Cidades

INFRAESTRUTURA

Vencedora da Rota da Celulose deixou rodovia esburacada no RJ

K-Infra levou 763 multas por abandonar rodovia no Rio de Janeiro, antes de ser expulsa da administração do trecho pela União, com dívida de R$ 1,5 bilhão

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O abandono dos 182,5 km da BR-393, no Rio de Janeiro, que tem pontos com asfalto esfarelando e com buracos, e o desrespeito constante ao contrato de concessão fizeram com que a K-Infra tenha, hoje, R$ 1,5 bilhão em multas. Esses procedimentos influenciaram na caducidade do acordo, que ocorreu na quarta-feira e acabou suspendendo o andamento do leilão da Rota da Celulose, do qual a empresa foi vencedora.

Na semana passada, o governo do Estado divulgou uma nota afirmando que “realizará diligências para a correta instrução do processo licitatório, interrompendo os prazos legais até o cumprimento das medidas necessárias”, após questionamentos de outros participantes sobre a vitória da K-Infra no leilão, que teve reconhecido o direito de administrar os 870 km da Rota Celulose.

O projeto de Mato Grosso do Sul é formado pelas rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395 e trechos das rodovias federais BR-262 e BR-267. A K-Infra venceu o leilão, em ato realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, ao oferecer desconto de 9% na tarifa de pedágio de R$ 19, a cada 100 km em pista simples, e de R$ 26 a cada 100 km em pista dupla, com aporte financeiro de R$ 217,3 milhões.

Como o processo de concessão tem várias etapas, a assinatura do contrato ainda não foi efetivada e foi divulgado, pela Comissão de Licitação, o relatório de análise do envelope 3 dos documentos de habilitação.
Nesse documento, a K-Infra e a Galápagos Participações – que formaram o consórcio vencedor K&G Rota da Celulose – atenderam às 19 exigências em relação à regularidade jurídica.

Também atenderam à qualificação técnica, só que usando a concessão da BR-393, a Rodovia do Aço, ao afirmarem que desenvolvem “exploração da infraestrutura e prestação de serviços públicos e obras, abrangendo a gestão e a execução dos serviços de recuperação, manutenção, monitoração, conservação, operação, ampliação, melhorias e exploração, conforme apresentado no Programa de Exploração da Rodovia – PER, mediante pedágio [...], nos termos do contrato de concessão celebrado em 26/3/2008 e com término de vigência previsto para 27/3/2033, no valor (data-base julho/2007) de R$ 2.022.436.970,89”, citando que gerencia 200,4 km da rodovia.

A comissão acatou os documentos, ao considerar um atestado emitido por Rafael Vitale Rodrigues, diretor-geral em exercício da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Ele afirmou que: “Para análise dos documentos de habilitação, a Comissão Especial de Licitação – CEL contou com apoio do Coordenador Jurídico da CJUR/EPE, procurador do Estado Sr. Carlo Fabrizio Campanile Braga. Após análise dos documentos do envelope nº 3 – documentos de habilitação apresentados pela Consórcio K&G Rota da Celulose, a CEL declarou habilitada a licitante”.

Entretanto, esta experiência técnica já havia sido questionada pela ANTT, que declarou a caducidade da concessão por descumprimento do contrato. Só que a K-Infra continuava com a exploração do trecho rodoviário por causa de uma liminar, que acabou caindo com a decisão do governo de encerrar o contrato na quarta-feira.

PÉSSIMAS CONDIÇÕES

A caducidade foi motivada pelo descumprimento constante do contrato pela K-Infra, que resultou em 763 multas, que totalizam R$ 1,5 bilhão, segundo Lucas de Souza, coordenador de Instrução Processual na ANTT.

Entre os motivos para emissão desses processos administrativos simplificados (PAS) está o abandono da pista.

Em outubro do ano passado, a ANTT constatou, ao realizar vistoria na BR-393, que a concessionária K-Infra Rodovia do Aço deixou de “corrigir/tapar buracos, panelas na pista ou no acostamento”, enfatizando que “fiscalização observou que, em diversos pontos da rodovia BR-393, o pavimento apresenta péssimas condições de conservação. A respeito de melhorias, foram identificadas poucas equipes de conservação da concessionária trabalhando para reparar defeitos no pavimento”.

Posteriormente, a concessionária solicitou prorrogação de prazo para entregar Relatório de Monitoração de Pavimento, mas, em março deste ano, nova fiscalização reforçou a situação de abandono da BR-393, ao apontar que “a fiscalização observou o pavimento em condições ruins de conservação em diversos pontos da rodovia BR-393. A respeito de melhorias, não foram identificadas equipes de conservação da concessionária trabalhando a fim de reparar defeitos no pavimento”.

SAIBA

Com o processo da Rota da Celulose paralisado, o governo de Mato Grosso do Sul, responsável pelo pacote de rodovias, terá até o fim de julho para decidir se a K-Infra assumirá as rodovias no Estado.

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Digital

Grande operadora de celular brasileira pode ter sido alvo de megavazamento de dados

Mais de 500 mil usuários teriam tido os dados expostos por hackers

06/03/2026 18h15

VIVO pode ter tido dados vazados

VIVO pode ter tido dados vazados Reprodução/Twitter

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A VIVO, uma das principais empresas de telecomunicações do Brasil, teria sido alvo de um megavazamento de dados nesta sexta-feira (6). 

De acordo com a companhia Vecert Analyser, uma empresa de cyber segurança internacional, afirmou em suas redes sociais que, pelo menos, 557.892 usuários teriam tido seus dados expostos, como endereço de e-mail, número de telefone e senhas. 

O grupo responsável pelo vazamento dos dados seria o "VFVCT", codinome para "V for Vandetta Cyber Team". 

