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Aprenda duas receitas com a polêmica uva-passa e as dicas de nutricionista sobre a fruta

Preta ou branca, a uva-passa não pode faltar na ceia natalina; saiba o que diz a nutricionista Fernanda Larrea sobre a fruta ressecada e aprenda a receita de dois pratos deliciosos para o banquete

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A uva-passa é um ingrediente que pode ser utilizado no preparo de receitas doces e salgadas. Mas mesmo com toda a sua versatilidade, com a chegada das festas de fim de ano, surge a inevitável discussão: utilizar ou não a fruta seca na ceia natalina?

Em defesa da uva-passa, a nutricionista Fernanda Larrea, que atua no programa de prevenção nutricional da Cassems, explica que o ingrediente é responsável por trazer o sabor agridoce para as receitas de Natal.

“A uva-passa nada mais é do que uma fruta ressecada, e como a ceia é normalmente uma alimentação mais agridoce, muitas receitas incluem as uvas-passas para trazer esse sabor adocicado aos pratos”, destaca a nutricionista.

Se na Roma antiga o ingrediente simbolizava fartura, atualmente a uva-passa é reconhecida por ser um excelente antioxidante e ter uma grande concentração de vitaminas A e do complexo B. 

“Ajuda na prevenção do envelhecimento precoce celular, ajuda a prevenir câncer e tem um alto teor de fibras. Mas atenção, é um alimento calórico”, ressalta Fernanda.

Para não exagerar, ela indica onde não usar o ingrediente.

“É recomendável evitar acrescentar uva-passa na farofa, que tem um alto valor calórico e de carboidrato. Normalmente, a farofa tem algum tipo de carne, algum embutido e mais a manteiga para fazer. Então, caloricamente, a farofa já é bem pesada. E a uva-passa tem um alto valor calórico”, alerta a nutricionista.

FAZ BEM

Para quem ainda não tem o hábito de comer uvas-passas, Fernanda Larrea ressalta alguns benefícios de incluir o ingrediente na rotina alimentar.

“Para pacientes que têm intestino mais preguiçoso, a gente usa como estratégia alimentar nutricional, indicando acrescentar no iogurte”, afirma a especialista.

“A gente pode acrescentar ela junto com uma granola, para comer com frutas ou em cima de um mamão. Então, ela é muito versátil para ser utilizada no café da manhã ou em um lanche da tarde, porque seu uso é muito prático”, explica a colaboradora da Cassems.

Fernanda ressalta que a uva-passa pode, inclusive, substituir ingredientes como o açúcar no preparo de bolos.

“Ela pode ser utilizada para adoçar. Então, quando retiramos o açúcar de um bolo, de uma panqueca, podemos colocar a uva-passa no preparo da receita e triturar ela com a massa”, orienta.

“Se você quiser, pode deixá-la de molho, para ela dar uma inchada maior, e aí bater com os ovos e o óleo de coco para ela adoçar a massa em si”, complementa a nutricionista.

CEIA SAUDÁVEL

Falando em ceia, Fernanda Larrea dá dicas de como aproveitar bem a ceia de Natal sem exagerar na alimentação.

A primeira delas é optar por pratos realmente natalinos, incluindo saladas, legumes e proteínas magras, a exemplo do chester, do peru ou até da carne de porco – sem pele e sem gordura.

“O carboidrato não é o prato principal, realmente o prato principal da ceia é a proteína; ela, a gente pode comer tranquilamente. E se vai aproveitar a ceia de Natal, durante todo o dia, faça uma alimentação leve e deixe para a ceia ser a refeição de alto valor calórico”, recomenda a nutricionista.

Agora, ao trabalho e bom apetite!

Arroz de Natal light com chester, frutas secas e goji berry


 

Ingredientes:

  •  600 a 700 gramas de arroz cozido;
  •  20 ml de azeite de oliva;
  •  20 gramas de alho batido (ou a gosto);
  •  Sal a gosto;
  •  80 gramas de chester em cubos;
  •  Salsinha muito bem picada;
  •  10 gramas de uvas-passas pretas sem caroço;
  •  10 gramas de uvas-passas brancas sem caroço;
  •  30 gramas de cebola;
  •  ½ pimentão vermelho (ou 30 gramas);
  •  ½ pimentão amarelo (ou 30 gramas);
  •  20 ml de vinho branco;
  •  1 litro de caldo de legumes;
  •  30 gramas de goji berry;
  •  10 gramas de tâmaras para decorar;
  •  10 gramas de damascos para decorar;
  •  10 gramas de nozes para decorar.

