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Capa B+: Entrevista exclusiva com a eterna campeã mundial do vôlei brasileiro Virna Dias

A atleta que o tempo não aposentou... A eterna camisa 10 do vôlei brasileiro redescobre o prazer de estar em forma, por dentro e por fora. Virna Dias inspira mulheres a se reinventarem com leveza, coragem e equilíbrio.

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Virna é o retrato de uma geração de mulheres que não aceita mais rótulos ou limites. Se reinventa depois dos 40,50, 60, conquistando seu próprio pódio. Aos 54 anos, Virna Dias continua em movimento. O corpo segue forte, o sorriso é o mesmo das quadras, mas agora carrega uma serenidade nova, a de quem entendeu que o tempo não é o fim, e sim o recomeço de uma mulher inteira.

"É do meu DNA me reinventar. A atleta de alta performance se aposentou, mas a mulher continua em evolução. Hoje me sinto linda, viva, curiosa e pronta para viver muita coisa ainda." Mas esta ainda é uma conquista a ser alcançada por muitas outras mulheres. Pesquisas recentes mostram um cenário desafiador ao longo da maturidade feminina: mais de 30% relatam sintomas de ansiedade, insônia ou desmotivação, e boa parte sente dificuldade em se reinventar após os 50.

Em uma fase marcada por transformações hormonais, familiares e profissionais, muitas ainda convivem com o peso do etarismo e da cobrança estética. Virna fala desse lugar com autoridade e empatia. Para ela, o movimento é a cura mais poderosa. A atividade física, diz, não é sobre performance, é sobre presença. É o que mantém o corpo ativo, a mente serena e o coração pulsando no compasso certo. "O corpo é o nosso primeiro lar. Se eu cuido dele, cuido de tudo o que amo."

A menina ousada que trocou a festa de 15 anos por uma passagem só de ida ao Rio de Janeiro para apostar em sua carreira como jogadora de vôlei, continua a mesma: destemida, inquieta e apaixonada por desafios. Nascida e criada em Natal e filha de um engenheiro e de uma Miss Brasil Objetiva, Virna cresceu entre disciplina, afeto e ousadia. Enfrentou seus medos ao se tornar mãe aos 18. Encarou de frente a sensação de culpa ao viver a maternidade de 3 filhos sempre trabalhando.

Dona de medalhas relevantes no esporte e também na vida, mãe de Vitor, de 34 anos, de Pedro (14) , e Maria, de 12; comemora sua nova fase como avó de uma menina de 11 meses: "Ser avó me ensinou o valor dos afetos e do tempo presente. Ver minha neta sorrir me lembra que cada papel novo é uma chance de recomeçar. A maternidade foi minha melhor superação e reinvenção. Hoje descubro uma Virna mais inteira, que se permite limites, que ama com presença, que cuida de si para poder cuidar dos outros."

Além do corpo, da mente e dos afetos, Virna também destaca a importância de uma vida equilibrada financeiramente para mulheres maduras. "Muitas colegas minhas, mesmo depois de uma carreira vitoriosa, enfrentam dificuldades por não terem planejado o futuro. Também me reinvento diariamente com disciplina financeira: sou empresária, palestrante e comentarista. Cuidar da saúde financeira é tão importante quanto cuidar do corpo e da mente", encerra Virna.

Virna é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre carreira, escolhas, transformações, maternidade e o poder de se reinventar.

Virna Dias é a Capa exclusiva do Correio B+ - Foto: Lennon Silva - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você sempre foi uma mulher de movimento. Em que momento percebeu que o "fim" da carreira de atleta era, na verdade, o começo de uma nova fase?
Virna:
Eu sempre fui uma mulher em movimento, muito proativa, sempre gostei de me reinventar. O fim da minha carreira coincidiu com uma gravidez eu tinha problema de saúde, de trompas e de útero e engravidei. Eu tive que parar de jogar porque já tinha 39 anos e não ia colocar em risco a gravidez. Foi um pós-carreira não programado, mas, coincidentemente, me reinventei. Após o nascimento do Pedro, virei comentarista de vôlei e já entrei nesse momento em que começava essa vida de ex-atleta e comentarista. Também me reinventei sendo palestrante.

