Cidades

Denúncia

Vereador vai fiscalizar obra de drenagem e é ameaçado de levar tiro por empreiteiro

A empresa é responsável por duas licitações no valor de quase R$ 15 milhões e, de acordo com o vereador, as obras estão paradas

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O vereador Wilton Candelório, o Leinha (Avante) lidera uma investigação contra a empresa A.S Construtora, vencedora de duas licitações de serviços de drenagem em Campo Grande, após sofrer ameaça do dono da empreiteira após ser abordado durante uma fiscalização da obra no bairro Jardim Monte Alegre. 

Leinha publicou nas redes sociais que na tarde da última quarta-feira (28) foi até a Unidade de Saúde da Família do Botafogo a pedido da população para vistorias a situação precária do local.

Ao chegar, ele se deparou com a obra da Construtora ao lado da USF, na rua Cascais, que também é motivo de insatisfação dos moradores da região.

Segundo ele, as obras têm causado transtornos, já que nos últimos meses os moradores têm tido dificuldade de acessar as ruas devido à grande quantidade de barro, buracos, além de muros quebrados pelas máquinas. 

"As obras estão há um ano paradas aqui no Jardim Botafogo. Segundo eles, a prefeitura não estava pagando, mas eu tenho todos os holerites de pagamento da prefeitura. Ele está roubando a população de Campo Grande", afirmou Leinha.

Ao chegar no local da obra, foi abordado pelo dono da empreiteira, identificado como Aldacir Antônio da Silva Cardinal, exigindo que o vereador e equipe se retirassem do local se não iria "dar um tiro na sua cara". 

"Ele já desceu nervoso falando 'o que vocês estão fazendo na minha propriedade?'. Ou seja, a obra está sendo executada em um espaço público onde nós podemos ir fiscalizar livremente e precisamos ir visitar e ver como está. Mas, segundo ele, o espaço era dele", disse o vereador. 

Conforme o relato, estavam no local mais dois trabalhadores de nacionalidade venezuelana que afirmaram moram no contêiner dentro da própria obra. 

A guarda civil e municipal foi acionada e todos os envolvidos se dirigiram à Depac-Cepol. Leinha registrou boletim de ocorrência contra Aldacir e contra a A.S Construtora. 

Obras 

A empresa foi contratada a partir do vencimento de licitação no dia 06 de novembro de 2025 pela prefeitura de Campo Grande para realizar a pavimentação e drenagem de águas pluviais no Residencial Botafogo, no bairro Pioneiros, no período de um ano. O valor total da licitação é de R$ 8,12 milhões. 

Seis meses após o início das obras, Leinha afirma que o local está abandonado e que a empresa "não tem estrutura para uma obra desse tamanho". 

Na rua Cascais, a Águas Guariroba também está realizando o serviço de esgoto, em complemento às obras de pavimentação e drenagem que a A.S. é responsável. 

O vereador retornou ao local na manhã desta quinta-feira (28) e constatou que não haviam funcionários no local, nem materias suficientes - apenas um pequeno monte de areia, de cascalho e três caminhões "arrebentados". Após vistoria, a equipe verificou que a empreiteira estava "furtando" água da USF Botafogo e uma ligação de energia irregular. A Águas foi acionada e o fornecimento de água foi cortado. 

Além desta obra, a empresa também venceu licitação para a pavimentação do Jardim Perdizes, no complexo Rita Vieira. O período de vigência do contrato teve início em setembro de 2024 e deve ser encerrado em julho deste ano após ter o prazo de execução acrescido em 180 dias. O valor do serviço é de R$ 6,93 milhões.

No entanto, a pouco mais de dois meses para o vencimento do contrato, as obras no Jardim Perdizes também estão paradas e em "estado de abandono" e sem previsão de conclusão. 

Em documento ao qual o Correio do Estado teve acesso, a obra no Jardim Perdizes ainda teve o seu valor reajustado em 4,49%, alterando o valor do serviço em mais R$ 290,71 mil. 

O Secretário de Obras de Campo Grande afirmou que as obras estão acontecendo "dentro da normalidade", fala questionada por Leinha durante a tribuna na Câmara de hoje (28).

 "A que parece essa construtora já tem o costume de abandonar obras as quais se sagrou vencedora em processos de licitação, recebendo dinheiro público para prestar um péssimo serviço público à população", disse o vereador. 

Trecho de rua no Jardim Perdizes de responsabilidade da A.S. Construtora, com prazo de contrato vigente até 29 de julho de 2026 / Foto: Divulgação/ Arquivo Pessoal

Meio Ambiente

Com 175 mil árvores nas ruas, Campo Grande amplia monitoramento e manejo

Prefeitura aposta em inventário e acompanhamento técnico para orientar podas, plantios e intervenções na arborização urbana

21/09/2026 16h00

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A questão ganha destaque nesta segunda-feira (21), Dia da Árvore, em meio a uma política que envolve não apenas o plantio de novas mudas, mas também escolha de espécies, definição dos locais, acompanhamento do crescimento, podas e demais ações de manejo.

