Depois do “GPS” para uma folia saudável, que a nutricionista Paula Saldanha Tschinkel repassou aos leitores do Correio do Estado na edição do fim de semana passado, confira mais dicas de como se alimentar e sobreviver com saúde à badalação intensa do Carnaval.
Quem gosta de “pular” durante a festa praticamente se prepara para uma maratona. Além de sapatos confortáveis e roupas leves, a alimentação e a hidratação devem ser adequadas para o grande gasto energético decorrente do período.
A alimentação saudável ajuda a manter a energia e a disposição necessárias para aproveitar ao máximo as festividades. Especialistas recomendam uma série de cuidados que ajudam a evitar danos à saúde do folião.
“Costumamos dizer que não tem muito segredo. Fazendo a ingestão regular de água e prestando atenção à alimentação correta, todos poderão aproveitar esses dias de forma segura e tranquila”, adianta a nutricionista e professora da Estácio Anne Silva.
Além da reposição de água no organismo e da cautela na hora de escolher os alimentos para matar ou enganar a fome, o consumo de energéticos também merece atenção redobrada. Acompanhe a seguir.
Alimentação
“Durante as festividades carnavalescas, é comum buscar alimentos mais rápidos, como frituras, saladas com maionese ou produtos ultraprocessados ou que passam por uma longa manipulação, mas isso é perigoso e pode resultar em uma má digestão, causando algum tipo de desconforto”, afirma Anne Silva.
“Nesse caso, é recomendável consumir alimentos leves e com pouca gordura, priorizando sempre saladas frescas e boas fontes de proteína, como aves, peixes e carne bovina”, diz a nutricionista. Ela sugere ainda a ingestão regular de frutas, como banana e abacate, e alimentos mais leves ao longo do dia.
Geralmente a pessoa está exposta ao sol e ao calor. Portanto, o folião deve consumir carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas e sais minerais, com um aporte de gordura menor, reforça a nutricionista Paloma Popov.
“Se o porcentual de gordura for alto, como o consumo de uma feijoada, pode ocorrer um desconforto gastrointestinal. O melhor é optar por refeições leves, que incluam todos os nutrientes”, destaca Paloma.
“O alimento auxilia o fígado a obter energia para processar o álcool, e, nesse contexto, o carboidrato é a principal fonte energética. A ingestão de frutas cítricas pode ser benéfica, uma vez que são antioxidantes, e alimentos como as oleaginosas são recomendados por conterem vitaminas do complexo B”, completa a médica Luciana Navarrete.
Hidratação
Água é sempre a melhor opção. Água de coco, isotônicos e sucos de fruta são bem-vindos, mas sempre associados à água fresca.
“Os sucos naturais são muito interessantes para proporcionar uma energia de rápida absorção, proveniente dos carboidratos simples extraídos das frutas”, afirma Paloma, que também é professora de Nutrição.
“Para quem planeja ingerir bebidas alcoólicas, a ingestão de água ao longo do dia é essencial e previne, entre outros problemas, uma possível ressaca no dia seguinte. Desse modo, recomenda-se a ingestão de dois a três litros, uma quantidade suficiente para evitar a desidratação do corpo”, recomenda Anne Silva.
“Para metabolizar e eliminar o álcool do nosso organismo, o corpo passa a utilizar água. Junto a isso, o álcool tem o efeito de bloquear um hormônio antidiurético do organismo, chamado vasopressina, o que resulta em desidratação proporcional à quantidade de álcool ingerido. Por isso é tão importante o consumo de água”, afirma Luciana Navarrete.
É justamente essa desidratação que causa sintomas como cefaleia (dor de cabeça), boca seca, dores no corpo, entre outros, fazendo muita gente “jurar” nunca mais beber, diz Luciana.
“O ideal é consumir álcool com moderação e sempre na proporção de um para um, ou seja, um copo de bebida alcoólica para cada copo de água”, orienta a médica.
Luciana destaca também o uso de vitaminas C e E, que podem fornecer suporte adicional ao organismo durante esse período festivo de quem quer ingerir álcool. E reforça que, após o evento, o cuidado ainda precisa ser constante.
“Beber água antes de dormir e continuar se hidratando no dia seguinte é indispensável para repor os líquidos perdidos e aliviar os sintomas da ressaca”, reitera a médica.
Energéticos
Cuidado com as bebidas energéticas, sobretudo se consumidas em excesso. Após uma jornada intensa de gasto de energia, o energético pode atrapalhar o descanso adequado do corpo, tirando o sono e dando uma falsa sensação de energia, por conta da cafeína e da taurina.
“Com a função estimulante, o energético acaba retardando a necessidade de descansar. Deste modo, por não ter o descanso adequado, o folião pode perder outros dias de festa”, alerta a nutricionista Paloma Popov.
Energético e álcool
Essa mistura pode levar a um consumo maior de álcool, por conta do aumento da euforia causado pela ingestão das bebidas energéticas, que contêm altos ativos estimulantes.
“Essa sensação pode provocar problemas digestivos, fadigas musculares e até problemas cardíacos”, revela Paloma.
Comida de rua
É importante prestar atenção para o que se come, pois a falta de controle higiênico e sanitário pode trazer riscos à saúde e episódios de intoxicação alimentar.
“As DTAs [doenças transmitidas por alimentos] se multiplicam por conta de microrganismos e parasitas que podem comprometer os benefícios proporcionados pela nutrição equilibrada”, alerta Paloma.