CE - O que significa, pra você, "ser uma atleta da vida"? Há algo do espírito esportivo que você leva pra tudo o que faz hoje?
Virna:
A vida de um atleta é muito regrada, muito sacrificante. Você abre mão de vida social, muitas vezes da família. Mas o legado que o esporte deixa os valores, as experiências, as frustrações, aprender a ganhar e a perder, se reinventar eu levo tudo isso pra minha vida. O esporte me deu resiliência, resistência, vontade de superar, vontade de me reinventar. No esporte não existe replay: ou você faz, ou você faz. Isso tem sido muito bacana pra mim.

CE - O que te inspira atualmente e o que ainda te desafia?
Virna:
O que me inspira e me desafia é o dia a dia. Eu sempre quero ser a melhor mãe, a melhor amiga, a melhor empresária. Sou virginiana, tenho um signo altamente perfeccionista. Sou uma pessoa que tem o olhar do mundo da bondade, da generosidade e da perfeição. Sempre quero poder inspirar as pessoas e levar a melhor mensagem de vida, a melhor motivação. Gosto de ler muitos livros motivacionais e de entender a mente humana.

CE - Você fala muito sobre envelhecer com leveza, vaidade e equilíbrio. O que mudou na sua relação com o corpo e com a beleza depois dos 50?
Virna:
Eu sou uma pessoa muito vaidosa e curto muito a minha idade. A beleza depois dos 50 é saber envelhecer e se amar. Sempre fui muito vaidosa isso vem da minha mãe, que sempre foi muito bonita e vaidosa. Acho que, quando a gente encontra esse equilíbrio, a vaidade sem exagero, a boa alimentação, a qualidade de vida e o descanso, tudo flui. A gente é o que come, o que fala. Tenho a cultura do esporte muito forte, me cuido bastante: faço exercícios físicos todos os dias, musculação duas vezes por semana, pilates, adoro fazer massagem, ir ao cabeleireiro, hidratar o cabelo e cuidar da mente com meditação. Sou muito religiosa.

Antigamente, eu via uma mulher de 50 anos e achava velha a referência que eu tinha era da minha avó, nordestina, que fazia crochê. Hoje, me vejo com 50, cheia de saúde, vitalidade e prazer de viver. Me lido muito bem com o etarismo. Acho que a gente tem que aceitar a idade e curtir as limitações. Me acho gata, linda, me curto, tenho autoestima elevada e aceito muito bem minhas rugas. Curto viver e tenho uma sede de viver muito grande.

CE - A sociedade ainda é dura com mulheres maduras, especialmente em relação à aparência. Como você lida com o etarismo e com essa pressão estética?
Virna:
Eu lido muito bem com isso. Acho que o esporte me beneficiou muito. Meu corpo é mais jovem que o de muitas mulheres da minha idade por causa da prática esportiva, mas o mais importante é o equilíbrio. Eu aceito minhas rugas, o tempo de descanso que preciso, e sigo me cuidando e me amando.

CE - Se pudesse dar um conselho para mulheres que têm medo de envelhecer, qual seria o primeiro passo para encarar essa fase com prazer e não com medo?
Virna:
Acho que a gente não tem que ter medo de envelhecer a gente tem que ter prazer de viver. Temos que trocar essa palavra "medo" por "prazer". Passamos por tantas dificuldades, até uma pandemia, e se estamos aqui hoje, temos que usufruir da melhor forma e levar mensagens de otimismo e autoestima pra essa mulherada. Elas têm que se aceitar como são, mas sempre cuidando da saúde, que pra mim é primordial.

CE - Você foi mãe muito jovem e agora vive a experiência de ser avó. Como essas duas maternidades a da juventude e a da maturidade te transformaram?
Virna:
Eu fui mãe do Victor aos 18 anos e realmente não fui tão presente como gostaria. Hoje, com o Pedro, de 15, e a Maria, de 12, tenho mais tempo e disponibilidade. Consigo me dividir entre as palestras e a maternidade. E, como avó, estou completamente apaixonada. Falo que é um coração que bate fora da gente. É um amor incondicional, surreal, maravilhoso de viver.

Virna Dias é a Capa exclusiva do Correio B+ - Foto: Lennon Silva - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você fala sobre aprender a "amar com presença". Como tem colocado isso em prática no dia a dia com seus filhos e sua neta?
Virna:
Tenho colocado isso em prática sendo mais presente. Hoje eu tenho tempo e disponibilidade pra estar com eles de verdade. Consigo dividir melhor o meu tempo e viver esse amor com presença.

CE - Que legado você gostaria que sua família levasse da mulher que existe por trás da atleta?
Virna:
Acho que o legado da mulher que existe por trás da atleta é uma Virna batalhadora, humilde, que tem prazer de viver e está cercada de pessoas balões que voem comigo.

