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A energia do Tarô da semana entre 10 e 16 de agosto. A verdadeira segurança nasce da confiança

Com o Quatro de Ouros como regente, aquilo que foi construído com esforço e disciplina encontra agora uma base segura para prosperar. Mas estabilidade não significa apego: tudo está em constante movimento. Desapegue!

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Quatro de Ouros: a verdadeira segurança nasce da confiança

O Quatro de Ouros assume a regência da semana e nos convida a refletir sobre um dos maiores desafios da experiência humana: encontrar segurança sem nos tornarmos prisioneiros dela.

Em um período marcado por importantes movimentações astrológicas e pelo Eclipse Solar Total em Leão, essa carta surge como um lembrete de que construir bases sólidas é essencial, mas permanecer agarrado a elas para sempre pode impedir o crescimento.

Pertencente ao naipe de Ouros, ligado ao elemento Terra, o Quatro de Ouros fala sobre tudo aquilo que podemos tocar e construir: dinheiro, trabalho, patrimônio, corpo, estabilidade, valores e recursos. Tradicionalmente, também é associado à energia do Sol em Capricórnio, combinação que reúne a força vital do Sol com a disciplina, a responsabilidade e a necessidade de estrutura características desse signo.

Não por acaso, o número quatro simboliza estabilidade, ordem, fundação e sustentação. Depois do impulso inicial do Ás, da dualidade do Dois e da expansão do Três, o Quatro representa o momento em que aquilo que foi criado encontra forma e consistência.

Entretanto, o Tarô sempre nos lembra que toda virtude, quando levada ao excesso, transforma-se em desequilíbrio. A estabilidade pode tornar-se estagnação. A prudência pode converter-se em medo. O cuidado pode dar lugar ao controle. É justamente nessa fronteira delicada que habita a sabedoria do Quatro de Ouros.

Sua imagem é uma das mais simbólicas dos Arcanos Menores. Nela, vemos uma figura sentada, segurando uma moeda firmemente contra o peito, enquanto outra repousa sobre sua cabeça e duas permanecem sob seus pés. À primeira vista, transmite segurança e prosperidade.

Porém, basta um olhar mais atento para perceber que existe algo de inquietante nessa cena. A moeda junto ao coração revela alguém que teme perder aquilo que conquistou. A moeda sobre a cabeça sugere pensamentos constantemente ocupados pela necessidade de controle.

Já as moedas sob os pés, embora simbolizem estabilidade, também impedem qualquer movimento. A figura permanece imóvel, como se caminhar significasse correr o risco de perder tudo o que possui.

Ao fundo, normalmente aparece uma cidade, lembrando que a vida continua pulsando além daquele pequeno espaço onde a personagem escolheu permanecer. Há oportunidades, pessoas, experiências e novos caminhos esperando para serem explorados. No entanto, o medo de perder o que já foi conquistado pode ser maior do que a curiosidade pelo desconhecido.

Essa talvez seja a grande reflexão proposta por esta carta: em que momento a busca por segurança deixa de nos proteger e passa a nos limitar?

Vivemos em uma cultura que valoriza o planejamento, o controle e a previsibilidade. Economizamos para o futuro, organizamos nossas agendas, protegemos nossos bens, buscamos estabilidade financeira e emocional. Tudo isso é saudável.

O próprio Quatro de Ouros reconhece a importância da responsabilidade e da construção de uma base sólida para a vida. O problema surge quando o medo da perda passa a conduzir todas as nossas decisões. Quando evitamos mudanças apenas porque elas envolvem algum grau de incerteza.

Quando preferimos permanecer em situações conhecidas, ainda que já não nos façam felizes, simplesmente porque representam uma falsa sensação de segurança.

O filósofo Heráclito dizia que "nada é permanente, exceto a mudança". Essa afirmação, feita há mais de dois mil anos, continua extraordinariamente atual. A vida é movimento.

Tudo muda o tempo inteiro: as pessoas, os relacionamentos, as oportunidades, os sonhos e até mesmo quem somos. Resistir a esse fluxo natural costuma gerar muito mais sofrimento do que acolhê-lo com maturidade.

E talvez não exista semana mais apropriada para refletir sobre isso do que esta.

Na segunda-feira (10), Vênus forma um trígono com Plutão, aprofundando vínculos e fortalecendo conexões verdadeiras. Relações construídas sobre confiança tendem a se tornar ainda mais sólidas, enquanto laços sustentados apenas pelo controle ou pela aparência podem revelar fragilidades. É um convite para substituir o medo pela autenticidade.

