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Capa B+: Entrevista exclusiva com a atriz Gabriela Duarte

Primeiro monólogo da atriz está em cartaz em São Paulo com direção de Alessandra Maestrini e Denise Stoklos que combina Teatro Essencial e novos conceitos estéticos.

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A atriz Gabriela Duarte assume um novo desafio no teatro com o espetáculo O papel de parede amarelo e EU, seu primeiro solo, sob a direção de Alessandra Maestrini (que também já foi Capa do Correio B+) e Denise Stoklos. A peça está em cartaz no Teatro Estúdio, nos Campos Elíseos, até 1º de junho.

A montagem é inspirada no livro O Papel de Parede Amarelo. Publicado em 1892, o conto de Charlotte Perkins Gilman (1860-1935) é considerado um marco da literatura feminista por abordar temas como o controle sobre o corpo feminino e saúde mental, que permanecem atuais.

A narrativa retrata a história de uma mulher confinada em um quarto pelo marido, que desenvolve uma obsessão pelo papel de parede. No entanto, a peça vai além do conto de Gilman e traz o posicionamento da própria Gabriela como mulher.

O espetáculo é um manifesto, dizem Alessandra e Denise, e vai além do aprisionamento da personagem. “Todos sonhamos com o desligamento das questões opressivas que o texto traz de formas metafóricas, mas que nós conhecemos em diferentes níveis na sociedade atual. É um espetáculo muito contemporâneo”, explicam.

Uma outra Gabriela 

A atriz vinha gestando a ideia de fazer um monólogo há três anos. “Eu queria fazer algo em que eu pudesse falar um pouco de mim e da minha busca por identidade”, conta. Gabriela se apaixonou pelo conto, que descreve como “extremamente simples, objetivo, lúdico e político”. E encontrou nele características que vão ao encontro do que ela queria comunicar. “Eu acho que quando uma mulher fala de si, ela acaba falando de todas. E é aí que o tema se amplia”.

Para a atriz, esta não é uma conversa só de mulheres, mas uma oportunidade de abrir o diálogo e convidar os homens para a reflexão. A peça é política “na medida certa”, ela conta, com toques de ternura e poesia.

Depois de quase 40 anos de profissão, o desejo de explorar caminhos que ainda não foram percorridos vem “naturalmente”, diz. “O público conhece a Gabriela da TV que fez muitas mocinhas, muito drama, o que eu agradeço. Agora eu quero explorar novas possibilidades e que as pessoas possam ver a Gabriela que também consegue se divertir”, conta.

Neste processo, a atriz também explora seu lado cômico. Para ela, encontrar a leveza em um tema tão denso é uma das forças da peça. “Acho tão poderoso você saber como rir de situações muito difíceis. A Alessandra tem trazido essa visão para os ensaios. Não diria que é um riso de humor escancarado, mas sim um riso consciente, de constatação, de perceber que as coisas podem mudar”, conta Gabriela”.

Duas diretoras, uma direção 

Alessandra Maestrini e Denise Stoklos assinam a direção juntas, num processo em que uma complementa a outra. Alessandra acompanha o trabalho de Denise há 30 anos; sua direção se identifica com o Teatro Essencial, linguagem teatral criada por Denise e que valoriza a expressividade do ator por meio do corpo, voz e mente, com o mínimo de recursos externos possível.

Segundo Denise, Alessandra tem um "olhar muito agudo", um ritmo rápido de direção e uma escuta bastante diferenciada. Ela emprega os conceitos do Teatro Essencial de forma inovadora e acrescentadora, nos melhores sentidos.

A parceria Maestrini e Stoklos traz ao público, além do mergulho nas diversas camadas do texto e da performance, um novo conceito estético, que brota do limiar entre a instalação, a performance, a dança e o teatro.

Gabriela é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre cerreira, trabalhos e sua estreia em seu primeiro monólogo.

A atriz Gabriela Duarte é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Edson Lopes Jr - Diagramação: Denis Felipe - Por Flávia Viana

CE - Como surgiu a ideia de fazer uma peça sozinha depois de 40 anos de carreira? E como tem sido a experiência?
GD -
 A ideia surgiu há cerca de três anos, pois eu queria fazer algo em que eu pudesse falar um pouco de mim e da minha busca por identidade. Explorar novas possibilidades. A peça saiu do livro, desse conto literário que a gente conhece, da Charlotte Perkins Gilman, para começar a ser construída com essas duas diretoras, a Alessandra Maestrini e a Denise Stoklos. E a experiência não poderia ser mais rica e mais divertida. Estou muito leve e feliz.