CE - Você costuma dizer que cuidar da saúde financeira é tão importante quanto cuidar do corpo. Que aprendizados o esporte te deu sobre disciplina e planejamento que hoje aplica nos negócios?
Virna:
Quando se fala de saúde financeira, dá pra fazer um paralelo com a saúde do corpo. Tudo na vida tem que ter equilíbrio. Eu sempre tive um pai que me orientou muito na carreira. Lembro que, quando ganhava um salário, meu pai tirava 30% e eu tinha que viver com o resto. Ele me ajudava a investir. Sou muito conservadora, não sou de correr riscos, mas tenho equilíbrio, sem ostentação e com olhar de ajudar o próximo. Nós somos uma minoria privilegiada, e se estamos nesse mundo hoje, temos o propósito de fazer o bem.

CE - Você se autointitula "embaixadora da longevidade ativa". Que sonho ainda quer realizar pessoal ou profissionalmente nessa nova fase da sua vida?
Virna:
Acho que a gente nunca pode deixar de sonhar. Tenho projetos interessantes com o esporte, inclusive com a Mireya Luis, cubana que foi minha maior adversária e hoje é minha amiga. Queremos despertar nos jovens a importância da prática esportiva. E tenho um sonho pessoal: falar inglês fluentemente. Falo italiano, mas o inglês ainda é uma língua que preciso aprimorar. Quero fazer uma imersão fora pra dominar a língua. A gente não tem tempo nem idade pra desistir dos nossos sonhos.

CE - Como foi para você ser eleita a melhor jogadora do mundo em 1999 e quais lembranças dessa conquista você carrega até hoje?
Virna:
Eu fui a melhor jogadora do mundo em 1999. Eu acho que são as lembranças da vida de um atleta, em que tudo é desafiante para a gente. É muito treinamento, é abdicar de muita vida social, muitas vezes da família, em busca de representar o seu país. E as melhores lembranças é que, quando a gente ganha um título desses, a gente não ganha sozinho, né? Vem de um esporte coletivo no qual todas têm a sua participação, né? A gente depende de uma boa recepção, de um bom levantamento para a gente finalizar a bola. Mas esses anos todos foram três Olimpíadas, 25 anos de carreira, e as amizades. As amizades, as viagens, os legados, as dores, as vitórias, as derrotas. É muito bacana.

Camisa 10 da seleção brasileira - Divulgação

CE - Você participou de três Olimpíadas e acompanhou suas colegas conquistando medalhas de ouro. Que momentos dessas Olimpíadas marcaram mais a sua carreira e a sua vida pessoal?
Virna: 
Eu não fui campeã olímpica. Tenho duas medalhas de bronze. Quando eu parei de jogar, as meninas foram campeãs olímpicas, e eu falo que eu sou bicampeã olímpica como comentarista, porque já estava comentando o vôlei. Um ano estava pela TV Bandeirantes com Luciano do Valle, outro ano estava com Maurício Torres pela Record, e eu tive a honra de poder comemorar e vivenciar essa conquista com as meninas, que foi na Olimpíada de Londres e na Olimpíada de Pequim."

CE - Além das conquistas pessoais, como você acredita que o esporte pode transformar a vida das pessoas, seja na autoestima, na disciplina ou no bem-estar?
Virna
: O esporte é transformador, não só transforma vidas, mas também disciplina, educa, principalmente para os jovens, sabe? Tira as crianças desse mundo virtual, desse mundo ocioso, e além da autoestima, você cria hábitos saudáveis de rotina, de alimentação, de descanso. É um legado para toda a minha vida.
 

A eterna campeã mundial Virna Dias - Divulgação

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada...Leia a coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (25)

25/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Millôr Fernandes - escritor brasileiro

"Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala”.

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada fiscalização que realiza e posta em suas redes sociais, torna-se alvo de saraivada de ataques, inclusive dos seus colegas da Câmara Municipal de Dourados. Persistente, ela anda se desviando das minas espalhadas em cada órgão público que visita para constatar se os serviços estão indo ao encontro do que a população quer. Ela verifica, inclusive, o que teria sido varrido para debaixo do tapete. A realidade, dizem, é que há aqueles que desejam tirá-la do páreo de voos mais altos. Vai saber...

Diálogo

Eclético

O deputado Paulo Duarte está buscando novo rumo e, assim, deve deixar o PSB para se filiar, ao que tudo indica, no PSDB. O parlamentar tem trajetória partidária um tanto quanto extensa em sua vida política. Ele foi filiado ao PT.

