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Capa B+: Entrevista exclusiva com o ator destaque no musical "Jersey Boys" Henrique Moretzsohn

"Foi uma surpresa e um presente do universo!. O período das audições, confesso que estranhei um pouco ter sido chamado para este personagem que tem uma voz tão icônica e, de certo modo, com um timbre diferente daquele que eu imprimi nos outros musicais".

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Ator e cantor com sólida trajetória nos palcos e na música, Henrique Moretzsohn vive um momento especial em sua carreira: a estreia como protagonista em um grande musical. Ele dá vida a Frankie Valli em Jersey Boys, montagem que celebra a história do lendário grupo americano The Four Seasons.

O papel marca um novo patamar para o artista, que já participou de grandes produções da Broadway no Brasil, como Les Misérables, O Fantasma da Ópera, A Pequena Sereia e West Side Story.

“Foi uma surpresa e um presente do universo!”, define Henrique, sobre o convite para viver o protagonista. “No período das audições, confesso que estranhei um pouco ter sido chamado para este personagem que tem uma voz tão icônica e, de certo modo, com um timbre diferente daquele que eu imprimi nos outros musicais em que trabalhei. Até que veio o sim e foi uma alegria tão grande!”.

Sobre Jersey Boys, ele destaca o desafio de interpretar um personagem real, com voz marcante e estilo vocal próprio. “É o musical em que canto mais músicas de todos os que já trabalhei. Exigiu um mergulho total no material, uma imersão mesmo, durante as cinco semanas de ensaios.” Henrique se debruçou sobre vídeos, entrevistas e registros de Frankie Valli, além de estudar o contexto sociocultural da Nova Jersey dos anos 1960 e buscar uma identificação pessoal com diferentes aspectos da vida do personagem.

Henrique começou sua trajetória artística ainda na infância, influenciado por uma família que, embora não fosse formada por artistas – todos com profissões fora da área cultural – sempre cultivou um ambiente muito artístico e sensível à cultura. A mãe cantava e tocava violão, o pai ouvia clássicos e rock, e as avós também contribuíam para esse cenário sonoro – uma tocava piano e a outra era fã de ópera.

Desde pequeno, teve uma tia que o levava ao teatro e foi responsável por apresentá-lo ao encantamento do palco. Mais tarde, sua madrinha teve papel fundamental ao ajudar, junto à mãe, a custear o curso de teatro. O padrasto, grande noveleiro e entusiasta das artes, foi outro incentivador importante, especialmente durante a adolescência de Henrique.

Com cinco anos, ele já fazia aulas de piano e logo demonstrava fascínio por teatro, alimentado por peças infantis, filmes musicais da Disney e novelas. Aos 11 anos, ingressou na Oficina de Teatro da PUC/MG e nunca mais parou.

O artista se formou em Teatro pela UNIRIO, após uma jornada de dois cursos universitários simultâneos (UNIRIO e UFRJ). Foi durante a graduação que o teatro musical passou a ganhar protagonismo em sua vida. Aos 19 anos, começou a estudar canto no Rio de Janeiro e passou a unir suas duas paixões – teatro e música – em audições e montagens que o levariam aos grandes palcos.

Sua estreia no palco do Teatro Renault, em São Paulo, aconteceu durante uma audição, antes mesmo de integrar um elenco profissional. “Eu lembro do diretor dizer: ‘tell him he have a very good voice’ (‘diga a ele que ele tem uma voz muito boa’). Aquilo me motivou a seguir adiante, mesmo eu não tendo passado naquela vez”, relembra. Anos depois, ele voltaria ao mesmo palco como parte do elenco de Les Misérables, musical que considera um divisor de águas em sua trajetória. “Les Mis é um dos meus musicais preferidos. Eu gostei muito de fazer. Gosto da história, do conteúdo simbólico, das músicas, dos figurinos, do cenário, de tudo.”

Além dos musicais, Henrique se destaca no cenário da música vocal como integrante do trio Amazing Tenors, projeto idealizado por Bruno Rizzo em 2022. O grupo, formado por ele, Paulo Paolillo e Murilo Trajano, apresenta um repertório de clássicos imortalizados por nomes como Andrea Bocelli e está em turnê permanente pelo Brasil.

