Diante das irregularidades apresentadas pela atual presidente da Fundação Municipal de Cultura (Fundac), após a audiência pública realizada na manhã desta segunda-feira (02), na Câmara Municipal, o presidente da Comissão de Cultura vereador Chiquinho Telles (PSD) afirmou que nesta terça-feira (3) deverá ser apresentado o pedido oficial da abertura da CPI da Folia, que investigará os gastos da Fundac com os pagamentos de atrações artísticas e culturais bem como o calote dado em vários artistas.
“Não tem jeito, diante dessas irregularidades, desses números, será preciso abrir sim a CPI e investigar o que foi levantado, é muito dinheiro. Parece que fizeram uma verdadeira folia com o dinheiro público”, constatou.
Telles também condenou a burocracia que atrasa o pagamento dos artistas. “Essa demora no pagamento não mata só o artista de fome, mata a alegria, mata a cultura. Não podemos burocratizar demais o cachê, que já é minúsculo. Muitos artistas cantam hoje e só vão receber daqui há 70 dias. A verdade é que a empresa Eco Vida é uma atravessadora, uma empresa de grama, que nem produtora de eventos é”, alegou.
De acordo com a presidente da fundação, foram encontradas várias irregularidades. “Assumimos a Fundac no dia 1° de abril e fizemos um relatório de tudo que estava acontecendo. Conseguimos levantar algumas irregularidades e enviamos o relatório para Procuradoria Geral do Município, que nos orientou a encaminhar o mesmo relatório ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público. O Tribunal de Contas nos respondeu afirmando que há indícios de inúmeras irregularidades, superfaturamentos, pagamentos sem empenho e que o processo está sendo distribuído para um conselheiro que abrirá uma investigação sigilosa”, explica Juliana ao falar para os prestes.
Segundo a presidente, o TCE-MS recebeu o relatório, que constam com 1 itens, como contratação superfaturada, como é o caso do cantor Peninha, contratado por R$ 47.500,00, sendo que há menos de um ano ele foi contratado por R$ 20 mil. Há irregularidades também na contratação da banda Terrasamba, que recebeu R$ 231 mil, sendo um cachê de R$ 55 mil, mais o valor da produção, passagem, transporte, translado. Só em passagens foram R$ 26 mil, mais R$ 65 mil de estrutura, sendo que a Prefeitura tem contrato de estrutura.
“Ou seja, a Fundac pagou para eles R$ 65 mil pela estrutura, mas a Prefeitura que fez a estrutura, então porque que pagou? Com o som também foi a mesma coisa. O processo do Carnaval é um pouco mais complicado, porque sumiu o processo referente ao Carnaval. Ficamos preocupados com isso, porque todo evento tem um processo. Foram pagos R$ 632 mil no Carnaval, mas o processo foi extraviado. Esses processos foram feitos pela empresa Eco Vida, que descobrimos que é uma empresa de plantio de grama. Em apenas 65 dias eles receberam R$ 1.505.000,00, sendo R$ 800 mil pela Fundac e mais R$ 616 mil pela Segov. Queremos resolver isso da melhor forma possível. Nós pagamos quem deu para pagar. Quem não tinha contrato, não pode receber, por uma questão legal e estamos tentando resolver isso”, afirmou ela durante a audiência pública.


