Correio B

REPRESENTANTE LOCAL

Campo-grandense faz vaquinha para representar MS em 11° encontro internacional

De 31 deste mês até 2 de novembro, em Recife (PE), "Cores Femininas" chega a sua décima primeira edição com tema' Nenhuma a Menos', em combate ao aumento da violência de gênero

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Surpreendida pelo e-mail da organização do evento Cores Femininas, que acontece entre os dias 31 deste mês e 2 de novembro em Pernambuco, a artista campo-grandense com mais de uma década de história profissional formada em artes visuais pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Erika Pedraza, busca custear sua ida até Recife para compôr a 11ª edição do evento que neste ano traz o tema: Nenhuma a Menos. 

Esse evento recebe artistas nacionais e de fora do Brasil e chega já em sua 11ª primeira edição, abordando o tema de combate ao aumento da violência de gênero no Brasil e na América Latina, que não está distante da cruel realidade sul-mato-grossense. Somente até meados de setembro, MS já havia registrado 27 feminicídios em seu território. 

Reprodução/Acervo Pessoal

Apesar de anos de luta e resistência, até os dias de hoje os acessos ainda costumam ser mais dificultados para figuras femininas na sociedade, desde movimentos históricos que remontam os ideais impulsionados pela Revolução Francesa e o Iluminismo ainda no século 18.

Também as manifestações sociais mais contemporâneas, como o próprio grafite e demais pilares do hip hop, não deixam de evidenciar a reivindicação por diminuição das desigualdades entre povos e/ou classes.

Sobre isso, ao Correio B Pedraza destacou a importância de estar em um evento exclusivamente focado na expressão artística feminina, que chega em sua 11ª edição, o que segundo ela demonstra uma enorme resistência do movimento em manter-se diante das imposições sociais que tentam dizer principalmente às mulheres onde elas devem, ou não, estar.

“Pernambuco tem um índice alto de violência contra mulher e eventos como esse promovem união feminina e o combate à violência, quando instruem as meninas a se defenderem, a denunciar”, comenta. 

Conforme a artista campo-grandense que busca chegar ao evento em Recife, essa união se demonstra por meio justamente da escuta e do diálogo com demais mulheres e meninas, tendo em vista que, por exemplo, logo no primeiro dia de Cores Femininas é realizada uma roda de conversa e palestra dentro de uma Unidade Educacional de Internação (Unei) feminina local, além do show que encerra o último dia, feira de economia criativa, slam e mais, como bem frisa Erika.

DA CAPITAL ATÉ RECIFE

Contemplando mutirões de graffiti, música, dança, poesia, performances, oficinas, shows e ações coletivas e colaborativas, o evento disponibiliza para artistas hospedagem coletiva, alimentação, transporte para os locais de atividades, materiais básicos de pintura para uso coletivo e até área kids para mães e suas crias em algumas atividades.

Distante pouco mais de três mil quilômetros de seus destino, Pedraza precisa justamente chegar até o 11° Cores Femininas, evento que é aberto também para rappers, poetas, dancers, DJs, MCs, performers, educadoras, produtoras culturais e mais. Para não cansar em três dias de viagem, ela precisa juntar aproximadamente R$ 2,7 mil para custear a passagem.

“Está aí, na minha cara e estou passando para pedir ajuda para vocês para pagar a passagem, eles dão hospedagem e materiais, então preciso de R$ 2,7 mil. É longe, seriam quase três dias de viagem, então preciso ir de avião para não chegar muito cansada lá, e pelo menos a passagem de ida seria maravilhoso”, comenta ela. 

Professora com pós-graduação em Artes Regionais; em História da Arte Brasileira e também em Arte na Educação Infantil, a artista indica que despertou sua identidade e consciência ao integrar o Coletivo de Mulheres Negras de Mato Grosso do Sul Raimunda Luzia de Brito.

