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'Usar a rede para o mal, para alfinetar os outros, é muito mais fácil do que para o bem'

'Usar a rede para o mal, para alfinetar os outros, é muito mais fácil do que para o bem'

CRISTINA MEDEIROS

25/05/2014 - 18h00
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                                                                                   (Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado)

Ele é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros quando se refere a jornalismo de opinião. Já trabalhou diretamente nos principais órgãos de mídia impressa do País e sustenta uma carreira que até hoje lhe vale artigos publicados em dezenas de jornais pelo País. Nesta entrevista, Carlos Brickmann, que esteve na Capital ministrando uma palestra para estudantes de jornalismo e comunidade em geral, fala sobre o panorama do jornalismo de opinião e sua relação com a internet; sobre a indústria dos “danos morais” e opina sobre o imbróglio da ação inibitória que o senador Delcídio do Amaral moveu contra o Correio do Estado.

CORREIO PERGUNTA – Brickmann, você esteve na Capital ministrando palestra sobre jornalismo de opinião no Brasil. Com o advento da internet, mudou apenas a plataforma ou a maneira de se fazer este tipo de jornalismo também mudou?

Eu acho que mudou o jornalismo propriamente dito. Comecei a trabalhar em 1963, na “Folha de S. Paulo”. E nós tínhamos como entrada de informação meia dúzia de telefones. Quando tocava, você atendia, alguém te dava uma informação e você ia lá. Havia quatro teletipos e a radioescuta, na qual alguém ouvia os noticiosos do rádio e estava resolvida a sua entrada de informações. Então, a informação era uma coisa rara e, sendo rara, era cara. Hoje, você tem informações por tudo que é canto; a informação hoje é barata e abundante. Só que é tão barata e abundante, que não é administrável pelo leitor. Então, surgiu a necessidade de se trabalhar em jornalismo na segunda linha da informação, ou seja, o público recebendo aquela avalanche de informação. E alguém precisa canalizar esta informação, hierarquizar e, de certa forma, opinar sobre ela. E nesta hierarquia ficou importante também a opinião. Que não é aquela opinião do tipo “ah, eu odeio a Dilma”, não. A opinião tem que ser baseada na sua interpretação dos fatos, esta é a chave da história.

O aparecimento dos blogs contribuiu para este tipo de jornalismo?

Eu acho que sim, desde que você saiba o que está lendo.

E como separar o joio do trigo?

Lendo o jornalismo de opinião. Aí é aquela história: como é que você escolhe um médico? No fundo é mais ou menos isso. Os remédios estão aí, saindo toneladas de remédios novos. Todos eles têm seus efeitos positivos e negativos e você tem centenas de médicos que pode escolher. Mas vai escolher um médico em quem pode confiar para dizer se você deve tomar este ou aquele remédio. Jornalismo é a mesma coisa. Eu tenho ali uma frase: “Olha o fulano de tal, que corajoso!”. Aí vou ler o que é o ‘corajoso’. O corajoso é aquela senhora que escreveu para a Dilma (Rousseff): “Senhora Dilma, escrevo o Dilma com minúsculo porque a senhora não merece o maiúsculo”. Isso não é ser corajoso, é ser mal-educado.

Com a indústria dos “danos morais” instalada, você acredita que o jornalismo de opinião vem perdendo ou mudando a forma de abordagem? Ele, de certa forma, perdeu o humor?

Eu acho que perdeu tudo. Você falou desta indústria e ela existe. A Justiça está trabalhando mal. E dou exemplo. A jornalista diz que um juiz deu uma sentença contrária ao espírito da lei quatro mil e qualquer coisa. É uma opinião sua. Aí vem a intimação, te pedindo R$ 200 mil e ele ganha. Por que ele ganha? Porque ele está trabalhando na área dele. Agora, você chega e chama o sujeito que não é ladrão, safado, ordinário, e ele recebe R$ 1 mil de indenização. Então, é uma indústria mesmo, e que foi montada de uma maneira safada.

