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MEMÓRIA

Ana Ivanova nos ensinou que a capital mais próxima de Campo Grande é Assunção

A última estada de Ivanova no MS foi no Festivali, em agosto. Ministrou workshops de interpretação para cinema. Fez amizade com artistas e com gente do povo. Nadou nas águas do rio e ouviu a araponga, reconhecendo de longe o canto do seu 'pájaro campaña'

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O cineasta e produtor cultural Ricardo Pieretti Câmara relembra a presença contagiante, carismática e inspiradora de Ana Ivanova no meio cultural sul-mato-grossense; premiada no Festival de Gramado, em 2018, atriz paraguaia, que faleceu aos 51 anos em Assunção, na segunda-feira (17), em decorrência de um câncer, atuou, desde 1999, em dezenas de montagens teatrais, inclusive sob a direção de Gerald Thomas, produções televisivas e em 40 filmes de longa-metragem (Marcos Pierry)

Ana Ivanova (1973-2025) nos ensinou que a capital mais próxima de Campo Grande é Assunção. A estrela do teatro e cinema paraguaios não precisou mais do que um ano para aproximar a classe artística de Mato Grosso do Sul da cultura contemporânea paraguaia. Nesse pequeno espaço de tempo, Ivanova transitou em importantes círculos culturais das terras onde o Brasil foi Paraguai e, com a mesma desenvoltura que desfilou nos tapetes vermelhos de Gramado, Cannes e Berlim, com o filme “As Herdeiras”, de Marcelo Martinessi, de 2018, fez história em eventos como a Mostra Desver, da UFMS, em Campo Grande, o Bonito Cinesur em Bonito e o Festivali em Ivinhema.

Além dos compromissos com o cinema, a atriz fez uma memorável performance na Casa-Quintal Manoel de Barros, onde leu em espanhol poemas de nosso poeta maior, acompanhada do maestro Eduardo Martinelli e do grande pianista Júlio Figueiredo. Fazendo parceria com Ana, estava Lídia Baís, interpretada nesse recital chamado “Lídia Visita Manoel”, por Beatrice Sayd.

A atriz campo-grandense Beatrice Sayd foi quem apresentou Ana Ivanova ao Mato Grosso do Sul. As duas haviam trabalhado juntas em São Paulo com o icônico diretor de teatro Gerald Thomas. Ao ser convidada para estrelar “Lídia”, longa de ficção em produção sobre a nossa pintora surrealista (nota do editor: com direção do autor deste texto), e sabendo haver um importante papel para uma atriz paraguaia, Beatrice sugeriu o nome de Ivanova, que aceitou o trabalho imediatamente após ler o roteiro. Em uma viagem a Assunção em julho de 2023 para pesquisa de locações, a equipe de “Lídia” foi recebida pela atriz de “As Herdeiras” e desfrutou da hospitalidade de Ivanova e de sua grande popularidade no meio cultural assunceno.

A atriz durante sessão do filme no Berlinale, em 2018 - Foto: ReproduçãoA atriz durante sessão do filme no Berlinale, em 2018 - Foto: Reprodução

A estada na capital guarani foi suficiente para que os laços de afeto e de trabalho fossem atados e a equipe voltou para Campo Grande com um punhado de locações, histórias e personalidades que enriqueceram o projeto e aproximaram os territórios. Em um pôr-do-sol em frente ao emblemático lago de Ypacaraí, na casa do produtor e grande amigo de Ivanova, Osvaldo Codas, tivemos uma forte definição da relação de seu país com o nosso estado. Para Codas, “o Mato Grosso do Sul é como um filho do Paraguai sequestrado. O sequestrador ficou com o filho, mas o pai e a mãe, que são o Paraguai, não trataram de manter viva nesse filho a sua imagem paterna e materna, e isso não diz respeito à geopolítica, mas à cultura e à arte”.

CAMPO GRANDE

De volta da casa desses pais, onde se toma tereré e se come chipa. Onde não se necessita pedir mandioca, porque essa já acompanha naturalmente a carne. Onde os cardápios oferecem sopa paraguaia e chipaguaçu e nossas raízes estão expostas como nos vendedores de yuyus (ervas medicinais) nas praças. De volta dessa casa-cidade, onde encontramos as origens de nosso dia-a-dia chamado identidade, a grande vontade era de nos aproximar de todo aquele bem cultural que nos alicerça.

A primeira oportunidade bateu logo na porta. O professor do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Júlio Bezerra estava montando o elenco do Desver, Festival de Cinema Universitário.

