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Violência mata mais usuário de crack do que vício, diz pesquisa em SP

Violência mata mais usuário de crack do que vício, diz pesquisa em SP

ig

16/01/2012 - 05h00
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Entre a primeira pitada e o último trago no cachimbo de crack passam 10 anos de uso crônico. E o motivo que leva o usuário desta droga a deixar de inalar a fumaça tóxica, provavelmente, estará estampado em um boletim de ocorrência policial e não em um prontuário médico.

A morte deste dependente químico, quase sempre, tem como gatilho a violência e não uma doença.

São informações que estão no mapeamento ainda inédito feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os pesquisadores colheram informações de 170 pessoas que vivem na região paulistana conhecida como Cracolândia. Um público que há dez dias voltou a ser notícia por estar no alvo da Polícia Militar, em uma nova tentativa governamental de apagar esta mancha de mazelas sociais que cobre o centro da cidade.

Os dados encontrados pela Unifesp revelam que mais da metade dos dependentes usa crack há uma década, um indício de que o vício não tem potencial de destruição tão ágil quanto se supunha. O encontro com a pedra, para 65% deles, se deu antes dos 18 anos.

“O crack surgiu com força no cenário nacional nos anos 80 e ficou mais intensificado na última década. Existem muitos usuários que fazem este uso crônico e prolongado”, afirma o psiquiatra Marcelo Niel, ligado ao Programa de Orientação e Atendimento ao Dependente da Unifesp.

“Eles não estão só na Cracolândia. Muitos estão em casa, trabalhando ou em outros pontos da cidade. O risco deste uso por muitos anos é a morte. E a mortalidade, em muitos casos, está mais ligada aos episódios violentos do que a comprometimentos clínicos (como ocorre com o cigarro, por exemplo).”

A pesquisa realizada com os usuários endossa que enquanto uma mão segura o cachimbo a outra está, de alguma forma, ligada à criminalidade.

Dos dependentes pesquisados, 13% afirmaram roubar para conseguir a droga. Outros 13% disseram prestar serviços aos traficantes. Entre as mulheres, uma em cada dez já sofreu violência sexual e a mesma porcentagem, considerando também os homens, faz sexo em troca da droga. Do total de pesquisados, 53% já testemunharam mortes na Cracolândia.

Cracolândias invisíveis

Esta relação com episódios violentos tem como uma das explicações os próprios danos provocados pelo crack no organismo, explica a psiquiatra da USP e do Centro de Informações Sobre o Álcool (Cisa), Camila Magalhães.

“As substâncias químicas – uma versão mais pobre da cocaína, misturada a tóxicos como ácido sulfúrico – chega ao cérebro rapidamente. O uso contínuo danifica as partes cerebrais responsáveis pelo autocontrole, raiva, planejamento e bom-senso”, explica ela.

O rastro de destruição neurológica deixado pelo crack precisa ser controlado – e monitorado – inclusive no processo de abstinência, reforça o psiquiatra da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), Sérgio de Paula Ramos.

“Caso a oferta de crack seja suspensa repentinamente sem uma oferta eficiente e imediata de atendimento médico, os únicos efeitos serão o encarecimento do produto e fazer com que o dependente busque até de forma desesperada a droga em outro lugar”, diz Ramos.

“A repressão do tráfico e o primeiro passo para parar de usar são bem-vindos, mas qualquer iniciativa está fadada ao fracasso caso não venha acompanhada de tratamento.”

A avaliação de Sérgio de Paula Ramos é partilhada por outros especialistas ouvidos pelo iG para criticar a estratégia divulgada pela Polícia Militar no perímetro urbano que compõe a chamada Cracolândia. A declaração de um dos responsáveis pela ação é de que o mote da operação é “dor e sofrimento”, ou seja, impedir que o tráfico abasteça a região. Assim, sem conseguir as pedras e em situação de abstinência, os usuários procurariam ajuda médica por conta própria para se livrar do vício.

Com base na experiência com o atendimento de usuários de crack, o especialista da Unifesp Marcelo Niel diz que este processo só agravaria a fissura dos dependentes que procurariam o que ele denomina de “cracolândias invisíveis.”

