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Vítimas pedem ressarcimento por descontos ilegais em benefícios do INSS

Investigação nacional apura fraude bilionária que "tomou" dinheiro de aposentados por anos em Mato Grosso do Sul; em um dos processos, pensionista pede R$ 20 mil por indenização de danos morais

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Muitos dos aposentados e dos pensionistas lesados por descontos não autorizados em benefícios recebidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Mato Grosso do Sul procuraram a Justiça para pedir ressarcimento pelos prejuízos que tiveram e indenização por danos morais. Em um dos casos, uma senhora pede R$ 20 mil da empresa que lhe cobrou irregularmente.

Casos de fraudes ligadas a cobranças indevidas de associações de idosos que cobravam por descontos associativos em aposentadorias e pensões do INSS começaram a crescer na Justiça de Mato Grosso do Sul, como mostrou a reportagem do Correio do Estado de ontem que trouxe que mais de 500 processos sobre esse tema estão em tramitação no Estado. Entre eles está o de uma pensionista de 63 anos que está perdendo mensalmente R$ 231,71 de débitos para uma associação.

De acordo com esse processo, aberto na Comarca de Campo Grande, a quantia parcelada em 36 meses – e começou a ser descontada em dezembro de 2024 – totalizaria o montante debitado de R$ 8.341,56.

A defesa da pensionista pede na Justiça que a Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (AB Nacional), para a qual era destinado o valor descontado, seja condenada à devolução em dobro dos valores descontados indevidamente de R$ 1.853,68.

Além da quantia em dobro, também pede que a associação seja condenada ao pagamento de indenização por danos morais à pensionista no montante de R$ 20 mil.

Esse caso não é isolado, uma vez que, em consulta na Justiça sul-mato-grossense realizada pelo Correio do Estado, foi possível encontrar – só do último ano para cá – mais de 500 processos de vítimas de cobranças associativas indevidas em Campo Grande e outras centenas no restante de MS.

Os relatos são de diversas associações, praticamente todas elas com funcionamento nacional, como a Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas (Caap), a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAABP), assim como a AB Nacional.

Outra vítima foi o aposentado Wilson Oliveira dos Santos, 60 anos, que informou ao Correio do Estado que, apesar de nunca ter autorizado o desconto retirado, há pelo menos três anos esses valores são descontados do seu benefício.

Questionado em como se sente com relação à essa situação e à fraude que está sendo investigada, o aposentado se declarou indignado. “Diante de tanta confusão, não sinto mais nada. Não estou nem aí. A lei é sempre para os mais fortes. Sigo trabalhando para ganhar o meu dinheiro”, declarou.

INVESTIGAÇÃO

Com mandado de busca em Mato Grosso do Sul, a Controladoria-Geral da União (CGU), em conjunto com a Polícia Federal (PF), deflagrou na quarta-feira a Operação Sem Desconto, contra um esquema nacional que mirou associações que faziam descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.

Segundo a PF, entidades que representavam aposentados e pensionistas descontaram irregularmente parte de mensalidades associativas aplicadas sobre benefícios previdenciários. Essa operação foi realizada em 34 cidades.

A investigação dessa fraude começou com uma pesquisa da CGU, em julho do ano passado, que identificou que 97% dos beneficiários do INSS entrevistados em todo o Brasil informaram não terem autorizado descontos de mensalidades associativas realizados na folha de pagamento.

Segundo a CGU, 1.273 pessoas foram entrevistadas pessoalmente em todos os estados, sendo 57 de Mato Grosso do Sul. No caso dos entrevistados de MS, apesar de todos eles apresentarem descontos associativos em seus benefícios, eles declararam que não haviam aderido à associação que lhes cobrava em folha.

Por causa dessa irregularidade, o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e outros quatro servidores da entidade foram afastados de suas funções por decisão judicial.

São eles: o procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho; o coordenador-geral de Suporte ao Atendimento ao Cliente do INSS, Giovani Batista Fassarella Spiecker; o diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS, Vanderlei Barbosa dos Santos; e o coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios do INSS, Jacimar Fonseca da Silva.

Ainda, um policial federal também foi afastado. Após a operação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu exonerar o presidente do INSS. 

DEVOLUÇÃO

Em resposta à deflagração da operação, o governo federal, por meio do ministro da CGU, Vinícius Marques de Carvalho, informou que os aposentados e os pensionistas do INSS não terão mais descontos automáticos para entidades da sociedade civil, mesmo que tenham autorizado a retirada. Segundo Carvalho, a devolução dos valores descontados neste mês ocorrerá na próxima folha de pagamento.

Nenhum aposentado ou pensionista do INSS será descontado até que as investigações da Operação Sem Desconto acabem e que o governo reorganize um novo marco legal para os convênios entre o INSS e as entidades da sociedade civil.

Saiba

Entre 2019 e 2024, essas entidades descontaram R$ 6,3 bilhões de cerca de 6 milhões de segurados do INSS. Porém, a parcela desse montante que decorre de descontos ilegais ainda é analisada.

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Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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