O evento aconteceria em setembro daquele ano e se aproximar de profissionais do Paraguai fortaleceria sua importância na região, sobretudo em tempos de alvoroço com o novo caminho da América do Sul, a rodovia Bioceânica. Ana Ivanova foi um dos principais nomes do festival. Com seu carisma e sua competência, fez uma semana de oficina de atuação para audiovisual e conquistou professores e acadêmicos.

Ana Ivanova (à direita) com Ana Brun no longa Ana Ivanova (à direita) com Ana Brun no longa “As Herdeiras” - Foto: Reprodução

Também durante o Desver foi exibido o filme “As Herdeiras” no Museu da Imagem e do Som. Ivanova novamente brilhou e, diante dos profissionais do audiovisual de Campo Grande, se integrou rapidamente no universo local e o debate pós-exibição quase adentrou a madrugada. Parte do filme se passa em uma casa de detenção no Paraguai. Diante dessa oportunidade, a também professora da UFMS, Daniela Siqueira, convidou Ana Ivanova, que no dia seguinte exibiu seu filme e fez seus comentários diante de uma plateia de detentas no Instituto Penal Feminino.

Durante essa temporada, Ivanova fez inúmeros amigos em nossa casa-cidade e o já citado recital na Casa-Quintal Manoel de Barros. Conheceu também por histórias outro ícone de nossas artes, a violeira Helena Meirelles. E com uma semelhança física incrível, apontada pelo cineasta Joel Pizzini, Ana aceitou na hora fazer Helena em um filme futuro. Esse sonho acompanhou a atriz até seus últimos momentos.

BONITO

Em novembro de 2023, Ivanova voltava para Mato Grosso do Sul. Dessa vez a cidade era Bonito, onde se realizava a primeira edição do Festival de Cinema Sul-americano, o Cinesur. O evento reunia expoentes do audiovisual de toda a América do Sul e a atriz era o grande nome representando o Paraguai no júri da principal mostra competitiva. Participou também de mesa de discussão e mostrou seu lado de artista engajada nas lutas da descentralização da cultura. Sua participação como público enriquecia todos os encontros e debates, mostrando seu lado socióloga e filósofa.

IVINHEMA

A última estada de Ivanova no MS foi no 18º. Festival de Cinema do Vale do Ivinhema, o Festivali, em agosto de 2024. Nesse momento, ela já era uma velha conhecida de todos os profissionais que participaram do evento. Ana ministrou workshops de interpretação para cinema nas cidades de Ivinhema, Angélica, Novo Horizonte do Sul e Nova Andradina. Fez amizade com artistas como Antônio Pitanga e muita gente do povo.

O último compromisso foi uma visita ao Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema, onde nadou nas águas do rio e ouviu a araponga, reconhecendo de longe o canto do seu ‘pájaro campaña’.

A estrela paraguaia posa para fotos na Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), ocasião em que esteve com o diretor Marcelo Martinessi - Foto: ReproduçãoA estrela paraguaia posa para fotos na Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), ocasião em que esteve com o diretor Marcelo Martinessi - Foto: Reprodução

DOSTOIÉVSKI

Ana Ivanova era reconhecida como grande estrela em seu país, detentora de muitos prêmios como o Kikito de Ouro do Festival de Gramado (nota do editor: Ivanova dividiu a estatueta com Ana Brun e Margarita Irún; as três foram agraciadas pela performance em “As Herdeiras”). Apesar de todo o glamour que os tapetes vermelhos apresentam, Ana era simples. Filha de uma família da antiga aristocracia paraguaia, ela só se locomovia de bicicleta pelas ruas de Assunção. Seu nome foi uma homenagem à personagem de “Crime e Castigo” de Fiódor Dostoiévski, livro que seu pai e sua mãe liam quando se conheceram. 

A passagem de Ana Ivanova foi meteórica por nossas terras, mas deixou um grande legado, a possibilidade de encontro entre artistas sul-mato-grossenses e paraguaios. A comunhão de povos, separados pela guerra, mas que são filhos da mesma tradição guarani. A beleza da proximidade entre Campo Grande e Assunção.

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada...Leia a coluna de hoje

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25/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Millôr Fernandes - escritor brasileiro

"Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala”.

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada fiscalização que realiza e posta em suas redes sociais, torna-se alvo de saraivada de ataques, inclusive dos seus colegas da Câmara Municipal de Dourados. Persistente, ela anda se desviando das minas espalhadas em cada órgão público que visita para constatar se os serviços estão indo ao encontro do que a população quer. Ela verifica, inclusive, o que teria sido varrido para debaixo do tapete. A realidade, dizem, é que há aqueles que desejam tirá-la do páreo de voos mais altos. Vai saber...

