Correio B

Correio B+

Capa B+: Especial Dia dos Pais: Entrevista exclusiva com o ator Marcel Octavio

"Penso muito no que eu quero deixar de legado para meu filho: Que ele tenha os mesmos princípios que tenho, cuidado com os outros e bom humor na vida".

Continue lendo...

Depois de estrelar por um ano a montagem brasileira de “Rei Leão”, em São Paulo, Marcel Octavio vai protagonizar a versão espanhola do musical. O espetáculo já está em cartaz ininterruptamente há 14 anos em Madri e terá o ator carioca dando vida a Scar, a princípio, pelos próximos 12 meses, a partir do próximo dia 20.

Em paralelo, Marcel pode ser ouvido fazendo dublagens em diversas produções, como nos filmes “Branca de Neve” e “As Marvels” e nas séries “Echo” e ‘Star Wars: Skeleton Crew”. Todos para o Disney+. E no anime “Bocchi the Rock”, do estúdio CloverWorks.

Com 37 anos de idade e 18 de carreira, seu último trabalho nos palcos brasileiros foi como protagonista de “Tom Jobim, o Musical”, interpretando Tom Jobim em temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Octavio já integrou o elenco de dezenas de grandes musicais, tendo recebido o Prêmio DID de Melhor Ator 2020/21 por seu trabalho em “Assassinato para Dois”.

Em seu currículo ainda constam os espetáculos “Gabriela”, ‘Hair”, ‘Shrek’, ‘Rock in Rio”, "Cassia Eller", "Ney Matogrosso - Homem com H", “Annie”, Beatles num céu de diamantes”, “Os produtores”, “Kiss me Kate - O beijo da megera”, “Donna Summer”, “Rocky Horror Show”, que lhe rendeu indicação ao prêmio Bibi Ferreira 2017 como ator coadjuvante e no infantil “Mas por que?!?”, no qual também foi indicado como melhor ator coadjuvante pelo prêmio CBTIJ de teatro para crianças 2015.

Ator e cantor, Marcel estreou no audiovisual na novela "Tempo de Amar", na TV Globo. Depois, fez participação na mesma emissora em “O Tempo não Para” e na série “Desalma”, do Globoplay. O carioca ainda esteve no elenco de “Gênesis”, da Record TV, e no filme “Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood”. 

Professor de canto e cineasta formado pela PUC-Rio, o ator também estudou na Stella Adler School of Arts, em Nova York, e toca piano, acordeon e violão.

Marcel é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno nesta data especial - Dia dos Pais, ele fala sobre sua mudança para Madri, estreia em "Reio Leão" na Espanha e também sobre o que mudou em sua vida após ser pai.

O ator Marcel Octavio é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Guilherme Logullo - Diagramação: Denis Felipe. Por: Flávia Viana

CE - Você se mudou há poucos dias para Madri para estrelar a nova temporada da montagem espanhola do musical “Rei Leão”, que estreia no próximo dia 20. Fazer um trabalho como esse passa a ser diferente quando se é pai? E como surgiu o convite para esse trabalho no exterior?
MO
- Já era diferente quando estreei  “Rei Leão” aqui no Brasil em 2023. Acho que todo trabalho que faço desde que ele nasceu bate de um jeito diferente, quero vê-lo se divertir com o que eu faço, se orgulhar do pai. Foi muito especial ver que a primeira música que ele aprendeu do rei leão foi a do Tio Scar. Se Preparem (risos)! Agora sobre minha vinda pra cá, o chamado veio na surpresa mesmo!

Eu sempre mantive uma conversa com a Disney sobre possibilidades no exterior com eles, mas sabia das dificuldades de se realizar isso, então, já tinha desistido dessa ideia desde o início do ano. Mas tem 2 meses que fiquei sabendo que eles estavam precisando de um Scar aqui em Madrid e entrei em contato com os produtores. Eles me responderam que a produção espanhola queria me ouvir primeiro então fizemos uma chamada por vídeo com o diretor, praticamos o sotaque, uma semana depois veio o convite!

