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Vítimas de fraude do INSS em Mato Grosso do Sul são alvo de novos golpes

Golpistas oferecem meios falsos para solicitação do ressarcimento dos valores descontados indevidamente dos benefícios

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Em meio à busca por informações e atendimentos, tentativas de novos golpes estão sendo relatadas por vítimas de fraudes nos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Aproveitando a procura por ressarcimento de aposentados e pensionistas vítimas de descontos ilegais por entidades associativas sem autorização nos benefícios, golpistas entram em contato dizendo que são advogados ou empresas especializadas em encaminhar o pedido de restituição dos descontos. 

Conforme a advogada especialista em Direito Previdenciário Juliane Penteado, esse tipo de golpe vem se tornando frequente.

“Eu tenho notado que com estes golpes, mesmo sendo antigos, eles [golpistas] aproveitam estes momentos para entrar em contato com as vítimas se passando por advogados. As pessoas precisam ficar atentas, primeiro, devem procurar se estes advogados existem mesmo, tentar entrar em contato com o escritório do advogado e, se for um profissional conhecido, ver se o telefone que ele tem bate com o número que entrou em contato”, orientou Juliane. 

Ao Correio do Estado, a aposentada Noemia Silva, de 67 anos, revelou que, antes de procurar o atendimento que auxilia no recebimento dos valores descontados do seu INSS, ela recebeu várias ligações e mensagens de golpistas oferecendo ajudas e atalhos falsos para solicitar o ressarcimento.

“Recebi mensagens e ligações dizendo que era uma empresa e que, para eu conseguir receber o valor descontado do INSS, eu deveria clicar em um link mandado por eles, mas eu nunca fiz isso”, declarou Noemia.

Suspeitando logo de cara de que se tratava de um golpe, Noemia não respondeu as mensagens enviadas e procurou uma agência dos Correios para receber o atendimento presencial, que está sendo oferecido para auxiliar os aposentados e pensionistas com o pedido de ressarcimento dos descontos indevidos do INSS.

“Eu vim aqui na agência dos Correios para resolver esta questão, onde eu fiquei sabendo que tem as informações certas”, completou.

O ex-vigilante Moises Teixeira Borges, de 60 anos, também sofreu uma tentativa de golpe por meio de uma falsa advogada.

“Uma tal advogada, pessoa que eu não conhecia, me ligou avisando que havia descontos na minha conta do INSS. Não sei como ela me achou. Esperei contato, ela não me ajudou com o recurso e eu fui atrás dos meus direitos”, disse.

Após o ocorrido, mesmo sabendo utilizar o aplicativo, Moises preferiu buscar o atendimento pessoalmente em uma agência dos Correios.

As agências dos Correios estão habilitadas para ajudar os beneficiários a consultarem se há descontos em seus benefícios.

Caso o aposentado queria saber sobre descontos irregulares, é possível fazer a constatação, bem como acompanhar o resultado da contestação.

Estima-se que cerca de 4,1 milhões de pessoas foram afetadas pelos descontos associativos sem autorização, gerando um prejuízo total de aproximadamente R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

CORREIOS

A reportagem entrou em contato com os Correios para confirmar se as tentativas de golpes relatadas pelos aposentados foram observadas pela empresa, que, em Mato Grosso do Sul, desde quando começaram as orientações para vítimas da fraude no INSS, já atendeu mais de 21 mil pessoas.

“Os Correios receberam alguns relatos sobre tentativa de golpes a aposentados e pensionistas. A orientação é que o atendimento é feito apenas pelo aplicativo Meu INSS, o site do INSS, a Central 135 e presencialmente, nas agências dos Correios. Ninguém do INSS ou dos Correios está autorizado a ir até a casa do aposentado ou pensionista para oferecer esse serviço”, informaram os Correios, em nota.

A empresa ainda acrescentou que o INSS e os Correios não enviam mensagens por WhatsApp, não ligam nem enviam e-mail ou SMS com links para consulta ou confirmação de dados. 

“As informações oficiais sobre as contestações só serão disponibilizadas pelos canais oficiais. Na dúvida, os beneficiários podem procurar os canais oficiais antes de tomar qualquer decisão e não devem compartilhar seus dados pessoais com desconhecidos”, completou.

Desde o dia 30 de maio, mais de 5 mil agências dos Correios estão habilitadas para consultas e contestações relativas aos descontos irregulares feitos por entidades associativas desde 2019. Em Mato Grosso do Sul são 85 agências.