“Uma das maiores dificuldades em tratar o usuário de crack é que ele abandona rápido demais o tratamento”, diz.

“As taxas de evasão superam 40%. No caminho entre a própria casa e o médico, os pacientes contam que encontram quatro pontos de venda de crack e não resistem às recaídas.”

“A polícia montou uma ofensiva nas ruas do centro paulistano – principalmente pelas ruas Helvetia, Aurora e Guaianases – mas não consegue estar em todos os pontos onde a droga é vendida. Existem ‘cracolândias invisíveis’ espalhadas pela cidade toda, dentro de apartamentos, cabines telefônicas, favelas, avenidas. É para todos estes locais que os hoje frequentadores da área monitorada vão migrar.”

Fissura medicada

Segundo Camila Magalhães, para parar de usar o crack é preciso mesmo uma ruptura, mas este processo deve ser incentivado, acompanhado e esclarecido.

“Em especial na primeira semana sem uso, alguns efeitos não são confortáveis, mas a conscientização de que eles são passageiros dão suporte para a continuidade do tratamento”, afirma.

Em alguns casos, a fissura precisa ser tratada com medicações mais fortes que ajudam na desintoxicação. Quem conseguiu deixar as estatísticas dos usuários de crack, como foi o caso de Maria Eugênia Lara, acrescenta mais um incentivo.

Operação Leviatã 2

Polícia Civil deflagra operação contra avanço do Comando Vermelho em MS; dois suspeitos morrem

Dos quatro alvos da operação, três foram localizados em Rondonópolis, no Mato Grosso, e um em Coxim

11/06/2026 17h00

Foto: Divulgação / PCMS

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta quinta-feira (10) a segunda fase da Operação Leviatã, voltada ao combate à expansão da organização criminosa Comando Vermelho no Estado.

Durante a ação, quatro mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão foram cumpridos em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Dois investigados morreram após confronto com policiais em Rondonópolis (MT).

A operação foi coordenada pelo Departamento de Polícia Especializada (DPE), por meio da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras), em conjunto com o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), através da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Decco).

Segundo a Polícia Civil, a investigação apura a atuação de integrantes da facção criminosa envolvidos em crimes graves praticados na região norte de Mato Grosso do Sul. Dos quatro alvos da operação, três foram localizados em Rondonópolis, no Mato Grosso, e um em Coxim.

Durante o cumprimento de um dos mandados em Rondonópolis, equipes do Garras localizaram um dos principais investigados em uma residência apontada como esconderijo da organização criminosa. Conforme a polícia, dois suspeitos reagiram à abordagem utilizando armas de fogo e passaram a representar risco aos agentes que participavam da operação.

Diante da situação, houve intervenção policial para conter a agressão. Os dois homens foram socorridos e encaminhados a uma unidade hospitalar da região, mas não resistiram aos ferimentos e morreram.

No imóvel, os policiais apreenderam armas de fogo supostamente utilizadas pelos investigados, além de uma quantidade de droga com características semelhantes à maconha. Todo o material foi recolhido para perícia e demais procedimentos de polícia judiciária.

De acordo com a Polícia Civil, a Operação Leviatã 2 integra uma série de ações permanentes de enfrentamento às organizações criminosas e ao tráfico de drogas no Estado. O objetivo é desarticular a estrutura da facção, identificar novos integrantes e impedir o avanço de suas atividades em Mato Grosso do Sul.

As investigações continuam para localizar outros envolvidos. 

Vandalismo

Campo Grande registra 113 ataques a semáforos e perde 3 km de cabos em 2026

Furtos, vandalismo e até ataques de aves comprometem a sinalização viária e obrigam prefeitura a redirecionar recursos para manutenção emergencial

11/06/2026 16h47

Foto: Divulgação

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A segurança e a fluidez do trânsito de Campo Grande vêm sendo impactadas por uma sequência de furtos e atos de vandalismo contra a rede semafórica da Capital.

