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Blue Moon: a atuação de Ethan Hawke que o Oscar não premiou e deveria

Entre silêncio e contenção, o filme transforma uma história real em um estudo delicado de presença, ausência e tudo o que fica no meio

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Em geral, filmes “pequenos”, os chamados “de Arte”, são populares entre críticos e nem tanto com o grande público. E é o caso aqui de Blue Moon, um filme que não ganhou o fôlego de um Hamnet, mas que desde a estreia no Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2025 era uma obra destinada ao Oscar.

Agora que está disponível no streaming (ainda sob aluguel), consegui revê-lo e confirmar minha primeira impressão: é uma pérola. Daquelas que não pedem atenção, mas acabam exigindo entrega.

E sim, eu mantenho o que disse desde o início. Em um ano competitivo, com nomes como Timothée Chalamet, Wagner Moura e Michael B. Jordan orbitando a disputa, o ator “roubado” foi Ethan Hawke. Ele, que ganhou o prêmio de Melhor Ator pelos Críticos, tem uma atuação histórica que não se impõe: se infiltra.

O que Hawke faz aqui é raro. E, justamente por isso, paradoxalmente é fácil de ignorar.

Um enredo que parece simples até deixar de ser

Blue Moon acompanha um recorte específico na vida de seu protagonista, inspirado em uma história real que muitos reconhecem, ainda que o filme não dependa desse reconhecimento para funcionar. Não há aqui a tentação de abarcar toda uma biografia, como tantos filmes do gênero insistem em fazer. Ao contrário, o roteiro escolhe um momento, quase um intervalo, e o expande.

É nesse recorte que tudo acontece.

O letrista Lorenz Hart, metade da histórica dupla Rodgers and Hart, em um momento muito específico — e profundamente simbólico — de sua vida, revisita seus sucessos e fracassos em um jantar após a estreia do musical Oklahoma!, obra que marca a consagração de seu parceiro, Richard Rodgers, ao lado de um novo letrista, Oscar Hammerstein II.

Hart, interpretado por Ethan Hawke, não está no palco. Está à margem.

O filme se passa quase inteiramente em um bar, onde ele observa, comenta, ironiza e tenta, à sua maneira, se manter presente em um mundo que claramente já seguiu em frente sem ele. Entre um drink e outro, entre encontros casuais e diálogos que oscilam entre o humor e a melancolia, o que se constrói é o retrato de um homem em suspensão.

A narrativa não se organiza por grandes acontecimentos, mas por pequenas fraturas.

Hart relembra sua parceria com Rodgers, revive sucessos que agora parecem pertencer a outra vida e, ao mesmo tempo, enfrenta a realidade de um deslocamento inevitável, artístico, pessoal e emocional. Há também o peso de suas próprias fragilidades: o alcoolismo, a sensação de inadequação, a dificuldade de se adaptar a um
novo momento da indústria e da própria Broadway.

O título não é casual.

“Blue Moon”, uma das canções mais conhecidas da dupla, ecoa como símbolo desse estado de espírito, algo entre a nostalgia e a impossibilidade de retorno.

E o filme entende que essa noite não é apenas uma noite.

É um encerramento.

O resultado é um filme que parece pequeno, e, aos poucos, se revela vasto.

A encenação: entre o cinema e o teatro

O aspecto abertamente teatral em Blue Moon não é um demérito. Ao contrário. A mise-en-scène aposta na contenção, em espaços delimitados, em diálogos que carregam mais do que dizem. Não é difícil imaginar o texto sendo encenado em um palco, sustentado pela força dos atores.

Mas o cinema está ali, o tempo todo, fazendo o que o teatro não pode.

A câmera se aproxima quando é preciso. Observa quando convém. E, sobretudo, respeita o silêncio.

Essa escolha formal não é apenas estética. Ela dialoga diretamente com o tema. Porque Blue Moon não é um filme sobre grandes acontecimentos, mas sobre aquilo que não se resolve. Sobre o que fica suspenso.

Ethan Hawke: intensidade sem excesso

É aqui que o filme se torna incontornável.