CE - Aliás, como vai ser esse Dia dos Pais vivendo com sua esposa e seu filho num novo país? Como acha que essa mudança de cultura vai impactar seu filho Davi de quase 4 anos? E isso chegou a pesar na sua decisão de aceitar o convite pro trabalho?
MO -
 Será uma nova experiência para todos. Como o Davi, nosso filho é ainda bem pequeno, fomos aos poucos contando pra ele sobre a novidade, para ele chegar já aqui sabendo de tudo! Antes de aceitar o convite, conversei com minha esposa sobre como poderíamos fazer essa mudança, ela também topou na hora. Estamos agora em processo de matriculá-lo numa escola aqui, e no final das contas, achamos que quem vai aprender a falar espanhol fluente primeiro será ele!

CE - Davi é seu filho com a também atriz Mariana Grandi. Como a paternidade mexeu com a sua vida pessoal nos últimos 4 anos? E a profissional? O que significa ser pai pra você?
MO -
 Ser pai significa mudar a minha motivação para toda nova empreitada na minha vida. Não escolho mais as coisas sem pensar sobre como isso vai afetá-lo. Quando eu e Mari decidimos ter o Davi, sabíamos das dificuldades de conciliar nossos trabalhos com a paternidade. Era tudo que imaginávamos, só que muito mais! A ideia que temos desde que o Davi chegou foi mantermos nós dois nossos trabalhos e irmos lidando com as questões da vida na medida que elas aparecem, sempre priorizando o Davi antes do trabalho.

CE - Você já protagonizou a versão brasileira de “Rei Leão” em 2023, em SP. Seu filho já te assistiu interpretando Scar/te viu caracterizado? Como ele entende seu trabalho? O que faria caso ele resolva ser ator como você e sua esposa?
MO -
 Sim, inclusive já viu 3 vezes a peça. Da primeira vez não entendeu muito, quando me viu teve um pouco de medo do Scar e cansou no meio da peça, mas das outras duas já ficou apaixonado e ama a peça e o filme, inclusive está convencido que o tio Scar não é o vilão da peça e deveria continuar sendo o rei da savana (risos).

Ele já sabe que o papai e a mamãe trabalham contando histórias para as pessoas e ele adora isso, sempre quer ver as nossas peças. Sobre o futuro dele, nós o incentivamos a ser sempre curioso e ter liberdade para tentar tudo. Vou amar, claro, se ele quiser ser um artista, mas da mesma forma vou amá-lo se escolher qualquer outra coisa.

CE - Inclusive, Marcel Octávio já é um nome bastante requisitado há 18 anos no meio musical. Acha que “Rei leão” é um divisor na sua trajetória? E como está a expectativa para essa aventura na Espanha?
MO - 
Acho que todo ator passa por momentos marcantes no seu caminho que o mudam. “Rei Leão” pra mim foi um desses momentos. Vou me lembrar pra sempre do quanto aprendi com essa experiência no Brasil, o quanto ela me preencheu artisticamente. Agora espero mostrar o melhor que posso para uma nova plateia, não adianta chegar com personagem pronto, estou trabalhando para mostrar um novo Scar.

CE - Você já fala espanhol? Como tem sido se preparar para um trabalho em outro idioma e para um público que ainda não te conhece?
MO - 
Não falava espanhol antes de saber que vinha . O que eu sempre tive a meu favor foi o conhecimento de cantar em várias línguas diferentes por estudar canto lírico e ópera desde jovem. Acho que posso agradecer a facilidade que tenho de estudar outras línguas graças ao meu estudo musical. É claro que isso sozinho não é suficiente.

Já estou praticando espanhol sem parar há dois meses com minha professora e vou continuar estudando mesmo depois da estreia. É claro que bate uma ansiedade, mas tenho muita confiança na equipe que está comigo, nossos diretores aqui da Espanha, minha professora, meus novos colegas de cena e conto com eles para entregar um incrível trabalho para essa plateia nova.

O ator Marcel Octavio é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Acervo Pessoal - Diagramação: Denis Felipe. Por: Flávia Viana

CE - Ter uma carreira internacional já fazia parte dos seus planos? Já percebeu modos diferentes de trabalho na Espanha? Como tem sido morar na Europa?
MO -
 Só estou aqui há 10 dias, mas me sinto realizado trabalhando fora sim. São novos desafios que encontro aqui, mas tem uma coisa muito importante que já sinto. Fora do Brasil é mais fácil poder ser artista e ter uma vida digna, normal. Isso talvez seja algo que valha para todos, mas especialmente para os artistas no nosso país, que batalham todo dia e sofrem com uma desvalorização da nossa profissão.