O serviço foi pensado especialmente para quem tem dificuldade em acessar os canais digitais como o aplicativo Meu INSS ou a Central 135.

Mais de 1,5 milhão de pessoas já foram atendidas pelos Correios em todo o Brasil. Em Mato Grosso do Sul, todas as 85 agências dos Correios estão prestando atendimento aos aposentados e pensionistas.

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EVENTO AMBIENTAL

Lula lista prioridades e objetivos de COP15 realizada em Campo Grande

Presidente também fala que, após 50 anos de existência da convenção, é necessário que haja uma atualização para pautas e imposições atuais

22/03/2026 19h28

Foto oficial da cúpula da COP15, com Lula, Riedel e Adriane Lopes entre as autoridades

Foto oficial da cúpula da COP15, com Lula, Riedel e Adriane Lopes entre as autoridades Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva listou as três prioridades que líderes brasileiros e internacionais terão pela frente durante a 15ª Reunião da Conferência das Partes (COP15) sobre a Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), realizada em Campo Grande a partir de amanhã, segunda-feira (23).

Na tarde deste domingo (22), Lula discursou no segmento presidenciável da sessão especial da COP15, que aconteceu às vésperas da abertura oficial do evento. Durante sua fala, o presidente citou que foram definidas prioridades e objetivos para a edição na Capital sul-mato-grossense.

“Primeira, dialogar com os princípios consagrados pelas convenções do clima e da desertificação e da biodiversidade, como as responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Segunda, trabalhar para ampliar e mobilizar recursos financeiros, criar fundos e mecanismos multilaterais inovadores, principalmente para os países em desenvolvimento. Terceira, universalizar”, afirma.

Lula também aproveitou a oportunidade para falar que é preciso que a convenção se atualize depois de quase 50 anos desde sua criação (1979, na Alemanha).

“A mudança do clima, a poluição das águas, o extrativismo e as obras de infraestrutura sem planejamento adequado são desafios crescentes. Passadas quase cinco décadas, é natural que a convenção precise se atualizar”, pontua.

Sobre a importância do evento para o meio ambiente, o presidente falou que proteger espécies migratórias é essencial para a vida e que depende de esforço e união de todos. "Essas jornadas conectam ecossistemas,
preservam ciclos naturais e garantem o equilíbrio que torna a vida possível. Proteger esses animais é proteger a própria vida do planeta. A sobrevivência dessas espécies depende de ação coletiva", disse.

Críticas políticas

Mesmo sob ordem da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente também não poupou palavras para criticar o fórum global, especialmente a atuação do Conselho de Segurança da entidade ao falhar na busca por meios para interferir nos conflitos mundiais que o planeta vive hoje, como a guerra no Oriente Médio.

"Essa COP15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados às soberanias e execuções sumárias estão se tornando regra. Nos seus 80 anos, a ONU teve atuação importante nos processos de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na recomposição da camada de ozônio, na erradicação da varíola, na firmação dos direitos humanos e amparo aos refugiados e imigrantes, mas o conselho de segurança tem sido omisso na busca de soluções de conflitos. Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima", disse o presidente.

Lula aproveitou ainda  para fazer um paralelo entre o tema do evento, que é a conservação de espécies migratórias, com a migração também de pessoas.

Sem citar nomes, o presidente alfinetou a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, onde tem havido deportações pelo Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE.

"A história da humanidade também é uma história de migrações, deslocamentos, vínculos e conexões. No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado. Que esta COP15 seja o espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade", concluiu o presidente.

Saiba

A COP15 da CMS promove a conservação de espécies, seus habitats e rotas em escala global, abrangendo cerca de 1.189 espécies, entre aves, mamíferos, peixes, répteis e insetos. Atualmente, conta com 133 partes signatárias, sendo 132 países e o bloco da União Europeia (formado por 27 nações).

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cop15

Em Campo Grande, Lula critica o conselho de segurança da ONU

Presidente destaca que COP15 ocorre em momento de tensões geopolíticas e que a ONU é "omissa" na busca por soluções

22/03/2026 19h10

Presidente Lula participou de sessão especial da COP15 em Campo Grande

Presidente Lula participou de sessão especial da COP15 em Campo Grande Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) durante o seu discurso na sessão especial da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15 da CMS), em Campo Grande, neste domingo (22).

O evento é organizado pela ONU e, pela primeira vez, será realizada no Brasil, entre os dias 23 e 29 de março.

