Motorista, Gregori José Espin Leon, de 31 anos, é o primeiro venezuelano a tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) brasileira, devidamente regularizada, em Mato Grosso do Sul.
O documento está devidamente regularizado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS).
Ele passou pelas provas psicotécnica, de saúde, teórica e prática. Sua carteira é de classificação BCD, ou seja, pode dirigir carro, caminhão, trator, máquina agrícola, caminhonete, van, micro-ônibus e ônibus.
Venezuelano conseguiu a CNH brasileira. Foto: Naiara CamargoAtualmente é manobrista da garagem de ônibus do Consórcio Guaicurus, em Campo Grande.
Em 17 de março de 2025, iniciará o Curso Especializado para Transporte Coletivo de Passageiros no Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest Senat).
A partir de então, após formado e com o documento em mãos, vai atuar como motorista de ônibus do transporte coletivo de Campo Grande.
O processo de validação de documentos, qualificação e inserção no mercado de trabalho foi gratuito e quem arcou com os custos foi o poder público em parceria com a iniciativa privada.
Na Venezuela, Gregori era técnico de engenharia de petróleo e militar da Marinha/Aeronáutica do Governo Venezuelano. A partir de 2015, sentiu necessidade de sair do país e mudar de vida em razão da crise financeira, política e social quer o governo enfrentava.
Em 2023, saiu da Venezuela com destino a Roraima em busca de melhores condições de vida.
Em solo brasileiro, recebeu ajuda de uma empresa que capacitava e empregava imigrantes que tinham interesse em trabalhar na área de transportes e necessitavam de um emprego.
De acordo com o diretor-presidente do Detran, Rudel Trindade, o Consórcio Guaicurus, em parceria com o Sest Senat, montou uma estrutura e foi até Roraima em busca de mão de obra para ocupar vagas de trabalho no setor de transportes de Campo Grande. O setor precisava de empregados e as pessoas precisavam de emprego, portanto, ambos saíram beneficiados.
Em janeiro de 2025, desembarcou em Mato Grosso do Sul com a esposa e suas três filhas para começar uma nova vida do zero, longe do restante da família, em um novo país, nova casa e novo idioma.
O objetivo é fomentar a inclusão e geração de emprego para famílias de migrantes que recomeçam suas vidas no Brasil, tendo Mato Grosso do Sul como ponto de partida para um novo começo.
De acordo com Gregori José, sair da Venezuela na companhia da família e com a ‘coragem na mala’ foi difícil, mas necessário para melhorar de vida.
Gregori José Espin Leon, de 31 anos. Foto: Naiara Camargo"Viver na Venezuela ficou ruim e minha filha falava que tinha fome e isso pesava no nosso coração. Então tomamos essa decisão que foi muito forte, foi um passo muito grande para nós, tivemos que começar do zero em um país onde nem a língua a gente falava. Foi muito difícil, mas graças a Deus hoje em dia temos uma nova oportunidade de profissão. É uma oportunidade única e muito grande do Governo Brasileiro e Consórcio Guaicurus. Isso abriu a porta para que venezuelanos tenham uma profissão e qualidade de vida, benção e esperança em outro país. Estou feliz. Estou trabalhando aqui com ética moral e profissionalização", contou.
O vice-governador de Mato Grosso do Sul, José Carlos Barbosa, o governo brasileiro e estadual precisam acolher o imigrante que chega de fora, proporcionando-lhe emprego, saúde, educação e profissionalização.
“Nós estamos recebendo o irmão venezuelano, que representa todos aqueles e aquelas que, por uma razão ou por outra, precisaram deixar a sua terra, deixar a sua raiz, deixar, às vezes, a sua família, deixar a sua história. Às vezes, apenas com a roupa do corpo, para chegar numa terra diferente, de costumes diferentes, de língua diferente. E o acolhimento é fundamental, porque são irmãos de outros países que, a partir do momento que chegam, contribuem com a sua força de trabalho para o desenvolvimento nacional. Suas crianças estarão na escola, na rede de educação, seus filhos estarão na rede de saúde e ele estará com a sua experiência militar, que era lá na Venezuela, emprestando toda a sua força e trabalho para o progresso da sua família, mas para o desenvolvimento do Brasil”, ressaltou o vice-governador.
Outros venezuelanos, aproximadamente 30 imigrantes, já estão a caminho de Mato Grosso do Sul para tirar a CNH e começar uma nova vida aqui no Estado.