Reprodução/Acervo Pessoal

Ela viu sua arte representar cada vez mais o protesto e o empoderamento negro, em um verdadeiro trabalho de representação e responsabilidade social, com uma forte valorização da estética da mulher negra, justamente pelas dificuldades que são impostas para essa parcela da sociedade que representa quase 30% da população brasileira. 

“Um intercâmbio desses com certeza me abrirá portas, nosso MS não valoriza e não fortalece artistas de rua. Acredito firmemente que estar em ambiente diferente daqui me abrirá a mente e criará novas pontes e contatos importantes para mim e para minha carreira, além de conhecer um estado que nunca fui”, cita ela ao Correio do Estado. 

A artista, que tem seus trabalhos espalhados pela cidade, viu recentemente um edital inabilitar 100% dos seus inscritos, destacando sua visão no que diz respeito ao incentivo da arte campo-grandense, que deveria ser exemplo de como é o olhar do poder público na Capital.

Essa concorrência em questão voltava R$ 120 mil para dois projetos de muralismo, lançado no dia 28 de agosto pela Fundação Municipal de Cultura (Fundac) da capital sul-mato-grossense, envolvendo recursos da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab), que vêm até a Cidade Morena por meio do Ministério da Cultura.

“Falta mais investimento, este edital inabilitou 17 artistas com motivos genéricos, sem um parecer individual. Tentamos dialogar com a Fundac e levamos a assinatura da maioria dos artistas, cobrando mais respeito e transparência. Manchetes sensacionalistas não refletem a realidade de artistas profissionais da nossa cidade”, diz. 

Ela reforça o apelo para representar MS em Pernambuco. “Minha caminhada envolve militância negra e coletiva. Criei diversos coletivos, sendo o coletivo Enegrecer o mais atuante. Sou produtora, artista, arte-educadora e mãe atípica. Estou na luta por um destaque maior do que ja tenho, tentando evoluir sempre. Quero muito conseguir ir no evento no qual fui a única seleciona de MS”.

Para isso, ela disponibiliza o número de Pix para vaquinha (67992431669) que pode ser encontrado no perfil @nega_pedraza_ no Instagram.

 

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AUDIOVISUAL

Suspense rural que aborda roubo de gado, "Amoitado" estreia em festival

Primeira exibição pública do curta-metragem que aborda a situação de abigeato, bastante comum em Mato Grosso do Sul, acontecerá durante o 3º Festival Curta Campo Grande no dia 30

18/10/2026 18h00

 Produzido em Campo Grande,

Produzido em Campo Grande, "Amoitado" é um drama de suspense rural integralmente filmado na Capital, entre os dias 26 e 31 de janeiro deste ano.  Foto: Henrique Kawaminami _ Holofote Estúdio

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Com sessão aberta ao público no dia 30, o curta-metragem “Amoitoado”, que aborda a situação de abigeato – bastante comum em Mato Grosso do Sul –, terá sua primeira exibição pública no 3º Festival Curta Campo Grande, e será realizada a partir das 20h na Associação Cultural Teatro do Mundo, que fica localizada na Rua Barão de Melgaço, nº 177, no Centro de Campo Grande.

Nesta terceira edição o festival reúne 61 filmes selecionados, que estão distribuídos entre quatro mostras competitivas: curtas MS, Brasil, Doc e Panorama Internacional, realizado entre os dias 26 e 31.

A seleção coloca o filme entre as que disputam a programação competitiva do festival, com “Amoitado”, o último filme da sessão em que está programado. Antes dele, outros quatro curtas serão exibidos, trazendo para o público uma visão sobre a prática de abigeato, que é o de roubo de gado, crime tão comum em Mato Grosso do Sul. Tanto que, desde 2021 o Estado conta com uma unidade de Delegacia Especializada de Combate a Crimes Rurais e Abigeato (Deleagro).

Produzido em Campo Grande, “Amoitado” é um drama de suspense rural roteirizado e dirigido por Tero Queiroz, com codireção de Aly Freitas, e integralmente filmado na Capital, entre os dias 26 e 31 de janeiro deste ano. 