Diálogo

Eclético

O deputado Paulo Duarte está buscando novo rumo e, assim, deve deixar o PSB para se filiar, ao que tudo indica, no PSDB. O parlamentar tem trajetória partidária um tanto quanto extensa em sua vida política. Ele foi filiado ao PT.

Mais

E, inclusive, integrou o “núcleo duro” da administração petista em MS. Saiu do PT em 2016 e migrou para o PDT. Mas não durou muito, pois logo mudou de sigla, filiando-se ao MDB. Posteriormente, buscou abrigo no PSB e agora consta que estaria indo para o PSDB. Ufa!

DiálogoDr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo

 

DiálogoFlávia Ceretta

Eu juro!

O governador Eduardo Riedel jurou por todos os santos e arcanjos que não conversou sobre política com Lula, quando ele esteve em Campo Grande. Disse que o diálogo entre eles foi sobre, em suas palavras, “investimentos no Estado; falei para ele a respeito da rota bioceânica, da necessidade de manter o aporte para o acesso; conversamos do êxito da concessão, que foi uma delegação de parte das rodovias federais, e também de projetos que estão na Casa Civil e devem ser enviados ao Senado para aprovação da CAE, aqueles 200 milhões de dólares, que temos 50 de contrapartida”. Então, tá...

Palanque

A ministra Simone Tebet bateu o martelo com Lula e trocará MDB, seu partido por três décadas, pelo PSB, cuja figura mais ilustre é o vice-presidente Alckmin. Ela disputará uma das vagas ao Senado, mas por São Paulo, estado com maior colégio eleitoral do País, para “fazer palanque” para o lulismo. Em sua trajetória política em Mato Grosso do Sul foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora.

Recuo

Com a reta final da janela partidária e algumas definições para composição de chapas e, até mesmo, interesse de alçar outros voos, políticos decidiram fazer análise mais detidamente do cenário eleitoral. Assim, já se verifica certa disposição de algumas pré-candidaturas serem mantidas. Uma delas seria a da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL). Ela teria cogitado até se filiar ao Novo para disputar o Senado. Porém...

Aniversariantes

Elaine Batista de Oliveira,
Alfredo Zamlutti Júnior,
Lauane Braz Andrekowiski Volpe Camargo,
Vilmar Vendramin,
Andréa Elizabeth Ojeda,
Clelia Casanobas Pereira,
Ilda Vilalba Lima,
Aline de Oliveira Silva,
Cicero Pucci,
Antônio Fernandes Teixeira,
Constantinos Mastroyannis,
Goro Shiota,
Izaura Saad do Amaral,
José Aparecido Miguel,
Luis Adolar Camargo Kieling,
Paulo Ricardo Sbardelote,
Darci Rocha Rodovalho,
Elcimar Serafim de Souza,
Marizeth de Faria Molina,
Eva Lefreve,
Miguel Cherbakian Primo,
Amaury D’Anunzio de Miranda Leal,
Eduardo Orsi Abdul Ahad,
Dra. Janete Lima Miguel,
Dr. Sidney Valieri,
Pércio de Andrade Filho,
Ana Carolina Correia,
Adelino Augusto Arakaki Martins,
Maria Neusa de Souza,
Thomaz Lipparelli,
Cristiane Iguma Câmara,
Bertildes Oliveira de Abreu,
Rose Mary Monteiro,
Joaquim Alcides Carrijo,
Luis Antonio de Oliveira,
Wagner Dagoberto Baptista,
Osmar Marques do Amaral,
Aparecido Camazano Alamino,
Alceu Roque Rech,
Zely Vieira Recalde,
Antônio Vladimir Furine,
Hélio Aldo dos Santos,
Magdalena Ferraz Baís,
Roseny Rodrigues Nogueira,
Maria Pereira Motta,
Leôncio de Souza Brito Filho,
Dr. Carlos Benigno Tokarski,
Nilza Maria Coutinho,
Maria Helena Pinheiro,
Zulmira de Freitas,
Nilton Nantes Coelho,
Arialú Paula Nogueira,
José Ernesto de Souza Faria,
Gabriel Meudau Lemos,
Marilda Coelho Lima,
Otávio Otaviano da Silva Pereira,
Maria Emília da Silva,
Pedro Paulo Gentil,
Dirceu Teixeira Nogueira,
Mirna Gonçalves,
Geraldo Carvalho Corrêa,
Nilson Arantes,
Altagno Sandin Bacarje,
Dilma Alvarenga da Silva,
Agenor de Figueiredo,
Fábio da Costa Rondon,
Maria Aparecida Barros de Moura,
Lodemir Cânepa Penajo,
Carlos Augusto Melke,
Taís Oliveira Pena,
Cristina de Melo Hamana,
Assis Alves Pimenta,
Allan Kardec Victor Hugo dos Santos,
Juliene Aparecida da Silva Gomes,
Wanir Maria Gasparetto da Silva,
Edilson Carlos Araujo de Oliveira,
Dayselene de Lara,
Anuncia Gimenes Ayala,
Antonio da Silva,
José Mário Facioli,
Gustavo Kiotoshi Shiota,
Everton Santos Garcia,
Edmilson Amaral da Rosa,
Carlos Uechi,
José Antonio Amaral Camargo,
Milton de Souza Leite,
Rodrigo Fernandes Ramos,
Silvia Aparecida da Silva Rocha,
Eloisa Fernandes dos Santos,
Ademir Gonçalves da Silva,
Thamara Silva Dauzacker Furlan,
Andreia Gomes Gusman,
Guilherme Coppi,
Rubens José Franco Cozza,
Silvania Gobi Monteiro Fernandes,
Márcio José da Cruz Martins,
Cenise Fatima do Vale Montini Jonson,
Dianary Carvalho Borges,
Carlos Eduardo Tedesco Silva,
Douglas Tiago Campos,
Katiussia Ribeiro Vieira,
Nelma Ortolan Franzim,
Sara Rosane Barcelos Moreira,
Luciane de Araújo Martins,
Everton Armôa Martos,
Humberto Dauber,
Carlos Henrique Suzuki,
Vicente Martins,
Quirino Areco