Somente nos primeiros meses de 2026, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) contabilizou 113 ocorrências envolvendo furtos, tentativas de furto e depredação de equipamentos responsáveis pelo controle do tráfego em diferentes regiões da cidade.

O balanço do órgão aponta que os casos já resultaram na elaboração de 93 boletins de ocorrência e acenderam o alerta sobre os prejuízos causados à mobilidade urbana, à segurança viária e aos cofres públicos.

Entre os danos mais significativos está o furto de aproximadamente 3 mil metros de cabos elétricos utilizados na alimentação dos semáforos. Além disso, criminosos levaram 12 controladores semafóricos, equipamentos considerados essenciais para o funcionamento e a sincronização dos cruzamentos.

A retirada desses dispositivos provoca a interrupção total da sinalização em diversos pontos da cidade, aumentando os riscos de acidentes e exigindo resposta imediata das equipes técnicas da Agetran.

Equipamentos apagados elevam riscos no trânsito

Quando um semáforo deixa de funcionar, motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres passam a depender exclusivamente das regras gerais de circulação para atravessar os cruzamentos, situação que pode gerar conflitos e aumentar a possibilidade de colisões.

Segundo Ciro Ferreira, diretor-presidente da Agetran, que conversou com a equipe de reportagem do Correio do Estado, a recuperação dos equipamentos danificados exige o deslocamento de equipes especializadas, a reposição de materiais e, em alguns casos, a reconstrução completa da estrutura comprometida.

"Quando um componente semafórico é furtado, o prejuízo vai muito além do equipamento. A população perde uma ferramenta fundamental para a organização e a segurança do trânsito, especialmente em cruzamentos de grande movimento. Essas ocorrências colocam em risco a vida de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres, exigindo dos condutores atenção redobrada ao cruzar a via. Além dos impactos na mobilidade urbana, esses atos demandam a mobilização de equipes técnicas e de recursos públicos que poderiam ser destinados a melhorias no sistema viário. A AGETRAN permanece à disposição para atuar da forma mais ágil possível no restabelecimento dos equipamentos afetados, mas reforça a importância do apoio da sociedade no combate a esse tipo de crime", disse Ciro Ferreira.

Problema vai além da ação criminosa

Embora os furtos representem a maior parte das ocorrências, a Agetran também enfrenta outros desafios relacionados à manutenção da rede semafórica.

Neste ano, foram registradas 15 ocorrências envolvendo ataques de periquitos aos equipamentos. As aves costumam danificar componentes e fiações instaladas nos semáforos, provocando falhas operacionais que exigem reparos técnicos.

Outro problema recorrente são as colisões de veículos contra postes e estruturas de sustentação. Esses acidentes frequentemente comprometem o funcionamento da sinalização e obrigam a realização de intervenções emergenciais para restabelecer a operação dos cruzamentos.

Recursos deixam de ser investidos em melhorias

De acordo com a Agetran, os impactos financeiros dos furtos e atos de vandalismo vão além da simples reposição de peças.

Recursos que poderiam ser destinados à modernização da sinalização, ampliação da infraestrutura viária e projetos de mobilidade urbana acabam sendo direcionados para a recuperação de equipamentos danificados.

A situação gera um efeito em cadeia, retardando investimentos planejados para melhorar a circulação de veículos e a segurança dos usuários das vias públicas.

Monitoramento e manutenção diária

Para reduzir os impactos causados pelas ocorrências, a agência mantém equipes atuando diariamente no monitoramento e na manutenção dos semáforos espalhados pela Capital.

Sempre que uma falha é identificada, técnicos são mobilizados para realizar os reparos necessários e restabelecer a sinalização no menor tempo possível, minimizando os transtornos para a população.

 População pode ajudar

A Agetran orienta que qualquer irregularidade observada nos semáforos seja comunicada imediatamente à Central 156. O registro permite o acionamento rápido das equipes responsáveis e contribui para aumentar a segurança de motoristas e pedestres.

A participação da população também é considerada fundamental para auxiliar na identificação de atos de vandalismo e furtos que comprometem o funcionamento da rede semafórica da cidade.

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