“O público nos recebe com muita emoção em todo o Brasil. As músicas elevam as vibrações, tocam o coração. Estamos em turnê desde então, de norte a sul do país”, afirma Henrique. “O projeto trouxe uma legião de fãs deste repertório e me permitiu conhecer lugares lindos que eu nunca tinha ido, como as Cataratas do Iguaçu e o Amazonas.”

Conciliar a rotina intensa de viagens com a vida familiar é um desafio que Henrique encara com consciência e carinho. Pai e marido dedicado, ele reserva as segundas e terças-feiras para se reconectar com a família e equilibrar os dois lados da vida. Com agenda cheia e novos convites surgindo, ele acredita que este é um momento de expansão em múltiplas frentes:

“Espero que mais portas se abram nos meus campos de atuação: no teatro, no audiovisual, séries, filmes, nos musicais, shows, dublagens… Já tenho datas da turnê com o show Amazing Tenors e também recebi um outro convite que estou avaliando. Que os bons ventos me guiem!”, finaliza.

Henrique é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno o ator fala sobre carreira, musiciais, desafios e seu protagonista nesse musical que é um grande sucesso “Jersey Boys”.

O ator Henrique Moretzsohn é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Ana Colla - Diagramação: Denis Felipe - Por Flávia Viana

CE - Como e quando descobriu sua veia artística? E o que veio primeiro, o canto ou a atuação?
HM -
Embora eu não tenha artistas na família, eu sempre me vi envolto pela arte de alguma forma: minha mãe cantava e tocava violão, meu pai ouvia de clássico a rock, minhas avós eram ligadas ao piano e à ópera. Aos cinco anos pedi para aprender piano e, mesmo com as mãos pequenas, comecei com uma professora particular. Paralelamente, me encantei pelo teatro — minha tia me levava a peças, eu adorava os filmes musicais da Disney e imitava personagens da TV.

Aos 11 anos entrei na Oficina de Teatro da PUC/MG e nunca mais parei. Fiz cursos livres até ingressar na graduação, cheguei a cursar UNIRIO e UFRJ ao mesmo tempo, mas segui apenas na UNIRIO. Foi lá que descobri o teatro musical, unindo duas paixões, e aos 19 anos comecei as aulas de canto no RJ. Posso dizer que o teatro veio primeiro, mas a música sempre esteve comigo.

CE - Qual foi sua primeira experiência no palco?
HM -
Eu tinha 12 anos. Foi no Teatro Marília em BH. Apresentação da peça final do curso de teatro da escola do grupo Real Fantasia. Eu lembro de me sentir muito bem. Eu gostava daquela adrenalina antes de entrar em cena.
A primeira vez que pisei no palco do Renault foi em uma audição, eu lembro do diretor dizer: “tell him he have a very good voice”. Aquilo me motivou a seguir adiante, mesmo eu não tendo passado naquela vez.

CE - Quais trabalhos ou personagens considera como mais importantes na carreira? Elege algum como divisor de águas?
HM -
Acredito que os personagens dos grandes musicais da Broadway em SP. Considero Les Mis como um espetáculo divisor de águas. Foi quando me mudei pra SP e fui fazendo musicais em seguida um do outro, Les Mis, Sereia, Fantasma da Ópera, West Side Story, etc.
Les Mis é um dos meus musicais preferidos. Eu gostei muito de fazer. Gosto da história, do conteúdo simbólico, das músicas, dos figurinos, do cenário, de tudo.

CE - Você integra o trio Amazing Tenors. Como surgiu essa oportunidade e o que esse projeto representa na sua carreira?
HM -
Foi um convite que recebi do produtor Bruno Rizzo em 2021. Integro esse grupo junto com os cantores Paulo Paolillo e o Murilo Trajano. Nossas três vozes e personalidades se unem nesse show que é um tributo a músicas que ficaram eternizadas pelo Andrea Bocelli. Já fomos de norte a sul do país e somos sempre muito bem recebidos pelo público.