Modo de Preparo:

Em uma frigideira, refogue no azeite a cebola, o alho e os pimentões. Acrescente o vinho branco para puxar o sabor e, depois de suar, inclua o chester e as uvas-passas brancas e pretas, colocando também o caldo de legumes para não ressecar.

Deixe no fogo até refogar e inclua, em seguida, o arroz já cozido. Misture tudo para agregar os sabores e os ingredientes. Coloque em uma travessa e decore com frutas típicas natalinas, como tâmaras e damascos, e também com nozes.

Bolo de Natal

A margarina do seu bolo com uvas-passas e frutas secas pode ser substituída por manteiga sem sal

Ingredientes:

  • 1 colher (sopa) de adoçante tipo granular;
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó;
  • ½ xícara (chá) de coco ralado sem açúcar;
  • ½ xícara (chá) de margarina light;
  • ½ xícara (chá) de leite desnatado;
  • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo;
  • 1 xícara (chá) de leite de coco light;
  • 1 xícara (chá) de uvas-passas;
  • 1 xícara (chá) de frutas secas;
  •  4 ovos.

Modo de Preparo:

Ligue o forno em temperatura média (180ºC). Coloque as gemas, a margarina light e o fermento em uma batedeira e bata até obter um creme.

Acrescente o adoçante, o leite desnatado e o leite de coco, alternando 
com a farinha de trigo entre cada item. Bata até ficar uma massa homogênea.

Desligue a batedeira e acrescente as uvas-passas, as frutas secas e o coco ralado. Reserve. Limpe a batedeira e seque-a bem. Acrescente as claras e bata até o ponto de neve.

Acrescente as claras à massa reservada e misture bem, delicadamente.

Unte uma forma com furo no meio com manteiga sem sal e farinha e acrescente a massa. Leve o bolo ao forno preaquecido e deixe assar por cerca de 55 minutos ou até ficar pronto.

Para verificar se o bolo está assado, espete um palito na massa. Se sair limpo, está pronto. Retire o bolo do forno, espere esfriar e sirva a seguir.

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diálogo

Alguns candidatos vêm se apresentando ao eleitor como se estivessem... Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo deste sábado (12) e domingo (13)

12/09/2026 00h02

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Abílio Leite de Barros- poeta de MS

"O poeta é um malabarista de palavras, joga com elas 
como uma criança com seus brinquedos e nesse jogo 
o sentido real perde toda a importância em favor da fantasia”.

Felpuda

Alguns candidatos vêm se apresentando ao eleitor como se estivessem enfrentando problemas dentro dos partidos. Em seus discursos, passam a impressão de que estariam sendo pressionados a fazer algo errado 
e repetem frases como “não venderemos nossa consciência”. e for apenas uma estratégia para conquistar a simpatia do eleitorado, convém ter cuidado, pois poderá produzir efeito contrário ao desejado. Consciência, convenhamos, não precisa de propaganda para ser demonstrada. É cada uma!

Dívida

O Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul determinou que a Prefeitura de Camapuã volte à Justiça para cobrar uma dívida de R$ 25,8 mil do ex-prefeito Delano de Oliveira Huber. O valor foi determinado em decisão de 2021, e com a atualização, já chega a R$ 39.474. A prefeitura chegou a entrar com uma ação de cobrança, mas o processo foi encerrado em 2025, por falta de documentos exigidos pela Justiça.

"Espertinho"

Estudante de Direito resolveu avançar alguns capítulos da profissão e acabou condenado pela 12ª Vara Cível de Campo Grande a pagar R$ 10,5 mil. Com uma legítima carteira de estagiário, apresentou-se como advogado e cobrou de uma idosa para resolver uma dívida de R$ 23 mil que não existia. A vítima entregou R$ 3 mil de honorários e mais R$ 2,5 mil para uma suposta entrada no parcelamento

Aí...

