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cinema e educação

Alunos do Ensino Fundamental fazem curta selecionado para festivais

Por meio de um projeto de extensão da UFMS, alunos do Ensino Fundamental da Escola Estadual 11 de Outubro, em Campo Grande, fazem curta-metragem selecionado para festivais no Brasil, no Peru e na Argentina

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Em um um planeta não muito distante, uma tragédia aconteceu. Um monstro terrível dizimou muitas pessoas. As crianças não podiam ir à escola e tinham aulas a distância. Cientistas criaram a "vacinix" para derrotar o monstro. Na volta às aulas, os jovens tiveram que lidar com todas as emoções do retorno e de estarem juntos outra vez. Aprenderam com personagens dos livros como lidar com as emoções para transformar as suas relações na escola.

Esse é o resumo da história narrada no curta-metragem "Deu a Louca nas Emoções". Produzido por alunos do Ensino Fundamental da Escola Estadual 11 de Outubro, no Jardim Bonança, por meio de um projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o filme de apenas seis minutos tem seguido uma carreira de fôlego em festivais dentro e fora do Brasil.

O curta foi criado por estudantes do quinto ano ao longo de 2022, no contexto do projeto Brincar de Fazer Cinema com Crianças.

Dá uma olhada no portfólio percorrido até a semana passada. "Deu a Louca nas Emoções" integrou a programação da Mostra Geração do Festival do Rio (RJ), realizado de 5 a 15 de outubro, e participou da 22ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, em Santa Catarina, de 11 a 21 de outubro. 

Sob o título, em espanhol, "Emociones a Flor de Piel", a produção também esteve no 8º Festival Internacional de Animación Ajayu, na cidade de Puno, às margens do Lago Titicaca, no sul do Peru, e foi exibida na semana passada, em Buenos Aires, na Argentina, no 22º Festival Hacelo Corto.

E tem mais: até sexta-feira (1), "Deu a Louca nas Emoções" integra os filmes em votação aberta pelo júri popular do Festival Internacional de Cinema Escolar de Alvorada, no Rio Grande do Sul. Para assistir e votar, basta acessar o canal do festival no YouTube.

TRÊS ETAPAS

O Brincar de Fazer Cinema com Crianças é coordenado pela professora Tina Xavier, da Faculdade de Educação (Faed) da UFMS. Ela conta que o projeto existe desde 2010 e é realizado anualmente com crianças de escolas municipais.

No ano passado, as atividades foram retomadas após uma pausa por conta da pandemia, e foi também a primeira vez em que foram realizadas em uma escola estadual. 

"A temática trabalhada foram as emoções das crianças com a volta presencial às aulas após esse período em que todos ficamos em isolamento. As crianças do quinto ano estavam com as emoções à flor da pele, por isso, o filme retrata e trabalha isso: como gerir essas emoções do reencontro com amigos e amigas na volta à socialização", comenta Tina Xavier. 

A professora explica que o trabalho manteve a metodologia, com três fases distintas, já adotada em edições anteriores do projeto. Na primeira fase, intitulada Brincar de Pensar em Si e no Mundo, várias atividades foram realizadas para as crianças refletirem sobre o assunto. 

"Levamos livros infantis, vídeos, filmes, curtas-metragens do nosso projeto e de outros que também são desenvolvidos com crianças, fizemos toda a discussão teórica e reflexiva sobre a temática", diz a professora e coordenadora do projeto.

Tina diz que as emoções pessoais acabaram se sobressaindo com frequência: "Muitas não conseguiram estudar direito com o ensino remoto e, por serem de camadas bastante populares, também não tinham acesso a pessoas que pudessem auxiliá-las. Isso gerou emoções como raiva, medo, dificuldade de lidar com o 'não saber'. Muitas não tinham sido alfabetizadas em sua completude quando começou a pandemia, e isso também gerou emoções conflituosas".

A segunda etapa, intitulada Brincar de Fazer Cinema com as Crianças, consiste propriamente na criação e na produção do curta, na qual Tina e a equipe do projeto apresentam e trabalham temas como a linguagem cinematográfica e passam à construção do roteiro e do filme em si. A animação

"Deu a Louca nas Emoções" foi desenvolvida em 2D a partir de desenhos produzidos pelas crianças.

A terceira fase é a realização de um seminário ao fim do ano, para o lançamento do filme produzido e para uma mesa-redonda para discussão do projeto, da qual as crianças também participam. A atividade foi realizada no dia 2 de outubro, no Anfiteatro Marçal de Souza (UFMS). 