O show é lindo e eleva as vibrações por onde a gente passa. É um projeto que tenho muito orgulho. Por ser estável eu pude conciliar outros trabalhos artísticos em paralelo com a turnê em alguns períodos, como o musical The Town, espetáculos da Disney e o próprio Jersey Boys, por exemplo.

CE - O Four Seasons tem uma sonoridade marcada pelo pop-rock dos anos 60, enquanto o Amazing Tenors aposta em uma fusão lírica-pop. Como é para você transitar entre esses estilos tão diferentes?
HM -
Por já transitar entre vários estilos e também ser professor de canto, tenho ferramentas para encarar essa exigência com tranquilidade. Estou gostando muito de cantar o repertório pop/rock, que me permite explorar um timbre mais rasgado, com drives e ornamentos, diferente do som mais clássico dos últimos trabalhos.

É prazeroso extravasar com essa forma de cantar mais solta e catártica. Pesquisar o estilo do Frankie foi enriquecedor: sua voz icônica não era apenas uma escolha estética, mas definia o som dos Four Seasons e influenciou de Bee Gees a Bruno Mars, transformando o falsete em potência artística muito antes de virar moda no pop contemporâneo.

O ator Henrique Moretzsohn é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Ana Colla - Diagramação: Denis Felipe - Por Flávia Viana

CE - "Jersey Boys" marca seu primeiro protagonista em um grande musical. Como foi o momento em que recebeu o convite para viver Frankie Valli e o que passou pela sua cabeça na hora?
HM -
Fiquei muito feliz! É uma alegria enorme ser aprovado para um papel tão especial, depois de tantos anos de dedicação. No início até questionei se esse papel era realmente para mim e cheguei a pedir para audicionar outros personagens. Eu estava no meio de uma turnê, cansado, mas segui no processo e, quando cantei Can’t Take My Eyes Off You, senti uma energia muito boa da banca.

Cheguei a perguntar se poderia audicionar para outro papel mas a direção quis me ver como Frankie. Acho que o maestro Jorge de Godoy já me via como Frankie Valli antes mesmo de que eu pudesse acreditar. Sou muito grato por isso. Então decidi me dedicar inteiramente àquele repertório e mergulhar no personagem. Quando veio a confirmação de que seria o Frankie, foi emocionante. Cada audição é como um concurso público: exige talento, estudo e esforço, mas também envolve fatores subjetivos para ser “o escolhido”.

CE - Você comentou que precisou fazer um mergulho profundo na voz e no estilo do Frankie Valli. Qual foi o maior desafio para encontrar o equilíbrio entre ser fiel ao original e imprimir sua própria identidade?
HM -
Frankie tem uma voz icônica, e minha maior preocupação foi reproduzir o timbre sem cair na caricatura. Mergulhei na discografia original e, apesar de ouvir também gravações da Broadway, preferi ir direto à fonte, já que se trata de um personagem real e biográfico. Quanto à voz falada, busquei um equilíbrio que soasse natural em português, sem exageros que soariam artificiais.

Sempre procuro entender o personagem dentro do contexto da obra, antes de qualquer escolha técnica. Nesse processo empático, percebi similaridades entre nós: o fato de ser pai, de conciliar família e carreira em turnês, de enfrentar os percalços da vida artística. Essa identificação fez com que minha própria identidade se tornasse um terreno fértil a serviço do personagem.

CE - Sua história mostra uma rede de apoio muito forte da família. Qual foi o gesto mais marcante que você recebeu deles e que ainda carrega nos palcos?
HM -
O gesto mais marcante foi, e ainda é, sem dúvida, o apoio e a confiança em mim. O incentivo em suas mais variadas formas: material, espiritual, mental e emocional. E aqui eu teria uma lista imensa de pessoas para citar, mas destaco minha mulher, minha mãe, meu pai (que partiu recentemente), minha tia, minha madrinha, meu padrinho, meu padrasto, minha avó, minha irmã, minha sogra, meu filho, enfim.
Quando estou ali no palco, naquele momento de muitos holofotes, existe um sem número de pessoas junto comigo. Acredito muito nisso.