Ethan Hawke constrói uma atuação que recusa qualquer gesto óbvio. Não há explosões calculadas, nem momentos desenhados para “clipes de Oscar”. O que há é uma composição minuciosa, feita de pausas, hesitações e olhares que parecem sempre chegar um segundo atrasados.

É uma atuação de escuta.

E talvez seja isso que a torne tão potente e tão invisível para premiações que ainda operam, muitas vezes, sob a lógica do impacto imediato. Dizer que ele foi ignorado é simplificar. Ele foi ultrapassado por performances mais fáceis de serem reconhecidas como “grandes”, mas, nem sempre o que é grande tem o mesmo valor. Ficou a sensação de dívida.

Um biopic que respeita o que não pode ser explicado

Há algo ainda mais raro aqui. Blue Moon é, em essência, um biopic, mas não se comporta como tal.

Não há didatismo. Não há explicação excessiva. Não há aquela obsessão em traduzir uma vida inteira em duas horas. O filme entende que há zonas que não podem ser completamente acessadas e decide não abusar delas.

Para quem conhece a história real, esse respeito é evidente. O roteiro não apenas se mantém fiel aos acontecimentos, mas preserva o que há de mais difícil: a ambiguidade.

E é justamente essa ambiguidade que sustenta o filme.

Por que ver e rever

Há filmes que se esgotam na primeira exibição. Blue Moon não é um deles.

Em um tempo em que tudo parece precisar ser imediato, explicável e compartilhável, Blue Moon pede tempo. Pede atenção. Pede disposição para lidar com o que não se resolve.

E entrega, em troca, algo cada vez mais raro: um encontro verdadeiro entre ator, texto e espectador.

Nem sempre o Oscar reconhece isso.


Mas isso não muda o que está ali.

Felpuda

Quem está em palpos de aranha é o prefeito Nelson Cintra, de Porto Murtinho...Leia na coluna de hoje

Leia a coluna deste sábado (2) e domingo (3)

02/05/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Ismael Machado - poeta de MS

"Duas instâncias nos igualam na condição humana: a possibilidade de erro e a certeza da morte”

 

FELPUDA

Quem está em palpos de aranha é o prefeito Nelson Cintra, de Porto Murtinho. Uma aeronave, que seria de sua propriedade, foi flagrada fazendo acrobacias sobre e sob a ponte em construção da Rota Bioceânica. Vídeos das manobras, consideradas extremamente perigosas, foram postadas nas redes sociais. O deputado estadual José Orcírio (PT) oficiou a FAB, solicitando informações a respeito e pedindo providências. Chegou a falar até em cassação do prefeito e prometeu continuar fazendo barulho. Pode até ser...

DiálogoA segunda edição do Ateliê Ricoeur na América Latina vai acontecer entre os dias 19 e 22, na UFMS de Campo Grande e o evento é aberto a toda a comunidade universitária e sociedade em geral. Há duas formas de participação: a submissão de trabalhos científicos e a participação como ouvinte. As inscrições como ouvinte são gratuitas e podem ser feitas até o dia 18 na página do evento.

 

DiálogoO médico-veterinário e comunicador Osmar Pereira Bastos, foi eleito para a Academia Brasileira de Medicina Veterinária. 
Com mais de 40 anos de atuação, ele é um dos pioneiros do jornalismo agropecuário no Brasil e apresentador do programa “AgroEducativa”.

 

DiálogoLuciana Lima

Opostos

Em dois importantes momentos da recente história política do País, representantes de MS no Senado tiveram participação ativa, mas seguiram rumos diferentes. Na votação da indicação de Jorge Messias para o STF, Nelson Trad Filho e Tereza Cristina Correa da Costa Dias votaram contra, enquanto Soraya Thronicke votou favoravelmente. Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra Soraya desolada com o resultado.