"É um momento bastante interessante, as crianças ficam felizes de ver sua produção sendo exibida e de participarem da avaliação do projeto", destaca a coordenadora.

EQUIPE

Tina costuma inscrever os curtas em diversos festivais nacionais e internacionais e afirma que só a aprovação na seleção já é considerada um prêmio. 

"São filmes do mundo inteiro, e por isso é sempre uma alegria imensa sermos selecionados para exibição. Termos o filme em vários lugares do mundo demonstra a importância e o reconhecimento do nosso trabalho também na universidade e especialmente o reconhecimento de como a universidade articula seus saberes com a comunidade", frisa.

A equipe de produção de "Deu a Louca nas Emoções" foi composta, além da coordenadora, por Samanta Felisberto Teixeira, técnica em assuntos educacionais, Carolina Cristaldo Fontes Rocha, Clara Moreira Guarnieri Rosa e Isadora Lynch dos Santos, estudantes de Pedagogia e bolsistas de extensão da UFMS, e ainda Ana Karolinna Rodrigues Moraes, Lui Soares, Rhanna Raquell Moura Salim de Souza e Telma Iara Bacarin, que reforçaram o time como voluntários. 

FILMOGRAFIA

Neste ano, uma nova turma de alunos, desta vez do quarto ano da Escola Municipal Maria Regina de Vasconcelos Galvão, produziu um novo curta, chamado "A Escola das Diferenças".

Com essa produção, o projeto totaliza 14 animações em 13 anos de história. Muitas delas já receberam premiações e foram selecionadas para grandes festivais, como o brasileiro Anima Mundi, um dos mais importantes do mundo entre os que se dedicam ao cinema de animação.

POTENTE

Os filmes e também os bastidores das produções podem ser encontrados no canal do projeto no YouTube e em seus perfis no Instagram e no Facebook. Tina Xavier acredita que a iniciativa deve continuar por muitos anos.

"É um projeto extremamente potente. É um processo de construção, de socialização de conhecimentos e de reflexão de temáticas importantes para as crianças. É transformador para elas e também para nós, da equipe, porque a cada ano estamos com uma temática diferente. Os temas são decorrentes das nossas pesquisas na universidade, mas, para que possamos dialogar com as crianças, tem muito mais estudo, muito preparo, e isso contribui muito também para nossa formação", completa.

Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 14 e 20 de setembro. Período de celebrar as vitórias e esforços

O Seis de Paus anuncia uma semana de vitórias, reconhecimento e confiança para celebrar os frutos do esforço e assumir o próprio valor. Depois de um período de lutas e persistência, conquistas começam a ganhar forma e a produzir resultados visíveis.

13/09/2026 12h00

A energia do Tarô da semana entre 14 e 20 de setembro. Período de celebrar as vitórias e esforços

A energia do Tarô da semana entre 14 e 20 de setembro. Período de celebrar as vitórias e esforços Foto: Divulgação

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Há momentos em que a vida nos coloca diante de uma pergunta aparentemente simples: somos capazes de reconhecer o nosso próprio valor antes que alguém venha reconhecê-lo por nós? O Seis de Paus chega esta semana trazendo essa reflexão.

É uma carta tradicionalmente associada à vitória, ao sucesso e à visibilidade, mas sua mensagem mais profunda talvez esteja menos no aplauso que vem de fora do que na capacidade de perceber, por dentro, o caminho que já foi percorrido.

Na imagem tradicional do Tarô, vemos uma figura que retorna de uma batalha sendo recebida e celebrada. Há ali a sensação de triunfo, de missão cumprida, de algo que finalmente deu certo depois de esforço e persistência.

Mas nem toda vitória precisa ser grandiosa aos olhos do mundo. Algumas das batalhas mais importantes acontecem em silêncio. Podem significar vencer uma insegurança, sustentar uma decisão difícil, abandonar uma dúvida antiga, concluir aquilo que parecia interminável ou simplesmente voltar a acreditar em si mesmo.

É por isso que o Seis de Paus pode falar de reconhecimento, mas não necessariamente de fama. Às vezes, o que chega é uma confirmação discreta: um elogio, uma resposta positiva, uma aprovação, um convite, uma oportunidade ou uma situação que finalmente começa a caminhar.

Pequenos acontecimentos podem adquirir um significado maior quando aparecem depois de um período em que foi preciso continuar sem qualquer garantia de resultado.

