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ECOTURISMO

Guia de 4 Dias em Bonito MS: explore o paraíso do ecoturismo

Descubra as melhores atrações, dicas de hospedagem, alimentação e atividades imperdíveis em Bonito, Mato Grosso do Sul

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Bonito MS, é conhecido por suas águas cristalinas, cavernas, cachoeiras e uma ampla variedade de atividades de ecoturismo. Aqui vai um roteiro de quatro dias para aproveitar o melhor que Bonito tem a oferecer.

Conhecida mundialmente por suas águas cristalinas, cavernas magníficas e uma biodiversidade rica, esta cidade é também um destino de férias; é um modelo pioneiro em preservação ambiental e responsabilidade turística.


Dia 1: Chegada e Reconhecimento

  • Chegada a Bonito: Conforme sua chegada, aproveite para se familiarizar com a cidade.
  • Praça da Liberdade: Passeie pela principal praça da cidade.
  • Noite: Jantar em um dos restaurantes locais, como o Casa do João, famoso por seu peixe.

Dia 2: Flutuação e Gruta do Lago Azul ou Gruta São Miguel

  • Rio da Prata: Faça a flutuação nas águas cristalinas do Rio da Prata, observando uma variedade incrível de peixes e a vegetação subaquática.
  • Almoço: Geralmente incluso no passeio do Rio da Prata.
  • Gruta do Lago Azul: Visite esta impressionante caverna com um lago azul profundo dentro. A luz solar incide sobre a água, criando um efeito visual deslumbrante.
  • Gruta São Miguel: Não possui nenhum lago em sua parte interna. Isso permite que toda a área da caverna esteja disponível para uma observação direta das impressionantes formações geológicas, sem a necessidade de equipamentos específicos para atividades aquáticas.

Noite: Descanso ou explore mais da gastronomia local.

 

Dia 3: Cachoeiras e Aventura

  • Parque das Cachoeiras: Passe o dia explorando várias cachoeiras e piscinas naturais. O passeio inclui trilhas pela mata e paradas para banho.
  • Almoço: Almoço no parque ou piquenique.
  • Bóia-cross no Rio Formoso: Uma sessão de bóia-cross no Rio Formoso é uma maneira emocionante de encerrar o dia.
  • Noite: Jantar e relaxar.

Dia 4: Ecoturismo e Partida

  • Projeto Jibóia: Uma apresentação educativa sobre serpentes, ideal para entender mais sobre a fauna local.
  • Balneário Municipal: Ultimas horas em Bonito nas águas calmas do Balneário Municipal, onde você pode nadar e relaxar.
  • Partida: Conforme sua saída, você pode almoçar em Bonito antes de seguir viagem.

Dicas:

  • Reservas: Faça reservas antecipadas para todas as atividades, pois Bonito é um destino muito procurado, especialmente durante a alta temporada.
  • Equipamento: Leve roupa de banho, protetor solar, repelente e um bom tênis para trilhas.
  • Transporte: Considere alugar um carro para maior flexibilidade nos deslocamentos, pois muitos pontos turísticos são fora da cidade.
  • Chegue cedo para garantir um bom lugar.

Como chegar: 

1. Via Aérea

  • Aeroporto de Bonito (BYO): Bonito possui um pequeno aeroporto que recebe voos principalmente de São Paulo e Campinas. As operações não são diárias, então é essencial verificar a disponibilidade conforme a temporada e a companhia aérea.
  • Aeroporto Internacional de Campo Grande (CGR): É a principal porta de entrada para quem visita Bonito. Campo Grande está a aproximadamente 300 km de Bonito. Após chegar a Campo Grande, você pode seguir para Bonito de carro ou ônibus.

2. Via Terrestre

  • De carro: se você prefere uma viagem mais flexível, alugar um carro é uma boa escolha. A viagem de Campo Grande até Bonito leva cerca de 4 a 5 horas, passando por rodovias como a BR-060 e a MS-382, que estão em boas condições de tráfego.
  • Ônibus: Existem serviços regulares de ônibus de Campo Grande para Bonito. A viagem de ônibus pode levar cerca de 5 a 6 horas. As empresas de ônibus que fazem este trajeto inclui a Viação Cruzeiro do Sul e outras operadoras regionais.