CE - Você vive uma rotina intensa de viagens e apresentações, mas também é pai e marido presente. O que aprendeu sobre administrar tempo e energia para não perder esses dois lados da vida?
HM
- É um aprendizado constante. O trabalho artístico vai um pouco na contramão da vida em família, porque quando seu filho está de folga das aulas da escola, você está trabalhando. Quando todos estão vivendo momentos de lazer em família, você está no palco sendo o entretenimento deles. Então há que se encontrar meios de se equilibrar isso.

Não raro vemos artistas fazendo períodos sabáticos para reabastecer suas energias criativas ou viver uma rotina familiar com mais presença.
No meu caso eu busco ter meu sábado e domingo em algum dia da semana. Não é exatamente a mesma coisa, mas encontro formas de ter momentos de lazer dessa forma. Quanto à parte prática, posso dizer que sou um bom dono de casa… hehe!

CE - Como você se vê após Jersey Boys? Já pensa em novos musicais ou projetos na música?
HM -
Espero que mais portas se abram nos meus campos de atuação: no teatro, no audiovisual, séries, filmes, nos musicais, shows, dublagens… já tenho datas da turnê com o show Amazing Tenors e também recebi um outro convite que estou avaliando. Que os bons ventos me guiem! Que o sopro do espírito conduza minha barca pra onde for o melhor caminho!

O musical “Jersey Boys” - Divulgação

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada...Leia a coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (25)

25/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Millôr Fernandes - escritor brasileiro

"Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala”.

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada fiscalização que realiza e posta em suas redes sociais, torna-se alvo de saraivada de ataques, inclusive dos seus colegas da Câmara Municipal de Dourados. Persistente, ela anda se desviando das minas espalhadas em cada órgão público que visita para constatar se os serviços estão indo ao encontro do que a população quer. Ela verifica, inclusive, o que teria sido varrido para debaixo do tapete. A realidade, dizem, é que há aqueles que desejam tirá-la do páreo de voos mais altos. Vai saber...

Diálogo

Eclético

O deputado Paulo Duarte está buscando novo rumo e, assim, deve deixar o PSB para se filiar, ao que tudo indica, no PSDB. O parlamentar tem trajetória partidária um tanto quanto extensa em sua vida política. Ele foi filiado ao PT.

Mais

E, inclusive, integrou o “núcleo duro” da administração petista em MS. Saiu do PT em 2016 e migrou para o PDT. Mas não durou muito, pois logo mudou de sigla, filiando-se ao MDB. Posteriormente, buscou abrigo no PSB e agora consta que estaria indo para o PSDB. Ufa!

DiálogoDr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo

 

DiálogoFlávia Ceretta

Eu juro!

O governador Eduardo Riedel jurou por todos os santos e arcanjos que não conversou sobre política com Lula, quando ele esteve em Campo Grande. Disse que o diálogo entre eles foi sobre, em suas palavras, “investimentos no Estado; falei para ele a respeito da rota bioceânica, da necessidade de manter o aporte para o acesso; conversamos do êxito da concessão, que foi uma delegação de parte das rodovias federais, e também de projetos que estão na Casa Civil e devem ser enviados ao Senado para aprovação da CAE, aqueles 200 milhões de dólares, que temos 50 de contrapartida”. Então, tá...

Palanque

A ministra Simone Tebet bateu o martelo com Lula e trocará MDB, seu partido por três décadas, pelo PSB, cuja figura mais ilustre é o vice-presidente Alckmin. Ela disputará uma das vagas ao Senado, mas por São Paulo, estado com maior colégio eleitoral do País, para “fazer palanque” para o lulismo. Em sua trajetória política em Mato Grosso do Sul foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora.

Recuo

Com a reta final da janela partidária e algumas definições para composição de chapas e, até mesmo, interesse de alçar outros voos, políticos decidiram fazer análise mais detidamente do cenário eleitoral. Assim, já se verifica certa disposição de algumas pré-candidaturas serem mantidas. Uma delas seria a da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL). Ela teria cogitado até se filiar ao Novo para disputar o Senado. Porém...

