Cidades

CAMPO GRANDE

Vereadores barram projeto que aumentava a taxa do lixo

De forma unânime, parlamentares aprovaram medida que derruba decreto da prefeitura que elevou a tarifa em Campo Grande

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Os vereadores de Campo Grande aprovaram na noite de ontem, em sessão extraordinária, projeto de lei complementar suspendendo o decreto da Prefeitura de Campo Grande que determinou o aumento da taxa do lixo na Capital.

A medida foi uma forma encontrada pelos parlamentares para reduzir o impacto no valor do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).

A aprovação ocorreu de forma unânime entre os parlamentares que participaram da sessão na noite de ontem. Como a sessão aconteceu durante o recesso dos vereadores, alguns não conseguiram estar presencialmente, nem acompanhar de forma remota.

A decisão veio após uma semana de embate entre o Executivo e o Legislativo, em razão da grande reclamação da população em relação ao aumento do valor do IPTU. Apesar de não mexer no valor do imposto em si, a taxa do lixo está sendo cobrada com a tarifa predial.

Conforme o projeto de lei complementar votado ontem, os vereadores suspenderam o “Decreto nº 16.402, de 29 de setembro de 2025, que ‘dispõe sobre a forma de lançamento e pagamento da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares para o Exercício de 2026’, em especial o contido no artigo 4º e Anexo I, restabelecendo o Mapa do Perfil Socioeconômico Imobiliário de Campo Grande previsto no Decreto nº 13.461, de 15 de março de 2018, como base de cálculo da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares para o exercício de 2026”, diz trecho do documento aprovado.

O trecho em questão do decreto sustado diz que “faz parte integrante deste decreto o Mapa do Perfil Socioeconômico Imobiliário de Campo Grande, previsto no inciso I do art. 7º da Lei Complementar nº 308/2017, elaborado com fundamento em estudo técnico e definido com base no parcelamento imobiliário do município, constante do Anexo I”.

Com esse perfil socioeconômico imobiliário (Psei), feito por parte da Divisão de Avaliação e Geoprocessamento da Prefeitura de Campo Grande, a Capital alterou após quase 10 anos a base de cálculo da taxa de coleta de resíduos sólidos e domiciliares para este ano, com mais de 44% dos moradores em busca de um “instrumento de classificação mais justo”.

Pelo estudo, o universo considerado para o exercício deste ano corresponde a 486.962 inscrições imobiliárias, correspondentes à consolidação georreferenciada do Cadastro Imobiliário da Secretaria Municipal de Fazenda, das quais 478.769 estão aptas.

Em outras palavras, há, pelo menos, 8.193 inscrições imobiliárias que, apesar da geometria válida, ficam localizadas fora da área de cobertura do serviço de coleta de resíduos sólidos domiciliares, o popular lixo doméstico.

Houve um aumento no número de inscrições aptas a atribuição do Psei, uma expansão da base tributável que incluiu ao cálculo 20.782 novas unidades, sendo 457.987 tributadas em 2025, diante dos mais de 478 mil deste ano.

É essa a principal fonte de reclamação dos parlamentares e por isso o projeto de lei complementar restabeleceu a cobrança como era feita antes, com a base de cálculo antiga.

O projeto aprovado também prevê que os habitantes que já efetuaram o pagamento do IPTU, em que consta a taxa do lixo antes do complemento ser votado, poderão receber o ressarcimento de “forma administrativa, conforme regulamentação a ser expedida pela Prefeitura de Campo Grande no prazo de 10 dias”.

Segundo presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy (PSDB), a medida representa a forma autônoma que a Casa de Leis atua e que os parlamentares tentaram diálogo, mas que não teria sido possível.

“A Câmara não se omitiu nenhuma vez, a Câmara abriu diálogo com todos, inclusive aqueles que se mostraram contrários. Esse ato é um ato de autonomia, para mostrar para o Executivo que é necessário sempre manter diálogo com essa Casa”, declarou o presidente durante seu discurso.

SESSÃO EXTRAORDINÁRIA

A sessão extraordinária da Câmara Municipal aconteceu após uma semana de discussões entre a Câmara Municipal e a Prefeitura de Campo Grande em que, segundo os parlamentares, não houve outra forma encontrada além dessa, já que eles alegam que a gestão não aceitou a redução do imposto.

Ao todo foram 20 parlamentares na sessão extraordinária, dos 29 totais, dos quais 14 estavam presenciais e outros 6 de forma remota.

Antes da sessão, chegou a ser discutida também a retomada do desconto de 20% do IPTU para quem pagar à vista, porém, a Casa preferiu se concentrar na taxa de lixo.