Morando aqui vejo os artistas mais valorizados, levados a sério, mais inseridos na vida cotidiana mesmo. Só do meu apartamento pro teatro, que são 20 minutos a pé, eu passo por mais de 5 teatros diferentes, de vários tamanhos e preços de entrada diferentes. Isso pra mim é a maior diferença.

CE - Marcel Octavio é um artista que faz mais projetos nos palcos, mas que, recentemente, participou de algumas cenas de “Paulo, o apóstolo”, na Record. Acha que pra um artista ser mais valorizado no Brasil ainda é fundamental trabalhar na TV?
MO -
 Primeiro, eu amo meu trabalho no audiovisual e o que ele me proporcionou, mas não gostaria que a TV fosse uma condição para ser valorizado embora atualmente seja sim.

Como eu disse antes, gostaria de ver plateias de teatro mais cheias no brasil, fazendo parte de um processo socioeducativo muito maior. Mas acho que pra esse quadro mudar, só mudando nosso modo de pensar educação no país. Teremos plateias mais cheias, depois de investirmos em escolas melhores.

CE - Você também é professor de canto. Que tipo de aluno te procura? Como é Marcel professor?
MO -
 Comecei a dar aulas durante a pandemia e não parei mais, foi ótimo abrir as possibilidades artísticas que não dependessem só de estar em cena. Minha aula visa o bom uso da voz, seja para canto ou fala. Ensino a se reorganizar e se entender de uma maneira holística, por inteiro, para o aluno ter confiança e poder buscar sua própria voz.

Não quero engessar ninguém em uma técnica de canto ou um estilo musical só. O Marcel professor é minha versão mais séria, mas sem perder a graça, a ideia também não é assustar ninguém (risos)

CE - E o que Marcel Octavio ainda quer realizar?
MO -
 Quero primeiro entregar um grande trabalho para essa plateia nova. Esse é o meu novo desafio! Mas, sempre acreditei num mundo livre e cheio de diversidade e levo meu trabalho nessa direção, seja nos palcos ou nas telas, para plateias brasileiras ou internacionais.

Foto: Caio Gallucci

 
 

Foto: Acervo pessoal

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada...Leia a coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (25)

25/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

Continue Lendo...

Millôr Fernandes - escritor brasileiro

"Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala”.

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada fiscalização que realiza e posta em suas redes sociais, torna-se alvo de saraivada de ataques, inclusive dos seus colegas da Câmara Municipal de Dourados. Persistente, ela anda se desviando das minas espalhadas em cada órgão público que visita para constatar se os serviços estão indo ao encontro do que a população quer. Ela verifica, inclusive, o que teria sido varrido para debaixo do tapete. A realidade, dizem, é que há aqueles que desejam tirá-la do páreo de voos mais altos. Vai saber...

Diálogo

Eclético

O deputado Paulo Duarte está buscando novo rumo e, assim, deve deixar o PSB para se filiar, ao que tudo indica, no PSDB. O parlamentar tem trajetória partidária um tanto quanto extensa em sua vida política. Ele foi filiado ao PT.

Mais

E, inclusive, integrou o “núcleo duro” da administração petista em MS. Saiu do PT em 2016 e migrou para o PDT. Mas não durou muito, pois logo mudou de sigla, filiando-se ao MDB. Posteriormente, buscou abrigo no PSB e agora consta que estaria indo para o PSDB. Ufa!

DiálogoDr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo

 

DiálogoFlávia Ceretta

Eu juro!

O governador Eduardo Riedel jurou por todos os santos e arcanjos que não conversou sobre política com Lula, quando ele esteve em Campo Grande. Disse que o diálogo entre eles foi sobre, em suas palavras, “investimentos no Estado; falei para ele a respeito da rota bioceânica, da necessidade de manter o aporte para o acesso; conversamos do êxito da concessão, que foi uma delegação de parte das rodovias federais, e também de projetos que estão na Casa Civil e devem ser enviados ao Senado para aprovação da CAE, aqueles 200 milhões de dólares, que temos 50 de contrapartida”. Então, tá...