Depois disso, o município colocou valor em cobrança e encaminhou Certidão de Dívida Ativa para protesto em cartório. O documento foi protocolado em junho deste ano e o devedor foi considerado intimado em julho. Agora, o TCE-MS deu prazo de 60 dias para a prefeitura comprovar que tomou nova medida judicial para receber a conta. Já a multa de 50 uferms aplicada ao ex-prefeito foi paga e sua cobrança encerrada.

Mais

Dois meses depois, ela descobriu que não tinha dívida alguma. Pressionado pela ameaça de denúncia, o estudante devolveu R$ 3 mil por meio de uma conta de terceiros, mas ficou com os R$ 2,5 mil restantes. No processo, não compareceu à audiência de conciliação nem apresentou contestação. A Justiça determinou a devolução dos R$ 2,5 mil e fixou outros R$ 8 mil por danos morais.

Hellen, Marco Antonio e João Arthur Comparin
Dra. Iara Resende

De olho

Candidatos de todos os partidos estão intensificando suas investidas sobre o expressivo eleitorado de Campo Grande. Conhecida nas campanhas como uma espécie de terra de ninguém, é o maior colégio eleitoral de MS e, por isso, tornou-se alvo obrigatório dos candidatos de A a Z.

Pedaço

Para se ter uma ideia, de acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral fechados até 31 de agosto, Campo Grande tem 640.427 pessoas aptas a votar. Desse total, 348.977 são mulheres (54,491%) e 291.450 homens – equivalentes a 45,509% do eleitorado. Com esse tamanho, pode fazer diferença decisiva em qualquer disputa estadual. Daí a movimentação: todos candidatos não apostam só no interior e querem um pedaço desse enorme bolo de votos.

Com pausa

Projeto de lei quer impor limites ao uso da rolagem contínua, o chamado infinite scroll, nas redes sociais brasileiras. A proposta prevê que plataformas com mais de 2 milhões de usuários ativos interrompam a rolagem após 30 vídeos consecutivos, com pausa obrigatória de cinco minutos. Durante o intervalo, deverá aparecer mensagem sobre saúde mental e uso responsável da tecnologia, conforme diretrizes do Ministério da Saúde.

Aniversariantes

SÁBADO (12)

  • Terezinha Bezerra de Almeida,
  • Dra. Daniela Martins Bertoncelo,
  • Mariana Massani Romero,
  • Rayssa Garcia Barcaça,
  • Dr. Milton Garcia Leal Júnior,
  • Alda Aparecida Ferreira Nantes,
  • Glória Maria Vaz Leal,
  • Guilherme Henrique Zandoná,
  • Maximus Ruggero Zanoni,
  • Maria Auxiliadora Moraes D’Avila,
  • Dr. Henoch Cabrita de Santana,
  • Maria Aparecida Coutinho Machado,
  • Delasnieve Miranda Daspet de Souza,
  • Averaldo Alves Garcia,
  • Thiago Ortiz Doneda,
  • Guilherme Ortega Zulim,
  • Marisa Dias Rolan Loureiro,
  • Ronald Tokya Higashi,
  • Morivaldo Firmino de Oliveira,
  • Maria Antonia Correia Gondim,
  • Dr. Lauro Takeshi Myasato,
  • Mariana Coli Muzzi,
  • Dr. Hérico Monteiro Braga,
  • Pedro Henrique Adames,
  • Gilzânio (Gil) da Silva Rodrigues,
  • Fábio Michel Ferzeli Abussafi,
  • Rodrigo Aguirre Menezes,
  • Sérgio Fenelon,
  • Helena Alcara,
  • Ricardo de Souza Rosa,
  • Dacir de Souza,
  • Alfredo Dobilas,
  • Dayanne de Almeida Ferreira,
  • Francisco de Paula Junior,
  • Claudete Regina Modenesi,
  • Fernanda Oliva,
  • Mônica Pedrossian Coelho,
  • Rosa Maria Maçães Coutinho,
  • Dr. Ricardo Verde Selva,
  • Katiuscia Azambuja,
  • Aparecida Leke Garcia,
  • Luiz Eduardo Ferreira Rocha,
  • Ivanilde Vaz,
  • Idenir Medina,
  • Maurício Nakazato,
  • Antonia Serrou Camy,
  • Luciano Araújo Júnior,
  • Rosália Maria Jesus Silva,
  • Zender Guimarães Sales,
  • Ligia Ribeiro de Andrade,
  • Sílvio Lobo Filho,
  • Luis Panoff Philbois,
  • Alírio Villasanti Romero,
  • Maria Alzira Trelha Falcão,
  • Orlando de Almeida,
  • Elcy Nogueira de Jesus,
  • Virgínia Corrêa Merísio,
  • Celso Cordeiro,
  • Genê Rosa da Silva,
  • Jair Emiliano Queiroz,
  • Almir de Magalhães,
  • Valdete Freitas Yokoyama,
  • Dr. Alcides dos Santos,
  • Maria Auta de Oliveira Inagaki,
  • Eliete Alves de Lima Lauretto,
  • Gil Messias Fleming,
  • Ângela Maria Veríssimo,
  • Gilson Domingos de Pietro,
  • Luiz Claudio Fernandes Widal,
  • Salete Petry Coski,
  • Bruna de Campos Pavoni,
  • Carlos Sussumu Koumegawa,
  • Oscar César Ceolin,
  • Jussara Aparecida Faccin Bossay,
  • Regina Célia Rojas Gerotti,
  • Gyselda Elyane Vasconcellos Nakayama,
  • Mary Kellen Horita Ricci.