3. Dicas para a Viagem

  • Reservas: Se optar por voar diretamente para Bonito, é recomendável reservar seus voos com bastante antecedência, especialmente durante a alta temporada.
  • Aluguel de carro: ter um carro à disposição em Bonito é muito vantajoso, pois muitas das atrações naturais são dispersas e não há muitas opções de transporte público local.
  • Verificação das rotas: se decidir dirigir, sempre verifique as condições das estradas, especialmente em períodos chuvosos, pois algumas rotas podem apresentar desafios.

Quando ir a Bonito

O melhor período para visitar Bonito, Mato Grosso do Sul, depende principalmente do tipo de experiência que você deseja ter e das atividades que pretende realizar. Aqui estão os detalhes sobre os diferentes períodos do ano para planejar sua viagem:

1. Alta Temporada (Dezembro a março)

  • Características: Este é o período de férias de verão no Brasil e também coincide com a temporada de chuvas em Bonito.
  • Vantagens: A vegetação está mais verde e as cachoeiras, mais volumosas devido às chuvas. É uma ótima época para quem quer ver a natureza em sua plenitude.
  • Considerações: Como é alta temporada, os preços podem ser mais altos e os locais mais lotados, especialmente durante feriados.

2. Temporada de Seca (Abril a outubro)

  • Características: O período mais seco do ano é ideal para quem deseja aproveitar atividades aquáticas, como a flutuação nos rios cristalinos, pois a visibilidade da água é maior.
  • Vantagens: Menos chuvas significam mais dias ensolarados, ideal para atividades ao ar livre. Além disso, a visibilidade nas águas é excelente, o que é perfeito para snorkeling e mergulho.
  • Considerações: Embora seja temporada seca, os meses de julho e agosto podem ser bastante movimentados devido às férias escolares.

3. Meia Temporada (Novembro e maio)

  • Características: São meses de transição entre as estações, com menos turistas e condições climáticas mistas.
  • Vantagens: Menos movimento nos pontos turísticos e preços geralmente mais acessíveis em hospedagem e passeios.
  • Considerações: O clima pode ser um pouco imprevisível, com possibilidade de chuvas, mas geralmente são períodos com bom tempo para visitação.

Dicas para a Viagem

  • Reservas: Independentemente da época do ano, é aconselhável fazer reservas de passeios e hospedagens com antecedência, especialmente se você planeja visitar durante a alta temporada ou feriados.
  • Equipamento: Não esqueça de levar roupas apropriadas para atividades ao ar livre e aquáticas, assim como proteção solar e repelente de insetos.

Onde se hospedar em Bonito - MS

Em Bonito, Mato Grosso do Sul, há várias opções de hospedagem que atendem a diferentes gostos e orçamentos. Aqui estão algumas sugestões de lugares para se hospedar, que variam desde pousadas aconchegantes até resorts mais luxuosos:

1. Hotel Pousada Águas de Bonito

  • Descrição: Uma das opções mais aclamadas da região, oferece uma infraestrutura completa com piscina, spa e um excelente restaurante.
  • Indicado para: famílias e casais que procuram conforto e tranquilidade em meio à natureza.
Hotel Pousada águas de BonitoEscreva a legenda aqui

Hotel Pousada Surucuá - Reprodução

 

2. Zagaia Eco-Resort

  • Descrição: Um resort mais luxuoso que oferece várias atividades de lazer, como golfe, tênis e piscinas. Também possui um spa e áreas dedicadas para crianças.
  • Indicado para: Quem busca uma experiência de hospedagem mais exclusiva e completa.
Zagaia Eco ResortZagaia Eco Resort - Reprodução

3. CLH Suíte Bonito

  • Descrição: Parte da rede Che Lagarto, conhecida por seus hostels na América do Sul, oferece conforto a um preço acessível, com opções de quartos privativos e compartilhados.
  • Indicado para: viajantes individuais ou grupos de amigos em busca de uma hospedagem econômica.