Diante disso, então, quem faz jornalismo de opinião no Brasil tem que pensar uma, duas ou tantas vezes antes de escrever alguma coisa?

Isso ou faz com amparo de uma empresa poderosa. Por exemplo, o pessoal do blog da “Veja” tem a defesa feita pela Veja. Agora, quem não tem isso, aquela história de jornalismo sem patrão, o jornalista corre o risco inimaginável de quebrar.

Como você definiria a jornalista Sheerazade, do SBT? Uma extremista preconceituosa?

Não. Mas há alguns vieses particulares que eu preciso citar. Eu a conheci no SBT Nordeste e tive excelente impressão dela. Encontrei apenas esta vez e a impressão ficou. Eu tenho tendência de ficar solidário com todo mundo que é atacado por manadas unânimes. E eu ouvi, naquele momento no ar, o que ela disse no telejornal, de verdade. E ela não disse que era para prender preto e tudo mais. Ela disse que entendia que a população tivesse reagido daquele jeito de prender o marginalzinho no poste. O marginalzinho era preto? Era. Agora, se ele fosse branco, a frase dela continuaria em pleno vigor. Se ele fosse japonês, continuava em pleno vigor. Mas eu não gosto deste tipo de declaração que ela fez. Como também não gosto de “Ah, o José Dirceu precisa colocar uma bola de ferro no pé”. Também não gosto disso. Ele foi condenado? Já está suficientemente ferrado para ficar em cima dele enchendo o saco. Voltando, eu não concordo com este tipo de declaração, mas ela tem o direito de dizer. E se ela errou, ela pode errar. Só Deus é infalível.

A quantas anda a imparcialidade, atualmente, no jornalismo brasileiro?

Nunca houve e eu acho difícil você querer que haja. Por quê? Eu fui criado de uma determinada maneira, tenho os meus princípios, minhas manias, então, eu vejo as coisas de uma maneira diferente de você. Então, o que temos que fazer é buscar a imparcialidade, que é importante, e ser honesto. Ah! E vamos ser objetivos. Mas eu não sei se você consegue ser objetivo do mesmo jeito que eu consigo. Mas a busca pela objetividade é importante, a honestidade é importante e, principalmente, a busca pela imparcialidade. Por exemplo, eu vejo no jornalista Ricardo Kotscho a vontade de contar o que ele viu. Mesmo sabendo de todo o viés político e ideológico que ele tem, mas ele está procurando contar da melhor maneira o que viu. Mas claro que ele não pode fugir do que ele é, mas está fazendo força para ser o mais honesto possível.

Este é um ano de eleições e pela primeira vez, com autorização federal, poderão ser usadas as redes sociais. Você acredita que ela será utilizada muito mais para o mal do que para o bem?

Ah, sim. Já surgiram até milícias! É só pegar meia dúzia de facebooks e começar a anotar quem é que manda material parecido. Várias pessoas mandam o mesmo material, na mesma hora. E há aquelas pessoas que escrevem das 6 da manhã às três da manhã. Ou este sujeito não trabalha, ou não existe, ou existe e trabalha para um partido. E usar a rede para o mal, para alfinetar os outros, é muito mais fácil do que para o bem. E, geralmente, distorcendo o que falaram!

Você acredita que a internet não é só um meio para se divulgar, mas, principalmente, conquistar?

Acho que hoje em dia nem está sendo tanto usada para divulgar. Eu sei porque, antes de escrever, dou uma passada pela internet para ver se há alguma coisa que não ouvi falar. Vez por outra você acha. Mas na maior parte das vezes eu acho coisas que não são bem daquele jeito. Na verdade, trata-se de um balaio de gato cheio de cachorros.

Recente reportagem mostra que o Brasil está exportando marqueteiros. O que viram neste nicho brasileiro que agradou tanto?

Eu acho que isso é bom. Tanto Duda Mendonça, Chico Santa Rita, o João Santana, é um pessoal bom, competente, que desenvolveu toda uma tecnologia de integrar pesquisa com análise, com conceitos. Agora, quem ganha a eleição não é marqueteiro, é o candidato. O marqueteiro ajuda ou atrapalha. Mas quem ganha eleição é o candidato.

