Tirar o trema foi fácil, apesar de alguns gramáticos lamentarem o fim daqueles dois pontos em cima do "u". Abolir o acento em palavras como ideia também não exigiu debate. Mas o hífen foi a grande dor de cabeça da equipe de 17 pessoas, entre lexicógrafos e revisores, que, sob o comando do filólogo e gramático Evanildo Bechara, fizeram a quinta edição do "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa". "Ah, o hífen foi o nosso pesadelo. Todo mundo ficou tonto", suspira Vânia Martins, de 58 anos, que, apesar de ter no currículo a revisão do "Dicionário Houaiss", do livro de "Verbos e o de Sinônimos e Antônimos da Língua Portuguesa", perdeu noites de sono pensando no bendito tracinho horizontal.
O "Volp", como o vocabulário é chamado na Academia Brasileira de Letras, vai resolver aquelas dúvidas que os brasileiros carregam desde o primeiro dia da entrada em vigor do acordo ortográfico, em 1º de janeiro. "Ele está sendo visto como uma espécie de Messias", brinca Sérgio Pachá, um dos mais experientes integrantes da Comissão de Lexicografia e Lexicologia da ABL. O tão aguardado vocabulário chega às livrarias nesta quinta-feira (19), editado pela Global. Será vendido a R$ 120. O primeiro exemplar vai ser entregue amanhã (18), em Brasília, ao secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, para ser levado ao presidente Lula.
A empreitada destes bambas da língua portuguesa resultou num volume com 887 páginas, num total de 349.737 vocábulos. Ao contrário dos dicionários, o vocabulário não traz definições das palavras, mas a classe gramatical e a indicação de como se pronuncia. Acostumados a outras reformas ortográficas no País, os lexicógrafos da ABL discutiram à exaustão as novas regras. "Nosso mérito foi ter percorrido todas as palavras da edição anterior do Volpi respeitando o espírito do acordo ortográfico", acredita Dilma Bezerra, 70 anos de vida e mais de 40 dedicados ao estudo da língua portuguesa. (Com Agência Estado)