No dia seguinte, Mercúrio faz oposição a Plutão, intensificando conversas, negociações e revelações. As palavras ganham profundidade e poder de transformação, mas também exigem cuidado. O desejo de convencer o outro, de manter antigas posições ou de controlar o rumo das situações pode gerar conflitos desnecessários.

O Quatro de Ouros nos lembra que nem toda discussão precisa ser vencida. Às vezes, abrir espaço para ouvir é muito mais transformador do que insistir em ter razão.

Também na terça-feira (11), Marte ingressa em Câncer, tornando nossas atitudes mais conectadas às emoções, aos afetos e ao desejo de proteção. A coragem deixa de se manifestar apenas pela ação objetiva e passa a exigir inteligência emocional. Será importante agir com sensibilidade sem permitir que o medo dite nossas escolhas.

A quarta-feira (12) concentra aspectos extremamente favoráveis à criatividade e à inovação. Mercúrio estabelece um sextil com Urano e um trígono com Netuno, ampliando a capacidade de enxergar novas possibilidades, conectar ideias e confiar na própria intuição.

Vênus também forma um trígono com Urano, favorecendo encontros inesperados, oportunidades profissionais, novas parcerias e mudanças positivas nos relacionamentos.

Mas o grande acontecimento da semana é, sem dúvida, o Eclipse Solar Total em Leão.

Todo eclipse solar ocorre durante uma Lua Nova e marca o início de um novo ciclo. Em Leão, signo associado à criatividade, à identidade, ao brilho pessoal e à coragem de ocupar o próprio lugar no mundo, esse eclipse representa um poderoso chamado para vivermos de maneira mais autêntica.

Ele ilumina aquilo que precisa nascer e, ao mesmo tempo, evidencia tudo o que já não faz sentido carregar.

Um eclipse solar total em Leão coloca em evidência temas como autoestima, expressão pessoal, reconhecimento do próprio valor e coragem para assumir quem somos e nos posicionarmos no mundo com mais verdade.

É um convite para deixar de buscar validação externa e permitir que a nossa própria luz seja a referência para os caminhos que escolhemos seguir.

É justamente aqui que o Quatro de Ouros dialoga de maneira magistral com o céu da semana.

Enquanto o eclipse pergunta quem estamos nos tornando, o Quatro de Ouros pergunta o que ainda insistimos em segurar.

Talvez sejam antigas crenças sobre nós mesmos. Talvez um trabalho que deixou de nos realizar. Um relacionamento mantido apenas pelo medo da solidão.

Um projeto que já cumpriu sua função. Ou simplesmente a necessidade de controlar cada detalhe da vida para evitar qualquer possibilidade de sofrimento.

No entanto, nenhuma transformação acontece quando permanecemos agarrados ao passado.

Como escreveu Lao Tsé: "Quando deixo de ser o que sou, torno-me aquilo que posso ser." Essa frase sintetiza perfeitamente a mensagem desta semana. Crescer exige desapego. Evoluir exige confiança. Nenhum novo ciclo encontra espaço onde tudo permanece rigidamente ocupado pelo antigo.

Nos relacionamentos, o Quatro de Ouros costuma representar vínculos sólidos e comprometidos, nos quais existe desejo de construir uma história em comum. Contudo, também alerta para o risco da possessividade, do excesso de proteção e da dificuldade de expressar vulnerabilidade.

O amor floresce quando há confiança. Quando o medo da perda se torna maior do que a liberdade de amar, o relacionamento pode transformar-se em uma fortaleza segura, porém sem ar para respirar.

Antoine de Saint-Exupéry escreveu, em O Pequeno Príncipe, que "amar não é olhar um para o outro; é olhar juntos na mesma direção". Talvez seja exatamente essa a diferença entre proteger um relacionamento e tentar controlá-lo. O verdadeiro amor não aprisiona; ele fortalece.

Na vida profissional e financeira, o Quatro de Ouros favorece planejamento, disciplina e responsabilidade. É uma excelente semana para organizar contas, rever investimentos, fortalecer reservas financeiras e agir com prudência. Entretanto, a carta também alerta para o perigo do excesso de cautela.

Empresas que nunca inovam acabam ficando para trás. Profissionais que recusam todos os desafios deixam de crescer. Pessoas que vivem exclusivamente para acumular recursos podem descobrir, tarde demais, que deixaram escapar experiências valiosas por medo de arriscar.