Recentemente você escreveu um artigo criticando a postura do senador Delcídio do Amaral no que se refere à ação inibitória contra o Correio do Estado. Você acredita que esta atitude já demonstrava, também, um certo desespero de causa perante todo o imbróglio em que o senador está metido no que se refere à Petrobras?

Sim, senão, qual a explicação? O que o “Correio” (Correio do Estado) disse é que ele foi o cara que indicou o Cerveró. E o que ele pode dizer é “não fui eu”. Ele pode até ir mais longe, dizendo “quem indicou o Cerveró não fui eu, foi o João da Silva”. O Correio do Estado publicaria isso numa boa. E tudo isso seria extra-judicial. Mas decidiram entrar direto na Justiça e isso é uma tentativa de intimidação. É a chamada indústria da indenização. E tudo isso é uma pena, porque eu tinha uma boa impressão do Delcídio e isso me dá uma má impressão. Eu não sou puritano. Eu sei que, nas campanhas, pessoas fazem coisas ou não se elegem. Mas, se é para entrar no jogo, este jogo tem falta, este jogo tem gol com a mão, mas não precisa exagerar.

O PT vacila em carregar a candidatura de Dilma Rousseff, que lidera as pesquisas. Há um isolamento em plena campanha. E a desconstrução dela começou no próprio PT. Por que isso ocorreu?

Eu acho que o pessoal quer o Lula desesperadamente. Estão sentindo que agora vem o pior, que o navio pode afundar.

O navio estaria afundando mesmo?

Eu não gosto de fazer previsão, mas eu vou te dar um palpite. Pesquisa só tem importância como indicação de tendência e não como retrato vivo. As coisas podem mudar.  

rede estadual

Concurso com 2 mil vagas para professores terá edital publicado em novembro em MS

Fetems aprovou o cronograma apresentado pelo governo do Estado; provas serão realizadas em janeiro de 2027

07/10/2026 18h00

Concurso terá 2 vagas para professores

Concurso terá 2 vagas para professores Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O Conselho de Presidentes da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) aprovou, em reunião nesta quarta-feira (7), o cronograma para realização do concurso público para professores, apresentado pelo Governo do Estado.

O decreto que autoriza a realização do concurso foi publicado no dia 6 de julho, no Diário Oficial do Estado. O certame prevê o preenchimento de 2 mil vagas para o cargo de professor, na função de docência, da carreira Profissional da Educação Básica da Secretaira de Estado de Educação (SED).

Conforme o cronograma aprovado, a publicação do edital está prevista para o dia 16 de novembro deste ano e a aplicação das provas objetivas para o 24 de janeiro de 2027.

De acordo com a Fetems, a realização do concurso é uma das pautas prioritárias na defesa da valorização profissional, do fortalecimento das carreiras e da ampliação do quadro de servidoras e servidores efetivos da Rede Estadual de Ensino.

“A aprovação do cronograma do concurso é resultado de uma luta permanente da Fetems e dos nossos 74 sindicatos. Vamos continuar acompanhando cada etapa e cobrando que os compromissos sejam cumpridos, ao mesmo tempo em que seguimos construindo nossas demais atividades e fortalecendo a unidade da categoria”, destacou a presidente da federação, Deumeires Morais.

Conforme tabela da Fetems, o salário inicial de um professor concursado com gradução e carga horária de 20 horas semanais é de R$ 6.751,35.

Concurso público

Conforme o decreto  nº 16.787 publicado em julho,  caberá à Secretaria de Estado de Administração (SAD), em conjunto com a Secrataria Estadual de Educação (SED), organizar e executar o concurso, definindo as normas e os procedimentos para o recrutamento e a seleção dos candidatos.

O edital a ser publicado deverá detalhar a distribuição das vagas por área de conhecimento, componente curricular ou disciplina, além da divisão por município ou localidade.