“O debate [sobre o desconto] não está descartado, mas o desconto de 20% conta com discricionariedade da prefeitura. Não queremos votar algo que possa incorrer em ação direta de inconstitucionalidade, uma vez que a taxa de lixo abrange toda a população, enquanto o desconto de 20% só aqueles que pagarão à vista”, destacou Papy, horas antes da sessão começar.

*Saiba

Visita de conselheiro do Tribunal de Contas

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) Osmar Jeronymo esteve, na tarde de ontem, reunido com o presidente da Câmara dos Vereadores, Papy (PSDB), para tratar sobre a polêmica do aumento do IPTU. Isso porque a Corte de Contas também acompanha a situação do imposto e chegou até a sugerir o parcelamento do carnê a partir de fevereiro.

(Colaborou Alison Silva e Laura Brasil)

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DECISÃO LIMINAR

Prefeitura de MS realiza processos seletivos sem concurso público há 10 anos

A seleção de candidatos para cargos permanentes era feita apenas por análise de currículo e títulos, sem provas objetivas

18/03/2026 18h00

A gestão municipal utiliza processos seletivos sucessivos para preencher funções essenciais, como as de médicos, engenheiros e advogados

A gestão municipal utiliza processos seletivos sucessivos para preencher funções essenciais, como as de médicos, engenheiros e advogados Divulgação / Prefeitura de Camapuã

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A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a suspensão imediata dos Editais de Processo Seletivo Simplificado nº 09/2025 e nº 10/2025 da Prefeitura de Camapuã. A decisão reverteu o entendimento de primeira instância e reconheceu irregularidades graves no método de contratação do município.

A 1ª Promotoria de Justiça de Camapuã, por meio do promotor Lindomar Tiago Rodrigues, diz que a Prefeitura de Camapuã vem utilizando a Lei Municipal nº 2.291/2022 como um “escudo normativo” para práticas incompatíveis com a Constituição Federal.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) sustentou que a lei é materialmente inconstitucional por autorizar seleções sem etapas objetivas mínimas e permitir liberdade na contratação de funções que são, em essência, permanentes.

Além disso, ao fundamentar o recurso agravo de instrumento, o MPMS destacou que o município não realiza concurso público para cargos efetivos desde 2016. Em vez disso, a gestão municipal utiliza processos seletivos sucessivos para preencher funções essenciais, como as de médicos, engenheiros, advogados e professores, em desacordo com a Constituição Federal, que estabelece o concurso como regra e a contratação temporária apenas para situações excepcionais e transitórias.

A decisão judicial reforçou que os editais suspensos previam a seleção de candidatos apenas por análise de currículo e títulos, sem provas objetivas, o que viola a isonomia e fere os princípios da impessoalidade e da eficiência.

A decisão destacou que a contratação temporária é uma exceção constitucional e não deve suprir demandas ordinárias da administração.

O MPMS argumentou ainda que houve um “retrocesso institucional” em Camapuã, pois legislações municipais anteriores exigiam critérios mais rígidos e objetivos para seleções. A liminar considerou que a manutenção dos certames criaria vínculos precários de difícil reversão e causaria impacto financeiro e jurídico ao erário.

O magistrado ressaltou que a “urgência” alegada pelo município é, na verdade, previsível e reiterada, o que descaracteriza a excepcionalidade exigida para contratações temporárias.

Com a decisão, estão suspensos quaisquer atos de homologação, convocação ou novas contratações baseadas nos referidos editais. O MPMS requer, no mérito da ação, que se reconheça incidentalmente a inconstitucionalidade da lei municipal, para impedir que o regime excepcional de contratação se torne o método ordinário de gestão em Camapuã.

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TREINAMENTO

Evento internacional da FAB na UEMS terá simulados de desastres naturais

Durante as duas semanas de atividades, 15 delegações internacionais participarão do treinamento e atuarão em missões simuladas de transporte logístico, busca e salvamento, evacuação aeromédica (EVAM) e combate a incêndios florestais

18/03/2026 17h30

Divulgação / UEMS

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A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) receberá o Exercício Combinado Cooperación XI, no sábado (21), na Unidade Universitária de Aquidauana. O evento ocorrerá de forma conjunta entre as Forças Aéreas dos países do continente americano e a Força Aérea Brasileira (FAB).

O objetivo da iniciativa é aprimorar a coordenação de apoio mútuo, treinar procedimentos de Comando e Controle das operações aeroespaciais e fortalecer a capacidade de resposta a emergências, especialmente em cenários de desastres naturais ou antrópicos.

Conforme o coronel Braga, integrante do Quarto Comando Aéreo Regional (IV COMAR), o Cooperación XI é um exercício multinacional de assistência humanitária e resposta a desastres, conduzido no âmbito do Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas (SICOFAA).

