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Alerta nas Contas
Prefeitura de Campo Grande prevê medidas de ajuste fiscal após despesas correntes alcançarem 97,08% das receitas.
27/07/2026 17h55
Fachada da Prefeitura de Campo Grande, que prevê medidas de ajuste fiscal após indicador das contas municipais chegar a 97,08%. Foto: Divulgação
As contas públicas de Campo Grande chegaram ao fim do primeiro semestre de 2026 com um indicador acima do patamar estabelecido pela Constituição Federal. A relação entre despesas correntes e receitas correntes do município atingiu 97,08% nos últimos 12 meses, superando em 2,08 pontos percentuais a referência de 95% prevista no artigo 167-A.
Os números constam no Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), referente ao terceiro bimestre de 2026 e publicado nesta segunda-feira (27) em suplemento do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande).
Diante do resultado, a própria administração municipal informa que adotará medidas previstas no dispositivo constitucional e manterá acompanhamento bimestral dos indicadores fiscais.
O demonstrativo aponta que as receitas correntes acumuladas nos últimos 12 meses somaram R$ 6,359 bilhões. No mesmo período, as despesas correntes consideradas no cálculo, após os ajustes apresentados no relatório, chegaram a aproximadamente R$ 6,174 bilhões.
Com isso, para cada R$ 100 contabilizados em receitas correntes, cerca de R$ 97,08 estão comprometidos com despesas correntes, conforme a metodologia do demonstrativo.
O resultado deixa o município acima dos 95% utilizados como referência constitucional para acionamento de mecanismos voltados ao reequilíbrio das contas.
O próprio relatório aponta um excedente de 2,08 pontos percentuais e registra o mesmo percentual na trajetória de ajuste fiscal prevista para o retorno ao patamar estabelecido.
Em nota explicativa incluída no documento, a administração municipal reconhece que, apesar de uma recuperação gradual da arrecadação, o cenário ainda permanece instável.
A Prefeitura atribui parte dessa cautela à situação epidemiológica relacionada às síndromes respiratórias, além das incertezas quanto à duração desse cenário e aos impactos sobre a demanda por serviços públicos.
Diante do quadro, o Município afirma que, em consonância com o Programa de Equilíbrio Fiscal, serão adotadas as medidas previstas no artigo 167-A da Constituição Federal, com acompanhamento dos indicadores a cada dois meses até que seja comprovado o retorno ao patamar estabelecido.
O artigo 167-A estabelece mecanismos de ajuste que podem ser acionados quando a relação entre despesas correntes e receitas correntes alcança o percentual previsto na Constituição.
Entre as possibilidades estão restrições envolvendo aumento de despesas com pessoal, criação de cargos, alterações de carreira que ampliem gastos, realização de concursos públicos e criação de novas despesas obrigatórias.
O relatório divulgado pelo Município, entretanto, não detalha quais dessas medidas serão efetivamente adotadas pela Prefeitura de Campo Grande. Dessa forma, não é possível afirmar, somente com base na publicação, que concursos, contratações ou outras despesas específicas serão suspensos.
O relatório também revela a dimensão das contas da Capital. A dotação atualizada para 2026 chegou a aproximadamente R$ 7,38 bilhões. Desse total, cerca de R$ 5,68 bilhões haviam sido empenhados até o encerramento de junho.
As despesas liquidadas somaram aproximadamente R$ 3,04 bilhões, enquanto os pagamentos realizados no período chegaram a cerca de R$ 2,75 bilhões.
A diferença ocorre porque empenho, liquidação e pagamento representam etapas distintas da execução do orçamento.
O empenho reserva recursos para determinada despesa; a liquidação ocorre depois da comprovação da entrega do produto ou da prestação do serviço; e o pagamento representa a efetiva saída do recurso dos cofres públicos.
Entre as principais áreas do orçamento municipal, a Saúde possui dotação atualizada de R$ 2,228 bilhões. Até junho, aproximadamente R$ 1,596 bilhão havia sido empenhado, enquanto R$ 869,5 milhões estavam liquidados.
A assistência hospitalar e ambulatorial responde pela maior fatia. São R$ 1,406 bilhão previstos, dos quais R$ 967,1 milhões já estavam empenhados e R$ 622,8 milhões liquidados no primeiro semestre.
A atenção básica, por sua vez, conta com orçamento atualizado de R$ 532,2 milhões, enquanto a vigilância epidemiológica possui R$ 100,3 milhões.
A Educação aparece com outro dos maiores volumes de recursos. A dotação atualizada é de aproximadamente R$ 1,615 bilhão, com R$ 1,432 bilhão empenhado e R$ 727 milhões liquidados até junho.
Somente o ensino fundamental concentra R$ 976,5 milhões do orçamento atualizado da área, enquanto a educação infantil possui R$ 455,6 milhões.
Apesar da pressão sobre as contas, o relatório mostra recuperação das receitas correntes nos últimos meses. Em abril, foram arrecadados cerca de R$ 493,1 milhões. O montante passou para R$ 500,3 milhões em maio e alcançou R$ 527 milhões em junho.
A melhora, entretanto, ainda não foi suficiente para fazer com que o indicador acumulado dos últimos 12 meses retornasse ao patamar de 95%.
A própria administração municipal ressalta que a recuperação da arrecadação ocorre de maneira gradual e afirma que continuará acompanhando a evolução das contas públicas.
Com a relação atualmente em 97,08%, o comportamento das receitas e das despesas nos próximos meses será determinante para saber se Campo Grande conseguirá reduzir os 2,08 pontos percentuais que atualmente separam o município do patamar constitucional indicado no relatório.
O próximo balanço bimestral deverá mostrar se a trajetória das contas avançou em direção aos 95% e qual foi o efeito das medidas de equilíbrio fiscal anunciadas pela administração municipal.
Itamaracá
Irmã disse que ele foi atingido por três tiros na sexta-feira e morreu nesta segunda, horas após receber alta hospitalar
27/07/2026 17h32
Homem morreu em casa, no Jardim Itamaracá Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado
Deivid Nascimento Zaghi, 33 anos, morreu na tarde desta segunda-feira (27), em sua residência no Jardim Itamaracá. Segundo familiares, ele foi atingido por três tiros na última sexta-feira (24).
Segundo a irmã da vítima, Flávia Nascimento Zaghi, 37 anos, o homem era detento do regime semiaberto e cumpria pena no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira.
Ainda segundo a irmã, na última sexta-feira ele teria se envolvido em uma briga em uma bar, onde foi atingido por três tiros. Na ocasião, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionado, mas Deivid recusou socorro.
Depois do episódio, ele saiu de casa e a última mensagem que mandou para a família foi uma foto, de visualização única, onde mostrava uma das pernas roxa.
A família só descobriu o paradeiro do homem na noite de sábado (25), quando um funcionário da Santa Casa de Campo Grande teria ligado informando que ele estava internado na ala vermelha do hospital e solicitando a presença de um familiar.
Na manhã desta segunda, ele recebeu alta hospitalar e foi para casa, onde morreu horas depois.
A irmã informou que Deivid já havia sofrido outras quatro tentativas de homicídio. Ele ainda era usuário de drogas e fazia uso de remédios controlados. Flávia não soube informar por qual crime o irmão cumpria pena.
O delegado Christian Duarte Mollinedo compareceu ao local para realizar os primeiros levantamentos, mas não deu declarações à imprensa, justificando que há limitações devido ao período eleitoral. O caso será investigado pela Polícia Civil.
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