Repeteco

Já para derrubada do veto de Lula ao projeto da Dosimetria (que reduz penas aos condenados dos atos de 8 de aneiro) Nelson Trad Filho e Tereza Cristina votaram a favor, enquanto Soraya Thronicke foi contra. Do trio, apenas Tereza Cristina não concorrerá nas eleições deste ano, enquanto as outras duas cadeiras estarão na disputa eleitoral. Tanto Nelson Trad Filho como Soraya devem disputar a reeleição.

Posse

A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande empossou, no dia 30 de abril, sua nova diretoria para o triênio 2026-2029. O empresário Omar Aukar assumiu a presidência, sucedendo Renato Paniago, que liderou a entidade desde 2020. Aukar já presidiu a ACICG entre 2012 e 2014 e foi vice-presidente de 2020 a 2026.

Aniversariantes

SÁBADO (2)
Mariana Zauith,
Simone Fraide,
Cilene Maria Elesbão Silva,
Victor Félix Álvarez Pineda,
Alziro Leite Reinoso,
Mauro Oliveira de Jesus,
Edite Tabordo,
João Batista Pereira dos Santos,
Guerino Tonelo Colnaghi,
Dr. Antônio João da Silveira Terra,
Cynthia da Silveira Fattor Lemos,
Luiz Guilherme de Noronha Neto,
Anderson da Silva Higa,
Victor Hugo Fretes Gomes,
Millena Chaves da Silva,
Elmio Leal Garcia,
Leandro da Costa Weber,
Vera Lucia Salviato Gorla,
José Luiz Toledo Volpe,
Miguel Farah Neto,
Kátia Regina Cação Tognini,
Dalva Pereira Terra,
João de Brito Torres,
Dr. Helton Elias de Arruda,
Wagner Simone Martins,
José Cândido da Silva,
Alexandre (Alê) Augusto Miranda Filho,
Suely Midori Otsubo Tanaka,
Dr. Osvaldo Benedito Ferreira,
José Alves Costa,
Arivaldo Romeiro,
Klei Ferreira de Jesus,
Edson José Pessoa Sandes,
Rhaisa de Mattos Iorio,
Angela de Cerqueira Caldas Correa,
Fabianny Carvalho,
Carlos Alberto Silveira Maia,
Flavio Luiz Ferreira Castelo,
Valdinéia Belarmino Siqueira,
Joaquim Rondon Pereira,
Maria Souza Araujo,
Nilene da Silva Coelho,
José Rodolfo Filho,
Marinerges Campos Pacheco,
Zita de Almeida,
Navile de Barros Filho,
Maria Helena Miranda Oliveira,
Ernesto de Souza Maia,
Lia Menezes Moncada,
Manoel de Oliveira Quintana,
Hilda Borba de Oliveira,
Rendrix Marcel Durães,
Pietra Coelho Lopez,
Antônio Martins de Moraes Gomes,
José Mário Amorim,
Mirtes Maria de Oliveira,
Cleonice Santana da Costa,
Juliana de Almeida Fava,
Célio Cruz de Lima,
Rosa Correa Marques,
Delcina Rosa Souza de Carvalho,
Juvenal de Farias,
Nilza Fonseca Dias,
Maria Sueli Mustafá Bornia,
Tereza Martins dos Santos,
Mayara Battaglin Maciel,
Ricardo Rojo,
Geraldo José Zamproni,
Georgiana Martins Barros,
Mara Silvia Zimmermann,
Veronica Szucs Puertas,
Elfo Satiro,
Thiago Kusunóki Ferachin,
Ranieri Luis Schneider,
Leandro Cação Barbosa,
Rosa Maria Wanback,
Waldir Benetti,
Leonildo Aneas Marinelli,
Vagner Alves Guirado,
Silmara Alves Rozo,
Guilherme Santos Träsel.