Mais

E, inclusive, integrou o “núcleo duro” da administração petista em MS. Saiu do PT em 2016 e migrou para o PDT. Mas não durou muito, pois logo mudou de sigla, filiando-se ao MDB. Posteriormente, buscou abrigo no PSB e agora consta que estaria indo para o PSDB. Ufa!

DiálogoDr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo

 

DiálogoFlávia Ceretta

Eu juro!

O governador Eduardo Riedel jurou por todos os santos e arcanjos que não conversou sobre política com Lula, quando ele esteve em Campo Grande. Disse que o diálogo entre eles foi sobre, em suas palavras, “investimentos no Estado; falei para ele a respeito da rota bioceânica, da necessidade de manter o aporte para o acesso; conversamos do êxito da concessão, que foi uma delegação de parte das rodovias federais, e também de projetos que estão na Casa Civil e devem ser enviados ao Senado para aprovação da CAE, aqueles 200 milhões de dólares, que temos 50 de contrapartida”. Então, tá...

Palanque

A ministra Simone Tebet bateu o martelo com Lula e trocará MDB, seu partido por três décadas, pelo PSB, cuja figura mais ilustre é o vice-presidente Alckmin. Ela disputará uma das vagas ao Senado, mas por São Paulo, estado com maior colégio eleitoral do País, para “fazer palanque” para o lulismo. Em sua trajetória política em Mato Grosso do Sul foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora.

Recuo

Com a reta final da janela partidária e algumas definições para composição de chapas e, até mesmo, interesse de alçar outros voos, políticos decidiram fazer análise mais detidamente do cenário eleitoral. Assim, já se verifica certa disposição de algumas pré-candidaturas serem mantidas. Uma delas seria a da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL). Ela teria cogitado até se filiar ao Novo para disputar o Senado. Porém...

Aniversariantes

Elaine Batista de Oliveira,
Alfredo Zamlutti Júnior,
Lauane Braz Andrekowiski Volpe Camargo,
Vilmar Vendramin,
Andréa Elizabeth Ojeda,
Clelia Casanobas Pereira,
Ilda Vilalba Lima,
Aline de Oliveira Silva,
Cicero Pucci,
Antônio Fernandes Teixeira,
Constantinos Mastroyannis,
Goro Shiota,
Izaura Saad do Amaral,
José Aparecido Miguel,
Luis Adolar Camargo Kieling,
Paulo Ricardo Sbardelote,
Darci Rocha Rodovalho,
Elcimar Serafim de Souza,
Marizeth de Faria Molina,
Eva Lefreve,
Miguel Cherbakian Primo,
Amaury D’Anunzio de Miranda Leal,
Eduardo Orsi Abdul Ahad,
Dra. Janete Lima Miguel,
Dr. Sidney Valieri,
Pércio de Andrade Filho,
Ana Carolina Correia,
Adelino Augusto Arakaki Martins,
Maria Neusa de Souza,
Thomaz Lipparelli,
Cristiane Iguma Câmara,
Bertildes Oliveira de Abreu,
Rose Mary Monteiro,
Joaquim Alcides Carrijo,
Luis Antonio de Oliveira,
Wagner Dagoberto Baptista,
Osmar Marques do Amaral,
Aparecido Camazano Alamino,
Alceu Roque Rech,
Zely Vieira Recalde,
Antônio Vladimir Furine,
Hélio Aldo dos Santos,
Magdalena Ferraz Baís,
Roseny Rodrigues Nogueira,
Maria Pereira Motta,
Leôncio de Souza Brito Filho,
Dr. Carlos Benigno Tokarski,
Nilza Maria Coutinho,
Maria Helena Pinheiro,
Zulmira de Freitas,
Nilton Nantes Coelho,
Arialú Paula Nogueira,
José Ernesto de Souza Faria,
Gabriel Meudau Lemos,
Marilda Coelho Lima,
Otávio Otaviano da Silva Pereira,
Maria Emília da Silva,
Pedro Paulo Gentil,
Dirceu Teixeira Nogueira,
Mirna Gonçalves,
Geraldo Carvalho Corrêa,
Nilson Arantes,
Altagno Sandin Bacarje,
Dilma Alvarenga da Silva,
Agenor de Figueiredo,
Fábio da Costa Rondon,
Maria Aparecida Barros de Moura,
Lodemir Cânepa Penajo,
Carlos Augusto Melke,
Taís Oliveira Pena,
Cristina de Melo Hamana,
Assis Alves Pimenta,
Allan Kardec Victor Hugo dos Santos,
Juliene Aparecida da Silva Gomes,
Wanir Maria Gasparetto da Silva,
Edilson Carlos Araujo de Oliveira,
Dayselene de Lara,
Anuncia Gimenes Ayala,
Antonio da Silva,
José Mário Facioli,
Gustavo Kiotoshi Shiota,
Everton Santos Garcia,
Edmilson Amaral da Rosa,
Carlos Uechi,
José Antonio Amaral Camargo,
Milton de Souza Leite,
Rodrigo Fernandes Ramos,
Silvia Aparecida da Silva Rocha,
Eloisa Fernandes dos Santos,
Ademir Gonçalves da Silva,
Thamara Silva Dauzacker Furlan,
Andreia Gomes Gusman,
Guilherme Coppi,
Rubens José Franco Cozza,
Silvania Gobi Monteiro Fernandes,
Márcio José da Cruz Martins,
Cenise Fatima do Vale Montini Jonson,
Dianary Carvalho Borges,
Carlos Eduardo Tedesco Silva,
Douglas Tiago Campos,
Katiussia Ribeiro Vieira,
Nelma Ortolan Franzim,
Sara Rosane Barcelos Moreira,
Luciane de Araújo Martins,
Everton Armôa Martos,
Humberto Dauber,
Carlos Henrique Suzuki,
Vicente Martins,
Quirino Areco

