Interpretando Elize Matsunaga, uma das personagens centrais de “Tremembé”, série original do Prime Video, a atriz Carol Garcia reafirma sua força e versatilidade em cena. A produção, lançada em 31 de outubro, marca mais um passo importante na carreira da atriz, que vem se destacando em produções de sucesso no streaming, na televisão e no teatro.
Antes de estrear na TV pela Globo, Carol ficou por quatro anos trabalhando no canal Parafernalha, no Youtube, atuando em esquetes de humor. Na televisão, ainda protagonizou os seriados: “Questão de Família” (2015, GNT), “República de Férias” (2015, TV Rio Sul, ) e “Temos Vagas” (2014, TV Rio Sul).
Na Globo, a atriz fez as novelas “Quanto Mais Vida, Melhor” (2021) e “A Dona do Pedaço (2019)”, pela qual recebeu vários elogios e reconhecimento do público por seu papel de Sabrina, sendo indicada ao prêmio de Atriz Revelação no Melhores do Ano do Domingão do Faustão.
No cinema, atuou no longa-metragem “Os Parças” (2017, Dir. Halder Gomes) e faz parte do elenco principal da série da Netflix “Sem Filtro” (2023) e da série “Tremembé” (2025), do Prime Video.
Fez espetáculos como “Lá Dentro Tem Coisa” (2018, Dir. Felipe Habbib), “Círculo da Transformação em Espelho” (2017, Dir. Cesar Augusto), “Leo e Bia” (2017, Dir. Leonardo Talarico), “Cinco Júlias - Musical” (2016, Dir. Matheus Souza), “Tempo de Solidão” (2010, Dir. Ivan Sugahara) e os musicais de Daniel Herz: “O elixir do Amor” (2016), “As Bodas de Figaro” (2015) e “O Barbeiro de Ervilha” (2015).
A atriz Carol Garcia é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Santa Bárbara - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - Na série Tremembé você dá vida à Elise Matsunaga, uma personagem superintensa e cheia de camadas. Como foi se preparar emocionalmente e tecnicamente para este trabalho?
CG - Foi um processo de uma carga emocional grande, realmente. Foi um período que eu me dediquei 100% para a série. Foi uma espécie de internação. Risos. Eu dormia e acordava pesquisando, pensando, testando. Passei tanto por investigações emocionais intensas, quanto por aulas de prosódia para entender o sotaque, aulas de costura, conversa com profissionais de saúde mental e emocional.
Tudo isso se junta à técnica, se não vira um amontoado de emoção. Foi necessário olhar para cada cena, e pensei num gráfico. Se você reparar, ao longo dos episódios a emoção vai tomando conta da Elize e ela se transforma na tela. Isso foi técnica, estudo e meus gráficos pessoais.
CE - Teve alguma cena ou momento das gravações que te marcou de forma especial — seja pelo desafio, pela emoção ou pela história mesmo?
CG - A cena da audiência, quando ela vai pleitear o direito de fazer o documentário. Essa cena me deixou num estado emocional muito aberto e foi precisei respirar muito depois. Como eu queria uma Elize mais contida, eu segurei a emoção. Quando deu o “corta” eu chorei, gritei, solucei – para tirar de mim aquela sensação.
CE - A série traz temas bem delicados e reais. Na sua visão, qual é a importância de produções que retratam casos reais, de grande repercussão e de crimes tão brutais?
CG - Esses casos e outros muito piores acontecem com mais frequência do que imaginamos, infelizmente. Acho que mostrar a humanidade como ela é, pode nos educar. Assistir ao horror também é uma forma de repúdio.
CE - Você já passou pela comédia no Parafernalha, novelas na Globo e agora encara uma série bem densa. Como tem sido transitar entre estilos e plataformas tão diferentes?
CG - Meu desejo como atriz sempre foi o de transitar. Corro muito atrás disso. Minhas referências de atrizes são justamente as que não tem medo de se jogar e tem inteligência cênica para passear pelo humor e pelo drama. Nós somos facilmente estereotipados como “atores disso ou daquilo”. Eu lutei muito para conseguir ser vista como uma atriz que também faz drama.
Aliás, vejo drama e humor como complementares. A experiencia humana é toda cheia de contradições, e é disso que a cena é feita. Eu sei onde posso chegar como atriz, mas isso não basta. É preciso alguém que veja, confie e aposte. Tive a sorte de ter a Vera Egito e a Anna Luiza (produtora de elenco) que me enxergaram para além dos estereótipos. Estou muito feliz com esse passeio e querendo muito que abra outras portas, outras personagens.
CE - A personagem Sabrina, na novela A Dona do Pedaço trouxe bastante visibilidade para seu trabalho. O que mudou na tua carreira depois daquele papel?