Em 2025, a Prefeitura produziu aproximadamente 40 mil mudas no Viveiro Municipal Flora do Cerrado. Dessas, 27.153 foram distribuídas à população. No mesmo ano, 9.429 mudas foram plantadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), por meio do Projeto Via Verde e de outras ações em praças, parques e áreas verdes.

A arborização urbana exige decisões que começam antes de a muda chegar à calçada. A escolha da espécie precisa considerar o espaço disponível, o tamanho que a árvore poderá atingir, as raízes, a largura da calçada, a existência de fiação elétrica e a presença de outros equipamentos urbanos.

O próprio Manual de Arborização Urbana de Campo Grande estabelece diretrizes para implantação e manutenção das árvores e aponta que a escolha inadequada pode gerar conflitos com a infraestrutura urbana e aumentar a necessidade de intervenções futuras.

É justamente nessa etapa que o município tenta ampliar o uso de dados. O Arbolink permite registrar informações das árvores e identificar situações que podem exigir acompanhamento ou manejo. O sistema, porém, ainda está em fase de construção do inventário, com pouco mais de 8 mil árvores cadastradas diante de uma estimativa de aproximadamente 175 mil no sistema viário.

9,4 mil árvores plantadas

A expansão da arborização também ocorre por meio do Projeto Via Verde, que prioriza o plantio em regiões com menor cobertura arbórea e em locais que receberam pavimentação recentemente.

Ao todo, foram 9.429 mudas plantadas em 2025. A Prefeitura afirma que a ampliação da infraestrutura verde busca contribuir para o conforto térmico, qualidade do ar, drenagem urbana, biodiversidade e qualificação dos espaços públicos.

Além do plantio feito diretamente pelo município, a população também recebe mudas produzidas no viveiro municipal. Durante a Semana da Árvore deste ano, estão sendo distribuídas 10 mil mudas de espécies frutíferas.

O crescimento da arborização também impõe um desafio à administração pública: manter árvores saudáveis sem criar conflitos com calçadas, redes elétricas, ruas e demais estruturas urbanas.

Por isso, o planejamento prevê acompanhamento técnico desde a escolha da espécie até o manejo das árvores adultas. Equipes da Prefeitura passam por capacitações para diagnóstico, avaliação das condições das árvores, planejamento das intervenções e prevenção de riscos.

Campo Grande aparece entre as capitais com maior presença de árvores nas vias. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 91,4% dos moradores da Capital viviam em domicílios localizados em vias com pelo menos uma árvore, índice que colocou o município na primeira posição entre as capitais brasileiras nesse indicador.

A cidade também recebeu, em 2026, pelo sétimo ano consecutivo, o reconhecimento Tree Cities of the World, concedido pela Arbor Day Foundation em parceria com a FAO/ONU.

Mais do que ampliar a quantidade de árvores, entretanto, o desafio passa pelo acompanhamento de uma floresta urbana que já reúne dezenas de milhares de exemplares. 

Recurso

Voto valerá como prova de vida para beneficiários do INSS

Recurso passou por modificações para reduzir filas, custos e transtornos causados pelo comparecimento presencial

21/09/2026 15h45

Reprodução / TSE

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O comparecimento eleitoral valerá para a verificação no processo de Prova de Vida no INSS. O procedimento de revisão anual, focado em identificar se o titular do benefício previdenciário ou assistencial continua vivo para garantir a manutenção de pagamentos, abrange atualmente cerca de 40 milhões de beneficiários ativos, entre aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais. 

“A Prova de Vida pode se dar por meio do comparecimento eleitoral. Então, se você for votar no dia das eleições, você já terá a prova de vida realizada. O INSS recebe esses dados e já computa como prova de vida”, explica o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, destacando a praticidade da medida. 

O recurso possível com a Prova de Vida passou por modificações para reduzir filas, custos e transtornos que o antigo modelo presencial gerava, especialmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

A partir da Lei nº 13.846/2019, o comparecimento presencial deixou de ser a regra, estabelecendo que o próprio Estado deve buscar, de forma proativa, dados que confirmem a vivacidade do cidadão perante a administração pública. Já a Portaria INSS nº 1.408/2022 estabelece a votação nas eleições como um dos critérios de comprovação de vida.

Ou seja, quem votar, estará dispensado de realizar outras formas de comprovação. “Além de simplificar a Prova de Vida a milhões de segurados, a medida também traz segurança ao pagamento de benefícios da Previdência Social”, aponta a presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Silveira.

Automatização 

Para os casos em que o cidadão não comparecer ao pleito eleitoral, o INSS continua utilizando o sistema SIRIS, que coleta diversas fontes de dados do governo em busca de outros eventos comprobatórios, como a emissão de documentos, movimentações registradas ou atendimentos realizados. O segurado só é convocado a regularizar a situação quando não é encontrada nenhuma fonte que confirme a sua vivacidade.

Números do cruzamento eleitoral 

A base de dados do TSE teve contribuição significativa para a Prova de Vida em 2024. Nesse período, foram registrados eventos eleitorais para 20.957.288 beneficiários, resultando na atualização de aproximadamente 5 milhões de Provas de Vida.

Com informações de Governo Federal 

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