CLH suíte Bonito

Reprodução - Instagram

 

Dicas para Escolher a Hospedagem

  • Localização: Considere a localização da hospedagem em relação às atrações que você planeja visitar. Algumas pousadas estão mais próximas do centro, enquanto outras oferecem um retiro mais isolado na natureza.
  • Serviços: Verifique os serviços oferecidos, como Wi-Fi, café da manhã e transporte para os pontos turísticos.
  • Avaliações: Leia as avaliações de outros hóspedes para entender melhor a qualidade do serviço e das instalações.

Dicas Gastronômicas em Bonito-MS

Bonito, Mato Grosso do Sul, oferece uma variedade de opções gastronômicas que refletem tanto a culinária local quanto influências de outras regiões do Brasil. Aqui estão algumas sugestões de lugares e tipos de comida que você pode experimentar durante sua visita:

1. Casa do João

  • Especialidade: Peixes, principalmente o pacu, um peixe típico da região do Pantanal.
  • Ambiente: O restaurante tem uma decoração rústica e oferece uma atmosfera acolhedora, perfeita para famílias e grupos grandes.

 

2. Juanita Restaurante

  • Especialidade: Comida típica brasileira com um toque gourmet. Não deixe de experimentar o escondidinho de carne seca.
  • Ambiente: Colorido e animado, é ideal para quem busca uma experiência mais vibrante.

3. Taboa Bar

  • Especialidade: Além de ser um bar, o Taboa fabrica a própria cachaça artesanal. Experimente os diferentes coquetéis feitos com ingredientes locais.
  • Ambiente: O local é conhecido por sua decoração artística e música ao vivo, atraindo um público jovem e turistas.

Dicas Gastronômicas Extras

  • Experimente os peixes locais: O pacu e a piraputanga são dois peixes que você deve experimentar em Bonito.
  • Prove a cachaça local: A cachaça é uma bebida tradicional brasileira, e em Bonito, você pode experimentar algumas das melhores cachaças artesanais.
  • Sobremesas: Não deixe de provar sobremesas que utilizam frutas locais, como o doce de bocaiuva.

Matéria atualizada em 30 de julho de 2024, às 12h.

 
 

CHANEL

Ovelha pet tem vida de luxo com direito a babá, vestidos e passeio no shopping

Animal foi rejeitado pela mãe quando nasceu e hoje vive vida de "princesa" com sua família humana

04/03/2026 12h05

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas MARCELO VICTOR

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Chanel, ovelha pet, nasceu no “berço de ouro”, vive como princesa e, possui várias regalias que um ser humano comum não tem acesso.

Mimada, o animal é de estimação e mora com sua tutora em um condomínio localizado em Campo Grande (MS).

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasOvelha Chanel e sua dona, a empresária Milaine Marçal. Foto: Marcelo Victor

Geralmente, ovelhas vivem em áreas rurais, fazendas, chácaras, ranchos e pastos. Mas, Chanel é diferenciada: domesticada, vive em casa e é considerada membro da família, como se fosse a filha caçula de Milaine Marçal, sua tutora.

Princesa da mamãe e “filha” mais nova, tem uma vida de luxo inalcançável para muitos humanos:

  • passeia no shopping
  • passeia no rancho três vezes na semana
  • tem babá para cuidar dela, fazer companhia, trocar a fralda e dar comida e água
  • tem costureira particular
  • toma banho no petshop toda semana
  • possui vestidos personalizados, sob medida, de várias cores e estilos
  • dorme em uma cama confortável e quentinha
  • dorme oito horas de sono por noite
  • tira soneca durante o dia
  • tem alimentação balanceada
  • recebe água e comida na hora certa
  • possui milhares de seguidores no Instagram
Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel adora tirar uma soneca no sofá a tarde. Foto: Marcelo Victor

Chanel é privilegiada e tem a vida que muitas pessoas trabalham duro anos e anos para conquistar.

Tudo começou quando Milaine sentiu o desejo em seu coração de ter uma cabra. Com isso, pesquisou como era o comportamento do bicho e viu que não seria viável e, então, perceberam que uma ovelha seria melhor. Em seguida, estava decidida em comprar o animal.