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

COMPORTAMENTO E SOCIEDADE

Sociedade Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros se sentem felizes

Levantamento da Ipsos mostra crescimento nos níveis de bem-estar, com destaque para relações pessoais, saúde e espiritualidade como pilares da felicidade entre brasileiros

24/03/2026 08h00

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil Freepik

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Os brasileiros estão mais felizes atualmente do que estavam há um ano. É o que revela o Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede a percepção de felicidade em 29 países e aponta um avanço significativo nos níveis de satisfação da população.

No Brasil, 80% dos entrevistados afirmam estar felizes ou muito felizes (um crescimento de dois pontos porcentuais em relação a 2025), colocando o País entre os mais satisfeitos do mundo, na sétima posição do ranking internacional.

O levantamento mostra que 28% dos brasileiros se consideram muito felizes e 52% felizes. Enquanto 15% dizem não estar muito felizes e apenas 5% afirmam não estar felizes de forma alguma. Os números brasileiros superam a média global, que registra 74% de pessoas felizes, sendo 18% muito felizes.

O cenário nacional acompanha uma tendência internacional: em 25 dos 29 países pesquisados, os níveis de felicidade aumentaram em comparação ao ano anterior.

Apenas três países registraram queda. O dado indica uma melhora generalizada na percepção de bem-estar, possivelmente influenciada por fatores como maior estabilidade econômica e recuperação social após períodos de crise.

Os dados do levantamento revelam uma compreensão mais ampla sobre o que significa ser feliz. No Brasil, essa percepção está fortemente associada a vínculos afetivos, saúde e propósito de vida – elementos que, mesmo diante de desafios econômicos, sustentam níveis elevados de satisfação.

Ao mesmo tempo, o estudo evidencia que a felicidade não é distribuída de forma uniforme e pode variar de acordo com fatores como idade, renda e contexto social.

MOTOR DA FELICIDADE

No Brasil, a felicidade tem raízes profundas nas relações humanas e no bem-estar emocional. O principal fator apontado pelos entrevistados é o sentimento de ser amado ou valorizado, citado por 34%. Em seguida, aparecem a saúde física e mental (31%) e o relacionamento com a família e os filhos (29%).

Esses resultados mostram que, mais do que condições materiais, são os vínculos afetivos e a qualidade de vida que sustentam a sensação de felicidade entre os brasileiros.

A tendência também se repete globalmente: sentir-se apreciado e ter boas relações familiares aparecem como os principais motores da felicidade em diversos países.

Outro ponto de destaque é o papel da espiritualidade. No Brasil, 22% dos entrevistados apontam a fé ou a vida espiritual como um fator relevante para a felicidade – mais que o dobro da média global, que é de 10%.

O dado reforça uma característica cultural marcante do País, onde a religiosidade segue sendo um elemento importante na construção do bem-estar.