Existe, nessa carta, uma espécie de passagem entre o esforço invisível e aquilo que começa a ser percebido. Talentos podem encontrar espaço, projetos podem ganhar atenção e pessoas que vinham trabalhando nos bastidores podem ser chamadas para ocupar uma posição mais evidente. O que foi construído com dedicação deixa de passar despercebido.

Daí a frase que sintetiza uma de suas mensagens: “Seja excelente.”

Não como uma exigência de perfeição, mas como um convite para reconhecer aquilo que fazemos particularmente bem. Ninguém faz exatamente o que você faz da maneira como você faz. Cada pessoa possui habilidades, experiências, sensibilidades e uma combinação de características que não pode ser reproduzida. O Seis de Paus pede que isso seja assumido sem constrangimento.

Talvez você tenha aprendido, em algum momento, que chamar atenção demais poderia ser perigoso. Que era melhor não falar sobre as próprias qualidades, não ocupar muito espaço, não parecer pretensioso. Talvez tenha desenvolvido o hábito de diminuir uma conquista antes que alguém pudesse diminuí-la por você. Ou tenha evitado mostrar determinado talento por receio de provocar inveja, críticas ou desconforto.

O problema é quando a modéstia deixa de ser uma escolha e passa a ser uma forma de invisibilidade.

O Seis de Paus lembra que reconhecer uma capacidade não é o mesmo que acreditar ser superior. Falar sobre o próprio trabalho não significa desmerecer o trabalho alheio. Aceitar um elogio não é arrogância. Existe uma diferença importante entre vaidade e consciência do próprio valor.

A carta também pode nos fazer olhar para a maneira como buscamos aprovação. Ser reconhecido é agradável. Afinal, todos precisamos, em alguma medida, sentir que aquilo que fazemos é visto e tem significado. Mas existe uma diferença entre receber reconhecimento e depender dele.

Quando a autoestima passa a depender exclusivamente do olhar externo, o elogio se transforma em necessidade. Cada aprovação confirma o nosso valor por alguns instantes; cada silêncio pode parecer uma rejeição. A comparação cresce, e até a conquista de outra pessoa pode ser interpretada como uma ameaça à nossa própria importância.

Essa é a sombra do Seis de Paus: transformar a vitória em competição.

A carta propõe o movimento contrário. É possível celebrar uma conquista sem precisar ser melhor do que ninguém. É possível gostar de ser admirado sem transformar a admiração em medida de valor. É possível receber os aplausos quando eles chegam e, ainda assim, saber quem somos quando eles cessam.

Talvez essa seja uma das maiores maturidades sugeridas pelo Seis de Paus: não precisar diminuir a própria luz, mas também não precisar usá-la para ofuscar ninguém.

Na vida prática, a carta pode aparecer justamente quando é necessário ocupar um lugar que já foi conquistado. Apresentar uma ideia, falar sobre um projeto, pedir uma remuneração mais justa, rever os próprios preços, candidatar-se a uma posição, assumir uma liderança ou simplesmente dizer com clareza o que se pensa. Há momentos em que esperar que os outros percebam espontaneamente o nosso valor pode significar esperar tempo demais.

Isso não significa transformar a própria vida em uma vitrine. Significa não esconder aquilo que temos a oferecer.

O Seis de Paus também fala sobre a importância de reconhecer a própria trajetória. Talvez você esteja olhando apenas para aquilo que ainda falta e não consiga perceber o quanto já avançou.

Talvez esteja tão acostumado às próprias conquistas que já não as considere conquistas. Ou tenha colocado a régua tão alto que nenhum resultado parece suficiente.

A carta sugere uma pausa para olhar para trás.

Não para viver de glórias passadas, mas para compreender o que foi necessário atravessar até chegar aqui. Há uma diferença entre acomodar-se diante do que já foi conquistado e permitir-se reconhecer o caminho percorrido. Uma coisa interrompe o movimento; a outra devolve confiança para continuar.

Por isso, esta pode ser uma semana de pequenas vitórias que funcionam como sinais de confirmação. Não necessariamente o grande triunfo que muda tudo de uma vez, mas aquela sensação de que alguma coisa finalmente começa a responder.

Uma porta que se abre, uma conversa que avança, um trabalho que é valorizado, uma oportunidade que surge ou simplesmente a percepção íntima de que uma antiga insegurança já não tem o mesmo poder.