DOMINGO (3)
Marta Tannous,
Kleber Geleilate Dittmar,
Marcia Scarabel,
Ana Paula Franco,
Paula Camilla Maldonado,
Domingos Savio Pereira,
Luiz Alberto Ramalho Pedrosa,
Maria Idalina Martins Resstel,
Hélvio Miagui Higa,
Dr. Paulo César Branquinho,
Milton Roberto Becker,
Onofre Lopes da Silva,
Valdemir Almeida Monteiro,
Juarez Altair Mateus,
Luiz Toshiharu Mise,
José Luiz Maluf Braga,
Eleonor Sebben,
José Rivassi da Motta,
Marinalva de Jesus Batista,
Maura Teodoro Jajah,
Grimaldo Borges de Freitas,
Willian Gomes Frazão,
Paulo Sérgio da Silveira Lemos,
Patrícia Maria de Souza Medeiros Prestes,
Tamara Denise Soares Barbosa,
Rafael Alex Podin Neto,
Elizabeth Maria Machado Puccinelli,
Selma Queiroz Silva,
Flávio da Costa Britto Neto,
Delcindo Afonso Vilela Júnior,
Mauro Farias Insfran,
Vera Regina Dalcin Baur,
Rudi Carlos Aquino,
Maria Margareth Escobar Ribas Lima,
Flávio Roberto Godoy,
Ana Paula Sivieiro Leite,
Dejair Gomes,
Élber Stilten de Souza,
João Gomes,
Dr. Paulo Cesar Pereira,
Maria Ilsa Silva Ferreira,
João da Cruz Pacheco,
Jandira Ferro,
Marlene da Silva Alves,
José Carlos Gazal,
José Carlos Medeiros Rocha,
Arlete Pitthan,
Waldir Gonçalves,
Selma Pinto,
Renato Barbosa de Oliveira,
Jacira Maria Vilanova Maia,
Iranilda Rezende Lara,
Horácio Cardin dos Santos,
Claudia Fernandes Lima,
Dr. André Buainain,
Maria Eunice Barbosa,
Deine Garcia Azambuja,
Ana Lúcia Cerveira,
José Carlos Lopes,
Paulo Henrique Vieira,
Angela Maria Ramirez,
Inêz Loureiro,
Célia de Araujo,
Dirce Centurion da Silva,
Enio Luiz Gasparetto,
Josias de Souza Monteiro,
Amarildo Gelain,
João Cândido Abella Porto,
Ione Jussara de Mattos,
João Eduardo Fernando Ferrari,
Orlando Vicente Abate Sacchi,
Claudia Sampaio da Silva Dichoff,
Edirnalva Rodrigues Zorzenon,
Franco Maegaki Ono,
Maria José Gonçalves Balvedi,
Bruno Fernandes Baraldi,
Juliana Machado de Faria. 

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

Rio de janeiro

Shakira visita o Maracanã antes de show em Copacabana

Durante a visita, Shakira recebeu camisas do Flamengo e do Fluminense e agradeceu em português: "muito obrigada! Para os meus filhos"

01/05/2026 23h00

Reprodução Instagram @shakira

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 Na noite dessa quinta-feira, 30, a cantora Shakira fez uma visita ao estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, onde foi recebida pelo CEO da arena, Fred Nantes. A cantora colombiana está na cidade para se apresentar no show Todo Mundo No Rio 2026, marcado para este sábado, 2, na praia de Copacabana.

Durante a visita, Shakira recebeu camisas do Flamengo e do Fluminense e agradeceu em português: "muito obrigada! Para os meus filhos". Ela também autografou uma bola de futebol e uma camisa da Seleção Brasileira. O estádio celebrou o momento nas redes sociais: "Todo mundo no Maraca! E a Shakira também!"

A artista está hospedada no hotel Belmond Copacabana Palace e já demonstrou o carinho pelos fãs cariocas: durante a tarde, apareceu na sacada para acenar e mandar beijos, publicando depois um vídeo com a mensagem "amo vocês".

Vale lembrar que, ao longo do dia, imagens falsas geradas por inteligência artificial da cantora visitando pontos turísticos da cidade circularam pelas redes sociais - as fotos no Maracanã, no entanto, foram compartilhadas nos perfis do estádio.

O show de Shakira pode ser acompanhado ao vivo pela TV Globo, pelo Globoplay e pelo Multishow, a partir das 21h20.

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