Além disso, fatores como perceber que a vida tem sentido e ter controle sobre a própria trajetória também aparecem entre os elementos que contribuem para a felicidade, indicando uma combinação entre aspectos emocionais, sociais e subjetivos.

DIFERENÇAS ENTRE GÊNEROS

A pesquisa também revela nuances importantes quando se observa o recorte por gênero. Entre os brasileiros que se dizem muito felizes, os homens aparecem em maior proporção (29%) em comparação às mulheres (26%).

No entanto, quando se trata do grupo que se declara feliz, as mulheres lideram, com 54%, frente a 50% dos homens.

Os dados sugerem que, embora os níveis gerais de felicidade sejam semelhantes entre os gêneros, a intensidade dessa percepção pode variar. Ainda assim, a soma total de pessoas satisfeitas com a vida se mantém elevada em ambos os grupos.

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no BrasilEspiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik

VARIAÇÃO AO LONGO DA VIDA

O estudo também analisa como a felicidade muda com a idade – e os resultados mostram um padrão curioso. A satisfação com a vida tende a ser alta na juventude, sofre uma queda por volta dos 50 anos e volta a crescer nas décadas seguintes, atingindo seu pico após os 70 anos.

Globalmente, pessoas com mais de 70 anos apresentam os maiores níveis de felicidade, enquanto aquelas na faixa dos 50 anos estão entre as menos satisfeitas.

No Brasil, a faixa etária entre 50 e 74 anos concentra o maior índice de felicidade, com 82% das pessoas se declarando felizes ou muito felizes. O dado indica que, apesar de desafios comuns à meia-idade, como questões profissionais ou financeiras, há uma retomada significativa do bem-estar com o avanço da idade.

Por outro lado, a geração Z – formada por jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 – é a que apresenta o maior porcentual de pessoas que se dizem nada felizes, embora esse número ainda seja relativamente baixo, de 6%.

UM DOS MAIS FELIZES

No ranking global, o Brasil aparece entre os países com maior índice de felicidade. As primeiras posições são ocupadas por Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). Com 80% da população feliz, o Brasil figura logo atrás, consolidando-se como um dos países mais satisfeitos entre os pesquisados.

A trajetória também é positiva no longo prazo. Desde 2011, o índice de felicidade no Brasil aumentou três pontos porcentuais, contrariando uma tendência de queda observada em alguns países ao longo dos anos.

Esse crescimento indica que, apesar de desafios econômicos e sociais, a percepção de bem-estar no País tem se mantido resiliente, sustentada principalmente por fatores não materiais.

DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE, MAS AJUDA

Se por um lado a felicidade está ligada a aspectos emocionais e relacionais, a infelicidade tem uma origem mais concreta. No Brasil, a situação financeira é o principal fator de insatisfação, citado por 54% dos entrevistados.

Na sequência, aparecem a saúde mental e o bem-estar (37%) e as condições de moradia (27%). O padrão é semelhante ao observado globalmente, em que a situação financeira também lidera como principal causa de infelicidade, com 57% das menções.

O impacto das finanças é transversal e atinge todas as gerações. Entre os baby boomers, 68% apontam esse fator como a principal causa de infelicidade. O índice cai para 62% na geração X e para 49% entre millennials e geração Z, mas ainda se mantém como o principal motivo em todos os grupos.

A pesquisa também evidencia uma relação direta entre renda e felicidade. Pessoas com maior poder aquisitivo tendem a ser mais felizes (79%) do que aquelas com renda mais baixa (67%), o que reforça a importância das condições materiais na qualidade de vida.

Apesar do peso das finanças na infelicidade, a percepção sobre a economia apresentou melhora este ano. Em 18 dos 29 países analisados, mais pessoas passaram a acreditar que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior.

Essa mudança pode ter contribuído para o aumento geral da felicidade, visto que reduz a insegurança e melhora as expectativas em relação ao futuro.

O estudo sugere que, embora fatores econômicos não sejam os principais responsáveis pela felicidade, eles exercem forte influência quando se trata de insatisfação, especialmente em contextos de instabilidade.

METODOLOGIA

O Ipsos Happiness Report 2026 foi realizado entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, com a participação de 23.268 adultos em 29 países. As entrevistas foram conduzidas por meio de plataformas on-line, com exceção da Índia, onde parte da coleta foi feita presencialmente.

No Brasil, a amostra contou com cerca de mil entrevistados, com margem de erro estimada em 3,5 pontos porcentuais. Os dados foram ajustados para refletir o perfil demográfico da população adulta, com base nos censos mais recentes.

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