O Seis de Paus nos lembra que algumas vitórias precisam primeiro ser reconhecidas por nós para depois serem reconhecidas pelo mundo.

E talvez seja esse o verdadeiro sentido de “ser excelente”: não tentar corresponder a uma imagem ideal de perfeição, mas levar a sério aquilo que existe de singular em nós. Desenvolver nossos talentos. Dar forma ao que sabemos fazer. Permitir que nosso trabalho fale. E não pedir desculpas por ocupar o espaço que conquistamos.

No fim, a pergunta da carta não é apenas se os outros reconhecem você. É se você próprio consegue reconhecer a pessoa que se tornou depois de tudo o que atravessou. Porque há momentos em que o aplauso mais importante não vem da plateia. Vem de dentro.

No amor, o Seis de Paus traz magnetismo, confiança e reconhecimento. É uma carta que pode devolver entusiasmo às relações e favorecer uma retomada da admiração pelo parceiro e pela história construída a dois. As conquistas de um podem ser motivo de alegria para o outro, fortalecendo a parceria por meio de incentivo e orgulho mútuos.

Também pode haver mais disposição para tornar um vínculo visível, com encontros, convites, planos e demonstrações de afeto. Para os casais, o momento favorece olhar para o que deu certo, em vez de concentrar toda a atenção no que ainda precisa ser resolvido.

Mas o Seis de Paus pede cuidado com o ego. Amor não combina com competição para saber quem recebe mais atenção, quem é mais bem-sucedido ou quem está sempre certo. A carta faz uma pergunta importante: você quer ser admirado ou quer ser conhecido?

A admiração pode nascer da imagem que projetamos; a intimidade exige espaço para mostrar também inseguranças, limites e fragilidades.

Para quem está solteiro, o magnetismo aumenta e a semana favorece encontros, convites e novas aproximações. Alguém pode se interessar pela sua segurança e determinação, e mensagens ou sinais de interesse podem surgir com mais clareza.

Ainda assim, vale não confundir admiração com vínculo: o Seis de Paus pede discernimento para perceber quem se encanta apenas pelo seu brilho e quem realmente deseja conhecer você.

No trabalho, o Seis de Paus é uma carta de reconhecimento profissional. Pode indicar elogios, aprovação de um projeto, retorno positivo ou a percepção de que aquilo que você vem fazendo finalmente começa a ser notado. Para quem trabalhou muito tempo nos bastidores, uma ideia pode ganhar espaço, uma competência ser reconhecida ou uma nova oportunidade surgir.

Por isso, não é hora de esconder o que sabe fazer. A carta não recomenda arrogância, mas também não combina com falsa modéstia. Apresentar ideias, mostrar resultados e defender suas competências não é necessariamente autopromoção: é permitir que os outros enxerguem o que você construiu.

Para quem procura emprego, vale deixar claros seus diferenciais e experiências. Para quem já está trabalhando, pode surgir uma nova responsabilidade, posição de maior destaque ou oportunidade de liderança. E o reconhecimento também traz responsabilidade: quando passamos a ser vistos, nossas atitudes ganham mais impacto.

Liderar não significa centralizar tudo. Saber reconhecer quem ajudou a construir uma conquista também faz parte dela. No ambiente profissional, evite disputas desnecessárias e não sinta necessidade de provar que é melhor do que ninguém. O Seis de Paus lembra que reputação se constrói com consistência. Deixe que o trabalho fale por você.

Na vida financeira, o Seis de Paus fala de recompensas ligadas a esforço, competência e mérito. Pode indicar pagamento, bônus, aumento, novos clientes ou uma oportunidade de melhorar gradualmente a situação. A carta também convida a reconhecer o valor do próprio trabalho: saber cobrar, negociar e apresentar suas competências faz parte de uma troca equilibrada.

Para quem tem um projeto ou trabalha de forma autônoma, é uma boa semana para divulgar o que faz e mostrar resultados. Mas existe um alerta para não transformar a conquista em necessidade de ostentação. Gastar para impressionar ou sustentar uma imagem de sucesso pode comprometer justamente aquilo que foi construído.

Celebre a vitória, mas não precise prová-la.

Na carreira, o Seis de Paus favorece crescimento, reputação, autoridade e maior visibilidade. Ser mais observado pode abrir portas, especialmente para quem deseja uma promoção, uma mudança de área ou o reconhecimento de um trabalho que vinha sendo feito nos bastidores.