Logo soube da história de Chanel, que foi rejeitada e abandonada pela mãe quando nasceu e quase morreu largada no pasto sozinha. Com isso, pegou a ovelha para criar e, até então, para morar no rancho com as outras ovelhas.

Mas, pegou carinho e afeto pelo animal e o levou para morar em sua casa, junto com sua família. Ela teve que se readaptar: antes, morava em um apartamento e teve que se mudar para uma casa, por conta da chegada da ovelha.

“Já estava combinado que iria ficar no rancho, a gente iria pagar a estadia dela no rancho assim como fazemos com os nosso cavalos, e iríamos visitar ela lá com frequência, mas quem diz que consegui? Me apeguei a ela e não consigo mais viver sem ela”, contou a tutora.

Hoje, após ser rejeitada pela mãe, vive uma vida de "dondoca" com tudo do bom e do melhor com sua família humana.

OVELHA CHANEL

A ovelha é da raça Santa Inês, tem 4 meses de vida e 20 quilos. Sua expectativa de vida é de 12 anos e pode

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel vestida de Branca de Neve para o Carnaval 2026. Foto: Marcelo Victor

chegar até 40 quilos.

Se alimenta de feno, alfafa peletizada, ração para ovinos e água. Quando era recém-nascida, tomava 1,5 litro de leite, por dia, na mamadeira.

Usa fralda geriátrica e troca pelo menos 10 vezes por dia. Ela tem babá, que dá água/comida e faz companhia, pois a ovelha não gosta de ficar sozinha.

De acordo com sua dona, os gastos de Chanel giram em torno de R$ 2 mil por mês.

Sua rotina é acordar às 6h, comer, tomar água, trocar a fralda, levar a “irmã” para a escola, almoçar, tirar uma soneca a tarde, passear pelo condomínio, jantar e dormir.

Toma banho no petshop toda quarta-feira e sua tutora ainda manda o lanchinho para não passar fome durante seu momento de beleza.

Passeia todos os dias no condomínio em que mora e vai para o rancho três vezes por semana, onde interage com outras ovelhas, pasta e se diverte.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel tem um armário só de vestidos e acessórios. Foto: Marcelo Victor

Frequenta shoppings, onde vai toda estilosa, com vestidinhos, óculos, colares e tiaras.

Chanel faz sucesso e para o shopping: várias pessoas ficam encantadas e querem tirar fotos com ela. O passeio rende vários cliques e vídeos.

Ela espalha fofura e conquista o coração de todos por onde passa: além de ser refinada, a ovelha ainda é dócil, simpática e possui vários fãs. Inclusive, já ganhou vários mimos (óculos e colar) durante os passeios no shopping.

Ela tem uma costureira particular, que faz seus vestidos temáticos, personalizados e sob medida, para cada evento que vai. Por exemplo, no Carnaval, vestiu uma fantasia de Branca de Neve. Em um evento country, foi de vestidinho xadrez acompanhada da dona.

Possui 2 mil seguidores no Instagram (@ovelhachanelcg). Sua tutora garante que nunca usou a imagem dela para parcerias ou publicidade.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel de fralda. Foto: Naiara Camargo

Mila, sua tutora, passou por algumas fases difíceis em sua vida e Chanel se tornou o apoio emocional dela. Ela tem laudos psicológicos que garantem que a ovelha contribui para seu bem-estar e suporte emocional.

De acordo com a empresária, Milaine Marçal, até hoje, nenhuma pessoa se queixou ou se incomodou com a presença da ovelha no condomínio, shoppings ou lugares públicos.

“Pessoal sempre recebe ela super bem, com o maior amor. Todos ficam admirados, acham diferente uma ovelha de estimação e querem tirar foto com ela. Quando ela vai no shopping, ela para o shopping. Todo mundo quer pegar, abraçar, fazer carinho e tirar fotos”, disse.

Chanel convive com uma gatinha em sua casa. As duas se dão bem juntas e até brincam uma com a outra.

