Após 40 anos, Reinaldo Azambuja (PL) conseguiu quebrar o tabu de um ex-governador de Mato Grosso do Sul conseguir chegar ao Senado. A última vez em que o fato ocorreu foi em 1986, quando o então governador do Estado, o advogado Wilson Barbosa Martins, do PMDB conseguiu uma vaga no Congresso.
Na ocasião, Wilson Martins se candidatou à vaga quando ainda exercia o último ano de seu mandato como governador de Mato Grosso do Sul, em 1986. Ao abrir mão do cargo para tentar o Senado em 14 de maio daquele ano, o seu vice, Ramez Tebet também do PMDB, assumiu o Governo do Estado, durante os 10 meses restantes do mandato.
Com o feito conquistado, o advogado ficou apenas um mandato no Senado, de 15 de março de 1987 a 1º de janeiro de 1995. Após isso, Wilson Martins retornou ao Governo de MS, com seu último mandato político de 1995 a 1999.
Agora Senador, Azambuja conseguiu quebrar o tabu de 40 anos de um ex-governador conseguir se eleger senador, isso porque outros dois governadores eleitos pelo voto direto, também tentaram a alteração do cargo político, mas sem sucesso.
Pedro Pedrossian (PTB) e Zeca do PT, tentaram, em 2002 e 2018, respectivamente. O primeiro foi derrotado por Delcídio do Amaral, que na época assumiu durante dois mandatos consecutivos de 2003 a 2011 e 2011 a 2019, sendo candidato do PT.
Já Zeca do PT não conseguiu se eleger por ter sua candidatura ao Senado impugnada a pedido da Procuradoria Regional Eleitoral do Estado, em agosto de 2018, devido a uma condenação em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) por improbidade administrativa em 2017.
Atualmente, Zeca do PT foi eleito deputado estadual nas Eleições 2026, por estar absolvido pela Justiça por unanimidade do caso de improbidade, de 2017.
Porém, na época, o deputado perdeu seus direitos políticos e ficou inelegível, o que resultou no mandato de Nelsinho Trad (PSD), e da advogada Soraya Thronicke, pelo Podemos, apoiada pelo ex-presidente condenado por tentativa de golpe Jair Bolsonaro, quando houve a chamada "Onda Bolsonarista", em que candidatos apoiados por ele assumiram cargos no Congresso.
Depois do finado Wilson Martins, que faleceu aos 100 anos de idade em 13 de fevereiro de 2018, Reinaldo Azambuja repete o feito. Governador pelo Estado de 2015 a 2022, agora, representando o Estado pelos próximos oito anos no Senado, Azambuja foi eleito ontem (04) para a primeira vaga de Mato Grosso do Sul, com 34,64% dos votos.
A segunda vaga ficou com o também candidato do PL, Capitão Contar, com 32,82% dos votos.
Quebra de tabus
Mato Grosso do Sul também pôs fim a mais um tabu de eleições. Após 16 anos, o cargo de Governador do Estado foi definido ainda no primeiro turno. Com 17 pontos percentuais a mais do que o necessário para se eleger no primeiro turno, Eduardo Riedel (PP) teve 67,07% de votos válidos.
O último candidato que conseguiu o mesmo feito foi em 2010, quando André Puccinelli ganhou sua reeleição no primeiro turno, com 55,99% dos votos válidos, sendo 704.407 votantes nele. O segundo colocado foi Zeca do PT, com 42,49%, com a diferença de 169.806 votos entre os dois candidatos.
A diferença entre Riedel e o segundo colocado desta eleição é ainda mais expressivo. Foram 914.323 votos para o candidato eleito, e 322.807 votos para Fábio Trad, concorrente ao Governo pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que não chegou à 25% dos votos válidos.
Entre 2010 a 2026, todas as disputas governamentais foram para o segundo turno. Em 2014, Reinaldo Azambuja (PSDB) conseguiu elerger-se contra Delcídio do Amaral (PT), com 55,34%.
Na eleição seguinte, em 2018, Azambuja conquistou sua reeleição no segundo turno, em disputa com o juiz Odilon de Oliveira (PDT), com 52,35%.
E em 2022, novamente o cargo do Governo foi definido no segundo turno. Na ocasião, os dois candidatos agora parceiros e apoiadores políticos um do outro, Eduardo Riedel e Capitão Contar disputaram a eleição, ganhando o atual Governador, com 56,90%.