Palanque

A ministra Simone Tebet bateu o martelo com Lula e trocará MDB, seu partido por três décadas, pelo PSB, cuja figura mais ilustre é o vice-presidente Alckmin. Ela disputará uma das vagas ao Senado, mas por São Paulo, estado com maior colégio eleitoral do País, para “fazer palanque” para o lulismo. Em sua trajetória política em Mato Grosso do Sul foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora.

Recuo

Com a reta final da janela partidária e algumas definições para composição de chapas e, até mesmo, interesse de alçar outros voos, políticos decidiram fazer análise mais detidamente do cenário eleitoral. Assim, já se verifica certa disposição de algumas pré-candidaturas serem mantidas. Uma delas seria a da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL). Ela teria cogitado até se filiar ao Novo para disputar o Senado. Porém...

Aniversariantes

Elaine Batista de Oliveira,
Alfredo Zamlutti Júnior,
Lauane Braz Andrekowiski Volpe Camargo,
Vilmar Vendramin,
Andréa Elizabeth Ojeda,
Clelia Casanobas Pereira,
Ilda Vilalba Lima,
Aline de Oliveira Silva,
Cicero Pucci,
Antônio Fernandes Teixeira,
Constantinos Mastroyannis,
Goro Shiota,
Izaura Saad do Amaral,
José Aparecido Miguel,
Luis Adolar Camargo Kieling,
Paulo Ricardo Sbardelote,
Darci Rocha Rodovalho,
Elcimar Serafim de Souza,
Marizeth de Faria Molina,
Eva Lefreve,
Miguel Cherbakian Primo,
Amaury D’Anunzio de Miranda Leal,
Eduardo Orsi Abdul Ahad,
Dra. Janete Lima Miguel,
Dr. Sidney Valieri,
Pércio de Andrade Filho,
Ana Carolina Correia,
Adelino Augusto Arakaki Martins,
Maria Neusa de Souza,
Thomaz Lipparelli,
Cristiane Iguma Câmara,
Bertildes Oliveira de Abreu,
Rose Mary Monteiro,
Joaquim Alcides Carrijo,
Luis Antonio de Oliveira,
Wagner Dagoberto Baptista,
Osmar Marques do Amaral,
Aparecido Camazano Alamino,
Alceu Roque Rech,
Zely Vieira Recalde,
Antônio Vladimir Furine,
Hélio Aldo dos Santos,
Magdalena Ferraz Baís,
Roseny Rodrigues Nogueira,
Maria Pereira Motta,
Leôncio de Souza Brito Filho,
Dr. Carlos Benigno Tokarski,
Nilza Maria Coutinho,
Maria Helena Pinheiro,
Zulmira de Freitas,
Nilton Nantes Coelho,
Arialú Paula Nogueira,
José Ernesto de Souza Faria,
Gabriel Meudau Lemos,
Marilda Coelho Lima,
Otávio Otaviano da Silva Pereira,
Maria Emília da Silva,
Pedro Paulo Gentil,
Dirceu Teixeira Nogueira,
Mirna Gonçalves,
Geraldo Carvalho Corrêa,
Nilson Arantes,
Altagno Sandin Bacarje,
Dilma Alvarenga da Silva,
Agenor de Figueiredo,
Fábio da Costa Rondon,
Maria Aparecida Barros de Moura,
Lodemir Cânepa Penajo,
Carlos Augusto Melke,
Taís Oliveira Pena,
Cristina de Melo Hamana,
Assis Alves Pimenta,
Allan Kardec Victor Hugo dos Santos,
Juliene Aparecida da Silva Gomes,
Wanir Maria Gasparetto da Silva,
Edilson Carlos Araujo de Oliveira,
Dayselene de Lara,
Anuncia Gimenes Ayala,
Antonio da Silva,
José Mário Facioli,
Gustavo Kiotoshi Shiota,
Everton Santos Garcia,
Edmilson Amaral da Rosa,
Carlos Uechi,
José Antonio Amaral Camargo,
Milton de Souza Leite,
Rodrigo Fernandes Ramos,
Silvia Aparecida da Silva Rocha,
Eloisa Fernandes dos Santos,
Ademir Gonçalves da Silva,
Thamara Silva Dauzacker Furlan,
Andreia Gomes Gusman,
Guilherme Coppi,
Rubens José Franco Cozza,
Silvania Gobi Monteiro Fernandes,
Márcio José da Cruz Martins,
Cenise Fatima do Vale Montini Jonson,
Dianary Carvalho Borges,
Carlos Eduardo Tedesco Silva,
Douglas Tiago Campos,
Katiussia Ribeiro Vieira,
Nelma Ortolan Franzim,
Sara Rosane Barcelos Moreira,
Luciane de Araújo Martins,
Everton Armôa Martos,
Humberto Dauber,
Carlos Henrique Suzuki,
Vicente Martins,
Quirino Areco