O edital também estabelecerá as etapas do concurso, os critérios para aprovação em cada fase, o formato das provas, os conteúdos que serão cobrados, os requisitos exigidos para investidura no cargo e o prazo de validade do certame.

Conforme informou o governo anteriormente, a abertura do concurso atende à necessidade de provimento de professores efetivos para a rede estadual de ensino.

“Valorizar os profissionais da educação é garantir melhores condições para quem ensina e melhores resultados para quem aprende. Nosso compromisso é com uma escola pública moderna, eficiente e capaz de preparar os estudantes para as oportunidades que Mato Grosso do Sul está construindo”, afirmou o governador, na ocasião da autorização do certame.

O último concurso público para professores da Rede Estadual ofertou inicialmente 722 vagas, com salário inicial de R$ 4.190,82 e jornada de 20 horas semanais.

Posteriormente, o concurso teve vagas ampliadas, sendo convocados mais de 1,3 mil aprovados.

Agora, com a abertura de 2 mil novas vagas, a expectativa é atender à demanda existente nas escolas.

O novo concurso terá abrangência estadual, permitindo que os candidatos concorram a vagas em todos os municípios de Mato Grosso do Sul.

TENSÃO 

Passageiro coloca fogo em ônibus com 13 pessoas na BR-262 em MS

Ônibus seguia de Três Lagoas para Campo Grande quando o incêndio começou; passageiros conseguiram sair do veículo e ninguém ficou ferido.

07/10/2026 17h51

Ônibus que seguia de Três Lagoas para Campo Grande foi abordado pela PRF após passageiro provocar incêndio durante a viagem.

Ônibus que seguia de Três Lagoas para Campo Grande foi abordado pela PRF após passageiro provocar incêndio durante a viagem. Foto: Divulgação PRF.

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Um homem foi preso na noite desta terça-feira (6) após ser apontado como responsável por provocar um incêndio dentro de um ônibus de viagem que trafegava pela BR-262, em Água Clara, na região leste de Mato Grosso do Sul.

O coletivo fazia o trajeto entre Três Lagoas e Campo Grande e transportava 13 passageiros. Apesar do princípio de incêndio e da necessidade de retirada dos ocupantes, ninguém ficou ferido.

Segundo informações repassadas à Polícia Rodoviária Federal (PRF), o passageiro teria apresentado comportamento alterado durante a viagem e chegou a anunciar que colocaria fogo no veículo.

Em determinado momento do percurso, ele entrou no banheiro do ônibus. Pouco depois, os demais passageiros perceberam um forte cheiro de fumaça e constataram que havia fogo dentro do compartimento.

O motorista então parou o veículo no acostamento e retirou todos os passageiros. As chamas foram controladas antes da chegada da equipe da PRF, mas os policiais encontraram o ônibus ainda tomado por fumaça.

 

Suspeito foi encontrado na rodovia

Após deixar o local, o homem passou a ser procurado com base nas características informadas pelas testemunhas. Ele vestia um casaco preto e usava um boné branco.

Ônibus que seguia de Três Lagoas para Campo Grande foi abordado pela PRF após passageiro provocar incêndio durante a viagem.Interior do ônibus ficou danificado após o incêndio registrado durante a viagem pela BR-262. Foto: Divulgação/PRF.

Durante as buscas, os policiais localizaram um homem caminhando às margens da BR-262, na altura do quilômetro 123.

Na abordagem, ele confirmou que havia viajado no ônibus e acabou reconhecido pelas testemunhas como o passageiro apontado como responsável pelo incêndio.

O suspeito recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Polícia Civil de Água Clara.

Caso é investigado como tentativa de homicídio

A ocorrência foi registrada como incêndio e tentativa de homicídio. Segundo a PRF, as circunstâncias do caso ainda serão apuradas pela Polícia Civil.

Apesar do fogo dentro do veículo, os 13 passageiros conseguiram sair em segurança e ninguém ficou ferido.

O suspeito, que não teve o nome divulgado, foi preso e encaminhado à Polícia Civil de Água Clara, onde o caso seguirá sob investigação.

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