Espiritualmente, talvez esta seja uma das cartas mais profundas do naipe de Ouros. Ela nos lembra que a verdadeira segurança nunca poderá ser encontrada apenas nas circunstâncias externas. Nenhum patrimônio, cargo ou relacionamento é capaz de eliminar completamente as incertezas da existência.

A paz nasce quando compreendemos que somos maiores do que aquilo que possuímos. O desapego não significa abrir mão de tudo, mas desenvolver a confiança de que continuaremos inteiros mesmo quando a vida nos convidar a mudar.

Existe uma antiga frase atribuída a Buda que resume esse ensinamento: "O apego é a origem do sofrimento." Independentemente da autoria exata, sua mensagem permanece atual.

Quanto mais tentamos controlar aquilo que, por natureza, é transitório, maior tende a ser nossa ansiedade. Em contrapartida, quando aprendemos a confiar no fluxo da vida, descobrimos uma forma muito mais profunda de estabilidade: aquela que nasce de dentro.

O Quatro de Ouros não nos convida a abandonar a prudência nem a desprezar tudo o que construímos. Pelo contrário. Ele nos ensina a valorizar nossas conquistas, honrar nossos recursos e reconhecer a importância de criar bases sólidas para o futuro. Mas também nos lembra que mãos fechadas não conseguem receber nada novo.

Talvez essa seja a maior mensagem desta semana. O Eclipse Solar em Leão abre um portal para um novo ciclo de autenticidade, criatividade e expansão.

O Quatro de Ouros pergunta se estamos realmente dispostos a criar espaço para esse novo capítulo ou se continuaremos protegendo, com todas as forças, uma versão de nós mesmos que já não corresponde à nossa verdade.

Que possamos preservar aquilo que realmente tem valor, sem transformar segurança em prisão. Que saibamos construir sem endurecer, proteger sem controlar e planejar sem impedir que a vida nos surpreenda.

Afinal, a verdadeira riqueza não está apenas naquilo que conseguimos guardar, mas também na coragem de confiar que sempre seremos capazes de reconstruir quando um novo caminho se abrir diante de nós.

Às vezes, tudo o que precisamos é parar de lutar contra o que nos prende e simplesmente deixar ir. Não há motivo para temer o caminho: confie na sua força, reúna a determinação necessária e siga em frente com disciplina e vontade.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Caio Mutai

Ele vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ"

03/10/2026 16h30

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ" Foto: Fabio Audi

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Raspar as laterais do cabelo para acrescentar uma camada punkrock a um vampiro foi uma das últimas descobertas de Caio Mutai na construção de Yukun, personagem de “Furnas Fundas: Uma Fábula Gótica Brasileira”. Em cartaz nos cinemas desde 17 de setembro, o longa mostra uma das faces mais transformadas do ator, que, quase simultaneamente, viu outro trabalho atravessar fronteiras: “AYÔ” passou por festivais em Berlim e Nova York, ampliando a circulação internacional da produção.

Os dois projetos colocam Caio diante de registros e experiências bastante diferentes. Se em “Furnas Fundas” a construção de Yukun passou pela busca de um comportamento que transitasse do mais animalesco ao mais humano, além de uma transformação física descoberta também no próprio set, “AYÔ” apresenta outro momento de uma carreira que vem alternando cinema, séries e teatro.

Realizados anteriormente, os trabalhos ainda colocaram o ator diante de uma característica inevitável do audiovisual: o intervalo entre fazer e finalmente ver uma produção chegar ao público.

“Para uma pessoa ansiosa como eu (risos), é bom ocupar a cabeça com novos trabalhos. Acho que o melhor caminho que eu tenho pra poder lidar com essa espera é simplesmente não esperar. Entregar o meu trabalho e esquecer. O restante já não é trabalho meu: como vai lançar, quando, se alguém vai gostar ou não.”

A estratégia, admite, funciona melhor na teoria. “Embora eu acredite em tudo isso aí que falei, funciona mesmo? Mais ou menos (risos). Eu ainda fico extremamente na expectativa e sofro horrores, mas eu juro que tento.”

Em “Furnas Fundas”, Yukun representa uma das imagens mais diferentes que Caio já apresentou ao público. Segundo vilão de sua carreira, o vampiro nasceu de um processo que combinou referências que o ator já carregava, preparação corporal, improvisações e descobertas feitas durante as próprias filmagens.