* Fotos: Marcelo Victor 

LITERATURA

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança o livro de poemas "Como se Voassem os Peixes"

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança livro de poesias nascido na pandemia, com poemas que transitam entre o lúdico e o social, apostando na liberdade do leitor e na força da imaginação

04/03/2026 10h30

Divulgação

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Em meio à angústia coletiva provocada pela pandemia de Covid-19, enquanto o mundo aprendia a conviver com o isolamento e a incerteza, o procurador do Estado Carlo Fabrizio encontrava na poesia uma forma de atravessar o tempo suspenso.

O que começou como exercício em cursos de escrita criativa, iniciados em 2021, transformou-se, aos poucos, no livro “Como se Voassem os Peixes”, que será lançado amanhã, em Campo Grande, em evento organizado pela Editora Hámor.

“Ele foi sendo construído aos poucos, desde 2021. Essencialmente, foi um resultado dos cursos de poesia e de prosa que fiz durante a pandemia e que mantenho até hoje. Na verdade, foi uma resposta íntima à angústia que a pandemia me causou”, afirma o autor.

A obra nasce, portanto, de um tempo histórico específico, mas não se limita a ele. O livro reúne poemas que transitam entre o social e o subjetivo, entre o lúdico e o crítico, entre o sonho e o incômodo, sempre apostando na potência da palavra como experiência sensível.

METÁFORA

O título “Como se Voassem os Peixes” carrega uma imagem que provoca estranhamento e curiosidade. A escolha não foi imediata. Segundo Carlo, inicialmente, tanto o livro quanto o poema que o inspirou tinham outro nome. A mudança ocorreu durante o processo editorial.

“Foi baseado na primeira poesia de temática infantojuvenil que fiz. Tanto o título como a poesia são uma brincadeira com os sonhos de uma criança para seu futuro”, explica.

A imagem do peixe que voa desloca o leitor da lógica habitual. Peixes não voam, ao menos não na realidade cotidiana, mas na poesia, sim. E é justamente nesse deslocamento que o livro parece encontrar uma de suas chaves: a liberdade de imaginar o impossível como possibilidade simbólica.

TEMÁTICA

Os temas que atravessam a obra são variados. Há poemas com viés social, de tom mais crítico e até cínico. Em outros momentos, o autor mergulha em reflexões íntimas, transformando pensamentos e sensações em versos. Também há espaço para o lúdico, especialmente nas poesias de temática infantil e nos haicais.

“Às vezes, têm uma temática social, de viés mais crítico e cínico, às vezes, simplesmente são pensamentos em forma de poesia, sobre o que penso e sinto, mas também tem alguma coisa de lúdico”, resume Carlo.

Essa pluralidade temática reflete uma compreensão ampla da poesia como campo aberto, não restrito a uma única estética ou preocupação. O livro não se fecha em um manifesto, tampouco se limita a um único tom emocional. Ele oscila, provoca e acolhe.

Entre os textos que compõem o livro, dois foram especialmente desafiadores. Ambos abordam temas sensíveis: a tortura e o Holocausto.

Tratar de dores históricas e traumas coletivos em poesia exige equilíbrio entre respeito, sensibilidade e densidade estética.

O desafio, nesse caso, não é apenas técnico, mas ético. Ao abordar esses assuntos, o autor amplia o escopo do livro, que não se restringe à intimidade do eu lírico, mas também dialoga com a memória e a violência inscritas na história.

UMA BIOGRAFIA FICCIONAL

Carlo Fabrizio, procurador do Estado e autor de “Como se Voassem os Peixes” - Foto: Divulgação

Questionado se a obra é autobiográfica, ficcional ou híbrida, Carlo responde com cautela. “Toda escrita tem algo de biográfico, seja do próprio autor, do que ele experienciou, seja da vida em si, da vida de outras pessoas ou de situações observadas”, reflete.

No livro, há poemas que assumem explicitamente esse tom mais pessoal. Ainda assim, o autor evita rotular a obra. A poesia, nesse sentido, funciona como território de atravessamentos, onde vivências, memórias, leituras e imaginação se misturam em um mesmo fluxo criativo.

