A passagem do Guns N’ Roses por Campo Grande, na noite de 9 de abril, marcou um capítulo histórico para a cidade. Com público estimado em 35 mil pessoas no Autódromo Internacional, o evento consolidou a capital sul-mato-grossense no circuito de grandes turnês internacionais ao mesmo tempo que escancarou o abandono do poder público.
Para quem chegou cedo, a experiência foi completa. A fisioterapeuta Jéssica Schettini, de 36 anos, garantiu lugar próximo ao palco e acompanhou toda a programação. “Foi surreal. Fiquei a 10 metros deles. Raimundos e Guns são bandas da minha infância, não tem nem palavras”, contou. Ela chegou por volta das 17h30, após um trajeto de cerca de uma hora, antes do agravamento do trânsito.
Já para outros fãs, o caminho até o show foi o maior desafio. A médica Gabriela Yamaguchi Pereira, de 29 anos, saiu de casa às 18h30 e só conseguiu entrar no evento por volta das 22h. “A gente perdeu o show do Raimundos e chegou quando o Guns já tinha começado. Foi muita gente, um congestionamento enorme”, relatou.
Apesar do atraso de cerca de uma hora e meia para o início da apresentação principal, Gabriela vê a mudança com bons olhos. “Se eles não tivessem atrasado, eu não teria conseguido assistir. Ia prejudicar muita gente que estava presa no trânsito”, disse.
Vindo de Sidrolândia, o técnico de segurança do trabalho Vytor Hugor de Andrade Noss, de 23 anos, também enfrentou dificuldades, especialmente na saída. “Na volta foi caótico. Não tinha Uber, a gente ficou procurando até conseguir um carro”, contou. Ele também criticou a organização na coleta de alimentos não perecíveis. “Ficava tudo jogado de lado”, afirmou. Ainda assim, resumiu a experiência de forma positiva, destacando “November Rain” como o momento mais marcante.
A música, aliás, foi unanimidade entre os fãs ouvidos pela reportagem. Tanto Gabriela quanto Jéssica também citaram o clássico como o ponto alto da noite.
Em nota oficial, a organização destacou que o evento foi planejado por cerca de três meses, com participação de órgãos como Polícia Rodoviária Federal, Detran e Agetran. Segundo o comunicado, todas as exigências operacionais foram cumpridas e o funcionamento interno ocorreu dentro da normalidade.
O principal problema, segundo a produção, esteve no acesso ao local. A BR-262, via de pista simples, concentrou o fluxo de milhares de veículos simultaneamente, o que gerou congestionamentos. A decisão de atrasar o show, conforme a nota, foi tomada para permitir que mais pessoas conseguissem chegar a tempo.
Apesar dos entraves, o impacto econômico foi expressivo. A estimativa é de que o evento tenha movimentado mais de R$ 33 milhões, com alta ocupação hoteleira e geração de cerca de 1.500 empregos temporários. Aproximadamente 30% do público veio de fora do estado.
Para Jéssica, o saldo é positivo e pode abrir portas para o futuro. “Espero que venham mais shows assim. Que o Guns seja a porta de entrada para outras bandas”, afirmou.

Maria de Lourdes Zardo e Cilene Elesbão