"O incidente não é um fato isolado, mas parte de uma cadeia de vulnerabilidades críticas", afirmou a Vecert. 

Segundo a empresa, já foram detectadas mais de 26 incidentes distintos ligadas à VIVO desde 2023. As fragilidades na infraestrutura da companhia nacional de telefonia tem sido alvo de grupos hackers e dos chamados 'bots' que tentam explorar e burlar os sistemas de autenticação e dos portais da empresa. 

"A infraestrutura da Vivo Brasil apresenta falhas sistêmicas que são exploradas repetidamente por cibercriminosos. A segurança do usuário permanece em risco até que os múltiplos subdomínios e APIs expostos sejam protegidos", alegou a Vecert Analyser. 

A VIVO não se pronunciou sobre o assunto. 

Antigo 

Em 2021, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça notificou as quatro grandes operadoras de telefonia no Brasil, a Oi, Vivo, Claro e Tim para que explicassem o vazamento de dados de quase 103 milhões de contas de celular.

O vazamento foi constatado por uma empresa de cibersegurança no dia 10 de fevereiro daquele ano. Informações sensíveis dos consumidores ficaram expostas, como número do RG, CPF, data de nascimento, e-mail, endereço, número do celular e detalhes sobre o valor e o pagamento da fatura. 

Precauções

Para se proteger, é recomendável não responder a e-mails que declarem que seus dados foram expostos ou utilizar sites suspeitos para realizar essa verificação. Esses mecanismos geralmente pedem que o cidadão compartilhe alguns de seus dados pessoais para realizar a suposta verificação e isso pode aumentar a sua exposição.

Além disso, é importante trocar as senhas e demais informações de acesso aos serviços e às plataformas que foram afetados por vazamento de dados. Outra dica é utilizar a autenticação de dois fatores sempre que disponível, além de seguir monitorando a atividade nas contas e nos serviços potencialmente relacionados aos dados vazados.

Se verificar que seus dados foram utilizados de maneira fraudulenta – por exemplo, para abrir uma conta ou para adquirir algum bem –, o usuário deve buscar informações junto aos provedores do serviço, além de reportar a ocorrência à autoridade policial, para viabilizar a apuração e se proteger.

Justiça federal

Tribunal lança Inteligência Artificial para auxiliar juízes e desembargadores em processos

Plataforma LIA 3R será usada em tarefas como pesquisa, entendimento de documentos, processos e redação de minutas da Justiça Federal

06/03/2026 18h00

TRF3 lançou ferramenta de Inteligência Artificial

TRF3 lançou ferramenta de Inteligência Artificial Foto: Divulgação

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O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) lançou a plataforma de Inteligência Artificial (IA) LIA 3R, desenvolvida por magistrados e servidores para auxiliar em tarefas como pesquisa, entendimento de documentos, processos e redação de minutas.

De acordo com o desembargador federal Nino Toldo, membro efetivo da Comissão Permanente de Informática do TRF3, a ferramenta integra tecnologia e prática judicial para tornar o trabalho dos magistrados mais ágil e eficiente, preservando a segurança e a qualidade das informações processuais. 

Ele explica que a ideia de inteligência artificial começou com um projeto que se chamava Sigma, pois há, na Justiça Federal, muitos processos semelhantes.

"A partir de decisões, vamos dizer assim, padronizadas, se constitui um banco de dados e aí foi sendo feito um trabalho de sugestão, o sistema analisava o processo e sugeria para o usuário essa ou aquela minuta de decisão, de despacho para utilizá-la. E depois, com o avanço dos sistemas, dos programas de inteligência artificial, isso foi sendo aprofundado e agora desenvolveu o sistema LIA", explica.

A presidente da Comissão Permanente de Informática do TRF3, desembargadora federal Daldice Santana, ressaltou que a plataforma foi criada para atuar como instrumento de apoio às atividades diárias e não irá substituir os magistrados.

“A palavra ‘apoio’ tem muito sentido, porque a decisão continuará sendo humana. A IA não tem consciência, não tem vontade. A responsabilidade continua sendo institucional, do órgão julgador ou mesmo do magistrado e servidor", ressaltou.

Daldice Santana lembrou que o projeto foi concebido com base em três pilares, sendo ética e governança, autonomia institucional e responsabilidade orçamentária.

“A solução foi estruturada dentro dos limites financeiros estabelecidos. Inovar não significa gastar mais, mas usar melhor os recursos de que dispomos”, enfatizou a magistrada. 

Como funciona 

A LIA 3R estará disponível no Processo Judicial Eletrônico (PJe) apenas para quem realizar o curso de capacitação oferecido pela Secretaria de Tecnologia da Informação (SETI).  

Ela funciona como um chat, guiado por prompts (comandos) padronizados, que orientam o modelo sobre o que fazer e detalham como deve ser a resposta. 

Quando necessário, a plataforma também usará bases de conhecimento RAG, técnica utilizada para ampliar a capacidade de resposta, e integrações que enriquecem a resposta. 

O recurso foi desenvolvido como uma evolução do sistema de centralização dos modelos e ranqueamento com utilização de inteligência artificial e passa por melhorias contínuas de usabilidade, segurança, governança e conteúdos, segundo o TRF3.

A ferramenta usa principalmente banco de dados do PJe, bases de conhecimento com documentos curados e documentos fornecidos pelo usuário na conversa, como textos e anexos.

O nome LIA 3R foi baseado na ideia apresentada pelo servidor Urias Langhi Pellin. Segundo o Tribunal, trata-se de um nome feminino, que personifica a tecnologia como uma aliada no dia a dia, e resgata o antigo laboratório de IA do Poder Judiciário (LIIA-3R), o primeiro do Brasil. 

TRF3 lançou ferramenta de Inteligência ArtificialPlataforma LIA 3R

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