ESTRANHAMENTO

O incômodo e o prazer convivem na mesma expectativa. A literatura, especialmente a poesia, não precisa ser confortável. Ela pode provocar fissuras, deslocar certezas, tensionar percepções. Ao mesmo tempo, pode oferecer beleza, ritmo, musicalidade e emoção.

Não há, segundo o autor, uma mensagem fechada ou moral explícita. “Creio que na poesia o mais importante é apostar no leitor, confiar nele e na sua liberdade de interpretar”. A obra, assim, se completa na leitura, na experiência singular de cada pessoa que a percorre.

“Gostaria que gerasse reflexão, algum estranhamento e incômodo em algumas poesias, e também o prazer de ler algo que de alguma forma toque o sentimento do leitor”.

A ESCRITA

Conciliar a produção literária com a rotina como procurador do Estado não foi tarefa simples para Carlo. O cotidiano jurídico, marcado por prazos e responsabilidades, exige concentração e energia.

“Às vezes fica complicado, pois no dia a dia é muito difícil ter um espaço de tranquilidade para pensar a poesia. Geralmente preciso de um ambiente sossegado”, relata o autor.

A solução foi encontrar brechas no tempo: escrever à noite, durante a semana, e nas manhãs de sábado e domingo. A disciplina, nesse caso, tornou-se aliada da sensibilidade.

Embora a dedicação sistemática à poesia seja recente – cerca de cinco anos –, o envolvimento com a literatura se intensificou com os cursos realizados durante a pandemia. O livro marca, assim, uma nova fase na trajetória do autor, que passou a se dedicar de forma mais metódica à escrita poética.

As referências literárias de Carlo são múltiplas e revelam um diálogo amplo com diferentes tradições. Entre os autores que o influenciam estão os chamados “poetas malditos” franceses, como Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire e Antonin Artaud, além de clássicos como Lord Byron e Walt Whitman.

Na literatura brasileira, ele cita nomes como Augusto dos Anjos, Sousândrade, Hilda Hilst, Cecilia Meireles, Manoel de Barros e os irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos.

“Em estilo e conteúdo, os autores e autoras que leio me influenciam bastante”, reconhece Carlo.

A diversidade de influências ajuda a compreender a amplitude temática e formal do livro, que não se prende a uma única vertente estética.

Uma das perguntas mais difíceis para qualquer escritor é saber quando a obra está pronta. Para Carlo, a sensação é de permanente inacabamento.

“Há sempre algo para melhorar. Mas chega uma hora que a gente é vencido pelo cansaço: ou publica, ou arquiva e não mexe mais”, afirma.

O processo de revisão foi, segundo ele, o maior desafio da produção: um trabalho minucioso realizado em conjunto com os editores, ajustando versos, ritmos e escolhas vocabulares.

A experiência profissional também atravessa, de alguma forma, a escrita. Para o autor, toda vivência contribui para a formação do olhar. “O essencial para escrever é, primeiro, observar e viver o mundo”, destaca.

Ele enxerga, inclusive, pontos de contato entre Direito e literatura. Embora o Direito esteja fundado em dogmas e respostas, há espaço para interpretação e criatividade, elementos que também são centrais na literatura.

Ainda assim, a poesia ocupa um território mais livre. “A literatura, e principalmente a poesia, é o campo da imaginação, do sonho, da fantasia e da liberdade, onde a cor tem cheiro e uma palavra não é somente uma palavra, ela contém o mundo. Devemos ir além do literal”, pontua Carlo. A escrita e a leitura funcionam, segundo ele, como “remédio contra a aspereza do cotidiano”.

LANÇAMENTO

O lançamento de “Como se Voassem os Peixes” será marcado por um bate-papo com o público, leitura de poemas e sessão de autógrafos. A conversa será mediada por Febraro de Oliveira, editor da Hámor, e por Oslei Bega.

A proposta é criar um espaço de diálogo aberto, em que os leitores possam compartilhar impressões e perguntas, prolongando em voz alta a experiência silenciosa da leitura.

>> Serviço

Lançamento de “Como se Voassem os Peixes”

Data: amanhã.
Horário: às 18h.
Local: Rua Amazonas, nº 1.080, Monte Castelo.

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