Durante o discurso no evento que antecede a COP, Lula destacou as ações importantes da ONU, mas ressaltou que o mundo vive situações de conflitos e que a organização não tem buscado meios para interferir nesse tipo de situação.

"Essa COP15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados às soberanias e execuções sumárias estão se tornando regra. Nos seus 80 anos, a ONU teve atuação importante nos processos de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na recomposição da camada de ozônio, na erradicação da varíola, na firmação dos direitos humanos e amparo aos refugiados e imigrantes, mas o conselho de segurança tem sido omisso na busca de soluções de conflitos. Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima", disse o presidente.

Lula aproveitou ainda  para fazer um paralelo entre o tema do evento, que é a conservação de espécies migratórias, com a migração também de pessoas.

Sem citar nomes, o presidente alfinetou a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, onde tem havido deportações pelo Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE.

"A história da humanidade também é uma história de migrações, deslocamentos, vínculos e conexões. No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado. Que esta COP15 seja o espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade", concluiu o presidente.

Lula chegou a Campo Grande pouco depois das 15h30 e, após participação no evento pré-COP15, deixou o Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo com destino a Brasília.

Ampliação de Unidades de Conservação

Antes de seu discurso, Lula assinou três decretos no evento, sendo a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e da Estação Ecológica do Taiamã, no Mato Grosso, e a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, em Minas Gerais.

“Trata-se de uma medida construída com base em evidências técnicas, escuta qualificada e cooperação institucional consistente, que reforça a proteção de áreas essenciais para o pulso de inundação do Pantanal – fenômeno que sustenta sua biodiversidade, regula os ciclos ecológicos e garante a resiliência desse sistema único frente à mudança do clima”, destaca a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

“Ao ampliar áreas protegidas em biomas emblemáticos para o planeta e absolutamente cruciais para a vida dos brasileiros, garantindo sua segurança hídrica e alimentar e a regulação climática, o país não apenas responde a desafios urgentes, como o enfrentamento aos incêndios, à mudança do clima e à perda de biodiversidade, como reafirma, com ações concretas, a centralidade da agenda ambiental na reconstrução de um Brasil que protege, valoriza e projeta seu patrimônio natural para o mundo", afirma o presidente designado da COP15 e secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco.

Além de Marina Silva e João Paulo Capobianco, acompanharam o presidente Lula no ato de anúncio o presidente do Paraguai, Santiago Peña, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e o presidente do ICMBio, Mauro Pires.

COP15

A COP15  da CMS reunirá em Campo Grande as 133 partes da Convenção, sendo 132 países e a União Europeia, para discutir o estado de conservação das espécies migratórias, definir prioridades e deliberar sobre políticas e ações conjuntas voltadas à proteção de habitats e rotas migratórias.

Organizado pelo Governo do Brasil e presidido pelo secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, o encontro deve reunir mais de 2 mil participantes, entre representantes de governos, cientistas, organizações internacionais e sociedade civil.

A escolha de Campo Grande para sediar a COP15 foi considerada estratégica por especialistas. A região está inserida no bioma Pantanal, uma das áreas mais relevantes para a migração de espécies no país.

“O Pantanal faz total sentido. É uma das áreas mais críticas e importantes de migração do nosso país. Uma região que está passando por ameaças severas e impactos muito significativos da mudança do clima. A perda de água do Pantanal é de altíssima preocupação”, detalhou a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Rita Mesquita.

A coordenadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Priscilla do Amaral, alertou para a gravidade da situação no bioma e destacou a importância do momento para discutir medidas de conservação.

“Quem trabalha, vive ou conhece o Pantanal, sabe que ele está se acabando. Então, é muito importante acendermos esse alerta, neste momento. Talvez seja a última chance de a gente recuperar esse bioma que está sumindo do mapa”, afirmou.

Abrigo de diversas espécies migratórias, o Pantanal desempenha papel fundamental para a sobrevivência de animais que dependem dessas rotas. Nesse contexto, as negociações entre os países durante a COP15 podem representar avanços importantes para a proteção da fauna.

“Quando a gente fala de direito animal, a gente tem que falar, sobretudo, de responsabilidade humana. Todos são responsáveis pelo bem e pelo mal que as espécies que estão sob sua tutela e responsabilidade sofrem”, reforçou Ivan Teixeira, chefe substituto de espécies exóticas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Atualmente, 1.189 espécies migratórias estão listadas pela Convenção. Elas se dividem entre o Anexo I, que reúne espécies ameaçadas de extinção, e o Anexo II, composto por aquelas que demandam cooperação internacional para sua conservação.

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