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TELEVISÃO

“Globo Repórter”, clássico das noites de sexta-feira, foca na pauta fria por conta da pandemia

Institucional e eficaz, o programa exibe em nova temporada o orgulho da própria mesmice
23/02/2021 17:00 - Geraldo Bessa/TV Press


Clássico das noites de sexta, o telespectador já sabe muito bem o que vai encontrar no “Globo Repórter”. 

Entretanto, a pandemia acabou forçando uma leve adaptação no formato, visto que grandes viagens estão limitadas no momento. 

Sendo assim, a temporada 2021 surge um pouco mais econômica e regional, como foi a viagem por um Rio de Janeiro quase desconhecido da massa, mostrando fatos curiosos do famoso Cristo Redentor e da Floresta da Tijuca. 

Inspirado em programas documentais famosos do exterior, caso do “60 Minutes”, da rede americana CBS, o “Globo Repórter” influenciou o surgimento de outros programas do gênero na tevê aberta brasileira, como o “SBT Repórter” e o “Câmera Record”. 

Na ânsia por renovação, mas sem querer mexer no time que está ganhando, em 2008, a própria Globo investiu no “Profissão Repórter”, onde Caco Barcellos e seus pupilos mostram a mesma notícia por diversos ângulos.

Ao contrário do esquema mais “quente” de novo programa, os apresentadores do “Globo Repórter” pouco saem do conforto do estúdio. 

É notável que, para estar à frente do programa, a emissora escala seus funcionários mais emblemáticos. 

Com diversas passagens pelo jornalístico, só a última durou quase 20 anos, Sérgio Chapelin acabou se tornando o principal rosto do programa. 

A aposentadoria do jornalista, aos 77 anos, em 2019, fez a Globo fixar no posto de apresentadoras duas figuras conhecidas da produção: Sandra Annenberg e Glória Maria.

Com a dupla, o “Globo Repórter” acabou ganhando um tom inevitavelmente mais leve. 

Conhecida por sua paixão por viagens, Glória Maria já protagonizou momentos divertidos nas matérias que fazia como repórter e cria uma conexão natural com o público do programa, principalmente o mais jovem.

Depois de muitos anos à frente do “Jornal Hoje”, a presença de Sandra no estúdio evidencia sua versatilidade, mas mostra que a jornalista está sendo subutilizada pela Globo. 

“Mais do mesmo”, mas sem que isso necessariamente tenha de ser algo ruim, o “Globo Repórter” é sinônimo da “depressão” das noites de sexta, mas cumpre bem sua função de entreter e manter viva a tradição televisiva de programas documentais. 

Símbolo de uma época onde a Globo estava dando os primeiros passos rumo a credibilidade jornalística, a produção é um importante elo da emissora com seu próprio passado.