CE - A peça “O papel de parede amarelo” tem uma temática feminista, fala do controle sobre o corpo feminino e saúde mental.  Levar ao palco esses assuntos já trouxe algum reflexo na sua vida?
GD -
O texto conversa muito com meu momento de falar sobre como nós nos vemos e nos colocamos no mundo. Tudo tem culminado para falar de quem nós somos como mães, mulheres e profissionais. E se teve reflexos na minha vida, eu sinto que sim. Na verdade, eu acho que eu tenho ficado mais alerta nessa questão a respeito de mim mesma.

Acho que a menopausa também me trouxe para um lugar de mais atenção — mais alerta mesmo — com relação à minha saúde mental, ao meu corpo e, acho, ao mundo também. O mundo talvez esteja indo pra um lugar que a gente não conhece, e isso faz parte da evolução, enfim, não sei...

Mas, às vezes, esses caminhos podem levar a lugares mais perigosos. E aí, não é que a gente tenha que achar que está tudo horrível, que tudo está perdido — não é isso. Mas é importante ter cautela. Ficar alerta com o que está acontecendo, com a situação da mulher, com as crianças e adolescentes com relação à internet.

Na verdade, acho que saí um pouco da minha bolha. Muita gente está nela também, essa ideia de “vamos viver a vida, ter nossas relações e tal”. Só que essa bolha, de certa forma, me tirava um pouco da realidade do mundo. E acho que é importante que a gente saiba olhar para isso e sentir isso nesse momento, ficar alerta mesmo.

CE - Como tem sido ser dirigida por dois nomes como Alessandra Maestrini e Denise Stocklos? 
GD - 
Tem sido uma experiência enriquecedora. A Alessandra traz uma visão cômica e leve, ajudando-me a encontrar humor mesmo em temas densos.

Já a Denise, com sua abordagem do Teatro Essencial, enfatiza a expressividade do ator com recursos mínimos. Essa combinação me desafia a explorar novas facetas da minha atuação, equilibrando profundidade e leveza.

CE - Aliás, como você avalia sua trajetória? E o que espera para os próximo 40 anos?
E por falar em idade, fazer 50 anos te assustou? Como você lida com o envelhecimento?
GD -
 Eu me sinto com a consciência bem tranquila. Claro que isso envolve os trabalhos e escolhas que fiz, participei, vivi, e também os que não fiz, não vivi, não fui chamada pra fazer. Essa é uma profissão em que nem sempre conseguimos realizar tudo que gostaríamos. Mas o que fiz me preencheu profundamente - como mulher, atriz, ser humano. Por isso posso dizer, com serenidade, que minha trajetória foi muito positiva.

Comecei sem saber ao certo se queria ser atriz. Gostava desse universo, não era uma coisa que eu estava decidida. Eu comecei e tive a chance de ir experimentando.  Minha primeira novela foi Top Model, ainda muito jovem, num elenco com outros adolescentes.

Talvez tenha sido esse espírito de “brincadeira séria” que me fisgou. Aos poucos fui percebendo que era aquilo mesmo. E aí veio o compromisso. Fui atrás de formação, estudei fora, aproveitei cada oportunidade com paixão e intensidade. Eu acho que isso contribuiu para eu falar “olha que brincadeira legal”. Quero isso para mim.

Então, o envelhecimento não me assusta. Assustar talvez nem seja a palavra. Tem coisas que lamento, sim. Outras que adoro. É uma questão de ponto de vista. Já passei por uma fase um pouco mais chata, que foi a chegada da menopausa.

E passou, ou está passando, enfim, não sei, e acho que o bom da vida é estar vivo. O contrário disso é ruim, né? Então, eu estou feliz de estar prosseguindo nas minhas coisas, agora estar fazendo uma peça que me desafia, isso é muito importante neste momento da minha vida. Então, acho que está tudo bem, graças a Deus.

A atriz Gabriela Duarte é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Edson Lopes Jr - Diagramação: Denis Felipe - Por Flávia Viana - Na foto com as diretoras:  Alessandra Maestrini e Denise Stoklos

CE - Gabriela Duarte pode ser vista em diversos trabalhos no Globoplay. Você se reassiste? 
GD -
Não costumo me assistir.