Essas gravações foram realizadas majoritariamente durante a noite, envolvendo 52 cenas distribuídas em 22 páginas de roteiro. O curta empregou diretamente cerca de 40 profissionais do audiovisual.

Na direção, Tero tem mais experiência do que Aly, que atua principalmente na produção audiovisual. A codiretora acompanhou a escrita do roteiro desde 2022 e considera a estreia no festival um momento importante para o projeto.

“Então, eu estava bem por dentro do processo de criação desse filme. E ver ele hoje indo para a tela e estreando no Curta Campo Grande, que é um festival que está acontecendo aqui, na nossa casa, em Mato Grosso do Sul, para o público daqui, é muito importante e é muito gratificante também”, afirmou.

Aly também destacou sua contribuição para a construção do filme. “Acho que meu papel enquanto codiretora mulher para esse filme vem ao encontro com essa sensibilidade que o roteiro pede. É uma história muito dura, de muita tensão. As pessoas estão tensas o tempo todo nesse roteiro. E aí eu acho que consigo contribuir com meu olhar para trazer um pouco mais de sensibilidade e transformar cenas que seriam muito duras em algo mais respirável e bonito de compreender”, avaliou. 

Fica técnica

Direção: Tero Queiroz; 
Codireção: Aly Freitas; 
Produção executiva: Juliana Morais; 
Produção de captação: Plural Cine; 
Produção geral/elenco: Thalita Rebello
Elenco: (Carlos) Douglas Caetano; (Coxim) Renato Passos; (Duca) Espedito Di Montebranco; (Klaubo) Leandro Faria Lelo; (Mascado) Guilherme Godoy; (Mascado criança) Vinícius Lima; (Nathan) Arthur Benites; (peão 2) André Luís; (Tonhão)
Carlos Eduardo Lotfi; (Tena)
Mariana Castro; (Mãe) Sueli De Jesus Santana; (pai) Anderson Lima Farin; (criança); Henryl Chavier; (Irã) Lourenço Vilarim; (Melina) Fânia Martins; 
Assistente de produção: Daniel Prestes; 
Assistente de direção: Fernando Feitosa; 
Direção de fotografia: Rodrigo Rezende, Deivison Pedrê; 
1º assistente de Câmera: João Pelosi; Gaffers: 
Gabriel Lima, Emerson Santos; 
Direção De Arte: Paulo Taveira;
Figurino: Dayane Pedra;
Maquiagem e caracterização:
Suellen Martines;
Direção de áudio: Marcelo D’ávila;
Microfonista: Laura Cristina;
Fotografia still: Henrique Kawaminami; Holofote Estúdio;
Design do cartaz:
Wesley P. M. Junior;
Montagem:
Dimitre Lucho;
Edição de som, desenho sonoro e finalização de áudio: Diego Techera;
Vfx; 
Finalização e cor: Benedito Estúdio;
Colorista: Dimitre Lucho

 

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CONQUISTA

Artista leva obra de MS para 20ª edição do Carrousel du Louvre

Fabricio Alencar foi selecionado por uma curadoria internacional e, entre os dias 24 e 25, levará a arte e a identidade de Mato Grosso do Sul para Paris, no "coração da arte mundial"

18/10/2026 16h30

"Psyche", acrílico sobre tela, foi feita com técnica mista Reprodução/Acervo pessoal

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Artista plástico, diretor de arte, ilustrador e designer, Fabricio Alencar foi selecionado por uma curadoria internacional e, entre os dias 24 e 25, levará a arte e a identidade de Mato Grosso do Sul para a 20ª edição do evento realizado no icônico Carrousel du Louvre, em Paris. 

A trajetória de Alencar é marcada por produções que transitam entre a arte contemporânea, o design e a ilustração. O artista afirma que seu trabalho é uma busca pela união da técnica com a sensibilidade, o que lhe permite criar obras que expressem “cor, movimento e poesia visual”.