Aniversariantes

Elaine Batista de Oliveira,
Alfredo Zamlutti Júnior,
Lauane Braz Andrekowiski Volpe Camargo,
Vilmar Vendramin,
Andréa Elizabeth Ojeda,
Clelia Casanobas Pereira,
Ilda Vilalba Lima,
Aline de Oliveira Silva,
Cicero Pucci,
Antônio Fernandes Teixeira,
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Luis Adolar Camargo Kieling,
Paulo Ricardo Sbardelote,
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Marizeth de Faria Molina,
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Miguel Cherbakian Primo,
Amaury D’Anunzio de Miranda Leal,
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Nelma Ortolan Franzim,
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Luciane de Araújo Martins,
Everton Armôa Martos,
Humberto Dauber,
Carlos Henrique Suzuki,
Vicente Martins,
Quirino Areco

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

COMPORTAMENTO E SOCIEDADE

Sociedade Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros se sentem felizes

Levantamento da Ipsos mostra crescimento nos níveis de bem-estar, com destaque para relações pessoais, saúde e espiritualidade como pilares da felicidade entre brasileiros

24/03/2026 08h00

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil Freepik

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Os brasileiros estão mais felizes atualmente do que estavam há um ano. É o que revela o Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede a percepção de felicidade em 29 países e aponta um avanço significativo nos níveis de satisfação da população.

No Brasil, 80% dos entrevistados afirmam estar felizes ou muito felizes (um crescimento de dois pontos porcentuais em relação a 2025), colocando o País entre os mais satisfeitos do mundo, na sétima posição do ranking internacional.

O levantamento mostra que 28% dos brasileiros se consideram muito felizes e 52% felizes. Enquanto 15% dizem não estar muito felizes e apenas 5% afirmam não estar felizes de forma alguma. Os números brasileiros superam a média global, que registra 74% de pessoas felizes, sendo 18% muito felizes.

O cenário nacional acompanha uma tendência internacional: em 25 dos 29 países pesquisados, os níveis de felicidade aumentaram em comparação ao ano anterior.

Apenas três países registraram queda. O dado indica uma melhora generalizada na percepção de bem-estar, possivelmente influenciada por fatores como maior estabilidade econômica e recuperação social após períodos de crise.

Os dados do levantamento revelam uma compreensão mais ampla sobre o que significa ser feliz. No Brasil, essa percepção está fortemente associada a vínculos afetivos, saúde e propósito de vida – elementos que, mesmo diante de desafios econômicos, sustentam níveis elevados de satisfação.

Ao mesmo tempo, o estudo evidencia que a felicidade não é distribuída de forma uniforme e pode variar de acordo com fatores como idade, renda e contexto social.

MOTOR DA FELICIDADE

No Brasil, a felicidade tem raízes profundas nas relações humanas e no bem-estar emocional. O principal fator apontado pelos entrevistados é o sentimento de ser amado ou valorizado, citado por 34%. Em seguida, aparecem a saúde física e mental (31%) e o relacionamento com a família e os filhos (29%).

Esses resultados mostram que, mais do que condições materiais, são os vínculos afetivos e a qualidade de vida que sustentam a sensação de felicidade entre os brasileiros.

A tendência também se repete globalmente: sentir-se apreciado e ter boas relações familiares aparecem como os principais motores da felicidade em diversos países.

Outro ponto de destaque é o papel da espiritualidade. No Brasil, 22% dos entrevistados apontam a fé ou a vida espiritual como um fator relevante para a felicidade – mais que o dobro da média global, que é de 10%.

O dado reforça uma característica cultural marcante do País, onde a religiosidade segue sendo um elemento importante na construção do bem-estar.

Além disso, fatores como perceber que a vida tem sentido e ter controle sobre a própria trajetória também aparecem entre os elementos que contribuem para a felicidade, indicando uma combinação entre aspectos emocionais, sociais e subjetivos.

DIFERENÇAS ENTRE GÊNEROS

A pesquisa também revela nuances importantes quando se observa o recorte por gênero. Entre os brasileiros que se dizem muito felizes, os homens aparecem em maior proporção (29%) em comparação às mulheres (26%).