CE - Depois de tanto tempo, essas novelas ainda fazem um sucesso estrondoso. Na sua opinião a que se atribuí esse sucesso?
GD -
Algumas novelas reprisam muito, como Por Amor. Nossa, como é reprisada essa novela! E não é só aqui no Brasil, né? Eu tenho visto, acompanhado pessoas que me dizem que essa novela reprisa todos os anos na Rússia, por exemplo. E em outros lugares do mundo, como a República Dominicana…Enfim, eu fui uma vez pro Marrocos e fui reconhecida. Nunca imaginei! Gente, eu não entendia o que as pessoas estavam me olhando lá do outro lado do mundo, praticamente — e era por causa de Por Amor.

Então é uma novela que realmente tem uma importância na teledramaturgia. É uma novela que tem muita importância, que reprisa muitas vezes. Eu acho o máximo, acho muito legal que a novela seja tão vista e que as pessoas gostem dela em todos os lugares por onde passa.

CE - Como é que a gente vai imaginar que uma cultura como a da Rússia, do Marrocos, vai se identificar? Porque é uma novela que fala muito sobre humanidade. É muito humana, né?
GD -
Eu acho que a maturidade traz isso também. A gente vai amadurecendo, vai tendo mais paciência, mais carinho pelos jovens. Eu mesma. Mas é isso.

Eu gosto da Eduarda. Acho a Eduarda uma personagem muito rica, que obviamente eu poderia ter aproveitado mais… Mas eu era muito jovem, tinha 21 anos. Então eu fiz o que dava pra fazer naquele momento. Tenho muito orgulho da Eduarda, muito mesmo. Ela me colocou em lugares muito legais, muito importantes na minha carreira.

Foto: Priscila Prade

CE - O que você acha desse mercado que se abriu com os canais por streaming que estão produzindo séries e novelas?
GD -
 Eu acho uma maravilha que o mercado esteja se abrindo da forma como ele está. É muito importante para os atores em geral, né? Muito difícil quando o mercado fica muito monopolizado, muito fechado, numa só emissora, duas ou três, enfim. Então essa abertura nesse mercado da dramaturgia, de novelas, como Beleza Fatal, séries, eu acho maravilhoso. Eu sou uma grande fã de séries, eu sou aquela que se deixar eu fico deitada em casa só assistindo Netflix, ou qualquer outro streaming ao fim de semana inteiro.  Hoje eu sou dessas, eu adoro.

Eu acho muito bacana, e tenho visto coisas muito legais, que eu estou apaixonada, tanto as polêmicas, como as não tão conhecidas do público, às vezes as mais antigas, que eu vou lá mexer e revejo, que eu também gosto... Enfim... acho incrível, eu acho que para o ator... esse é o nosso mercado, né... no audiovisual, o cinema, claro, também, e o teatro! Não só para os atores , existe um numero imenso de profissionais envolvidos no audiovisual.

O teatro é aquele negócio que você vê a pessoa ao vivo ali, eu amo, eu amo esse contato com o público, eu amo essa energia, e quero realmente que as pessoas venham ao teatro, porque... o teatro pode ser muito transformador, e eu acho que essa peça que eu estou fazendo, Papel de Parede de Amarelo, e EU, ela tem esse poder de transformação. Então venham, venham, eu vou gostar muito de encontrar vocês no teatro. No teatro, sem dúvida.

CE - Você escreveu sua biografia. Quando ela será lançada? Como foi revisitar memórias para coloca-las na obra?
GD -
Ainda não tenho a data para lançamento, mas será esse ano. Revisitar minhas memórias foi como abrir um velho baú de fotografias, algumas imagens trazem sorrisos nostálgicos, outras, reflexões profundas. Foi um processo de autodescoberta, onde cada lembrança revelou um pedaço do quebra-cabeça que forma quem sou hoje.

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada...Leia a coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (25)

25/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Millôr Fernandes - escritor brasileiro

"Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala”.

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada fiscalização que realiza e posta em suas redes sociais, torna-se alvo de saraivada de ataques, inclusive dos seus colegas da Câmara Municipal de Dourados. Persistente, ela anda se desviando das minas espalhadas em cada órgão público que visita para constatar se os serviços estão indo ao encontro do que a população quer. Ela verifica, inclusive, o que teria sido varrido para debaixo do tapete. A realidade, dizem, é que há aqueles que desejam tirá-la do páreo de voos mais altos. Vai saber...

Diálogo

Eclético

O deputado Paulo Duarte está buscando novo rumo e, assim, deve deixar o PSB para se filiar, ao que tudo indica, no PSDB. O parlamentar tem trajetória partidária um tanto quanto extensa em sua vida política. Ele foi filiado ao PT.

