Cidades

Dados

Violência sexual atinge 3 em cada 10 meninas em MS

A maior parte dos casos acontece dentro de casa

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Quase três a cada dez meninas entre 13 e 17 anos já sofreram algum tipo de violência sexual em Mato Grosso do Sul. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Segundo o levantamento, na maioria dos casos, os agressores fazem parte do convívio da vítima, como familiares, parceiros ou pessoas conhecidas. 

No Estado, 29,3% das meninas entre a faixa etária observada relataram já ter sido tocadas, manipuladas, beijadas ou terem vivido situações de exposição de partes do corpo contra a própria vontade. O percentual é bem maior que o de meninos que passaram pela mesma situação, que foi de 12%. 

Os dados também mostram que a situação é mais comum na rede pública escolar (20,8% dos casos) que na rede privada (17,6%). 

De modo geral, cerca de 20,4% dos escolares sul-mato-grossenses alguma vez já experienciou algum tipo de violência sexual. Em números reais, isso equivale a, aproximadamente, 34.668 dos 169.939 estudantes. Isso coloca o Estado como o 7º maior número entre os estados do Brasil. 

Se comparado com a última pesquisa realizada em 2019, houve um aumento de 5,3% de estudantes que já sofreram assédio sexual. Entre as meninas, a variação foi mais acentuada, de 7,8%. 

Entre as vítimas entrevistadas, 29,5% relataram terem sofrido a agressão por familiares; 22,7% por pessoas conhecidas; 22% apontaram o namorado ou namorada como agressor; 21,7% foram vítimas de desconhecidos; 15,8% apontaram amigo ou amiga; e 6,6% acusaram pai, mãe ou outro responsável. 

Casos de estupro

Entre os escolares, 9,1% dos entrevistados afirmaram ter sido obrigados a ter relação sexual contra a vontade. Entre as meninas, o percentual é mais que o dobro que o entre meninos, sendo de 13% contra 5,5%. 

Em 71,2% dos casos, o aluno tinha 13 anos ou menos quando foi submetido à violência. 

Os familiares continuam sendo os principais autores apontados neste tipo de agressão, correspondendo a 29,2% dos casos, seguido por namorado ou namorada, com 22,2%. 

Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), em 2024, foram registrados 2.740 casos de estupro em Mato Grosso do Sul. 

Entre os casos, 1.271 vítimas eram crianças e 977 eram adolescentes. Juntos, eles correspondem a 82,04% das denúncias totais no Estado. Além disso, 2.368 vítimas eram mulheres. 

Nacional

Em todo o Brasil, 18,5% dos estudantes entre 13 e 17 anos informaram ter passado por situação de violência social. Entre as vítimas, 26% foram meninas, mais que o dobro registrado entre meninos, 10,9%. 

Esse número mostra um aumento de 3,8% no percentual observado na pesquisa anterior, em 2019, com variação maior observada em meninas (5,9%) da rede pública escolar (4,2%). 


 

Literatura

Escritora de MS participa da Bienal do Livro de São Paulo

Jucelia Silva apresenta o romance "Antes de Nós" no estande da Editora Flyve durante o evento, que começou nesta sexta-feira

04/09/2026 17h30

Foto: Arquivo pessoal

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A escritora campo-grandense Jucelia Silva participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começou nesta sexta-feira (4), na capital paulista. Autora do romance Antes de Nós, ela representa Mato Grosso do Sul entre os escritores que integram a programação do evento.

Jucelia está no estande da Editora Flyve, onde o livro será apresentado ao público. O romance aborda temas como memória, família, ancestralidade e pertencimento, a partir da relação entre diferentes gerações.

A participação ocorre após a escritora integrar eventos literários em Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, ela participou da Feira Literária de Bonito (FLIB), do projeto Leituras e Conversas, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, e do Sarau do Recanto, em Campo Grande.

Romance

Em Antes de Nós, a autora parte de uma pergunta sobre a vida dos pais e antepassados antes de eles ocuparem esses papéis dentro da família. A história transita entre campo e cidade e aborda relações familiares, diferenças sociais e raciais e as marcas deixadas pelas escolhas de gerações anteriores.

“Antes de Nós nasceu do desejo de olhar para aqueles que vieram antes e imaginar quem eram nossos pais antes de ocuparem esse lugar em nossas vidas. Estar na Bienal de São Paulo com esse romance é muito significativo para mim”, afirma Jucelia.

Além de escritora, Jucelia é professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), doutora em Letras e mestre em Estudos de Linguagens. Ela também integra a União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS).

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue até o dia 13 de setembro, reunindo editoras, autores e leitores no Distrito Anhembi. Antes de Nós também pode ser encontrado no site da Editora Flyve, na Amazon, com a autora e na Hámor Livraria, em Campo Grande.

Fronteira com MS

Cidade do Paraguai decreta folga em 7 de setembro e gera revolta

Prefeitura de Capitán Bado decretou ponto facultativo para liberar servidores e escolas para desfile da Independência do Brasil em Coronel Sapucaia, mas decisão provocou críticas até em Assunção

04/09/2026 17h29

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS)

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS) Arquivo

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Um decreto do município de Capitán Bado, cidade paraguaia distante 400 quilômetros de Campo Grande, está causando polêmica no país vizinho. É que a prefeitura do município, localizado no Departamento de Amambay, decretou ponto facultativo na próxima segunda-feira (7), feriado de Independência do Brasil.

Capitán Bado é separada do Brasil apenas por uma rua. Região de fronteira seca, o município paraguaio é vizinho de Coronel Sapucaia (MS).

O jornal paraguaio El Nacional tratou a decisão da prefeitura paraguaia como “Vergonha Inexplicável”. A explicação do prefeito de Capitán Bado, feita por meio de nota, é que a decisão se justifica pela necessidade de liberar funcionários públicos e escolas para participar do desfile de 7 de setembro em Coronel Sapucaia.

A notícia chegou à capital paraguaia, Assunção. Algumas autoridades do país vizinho já pediram explicações.

Nas redes sociais, cidadãos paraguaios mais nacionalistas condenaram a atitude do prefeito, chamado de “intendente” no país vizinho. Outros não viram nada demais em decretar o ponto facultativo em consideração a uma cidade-irmã.

Outro questionou a soberania paraguaia: “Seria uma colônia do Brasil?”, disse.

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