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

COMPORTAMENTO E SOCIEDADE

Sociedade Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros se sentem felizes

Levantamento da Ipsos mostra crescimento nos níveis de bem-estar, com destaque para relações pessoais, saúde e espiritualidade como pilares da felicidade entre brasileiros

24/03/2026 08h00

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil Freepik

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Os brasileiros estão mais felizes atualmente do que estavam há um ano. É o que revela o Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede a percepção de felicidade em 29 países e aponta um avanço significativo nos níveis de satisfação da população.

No Brasil, 80% dos entrevistados afirmam estar felizes ou muito felizes (um crescimento de dois pontos porcentuais em relação a 2025), colocando o País entre os mais satisfeitos do mundo, na sétima posição do ranking internacional.

O levantamento mostra que 28% dos brasileiros se consideram muito felizes e 52% felizes. Enquanto 15% dizem não estar muito felizes e apenas 5% afirmam não estar felizes de forma alguma. Os números brasileiros superam a média global, que registra 74% de pessoas felizes, sendo 18% muito felizes.

O cenário nacional acompanha uma tendência internacional: em 25 dos 29 países pesquisados, os níveis de felicidade aumentaram em comparação ao ano anterior.

Apenas três países registraram queda. O dado indica uma melhora generalizada na percepção de bem-estar, possivelmente influenciada por fatores como maior estabilidade econômica e recuperação social após períodos de crise.

Os dados do levantamento revelam uma compreensão mais ampla sobre o que significa ser feliz. No Brasil, essa percepção está fortemente associada a vínculos afetivos, saúde e propósito de vida – elementos que, mesmo diante de desafios econômicos, sustentam níveis elevados de satisfação.

Ao mesmo tempo, o estudo evidencia que a felicidade não é distribuída de forma uniforme e pode variar de acordo com fatores como idade, renda e contexto social.

MOTOR DA FELICIDADE

No Brasil, a felicidade tem raízes profundas nas relações humanas e no bem-estar emocional. O principal fator apontado pelos entrevistados é o sentimento de ser amado ou valorizado, citado por 34%. Em seguida, aparecem a saúde física e mental (31%) e o relacionamento com a família e os filhos (29%).

Esses resultados mostram que, mais do que condições materiais, são os vínculos afetivos e a qualidade de vida que sustentam a sensação de felicidade entre os brasileiros.

A tendência também se repete globalmente: sentir-se apreciado e ter boas relações familiares aparecem como os principais motores da felicidade em diversos países.

Outro ponto de destaque é o papel da espiritualidade. No Brasil, 22% dos entrevistados apontam a fé ou a vida espiritual como um fator relevante para a felicidade – mais que o dobro da média global, que é de 10%.

O dado reforça uma característica cultural marcante do País, onde a religiosidade segue sendo um elemento importante na construção do bem-estar.