DOMINGO (13)

  • Tito Manuel Sarabando Bola Estanqueiro,
  • Nabiha de Oliveira Maksoud,
  • Joelson Duarte,
  • José Antonio Nardão,
  • Juliana da Silva Minna,
  • Francisco de Assis Simioli Espíndola,
  • Ademir Berbet Gonçalves,
  • Humberto Jorge Matos Viana,
  • Iracema Afonso de Souza,
  • Wilson Ferreira Rocha,
  • José Luiz Matos Pessoa,
  • Francisco Eudo Cordeiro de Souza,
  • Celso Sokuzo Guibu,
  • Nelson Valente Dienes,
  • Zoé Vargas de Andrade,
  • Carlos Roberto Selvo do Nascimento,
  • Marcos Pinheiro da Silva,
  • Lurdes Frosi Perruzo,
  • Nery Anzoategui,
  • Fabiano Telo Bellissimo,
  • Luiz Felipe Barros Buainain,
  • Roque Fachini Filho,
  • Albino Gonçalves Lima Neto,
  • Neilon Ramires,
  • Izabel Cristina Vargas Ajala,
  • Gisela Dória Sirimarco Nasser,
  • Oscar Tenuta,
  • Natal Baglioni Meira Barros,
  • Marcos José Mendes,
  • Creunede Ramos Pereira,
  • Alexandre Rui Neto,
  • Gilberto Portela Lima,
  • Michael Cesar Oliveira,
  • Flávio Santana Braga,
  • Rogerio de Oliveira Lopes,
  • Sebastião Pinheiro Valadares,
  • Miguel dos Santos Andrade,
  • Antonia Martins,
  • João Paulo Franco,
  • Laila Carriel,
  • Ana Cristina Candido de Souza,
  • Josimar Ferreira dos Santos,
  • Branca Maria de Menezes,
  • Belaus Pereira,
  • Antonio Almeida Lira,
  • Sérgio Pereira Pires,
  • Vanildo Barraquel,
  • Edir Alves Mesquita,
  • José Carlos Kiyoshi Kurashige,
  • Hailton Augusto dos Santos,
  • Edson Cardoso de Sá,
  • Ruth Daiane da Rosa Vera,
  • Renê Ferreira de Souza,
  • Yonne Ribeiro Orro,
  • Rosa Maria Scapulatempo,
  • Beatriz Cuellar,
  • Walter Bastos Ribeiro Garcia,
  • Noelia Medeiros Rocha,
  • Nair Ferreira Amaral,
  • Cyntia Tereza de Medeiros,
  • Fernando Webber,
  • Márcio Alves Chaves,
  • Dr. Orestes Rocha,
  • Fabiana Silvestre da Silva,
  • Cláudia Rodrigues de Freitas,
  • Laura Miti Marques,
  • Moacir de Almeida Portela,
  • Ana Maria Ottoni,
  • Eugênia Fernandes Soares,
  • Gisele Arruda,
  • Victor Rafael Gonzales Abbate Filho,
  • Jairo Shoitiro Kamimura,
  • Neraldo Dall Pogetto,
  • João Luiz Caliani Moscateli,
  • Lucilia Teodora Villela de Leitgeb Lourenço,
  • Silvana de Carvalho Teodoro Zubcov,
  • Erika Junko Dehira Motoyama.