A impressionante “Psyche” de Fabricio Alencar foi selecionada por Patricia Evangelista, curadora do estúdio de arte privado Sfumato Art Studio, localizado no norte de Londres, no Reino Unido. O artista descreve que essa obra apresenta um retrato cru e pulsante da dualidade humana. 

Questionado pelo Correio do Estado, Fabricio Alencar afirma que a escolha de sua obra representa uma “fratura no eixo” quanto à visibilidade da arte que é produzida em Mato Grosso do Sul. “Por décadas a arte sul-mato-grossense foi tratada como arte de borda, quase um folclore para ser consumido”, comentou.

O trabalho de Alencar passa pelas mais diversas técnicas. O artista acumula obras feitas em pintura acrílica, aquarela e até mesmo transita pelo mundo da arte digital. Criador da Galerie Arts, Alencar faz questão de destacar que explora diversas linguagens com um olhar “autoral e vibrante”.

“Psyche”, que apresenta um estilo contemporâneo moderno, trabalha justamente uma técnica mista com acrílico sobre tela. “Uma jornada visual que explora as complexidades da mente e do psiquismo humano, agora sob os holofotes de um dos espaços de arte mais emblemáticos de Paris, o Carrousel du Louvre”, disse.
Alencar levará essa pulsante junção de cores, emoções e profundidade introspectiva para, segundo ele, o “coração da arte mundial”, uma conquista que ele considera ser não apenas sua, “mas de toda a arte contemporânea brasileira”. 

Classificando-a como uma vitória da paixão, da persistência e de uma visão única, o artista comenta justamente o ponto em que encontra a arte regional. Isso porque há tempos as produções sul-mato-grossenses carregam esse “estigma” de algo “selvagem” e “exótico”, o que muitas vezes traz dificuldades para produtores locais alcançarem até mesmo os grandes centros que são encarados como “polos artísticos” nacionais. 

Ao Correio do Estado, Fabrico Alencar assume que a proposta de “Psyche” é justamente ir além desse contexto exótico regional. “Ela tem o aprofundamento da psique humana, do autoconhecimento com o reflexo no comportamento externo, e quando tudo isso nos leva a ver e crer que estamos em sintonia, ligados uns aos outros”, declarou.

Por meio da empresa Galerie Arts, voltada à venda de quadros decorativos, artísticos e autorais, o artista compartilha sua arte de forma acessível e com uma curadoria pessoal, mas reforça que suas obras já integraram exposições e projetos visuais, sendo sua vida dedicada a transformar “emoções em imagens que conectam, inspiram e despertam sentimentos”.

Autor de séries exclusivas, como a aclamada “Passarada” em aquarela, por exemplo, ele mesmo já se deixou inundar por essa conexão com a natureza e as emoções humanas, que são fortemente alimentadas pelas características regionais. Alencar é também responsável pela coleção “Haras”, que evidencia a beleza e a elegância dos cavalos.

A própria natureza humana e até sacra já foram inspiração para ele, como as obras clássicas e contemporâneas criadas com tinta acrílica, tinta a óleo e também aquarela que compõem a série “Sagrados”. Entre essas, destacam-se obras como “Sagrado Coração de Jesus”, “O Homem”, “O Peregrino”, “O Verbo em Carne” e “Sagrado Coração de Maria”. 

Nestes mais diversos retratos de Jesus e outros personagens bíblicos, o artista combina a tradição da fé cristã com uma linguagem visual moderna e cheia de emoção. As obras, criadas em acrílico e óleo sobre tela, além de delicadas aquarelas sobre papel, buscam transmitir uma profunda espiritualidade, explorando a luz e os símbolos da fé cristã.

Para a obra escolhida para a 20ª edição do evento realizado no icônico Carrousel du Louvre, em Paris, o artista evidencia que o caminho que procurou foi outro. “Busquei me diferenciar do que fiz. Busquei uma linha mais introspectiva, me mantendo contemporâneo”, conclui Fabricio Alencar.

 

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