Mais

E, inclusive, integrou o “núcleo duro” da administração petista em MS. Saiu do PT em 2016 e migrou para o PDT. Mas não durou muito, pois logo mudou de sigla, filiando-se ao MDB. Posteriormente, buscou abrigo no PSB e agora consta que estaria indo para o PSDB. Ufa!

DiálogoDr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo

 

DiálogoFlávia Ceretta

Eu juro!

O governador Eduardo Riedel jurou por todos os santos e arcanjos que não conversou sobre política com Lula, quando ele esteve em Campo Grande. Disse que o diálogo entre eles foi sobre, em suas palavras, “investimentos no Estado; falei para ele a respeito da rota bioceânica, da necessidade de manter o aporte para o acesso; conversamos do êxito da concessão, que foi uma delegação de parte das rodovias federais, e também de projetos que estão na Casa Civil e devem ser enviados ao Senado para aprovação da CAE, aqueles 200 milhões de dólares, que temos 50 de contrapartida”. Então, tá...

Palanque

A ministra Simone Tebet bateu o martelo com Lula e trocará MDB, seu partido por três décadas, pelo PSB, cuja figura mais ilustre é o vice-presidente Alckmin. Ela disputará uma das vagas ao Senado, mas por São Paulo, estado com maior colégio eleitoral do País, para “fazer palanque” para o lulismo. Em sua trajetória política em Mato Grosso do Sul foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora.

Recuo

Com a reta final da janela partidária e algumas definições para composição de chapas e, até mesmo, interesse de alçar outros voos, políticos decidiram fazer análise mais detidamente do cenário eleitoral. Assim, já se verifica certa disposição de algumas pré-candidaturas serem mantidas. Uma delas seria a da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL). Ela teria cogitado até se filiar ao Novo para disputar o Senado. Porém...

Aniversariantes

Elaine Batista de Oliveira,
Alfredo Zamlutti Júnior,
Lauane Braz Andrekowiski Volpe Camargo,
Vilmar Vendramin,
Andréa Elizabeth Ojeda,
Clelia Casanobas Pereira,
Ilda Vilalba Lima,
Aline de Oliveira Silva,
Cicero Pucci,
Antônio Fernandes Teixeira,
Constantinos Mastroyannis,
Goro Shiota,
Izaura Saad do Amaral,
José Aparecido Miguel,
Luis Adolar Camargo Kieling,
Paulo Ricardo Sbardelote,
Darci Rocha Rodovalho,
Elcimar Serafim de Souza,
Marizeth de Faria Molina,
Eva Lefreve,
Miguel Cherbakian Primo,
Amaury D’Anunzio de Miranda Leal,
Eduardo Orsi Abdul Ahad,
Dra. Janete Lima Miguel,
Dr. Sidney Valieri,
Pércio de Andrade Filho,
Ana Carolina Correia,
Adelino Augusto Arakaki Martins,
Maria Neusa de Souza,
Thomaz Lipparelli,
Cristiane Iguma Câmara,
Bertildes Oliveira de Abreu,
Rose Mary Monteiro,
Joaquim Alcides Carrijo,
Luis Antonio de Oliveira,
Wagner Dagoberto Baptista,
Osmar Marques do Amaral,
Aparecido Camazano Alamino,
Alceu Roque Rech,
Zely Vieira Recalde,
Antônio Vladimir Furine,
Hélio Aldo dos Santos,
Magdalena Ferraz Baís,
Roseny Rodrigues Nogueira,
Maria Pereira Motta,
Leôncio de Souza Brito Filho,
Dr. Carlos Benigno Tokarski,
Nilza Maria Coutinho,
Maria Helena Pinheiro,
Zulmira de Freitas,
Nilton Nantes Coelho,
Arialú Paula Nogueira,
José Ernesto de Souza Faria,
Gabriel Meudau Lemos,
Marilda Coelho Lima,
Otávio Otaviano da Silva Pereira,
Maria Emília da Silva,
Pedro Paulo Gentil,
Dirceu Teixeira Nogueira,
Mirna Gonçalves,
Geraldo Carvalho Corrêa,
Nilson Arantes,
Altagno Sandin Bacarje,
Dilma Alvarenga da Silva,
Agenor de Figueiredo,
Fábio da Costa Rondon,
Maria Aparecida Barros de Moura,
Lodemir Cânepa Penajo,
Carlos Augusto Melke,
Taís Oliveira Pena,
Cristina de Melo Hamana,
Assis Alves Pimenta,
Allan Kardec Victor Hugo dos Santos,
Juliene Aparecida da Silva Gomes,
Wanir Maria Gasparetto da Silva,
Edilson Carlos Araujo de Oliveira,
Dayselene de Lara,
Anuncia Gimenes Ayala,
Antonio da Silva,
José Mário Facioli,
Gustavo Kiotoshi Shiota,
Everton Santos Garcia,
Edmilson Amaral da Rosa,
Carlos Uechi,
José Antonio Amaral Camargo,
Milton de Souza Leite,
Rodrigo Fernandes Ramos,
Silvia Aparecida da Silva Rocha,
Eloisa Fernandes dos Santos,
Ademir Gonçalves da Silva,
Thamara Silva Dauzacker Furlan,
Andreia Gomes Gusman,
Guilherme Coppi,
Rubens José Franco Cozza,
Silvania Gobi Monteiro Fernandes,
Márcio José da Cruz Martins,
Cenise Fatima do Vale Montini Jonson,
Dianary Carvalho Borges,
Carlos Eduardo Tedesco Silva,
Douglas Tiago Campos,
Katiussia Ribeiro Vieira,
Nelma Ortolan Franzim,
Sara Rosane Barcelos Moreira,
Luciane de Araújo Martins,
Everton Armôa Martos,
Humberto Dauber,
Carlos Henrique Suzuki,
Vicente Martins,
Quirino Areco