Quem busca novos caminhos pode descobrir que não precisa começar do zero. Experiências anteriores, quando vistas sob outra perspectiva, podem revelar competências valiosas. A carta recomenda identificar o que você aprendeu, os problemas que sabe resolver e aquilo que faz hoje melhor do que fazia antes.

Para quem deseja uma promoção, é importante tornar suas contribuições visíveis. Mostre resultados, apresente projetos e fale sobre seus objetivos. Esperar que os outros percebam espontaneamente tudo o que você fez nem sempre é a melhor estratégia.

O Seis de Paus também traz uma mensagem para quem se compara demais. Ele não pede que você vença a corrida de ninguém, apenas que reconheça o caminho que já percorreu. Quando olhamos o tempo todo para quem está à frente, esquecemos de perceber quantas batalhas já vencemos.

Sua mensagem é: continue avançando, mas sem transformar a vida numa disputa.

O verdadeiro triunfo do Seis de Paus não está em convencer os outros de que você venceu. Está em saber que avançou. Aceite os elogios, comemore suas conquistas e ocupe seu espaço, mas não se esqueça de tudo o que existia antes dos aplausos.

Toda vitória tem uma história que não aparece na fotografia.

Talvez a pergunta mais importante da semana seja: se ninguém estivesse olhando, você ainda reconheceria o valor do que fez?

Se a resposta for sim, existe uma força muito mais sólida por trás dessa vitória.

"A primeira e maior vitória é vencer a si mesmo; ser vencido por si mesmo é, de todas as coisas, a mais vergonhosa e vil." — Platão

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

Gastronomia Correio B+

Cachaça não é tudo igual: de amendoim a louro, conheça 10 versões para harmonizar à mesa

Além do tradicional carvalho, diferentes tipos de madeira influenciam aromas, sabores e características da bebida brasileira

13/09/2026 10h34

Cachaça não é tudo igual: de amendoim a louro, conheça 10 versões para harmonizar à mesa

Cachaça não é tudo igual: de amendoim a louro, conheça 10 versões para harmonizar à mesa Foto: Divulgação

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Você sabia que a cachaça vai muito além da famosa caipirinha? Para ganhar diferentes aromas, sabores e características, a madeira onde fica armazenada a ‘água ardente’ influencia diretamente no paladar e no perfil da bebida.

Em celebração ao Dia Nacional da Cachaça, celebrado hoje 13 de setembro, Delfino Golfeto, cachacier e fundador da Água Doce Sabores do Brasil, revela 10 espécies brasileiras utilizadas no envelhecimento do destilado e indica pratos que podem harmonizar com cada versão.

“A madeira tem papel importante no envelhecimento da cachaça, já que o contato com a bebida pode influenciar a cor, o aroma e o sabor. O resultado varia de acordo com o tipo utilizado, o tempo de contato, as condições de armazenamento, entre outros fatores. Por isso, uma mesma cachaça pode apresentar características diferentes conforme a madeira escolhida e o período de maturação”, revela Delfino.

Amendoim: para um perfil equilibrado

Apesar do nome, o amendoim também é uma madeira utilizada no envelhecimento de cachaça. Considerada uma madeira "neutra", ela diminui a acidez e amacia o destilado sem alterar de forma drástica a cor ou o sabor original da cana-de-açúcar, sendo excelente para coquetelaria. A espécie contribui para uma bebida equilibrada e de perfil mais macio, que pode ser harmonizada com frango assado, carne suína, castanhas, queijos semiduros e sobremesas de chocolate ou caramelo.

Grápia: suavidade com toque amadeirado

Considerada uma madeira neutra a semineutra, ela altera pouco a cor da cachaça, deixando um tom amarelo-palha bem claro, e reduz a acidez da bebida, mantendo o sabor original da cana-de-açúcar com notas suavemente adocicadas. Pode contribuir para as características amadeiradas do destilado, sem necessariamente resultar em um perfil excessivamente intenso. Na mesa, pode acompanhar carnes assadas, queijos semiduros e sobremesas com caramelo, mel ou frutas secas.

Peroba: uma opção pouco conhecida

Entre as espécies menos familiares ao consumidor, a peroba também aparece entre as madeiras utilizadas para armazenamento de cachaça. É uma madeira que confere uma coloração amarelada e um toque sutilmente amargo e seco ao destilado. Ela ajuda a amaciar a cachaça sem mascarar o seu perfil original. Por seu perfil menos explorado, pode ser apresentada em degustações acompanhadas de petiscos, carnes brancas, queijos e pratos de intensidade média.