“O que sempre esteve muito claro no roteiro era a relação dos três vampiros entre si. Como cada um era individualmente, fomos construindo ao longo da preparação. Eu sempre consumi filmes, livros e histórias sobre essa temática. Quando peguei o papel, também reli e revisitei muito material sobre.”

A preparação levou os atores a experimentar extremos antes de encontrar as particularidades de cada personagem.

“Na preparação, fomos de A a Z, do mais animalesco ao mais humano, experimentando no corpo todas as sensações que teríamos no filme, experimentando as cenas em improvisos e descobrindo as particularidades dessas relações e dessas personalidades.”

O ator Caio Mutai é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno, ele fala sobre estreias, carreia e planos.

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ"O ator Caio Mutai é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Fabio Audi - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

As descobertas continuaram no set, quando figurino, maquiagem, dentes e locação deram outra dimensão aos personagens. Foi também nesse momento que Caio sugeriu uma mudança no visual de Yukun.

“Inclusive visualmente, no primeiro dia de set, onde pude sugerir raspar as laterais do meu cabelo e me deixar com aquele visual punkrock. Yukun ganhou uma outra camada de estranheza.”

A possibilidade de experimentar universos e comportamentos diferentes é um dos aspectos que mais atraem Caio na profissão. Para ele, porém, o desafio não depende necessariamente de o personagem estar muito distante de quem ele é.

“Muitas coisas me divertem nesse ofício, mas acho que depende. Gosto dos desafios. Não posso negar que é realmente divertido poder explorar o que seriam sensações e sentimentos de um vampiro sedento por sangue ou um robô que começa a questionar as próprias diretrizes de sua criação, mas poder explorar os limites de uma psique mais próxima à minha também pode ser extremamente desafiador.”

Enquanto “Furnas Fundas” evidencia essa busca pela transformação, “AYÔ” vive outro tipo de expansão. A passagem por festivais em Berlim e Nova York colocou o projeto diante de novos públicos e profissionais, mas Caio evita transformar essa circulação em previsão sobre os próximos passos da carreira.

“Eu acredito, pautado em experiências próprias, que qualquer trabalho lançado, é trabalho visto. Sempre alguém importante pode te assistir, que vai lembrar de você, que vai te procurar mais pra frente e quem sabe te agraciar com um convite, um teste ou pelo menos uma indicação. Mas não acho que seja mensurável, não.”

A trajetória de Caio também inclui uma atuação pública em torno da representatividade amarela. Ele reconhece que assumir essa discussão pode fazer com que um artista passe a ser procurado repetidamente para falar sobre raça, mesmo quando deseja ser reconhecido por outras dimensões de seu trabalho.

“Com certeza, mas no final das contas penso que vale mais a pena levantar a bandeira do que a inércia. Se eu precisar ser a pessoa que vai ser procurada apenas por isso, sei que a próxima geração talvez não precise. De toda forma, adoraria me aproveitar das batalhas ganhas também.”

O ator afirma já ter enfrentado limitações profissionais relacionadas à sua origem e recorda um episódio ocorrido em 2015, quando havia sido escolhido para seu primeiro papel no audiovisual. O personagem seria um jovem que descobria a paixão pelo balé clássico, mas mudanças posteriores na trama fizeram com que a dança deixasse de fazer parte de sua história. Segundo Caio, ele acabou substituído porque não se encaixaria com os atores escolhidos para viver os pais do personagem.

“Sim, eu perdi meu primeiro papel numa novela exatamente por ser amarelo. E sabe o que é mais interessante? Sei que pelo menos dois personagens foram escolhidos a partir de ‘match’ comigo, mas ninguém foi trocado. Só eu.”

Para 2027, Caio já prepara novos lançamentos no audiovisual e também o retorno aos palcos em uma superprodução de teatro musical, a ser revelada em breve. E, quando pensa nos personagens que ainda gostaria de viver diante das cortinas, e não das câmeras, aparecem nomes como Jean Valjean, de “Les Misérables”, Phantom, de “O Fantasma da Ópera”, e Jesus e Judas, de “Jesus Christ Superstar”.

Já no audiovisual, o ator ainda quer avançar por territórios que experimentou pouco. “Tem muitos gêneros que eu gosto e pude experimentar pouco. Acho que para o cinema/séries eu ainda quero muito poder fazer algum vilão/serial killer/psicótico, como um Hannibal Lecter, Coringa e coisas nesse espectro. Também adoraria explorar mais o território do SCI-FI, Cyberpunk, robôs, IAs, como Blade Runner, THX, Matrix.”