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

COMPORTAMENTO E SOCIEDADE

Sociedade Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros se sentem felizes

Levantamento da Ipsos mostra crescimento nos níveis de bem-estar, com destaque para relações pessoais, saúde e espiritualidade como pilares da felicidade entre brasileiros

24/03/2026 08h00

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil Freepik

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Os brasileiros estão mais felizes atualmente do que estavam há um ano. É o que revela o Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede a percepção de felicidade em 29 países e aponta um avanço significativo nos níveis de satisfação da população.

No Brasil, 80% dos entrevistados afirmam estar felizes ou muito felizes (um crescimento de dois pontos porcentuais em relação a 2025), colocando o País entre os mais satisfeitos do mundo, na sétima posição do ranking internacional.

O levantamento mostra que 28% dos brasileiros se consideram muito felizes e 52% felizes. Enquanto 15% dizem não estar muito felizes e apenas 5% afirmam não estar felizes de forma alguma. Os números brasileiros superam a média global, que registra 74% de pessoas felizes, sendo 18% muito felizes.

O cenário nacional acompanha uma tendência internacional: em 25 dos 29 países pesquisados, os níveis de felicidade aumentaram em comparação ao ano anterior.

Apenas três países registraram queda. O dado indica uma melhora generalizada na percepção de bem-estar, possivelmente influenciada por fatores como maior estabilidade econômica e recuperação social após períodos de crise.

Os dados do levantamento revelam uma compreensão mais ampla sobre o que significa ser feliz. No Brasil, essa percepção está fortemente associada a vínculos afetivos, saúde e propósito de vida – elementos que, mesmo diante de desafios econômicos, sustentam níveis elevados de satisfação.

Ao mesmo tempo, o estudo evidencia que a felicidade não é distribuída de forma uniforme e pode variar de acordo com fatores como idade, renda e contexto social.

MOTOR DA FELICIDADE

No Brasil, a felicidade tem raízes profundas nas relações humanas e no bem-estar emocional. O principal fator apontado pelos entrevistados é o sentimento de ser amado ou valorizado, citado por 34%. Em seguida, aparecem a saúde física e mental (31%) e o relacionamento com a família e os filhos (29%).

Esses resultados mostram que, mais do que condições materiais, são os vínculos afetivos e a qualidade de vida que sustentam a sensação de felicidade entre os brasileiros.

A tendência também se repete globalmente: sentir-se apreciado e ter boas relações familiares aparecem como os principais motores da felicidade em diversos países.

Outro ponto de destaque é o papel da espiritualidade. No Brasil, 22% dos entrevistados apontam a fé ou a vida espiritual como um fator relevante para a felicidade – mais que o dobro da média global, que é de 10%.

O dado reforça uma característica cultural marcante do País, onde a religiosidade segue sendo um elemento importante na construção do bem-estar.