Cinema Correio B+ - Especial

11 de Setembro: como o cinema tentou explicar o inexplicável

De The Guys a Voo United 93, obras que reconstruíram o trauma e as consequências de um dia que ainda não terminou

11/09/2026 14h39

11 de Setembro: como o cinema tentou explicar o inexplicável

11 de Setembro: como o cinema tentou explicar o inexplicável Foto: Divulgação

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Durante algum tempo, o cinema não soube o que fazer com o 11 de Setembro. As imagens reais já eram tão violentas, tão repetidas e tão profundamente gravadas na memória coletiva que qualquer tentativa de reproduzi-las parecia correr o risco de transformar trauma em espetáculo.

Primeiro, Hollywood retirou as Torres Gêmeas de cartazes, trailers e filmes já concluídos. Depois, aos poucos, começou a tentar entender não apenas o que aconteceu naquela manhã, mas o mundo que surgiu depois dela.

Vinte e cinco anos mais tarde, não existe uma única obra capaz de explicar o 11 de Setembro, porque o atentado não produziu apenas uma história.

Há a história das vítimas, dos sobreviventes e de suas famílias; a dos bombeiros e policiais; a das falhas dos serviços de inteligência; a das guerras iniciadas em seguida; a da islamofobia, da tortura e da vigilância autorizadas pelo medo.

Os melhores filmes, séries e documentários são justamente aqueles que resistem à tentação de reunir tudo em uma resposta simples.

The Guys e a reconstrução pela palavra

The Guys ocupa um lugar especialmente pessoal nessa lista porque nasceu da experiência de Anne Nelson, minha professora e mentora na Universidade de Columbia. Pouco depois dos atentados, Anne foi procurada por um capitão do Corpo de Bombeiros de Nova York que precisava escrever os discursos fúnebres de oito homens de sua equipe mortos no World Trade Center. Ele conhecia cada um deles, mas não conseguia transformar a dor em palavras.

Anne o ajudou a reconstruir quem eram aqueles homens para além dos uniformes e dos números. A peça estreou no Flea Theater em 4 de dezembro de 2001, menos de três meses depois dos ataques, com Sigourney Weaver e Bill Murray. Em 2002, foi transformada em filme, dirigido por Jim Simpson e estrelado por Weaver e Anthony LaPaglia.

Não é um filme sobre a queda das torres, mas sobre o trabalho silencioso de devolver individualidade às vítimas. Como falar sobre alguém quando a dimensão coletiva da tragédia ameaça apagar sua história particular? Em The Guys, a linguagem não resolve o luto, mas oferece uma forma de atravessá-lo.

The Looming Tower e tudo o que veio antes

Se The Guys trata das consequências humanas imediatas, a minissérie The Looming Tower procura entender o que aconteceu antes. Baseada no livro de Lawrence Wright, acompanha a ascensão da Al-Qaeda e, principalmente, a rivalidade entre FBI e CIA nos anos que antecederam os ataques.

Com Jeff Daniels, Peter Sarsgaard e Tahar Rahim, a série mostra como informações fragmentadas, disputas institucionais e egos contribuíram para impedir que as autoridades percebessem a ameaça que se organizava diante delas.

Não apresenta uma conspiração capaz de explicar tudo, mas algo talvez ainda mais perturbador: pessoas que possuíam partes importantes da verdade e instituições incapazes de reuni-las.

Voo United 93 e a experiência do tempo real

Em Voo United 93, Paul Greengrass reconstrói o sequestro do avião que caiu na Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes reagiram contra os terroristas. O filme evita o heroísmo convencional e trabalha com a confusão de quem ainda não compreendia a dimensão do ataque.