CG - Mudou tudo. Foi um portal. Não como se dizia antigamente: “mudou minha vida, deslanchei.” Não. Não fiquei rica, nem passei a emendar mil trabalhos. Eu sou muito amiga da realidade e sei que quando uma novela acabada, muita coisa fantasiosa acaba também. Mas eu fui indicada ao prêmio Melhores do Ano por esse trabalho e depois disso eu sinto que passei a ser mais respeitada em alguns ambientes profissionais. É chato isso, mas muitas vezes é preciso que alguém nos valide. E nesse caso, a novela e o prêmio foram essa validação. Fora isso, eu tive o deleite de fazer uma personagem muito gostosa, com parceiros de cena fantásticos.
A atriz Carol Garcia é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Santa Bárbara - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - No teatro, você já participou de vários musicais e produções autorais. Como o palco te ajudou a crescer como artista e como pessoa?
CG - Eu sou uma devota do palco. O teatro me deu tudo o que eu tenho hoje. TUDO. Comecei a fazer aulas aos 11 anos, fiz faculdade de teatro, pós graduação. Eu não tenho memória da vida sem o teatro.
O teatro me deu, inclusive, meu segundo trabalho: o Oratória Para Rebeldes, onde dou mentorias da fala com base nas tradições orais, mesclando exercícios cênicos com os de oratória tradicional. O teatro me preparou para ter pé no chão, ética, comprometimento. Como artista, eu sinto que o teatro me deu a paz de não buscar holofote e me manter compromissada com o ofício, com as histórias, com a pesquisa. Sinto muito orgulho de me dizer uma artista do palco.
CE - Além da atuação, você tem se dedicado à oratória. Como surgiu esse interesse e de que forma esse trabalho se conecta com o que você faz como atriz?
CG - Nas mentorias, entro em contato com a história de cada aluno — com suas dores, sonhos e silêncios. Procuro entender quais vozes moldaram a forma como essa pessoa aprendeu a falar e a se calar. Só então chegamos ao modo como ela se expressa hoje.
Chamo esse processo de Do Corpo, a Palavra, porque acredito que a palavra precisade corpo para existir — precisa de espaço, de respiração, de presença para virar som. Esse trabalho me transformou profundamente como artista.
Testemunhar a humanidade de quem se coloca diante de mim é algo que me atravessa profundamente. Minha grande referência é o griot Sotigui Kouyaté, que dizia que a pessoa mais importante quando falamos não somos nós, mas quem nos ouve. Essa é também a essência da atuação. No fundo, o que eu busco, seja em cena, seja na mentoria, é o mesmo: me interessar por quem me escuta. Porque é aí que a palavra ganha sentido.
Ao lado do elenco de Tremembé - Divulgação Prime VídeoCE - Muita gente trava na hora de falar em público. Que dica você daria pra quem quer se expressar melhor e perder o medo de se expor?
CG - Não existe outro caminho senão o do treino. E eu repito isso com firmeza. Falar em público é um exercício de autoconhecimento e despojamento. Se nos levarmos muito a sério, travamos. Se precisamos da aprovação excessiva do outro, travamos. Nas mentorias, sempre começo pelo “fale de você”, porque antes de estruturar o discurso, é preciso entender quem fala, de onde vem e o que teme.
A dica mais simples e certeira que eu dou é: se investigue e respire. Quando o corpo trava, a fala para. A respiração é o primeiro gesto de liberdade. Inspire pelo nariz lentamente, solte o ar pela boca soltando todos o corpo (ombros e pescoço principalmente) e observe o que se movimenta. É no ar que abrimos espaço.
CE - Depois de tantos projetos no teatro, na TV, no cinema e no streaming, o que ainda te move como artista? Tem algum tipo de papel ou gênero que você ainda sonha em fazer?
CG - Nossa, muita coisa. Rsrsrs Eu sou sonhadora, gosto de espremer a vida até a última gota. Ainda quero fazer meu solo no teatro (sobre comunicação) e quero fazer mais séries e poder mesclar drama e humor. Ainda não fiz série na Globoplay e quero muito. Adoro as produções da Globo: Os Outros, Dias Perfeitos, Justiça, Guerreiros do Sol, Sob Pressão, Fim, Nos Tempos do Imperador, Rensga Hits.
CE - O que você pode nos contar sobre projetos futuros?
CG - Não tenho nada definido no momento. Mas estou escrevendo meu projeto de teatro, porque não sou de ficar parada esperando. Enquanto isso sigo dando mentorias de Oratória e em 2026 relanço meu curso online.

Dr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo
Flávia Ceretta
Espiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik