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

COMPORTAMENTO E SOCIEDADE

Sociedade Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros se sentem felizes

Levantamento da Ipsos mostra crescimento nos níveis de bem-estar, com destaque para relações pessoais, saúde e espiritualidade como pilares da felicidade entre brasileiros

24/03/2026 08h00

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil Freepik

Continue Lendo...

Os brasileiros estão mais felizes atualmente do que estavam há um ano. É o que revela o Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede a percepção de felicidade em 29 países e aponta um avanço significativo nos níveis de satisfação da população.

No Brasil, 80% dos entrevistados afirmam estar felizes ou muito felizes (um crescimento de dois pontos porcentuais em relação a 2025), colocando o País entre os mais satisfeitos do mundo, na sétima posição do ranking internacional.

O levantamento mostra que 28% dos brasileiros se consideram muito felizes e 52% felizes. Enquanto 15% dizem não estar muito felizes e apenas 5% afirmam não estar felizes de forma alguma. Os números brasileiros superam a média global, que registra 74% de pessoas felizes, sendo 18% muito felizes.

O cenário nacional acompanha uma tendência internacional: em 25 dos 29 países pesquisados, os níveis de felicidade aumentaram em comparação ao ano anterior.

Apenas três países registraram queda. O dado indica uma melhora generalizada na percepção de bem-estar, possivelmente influenciada por fatores como maior estabilidade econômica e recuperação social após períodos de crise.

Os dados do levantamento revelam uma compreensão mais ampla sobre o que significa ser feliz. No Brasil, essa percepção está fortemente associada a vínculos afetivos, saúde e propósito de vida – elementos que, mesmo diante de desafios econômicos, sustentam níveis elevados de satisfação.

Ao mesmo tempo, o estudo evidencia que a felicidade não é distribuída de forma uniforme e pode variar de acordo com fatores como idade, renda e contexto social.

MOTOR DA FELICIDADE

No Brasil, a felicidade tem raízes profundas nas relações humanas e no bem-estar emocional. O principal fator apontado pelos entrevistados é o sentimento de ser amado ou valorizado, citado por 34%. Em seguida, aparecem a saúde física e mental (31%) e o relacionamento com a família e os filhos (29%).

Esses resultados mostram que, mais do que condições materiais, são os vínculos afetivos e a qualidade de vida que sustentam a sensação de felicidade entre os brasileiros.

A tendência também se repete globalmente: sentir-se apreciado e ter boas relações familiares aparecem como os principais motores da felicidade em diversos países.

Outro ponto de destaque é o papel da espiritualidade. No Brasil, 22% dos entrevistados apontam a fé ou a vida espiritual como um fator relevante para a felicidade – mais que o dobro da média global, que é de 10%.

O dado reforça uma característica cultural marcante do País, onde a religiosidade segue sendo um elemento importante na construção do bem-estar.

Além disso, fatores como perceber que a vida tem sentido e ter controle sobre a própria trajetória também aparecem entre os elementos que contribuem para a felicidade, indicando uma combinação entre aspectos emocionais, sociais e subjetivos.

DIFERENÇAS ENTRE GÊNEROS

A pesquisa também revela nuances importantes quando se observa o recorte por gênero. Entre os brasileiros que se dizem muito felizes, os homens aparecem em maior proporção (29%) em comparação às mulheres (26%).

No entanto, quando se trata do grupo que se declara feliz, as mulheres lideram, com 54%, frente a 50% dos homens.

Os dados sugerem que, embora os níveis gerais de felicidade sejam semelhantes entre os gêneros, a intensidade dessa percepção pode variar. Ainda assim, a soma total de pessoas satisfeitas com a vida se mantém elevada em ambos os grupos.

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no BrasilEspiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik

VARIAÇÃO AO LONGO DA VIDA

O estudo também analisa como a felicidade muda com a idade – e os resultados mostram um padrão curioso. A satisfação com a vida tende a ser alta na juventude, sofre uma queda por volta dos 50 anos e volta a crescer nas décadas seguintes, atingindo seu pico após os 70 anos.

Globalmente, pessoas com mais de 70 anos apresentam os maiores níveis de felicidade, enquanto aquelas na faixa dos 50 anos estão entre as menos satisfeitas.

No Brasil, a faixa etária entre 50 e 74 anos concentra o maior índice de felicidade, com 82% das pessoas se declarando felizes ou muito felizes. O dado indica que, apesar de desafios comuns à meia-idade, como questões profissionais ou financeiras, há uma retomada significativa do bem-estar com o avanço da idade.

Por outro lado, a geração Z – formada por jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 – é a que apresenta o maior porcentual de pessoas que se dizem nada felizes, embora esse número ainda seja relativamente baixo, de 6%.

UM DOS MAIS FELIZES

No ranking global, o Brasil aparece entre os países com maior índice de felicidade. As primeiras posições são ocupadas por Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). Com 80% da população feliz, o Brasil figura logo atrás, consolidando-se como um dos países mais satisfeitos entre os pesquisados.

A trajetória também é positiva no longo prazo. Desde 2011, o índice de felicidade no Brasil aumentou três pontos porcentuais, contrariando uma tendência de queda observada em alguns países ao longo dos anos.

Esse crescimento indica que, apesar de desafios econômicos e sociais, a percepção de bem-estar no País tem se mantido resiliente, sustentada principalmente por fatores não materiais.

DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE, MAS AJUDA

Se por um lado a felicidade está ligada a aspectos emocionais e relacionais, a infelicidade tem uma origem mais concreta. No Brasil, a situação financeira é o principal fator de insatisfação, citado por 54% dos entrevistados.

Na sequência, aparecem a saúde mental e o bem-estar (37%) e as condições de moradia (27%). O padrão é semelhante ao observado globalmente, em que a situação financeira também lidera como principal causa de infelicidade, com 57% das menções.

O impacto das finanças é transversal e atinge todas as gerações. Entre os baby boomers, 68% apontam esse fator como a principal causa de infelicidade. O índice cai para 62% na geração X e para 49% entre millennials e geração Z, mas ainda se mantém como o principal motivo em todos os grupos.

A pesquisa também evidencia uma relação direta entre renda e felicidade. Pessoas com maior poder aquisitivo tendem a ser mais felizes (79%) do que aquelas com renda mais baixa (67%), o que reforça a importância das condições materiais na qualidade de vida.

Apesar do peso das finanças na infelicidade, a percepção sobre a economia apresentou melhora este ano. Em 18 dos 29 países analisados, mais pessoas passaram a acreditar que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior.

Essa mudança pode ter contribuído para o aumento geral da felicidade, visto que reduz a insegurança e melhora as expectativas em relação ao futuro.

O estudo sugere que, embora fatores econômicos não sejam os principais responsáveis pela felicidade, eles exercem forte influência quando se trata de insatisfação, especialmente em contextos de instabilidade.

METODOLOGIA

O Ipsos Happiness Report 2026 foi realizado entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, com a participação de 23.268 adultos em 29 países. As entrevistas foram conduzidas por meio de plataformas on-line, com exceção da Índia, onde parte da coleta foi feita presencialmente.

No Brasil, a amostra contou com cerca de mil entrevistados, com margem de erro estimada em 3,5 pontos porcentuais. Os dados foram ajustados para refletir o perfil demográfico da população adulta, com base nos censos mais recentes.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).