Além disso, fatores como perceber que a vida tem sentido e ter controle sobre a própria trajetória também aparecem entre os elementos que contribuem para a felicidade, indicando uma combinação entre aspectos emocionais, sociais e subjetivos.

DIFERENÇAS ENTRE GÊNEROS

A pesquisa também revela nuances importantes quando se observa o recorte por gênero. Entre os brasileiros que se dizem muito felizes, os homens aparecem em maior proporção (29%) em comparação às mulheres (26%).

No entanto, quando se trata do grupo que se declara feliz, as mulheres lideram, com 54%, frente a 50% dos homens.

Os dados sugerem que, embora os níveis gerais de felicidade sejam semelhantes entre os gêneros, a intensidade dessa percepção pode variar. Ainda assim, a soma total de pessoas satisfeitas com a vida se mantém elevada em ambos os grupos.

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no BrasilEspiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik

VARIAÇÃO AO LONGO DA VIDA

O estudo também analisa como a felicidade muda com a idade – e os resultados mostram um padrão curioso. A satisfação com a vida tende a ser alta na juventude, sofre uma queda por volta dos 50 anos e volta a crescer nas décadas seguintes, atingindo seu pico após os 70 anos.

Globalmente, pessoas com mais de 70 anos apresentam os maiores níveis de felicidade, enquanto aquelas na faixa dos 50 anos estão entre as menos satisfeitas.

No Brasil, a faixa etária entre 50 e 74 anos concentra o maior índice de felicidade, com 82% das pessoas se declarando felizes ou muito felizes. O dado indica que, apesar de desafios comuns à meia-idade, como questões profissionais ou financeiras, há uma retomada significativa do bem-estar com o avanço da idade.

Por outro lado, a geração Z – formada por jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 – é a que apresenta o maior porcentual de pessoas que se dizem nada felizes, embora esse número ainda seja relativamente baixo, de 6%.

UM DOS MAIS FELIZES

No ranking global, o Brasil aparece entre os países com maior índice de felicidade. As primeiras posições são ocupadas por Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). Com 80% da população feliz, o Brasil figura logo atrás, consolidando-se como um dos países mais satisfeitos entre os pesquisados.

A trajetória também é positiva no longo prazo. Desde 2011, o índice de felicidade no Brasil aumentou três pontos porcentuais, contrariando uma tendência de queda observada em alguns países ao longo dos anos.

Esse crescimento indica que, apesar de desafios econômicos e sociais, a percepção de bem-estar no País tem se mantido resiliente, sustentada principalmente por fatores não materiais.

DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE, MAS AJUDA

Se por um lado a felicidade está ligada a aspectos emocionais e relacionais, a infelicidade tem uma origem mais concreta. No Brasil, a situação financeira é o principal fator de insatisfação, citado por 54% dos entrevistados.

Na sequência, aparecem a saúde mental e o bem-estar (37%) e as condições de moradia (27%). O padrão é semelhante ao observado globalmente, em que a situação financeira também lidera como principal causa de infelicidade, com 57% das menções.

O impacto das finanças é transversal e atinge todas as gerações. Entre os baby boomers, 68% apontam esse fator como a principal causa de infelicidade. O índice cai para 62% na geração X e para 49% entre millennials e geração Z, mas ainda se mantém como o principal motivo em todos os grupos.

A pesquisa também evidencia uma relação direta entre renda e felicidade. Pessoas com maior poder aquisitivo tendem a ser mais felizes (79%) do que aquelas com renda mais baixa (67%), o que reforça a importância das condições materiais na qualidade de vida.

Apesar do peso das finanças na infelicidade, a percepção sobre a economia apresentou melhora este ano. Em 18 dos 29 países analisados, mais pessoas passaram a acreditar que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior.

Essa mudança pode ter contribuído para o aumento geral da felicidade, visto que reduz a insegurança e melhora as expectativas em relação ao futuro.

O estudo sugere que, embora fatores econômicos não sejam os principais responsáveis pela felicidade, eles exercem forte influência quando se trata de insatisfação, especialmente em contextos de instabilidade.

METODOLOGIA

O Ipsos Happiness Report 2026 foi realizado entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, com a participação de 23.268 adultos em 29 países. As entrevistas foram conduzidas por meio de plataformas on-line, com exceção da Índia, onde parte da coleta foi feita presencialmente.

No Brasil, a amostra contou com cerca de mil entrevistados, com margem de erro estimada em 3,5 pontos porcentuais. Os dados foram ajustados para refletir o perfil demográfico da população adulta, com base nos censos mais recentes.

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