Além disso, fatores como perceber que a vida tem sentido e ter controle sobre a própria trajetória também aparecem entre os elementos que contribuem para a felicidade, indicando uma combinação entre aspectos emocionais, sociais e subjetivos.

DIFERENÇAS ENTRE GÊNEROS

A pesquisa também revela nuances importantes quando se observa o recorte por gênero. Entre os brasileiros que se dizem muito felizes, os homens aparecem em maior proporção (29%) em comparação às mulheres (26%).

No entanto, quando se trata do grupo que se declara feliz, as mulheres lideram, com 54%, frente a 50% dos homens.

Os dados sugerem que, embora os níveis gerais de felicidade sejam semelhantes entre os gêneros, a intensidade dessa percepção pode variar. Ainda assim, a soma total de pessoas satisfeitas com a vida se mantém elevada em ambos os grupos.

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no BrasilEspiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik

VARIAÇÃO AO LONGO DA VIDA

O estudo também analisa como a felicidade muda com a idade – e os resultados mostram um padrão curioso. A satisfação com a vida tende a ser alta na juventude, sofre uma queda por volta dos 50 anos e volta a crescer nas décadas seguintes, atingindo seu pico após os 70 anos.

Globalmente, pessoas com mais de 70 anos apresentam os maiores níveis de felicidade, enquanto aquelas na faixa dos 50 anos estão entre as menos satisfeitas.

No Brasil, a faixa etária entre 50 e 74 anos concentra o maior índice de felicidade, com 82% das pessoas se declarando felizes ou muito felizes. O dado indica que, apesar de desafios comuns à meia-idade, como questões profissionais ou financeiras, há uma retomada significativa do bem-estar com o avanço da idade.

Por outro lado, a geração Z – formada por jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 – é a que apresenta o maior porcentual de pessoas que se dizem nada felizes, embora esse número ainda seja relativamente baixo, de 6%.

UM DOS MAIS FELIZES

No ranking global, o Brasil aparece entre os países com maior índice de felicidade. As primeiras posições são ocupadas por Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). Com 80% da população feliz, o Brasil figura logo atrás, consolidando-se como um dos países mais satisfeitos entre os pesquisados.

A trajetória também é positiva no longo prazo. Desde 2011, o índice de felicidade no Brasil aumentou três pontos porcentuais, contrariando uma tendência de queda observada em alguns países ao longo dos anos.

Esse crescimento indica que, apesar de desafios econômicos e sociais, a percepção de bem-estar no País tem se mantido resiliente, sustentada principalmente por fatores não materiais.

DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE, MAS AJUDA

Se por um lado a felicidade está ligada a aspectos emocionais e relacionais, a infelicidade tem uma origem mais concreta. No Brasil, a situação financeira é o principal fator de insatisfação, citado por 54% dos entrevistados.

Na sequência, aparecem a saúde mental e o bem-estar (37%) e as condições de moradia (27%). O padrão é semelhante ao observado globalmente, em que a situação financeira também lidera como principal causa de infelicidade, com 57% das menções.

O impacto das finanças é transversal e atinge todas as gerações. Entre os baby boomers, 68% apontam esse fator como a principal causa de infelicidade. O índice cai para 62% na geração X e para 49% entre millennials e geração Z, mas ainda se mantém como o principal motivo em todos os grupos.

A pesquisa também evidencia uma relação direta entre renda e felicidade. Pessoas com maior poder aquisitivo tendem a ser mais felizes (79%) do que aquelas com renda mais baixa (67%), o que reforça a importância das condições materiais na qualidade de vida.

Apesar do peso das finanças na infelicidade, a percepção sobre a economia apresentou melhora este ano. Em 18 dos 29 países analisados, mais pessoas passaram a acreditar que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior.

Essa mudança pode ter contribuído para o aumento geral da felicidade, visto que reduz a insegurança e melhora as expectativas em relação ao futuro.

O estudo sugere que, embora fatores econômicos não sejam os principais responsáveis pela felicidade, eles exercem forte influência quando se trata de insatisfação, especialmente em contextos de instabilidade.

METODOLOGIA

O Ipsos Happiness Report 2026 foi realizado entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, com a participação de 23.268 adultos em 29 países. As entrevistas foram conduzidas por meio de plataformas on-line, com exceção da Índia, onde parte da coleta foi feita presencialmente.

No Brasil, a amostra contou com cerca de mil entrevistados, com margem de erro estimada em 3,5 pontos porcentuais. Os dados foram ajustados para refletir o perfil demográfico da população adulta, com base nos censos mais recentes.

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