Nós sabemos o que está acontecendo porque conhecemos a história. Eles, não. Recebem informações incompletas por telefonemas, percebem que outros aviões foram usados como armas e entendem, aos poucos, que o voo provavelmente também tem um alvo.

É essa diferença entre o conhecimento do espectador e a descoberta dos passageiros que torna o filme tão angustiante.

Greengrass não oferece alívio, discurso patriótico ou vitória reconfortante. O que existe é um grupo de pessoas tentando agir quando todas as possibilidades já são terríveis.

11 de Setembro: como o cinema tentou explicar o inexplicávelVoo United 93 e a experiência do tempo real - Divulgação

Os documentários que preservaram aquela manhã

Entre os registros mais importantes está 9/11, dos irmãos Jules e Gédéon Naudet com James Hanlon. O projeto começou como um documentário sobre um bombeiro novato, mas acabou registrando a rotina de um quartel durante os ataques. Jules filmou uma das raras imagens do primeiro avião atingindo a Torre Norte e entrou no complexo com os bombeiros.

102 Minutes That Changed America reconstrói o período entre o primeiro impacto e o colapso da segunda torre a partir de imagens feitas por jornalistas, moradores e pessoas nas ruas. A ausência de uma narração dominante preserva a desorientação daquele momento, quando ninguém ainda tinha uma narrativa pronta para explicar o que via.

Já 9/11: One Day in America reúne depoimentos de sobreviventes, socorristas e testemunhas, reconstruindo os acontecimentos em ordem cronológica. O documentário devolve dimensão humana a imagens que, de tão repetidas, correm o risco de se transformar apenas em símbolos históricos.

A cidade ferida de A Última Noite

Nem todos os filmes importantes sobre o 11 de Setembro falam diretamente sobre os ataques. Lançado em 2002, A Última Noite (25th Hour), de Spike Lee, conta a história de um homem que passará sete anos na prisão e vive suas últimas horas de liberdade em Nova York.

A trama não é sobre terrorismo, mas a cidade está ferida. O vazio deixado pelas torres aparece na paisagem e no comportamento dos personagens. Spike Lee foi um dos primeiros cineastas a olhar diretamente para aquela ausência, sem precisar transformá-la no centro da narrativa. Seu filme entende que Nova York continuava vivendo, mas já era outra cidade.

O mundo que veio depois

Com o passar dos anos, o cinema começou a olhar para as consequências políticas e morais dos atentados. A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty) acompanha a perseguição a Osama bin Laden, mas provocou discussão sobre a maneira como representou a tortura e sua suposta eficácia.

O Relatório (The Report) examina justamente o programa de interrogatórios e tortura conduzido pela CIA depois do 11 de Setembro. O Mauritano (The Mauritanian) mostra o caso de Mohamedou Ould Slahi, mantido durante anos em Guantánamo sem acusação formal. São filmes sobre o momento em que o medo passou a justificar práticas que as democracias afirmavam condenar.

Quanto Vale? (Worth) segue o advogado Kenneth Feinberg na criação do fundo de indenização às famílias das vítimas. Sua pergunta é cruel, mas inevitável: como estabelecer financeiramente o valor de uma vida? O filme mostra o conflito entre fórmulas jurídicas e histórias que não cabem em cálculos.

Há ainda Top of the World, documentário de Julie Cohen e Betsy West sobre os funcionários do Windows on the World, o restaurante que funcionava no alto da Torre Norte.

Ao recuperar suas trajetórias, a obra retorna ao princípio que também orienta The Guys: antes de serem números associados a uma tragédia, aquelas pessoas tinham trabalhos, famílias, ambições e rotinas.

Uma história que ainda não terminou

O cinema demorou a compreender que não precisava recriar o impacto dos aviões para falar sobre o 11 de Setembro. Em muitos casos, as obras mais poderosas são aquelas que olham para o que aconteceu antes, para as ausências deixadas depois e para as decisões tomadas em nome de um medo que atravessou fronteiras e gerações.

Vinte e cinco anos depois, o 11 de Setembro ainda divide a história entre um antes e um depois. Esses filmes, séries e documentários não conseguem explicar completamente o inexplicável, mas ajudam a preservar as pessoas que estavam por trás das imagens e a entender como aquela manhã continua presente no mundo em que vivemos.

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