No entanto, quando se trata do grupo que se declara feliz, as mulheres lideram, com 54%, frente a 50% dos homens.

Os dados sugerem que, embora os níveis gerais de felicidade sejam semelhantes entre os gêneros, a intensidade dessa percepção pode variar. Ainda assim, a soma total de pessoas satisfeitas com a vida se mantém elevada em ambos os grupos.

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no BrasilEspiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik

VARIAÇÃO AO LONGO DA VIDA

O estudo também analisa como a felicidade muda com a idade – e os resultados mostram um padrão curioso. A satisfação com a vida tende a ser alta na juventude, sofre uma queda por volta dos 50 anos e volta a crescer nas décadas seguintes, atingindo seu pico após os 70 anos.

Globalmente, pessoas com mais de 70 anos apresentam os maiores níveis de felicidade, enquanto aquelas na faixa dos 50 anos estão entre as menos satisfeitas.

No Brasil, a faixa etária entre 50 e 74 anos concentra o maior índice de felicidade, com 82% das pessoas se declarando felizes ou muito felizes. O dado indica que, apesar de desafios comuns à meia-idade, como questões profissionais ou financeiras, há uma retomada significativa do bem-estar com o avanço da idade.

Por outro lado, a geração Z – formada por jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 – é a que apresenta o maior porcentual de pessoas que se dizem nada felizes, embora esse número ainda seja relativamente baixo, de 6%.

UM DOS MAIS FELIZES

No ranking global, o Brasil aparece entre os países com maior índice de felicidade. As primeiras posições são ocupadas por Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). Com 80% da população feliz, o Brasil figura logo atrás, consolidando-se como um dos países mais satisfeitos entre os pesquisados.

A trajetória também é positiva no longo prazo. Desde 2011, o índice de felicidade no Brasil aumentou três pontos porcentuais, contrariando uma tendência de queda observada em alguns países ao longo dos anos.

Esse crescimento indica que, apesar de desafios econômicos e sociais, a percepção de bem-estar no País tem se mantido resiliente, sustentada principalmente por fatores não materiais.

DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE, MAS AJUDA

Se por um lado a felicidade está ligada a aspectos emocionais e relacionais, a infelicidade tem uma origem mais concreta. No Brasil, a situação financeira é o principal fator de insatisfação, citado por 54% dos entrevistados.

Na sequência, aparecem a saúde mental e o bem-estar (37%) e as condições de moradia (27%). O padrão é semelhante ao observado globalmente, em que a situação financeira também lidera como principal causa de infelicidade, com 57% das menções.

O impacto das finanças é transversal e atinge todas as gerações. Entre os baby boomers, 68% apontam esse fator como a principal causa de infelicidade. O índice cai para 62% na geração X e para 49% entre millennials e geração Z, mas ainda se mantém como o principal motivo em todos os grupos.

A pesquisa também evidencia uma relação direta entre renda e felicidade. Pessoas com maior poder aquisitivo tendem a ser mais felizes (79%) do que aquelas com renda mais baixa (67%), o que reforça a importância das condições materiais na qualidade de vida.

Apesar do peso das finanças na infelicidade, a percepção sobre a economia apresentou melhora este ano. Em 18 dos 29 países analisados, mais pessoas passaram a acreditar que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior.

Essa mudança pode ter contribuído para o aumento geral da felicidade, visto que reduz a insegurança e melhora as expectativas em relação ao futuro.

O estudo sugere que, embora fatores econômicos não sejam os principais responsáveis pela felicidade, eles exercem forte influência quando se trata de insatisfação, especialmente em contextos de instabilidade.

METODOLOGIA

O Ipsos Happiness Report 2026 foi realizado entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, com a participação de 23.268 adultos em 29 países. As entrevistas foram conduzidas por meio de plataformas on-line, com exceção da Índia, onde parte da coleta foi feita presencialmente.

No Brasil, a amostra contou com cerca de mil entrevistados, com margem de erro estimada em 3,5 pontos porcentuais. Os dados foram ajustados para refletir o perfil demográfico da população adulta, com base nos censos mais recentes.

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