De acordo com o oficial, 15 delegações internacionais participarão do treinamento: Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Brasil. Durante as duas semanas de atividades, centenas de militares e diversas aeronaves atuarão em missões simuladas de transporte logístico, busca e salvamento (SAR), evacuação aeromédica (EVAM) e combate a incêndios florestais.

Cenário operacional

O exercício será conduzido em um cenário fictício de enfrentamento a incêndios florestais de grande proporção, com foco no treinamento de processos de Comando e Controle (C2) e na coordenação de ações multinacionais de ajuda humanitária.

“O objetivo é preparar as Forças Aéreas para atuar com rapidez e eficiência nos primeiros momentos de uma crise, quando decisões estratégicas precisam ser tomadas em curto espaço de tempo. Nesse contexto, o exercício também busca aprimorar a capacidade da Força Aérea Brasileira (FAB) de coordenar esforços internacionais quando um país do sistema é afetado por desastres, reforçando a interoperabilidade entre as nações participantes”, informa o coronel Braga.

O treinamento contará ainda com a participação do Ministério da Defesa, que atuará em funções de enlace de comando e controle no nível setorial, além da integração da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro, que contribuirão com o emprego de helicópteros nas atividades operacionais.

Aeronaves

No âmbito do exercício, a FAB empregará aeronaves como o KC-390 Millennium, H-60L Black Hawk, SC-105 Amazonas, C-98 Caravan e o sistema aéreo remotamente pilotado RQ-900. A Marinha do Brasil participará com o helicóptero UH-12 Esquilo, enquanto o Exército Brasileiro contribuirá com o helicóptero HM-3 Cougar.

Entre os países participantes, destacam-se ainda o emprego do C-130 Hercules e helicópteros Bell 412 pela Argentina; o C-130H Hercules pelo Canadá; o C-295 pela Colômbia; aeronaves C-208 Caravan e helicópteros UH-1H Huey pelo Paraguai; o C-27J Spartan pelo Peru; e aeronaves KC- 130 Hercules e helicópteros Bell 212 pelo Uruguai, além de sistemas remotamente pilotados DJI M300 RTK e DJI M350 RTK.

Importância estratégica e científica

O reitor da UEMS, prof. Dr. Laércio de Carvalho destaca que é um motivo de grande honra a Universidade receber um evento internacional no âmbito das forças aéreas de diferentes países das Américas.

“Essa conquista da Universidade de Estado de Mato Grosso do Sul demonstra a sua responsabilidade e sua qualidade, principalmente, por que o evento ocorrerá na Unidade Universitária de Aquidauana, numa fazenda de extensa área, de modo a apresentar vitrines tecnológicas de produção e sustentabilidade aos comandos dos países integrantes da Cooperación XI”, explica Laércio. 

Ele explica que essas vitrines serão apresentadas para os oficiais das comitivas demonstrando os estudos e pesquisas que a UEMS vem realizando, na Unidade de Aquidauana, conhecida como Centro de Excelência em Ciências Agrárias.

“Os integrantes das forças aéreas dos países integrantes da ação internacional conhecerão as ações universitárias de produção, de agricultura familiar, na economia criativa e na área da sustentabilidade para o desenvolvimento do Pantanal sul-mato-grossense. A UEMS/ Aquidauana tem muito orgulho de receber este evento e certamente este será um marco, não só para nossa instituição, mas para todo o Estado de MS. Os visitantes serão apresentados a novas tecnologias que também serão destacadas no Pantanal Tech em 2026”, conclui o reitor da UEMS.

O coronel. Braga confirma que a escolha da região do Pantanal como cenário de referência para o exercício possui relevância estratégica, pois reflete a realidade enfrentada pelo Brasil e por diversos países da região diante da crescente ocorrência de incêndios florestais e eventos climáticos extremos.

“Operar nesse ambiente impõe desafios específicos à aviação, como redução da visibilidade devido à fumaça, instabilidade atmosférica e mudanças rápidas nas condições meteorológicas, exigindo elevado grau de planejamento, coordenação e tomada de decisão em tempo real. Nesse contexto, a parceria com a Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS) agrega uma dimensão científica ao exercício. A instituição contribui com conhecimento técnico sobre o bioma Pantanal e suas dinâmicas ambientais, fortalecendo a interação entre Forças Armadas, comunidade acadêmica e sociedade”, reconhece o oficial

O Brasil, que possui amplo conhecimento na realização de exercícios multinacionais, sediou, nos últimos anos, grandes eventos como a Cruzex Flight 2024, o EXCON Tápio 2025, o CORE e a Cúpula do G20, entre outros.

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