Entre os trabalhos que agora encontram o público e os novos projetos que começam a se desenhar para 2027, Caio prefere não transformar cada lançamento em uma projeção sobre o próximo passo da carreira. “Prefiro celebrar o trabalho já realizado e continuar buscando os próximos. Um bom agente, boas relações e trabalhar bem. Não tem segredo.”

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ"O ator Caio Mutai é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Fabio Audi - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

 

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Conheça os sinais da fase sênior dos cães

O envelhecimento transforma a relação entre cães e suas famílias

03/10/2026 15h30

Conheça os sinais da fase sênior dos cães

Conheça os sinais da fase sênior dos cães Foto: Divulgação

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O focinho ficou grisalho, as horas de sono são mais longas, a dificuldade para subir no sofá ou a ausência na porta quando alguém chega são indícios que o pet já não é o mesmo de alguns anos atrás.

Para a psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, a chegada do envehecimento também provoca mudanças na relação entre o cão e sua família. “Esse reconhecimento raramente é gradual. Ele costuma vir de repente, a partir de um detalhe. Nesse instante, a família entende que o tempo passou, e isso mexe com ela”, explica.

Observe mudanças de comportamento antes de atribuir tudo à idade

Na fase sênior, alguns cães ficam mais quietos e seletivos no contato, enquanto outros passam a procurar mais os tutores. Irritabilidade, ansiedade, isolamento e maior dependência também podem aparecer. Antes de interpretar essas mudanças como características da idade ou da personalidade, porém, é importante investigar suas causas.

“Chamamos de teimoso o cão que talvez não esteja ouvindo, de manhoso o que pode estar sentindo dor e de birrento o que está desorientado. Toda mudança nova de comportamento deve ser levada ao veterinário antes de virar traço de personalidade”, aponta Juliana.

Entenda que o vínculo muda, mas não precisa enfraquecer

Para a especialista, a chegada da velhice não significa necessariamente um enfraquecimento do vínculo. A relação apenas muda. O cão que durante anos acompanhou a família em passeios, brincadeiras e outras atividades pode passar a ter limitações, e os tutores precisam rever as expectativas.

“A família precisa deixar de esperar que o cão se adapte a ela e passar a se adaptar a ele. O cão não está ficando difícil, ele está vivendo com um corpo e uma percepção diferentes”, afirma.

Adapte a rotina sem deixar de lado os momentos de convivência

Horários mais previsíveis, móveis mantidos no mesmo lugar e um espaço tranquilo para descanso ajudam a dar segurança ao animal. Passeios e brincadeiras também podem continuar, respeitando seus limites e as orientações do veterinário.

“O passeio deixa de ser exercício e passa a ser presença, exploração, tempo de farejar sem pressa”, diz Juliana.

Conheça os sinais da fase sênior dos cãesConheça os sinais da fase sênior dos cães - Divulgação

Observe e registre alterações para levar ao veterinário

O acompanhamento veterinário é fundamental nessa etapa, mas a família também tem um papel importante na prevenção. Observar mudanças no sono, no apetite, no humor e nos hábitos e levar essas informações para as consultas ajuda a identificar alterações que nem sempre são percebidas de imediato.

Olhe também para quem cuida

Outro ponto pouco discutido é a preparação emocional dos tutores. O envelhecimento pode trazer um chamado luto antecipatório, quando a família começa a sentir a perda do cão que ele era, mesmo com o animal ainda presente. O cansaço de quem cuida, as preocupações e até a culpa por sentir irritação também podem fazer parte desse processo.

“Quem cuida também precisa de espaço para falar do que sente, inclusive do cansaço e da tristeza”, afirma Juliana.

Preserve a autonomia e os rituais do cão

Para preservar a qualidade de vida e o vínculo, a orientação é respeitar a autonomia do animal sempre que possível, permitindo que ele faça escolhas, mantenha seus rituais e continue participando da rotina da família, ainda que de outra maneira.

Quando o assunto é fim de vida, conversar com o veterinário antes de uma situação de crise também pode ajudar a família a tomar decisões com mais tranquilidade.

“Essa conversa não antecipa a morte. Ela protege o tempo que ainda resta”, conclui Juliana.

 

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