex-diretor, outros policiais penais e a advogada desenvolveram uma verdadeira organização criminosa dentro da PED, mediante recebimento de valores pagos por presos e seus familiares para facilitarem a prárica de crimes de tráfico de drogas e porte de arma, além de permitir a entrada de aparelhos celulares na unidade.

Schveiger utilizava das prerrogativas do cargo para comercilizar celulares dentro do presídio e também tinha relação financeira e comercial comum interno que ficava na cantina.

Ainda conforme a denúncia, foi verificado um esquema para pagamento e facilidades dentro da PED e da Gameleira II visando garantir benefícios a um detento apontado como liderança da facção criminosa Comando Vermelho (CV), além de outros internos indicados por ele.

As investigações apontaram que em uma das negociações, foi pago R$ 9 mil para um policial permitir o ingressso de um celular na unidade e R$ 300 mil a outro, para que um preso tivesse exclusividade na venda de droga e portasse uma pistola .9 mm dentro da penintenciária.

Na denúncia, o Ministério Público Estadual também pediu o afastamento das funções e da perda de acesso aos sistemas de informação dos acusados, mas o juiz não acolheu os pedidos.

"Isso porque, conquanto os supostos delitos tenham sido praticados durante o exercício da função pública, verifica-se que os fatos datam do ano de 2024, não havendo notícias contemporâneas nos autos de que os acusados estariam abusando de suas funções ou utilizando- se indevidamente dos sistemas mencionados pelo MPE, razão pela qual deixo, por ora, de determinar a suspensão", disse o magistrado ao receber a denúncia.

O processo segue em fase de prazo para manifestação da defesa dos acusados.

Foram denunciados:

  • Aline Guerrato Foroni - advogada
  • Aluizio Boteiro Chastel Villazante - policial penal
  • Eduardo de Jesus de Oliveira, vulgo Cachoeirinha - detento
  • Eduardo Trigueiro dos Santos Silva - policial penal
  • Gislaine de Souza Fonseca Schveiger - policial penal
  • Herberte Gonçalves Mareco, vulgo PM aposentado - detento
  • Luciano da Silva Cunha, vulgo Pescoço de Frango - detento
  • Luis Élio Gonçalves Filho, vulgo Cabeça de Porco ou Gordão - detento
  • Mauro Pereira dos Santos - policial penal
  • Rafael Garcia Ribeiro - policial penal
  • Rangel Schveiger - policial penal e ex-diretor da PED

Operação Sátrapa

Conforme reportagem do Correio do Estado, a quadrilha foi desmantelada durante a Operação Sátrapa, deflagrada em fevereiro de 2025 pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/MS), com o objetivo de apurar os crimes cometidos dentro do presídio.

As investigações tiveram início em 2024, após a polícia receber informações de que um policial penal estaria ingressando no Presídio Estadual de Dourados com droga e celulares.

Ele chegou a ser preso em flagrante em julho do mesmo ano, transportando cerca de 1,5kg de entorpecentes para o interior da unidade prisional. Durante a operação, o diretor foi afastado do cargo e passou a ser monitorado com tornozeleira eletrônica.

Além do diretor, outros servidores também estariam envolvidos em ao menos um homicídio, cometido dentro do presídio, a mando de um interno que afirmava ser líder de uma facção criminosa e que atualmente cumpre pena no sistema federal.

A esposa do apontado como mandante, que é advogada, também foi denunciada e virou réu. O juiz determinou que a denúncia seja comunicada a Ordem dos Advogados do Brasil seccional de Mato Grosso do Sul (OAB/MS).

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