Louro: aromas que pedem pratos bem temperados

Mais conhecido como tempero, o louro também pode aparecer como madeira utilizada no armazenamento da bebida. Esta madeira transfere para a cachaça notas marcadamente florais e de especiarias, como o cravo-da-índia e canela, além de proporcionar um fundo levemente adstringente e medicinal. Seu perfil aromático pode combinar com carnes de panela, pratos com ervas, feijão, preparos com molhos e receitas tradicionais brasileiras.

Amburana: para quem gosta de aromas marcantes

Uma das madeiras mais conhecidas entre os apreciadores de cachaça, a amburana pode conferir notas adocicadas e de especiarias ao destilado. Ela reduz a acidez e confere um fundo floral e marcadamente adocicado, com aromas que lembram baunilha e canela. O perfil aromático combina com carne suína, costela com molho agridoce, queijos curados e sobremesas com doce de leite ou caramelo.

Bálsamo: intensidade para acompanhar sabores fortes

O bálsamo pode proporcionar características herbais e amadeiradas, de especiarias, como cravo, e uma sensação levemente picante e adstringente ao paladar dando mais personalidade à bebida. Por isso, a sugestão é servi-lo com carnes vermelhas, embutidos, queijos maturados e pratos com temperos mais intensos.

Jatobá: madeira brasileira para bebidas complexas

Conhecido pela resistência de sua madeira, o jatobá também pode ser utilizado no envelhecimento de cachaças. Se trata de uma madeira densa que confere à cachaça uma coloração âmbar ou avermelhada muito bonita e intensa. No paladar, traz robustez com notas que remetem a frutas secas, especiarias e um leve toque amadeirado resinoso. Sua influência pode resultar em notas amadeiradas e especiadas, que conversam bem com carnes assadas, costelas, queijos de sabor intenso e chocolate amargo.

Jequitibá: equilíbrio para pratos delicados

Com influência mais discreta, o jequitibá é uma opção para quem prefere perceber com maior clareza as características originais da cachaça. Há duas versões que podem ser utilizadas. O Jequitibá-branco preserva as características originais da cachaça sem alterar sua cor. Já o Jequitibá-rosa confere uma coloração dourada sutil e sabores macios semelhantes aos do carvalho. Por isso, ambas podem acompanhar peixes, aves, saladas, frutos do mar e queijos suaves.

Freijó: leveza que valoriza o destilado

O freijó apresenta influência mais suave sobre a bebida, contribuindo para um perfil equilibrado. Bastante utilizada na região Norte e Nordeste, funciona de forma semelhante ao Jequitibá-branco. É uma madeira que praticamente não solta cor ou aromas fortes, focando em reduzir a agressividade do álcool e amaciar o destilado, preservando a pureza da cana. É uma alternativa para acompanhar entradas, peixes, frutos do mar, queijos frescos e pratos leves.

Ipê: personalidade para pratos grelhados

O ipê, tanto amarelo quanto roxo, também aparece entre as espécies brasileiras utilizadas no armazenamento de cachaça. Transfere uma coloração dourada escura ou alaranjada à bebida. O ipê amacia consideravelmente o destilado, agregando notas de especiarias e aromas que lembram nozes e castanhas, com um final de boca macio e aveludado. Por seu potencial de conferir maior estrutura ao destilado, pode ser combinado com carnes grelhadas, linguiças, preparos defumados e queijos curados.

Há uma curiosidade na produção da bebida brasileira. O carvalho é o principal tipo de madeira usado no envelhecimento e armazenamento da cachaça, embora seja uma madeira importada principalmente das variedades Carvalho Americano e Carvalho Europeu. Ele lidera o mercado por ser o padrão mundial na maturação de destilados e por agregar notas muito apreciadas de baunilha, coco, mel e caramelo. No Brasil, a castanheira frequentemente é chamada de "carvalho brasileiro", sendo utilizada na produção e trazendo notas intensas de castanhas, chocolate e amêndoas.

“A cachaça é um dos produtos que mais representam a nossa cultura e tem uma diversidade que muitas vezes não é conhecida pelo consumidor. Quando falamos das diferentes madeiras utilizadas em seu processo, mostramos que uma mesma bebida pode proporcionar experiências muito distintas. E isso também abre possibilidades interessantes para a gastronomia, com harmonizações que vão muito além da caipirinha”, finaliza Delfino.

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