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Capa da semana B+: Entrevista exclusiva com a atriz destaque na série "Tremembé" Débora Fernanda

"Foi um papel desafiador pela própria temática e crime. Primeiro fui ler a história do crime da Raissa que está no livro "Suzane Assassina e Manipuladora" do Ullissess Campbell, foi ele que deu base a primeira temporada de Tremembé"

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Débora Fernanda está na série de sucesso “Tremembé”, no Prime Video. Na produção, ela vive a presidiária Raíssa, uma personagem verídica que foi parar na cadeia depois de matar uma criança. A personagem se torna amiga de Suzane Von Richtofen (Marina Ruy Barbosa) e a convida para ser sua madrinha de casamento fora das grades.

Com 37 anos de idade e 13 de carreira, Débora Fernanda estreou na peça "Saga da Bruxa Morgana e Família Real", sob a direção de Christiane Tricerri. Graduada em Arte e Teatro pela UNESP e em Rádio e TV pelas Faculdades Integradas Rio Branco, a artista ainda pode ser vista no streaming no filme de ação e ficção científica “Biônicos”, da Netflix, e em ‘Tarã’, série original da Disney+.

Débora ainda tem no currículo os curtas-metragens “Corre”, que recebeu o prêmio de Melhor Curta no Chicago Feedback Film Festival, e ‘Ilê’, um documentário vertical que aborda o racismo na infância que conquistou o prêmio Empathy no Essential Stories Film Festival, em San Francisco, Califórnia.

Paulistana, Débora Fernanda também integrou diversos coletivos voltados para a cultura popular afro-brasileira e indígena, como a Trupe Trio, Casa de Maria e Cia Alcina da Palavra. Ela ainda teve seus contos e poesias publicados no box "Contos da Quarentena", e nos livros "Posfácio do Coletivo Sinestésica" , "Literatura Negra Feminina: Poemas de Sobre(vivência)" e "Olhos de Mergulho".

Débora é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre carreira, escolhas e o sucesso de sua personagem na série "Tremembé" no Prme Vídeo.

 A atriz Débora Fernanda é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Thom Foxx - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Debora Fernanda está em seu primeiro papel de destaque na carreira na série “Tremembé”. Como se descobriu interessada na arte? E como foi a caminhada até chegar na série?
DF - 
Desde criança tive contato com arte e sempre amei, meus pais sempre assistiram a muitos filmes e ouviam músicas. Esses dias eu encontrei dois cadernos da escolinha de quando eu era criança e tinha uma pergunta, o que você quer ser quando crescer? Aos 7 anos eu respondi que queria ser cantora e aos 8 que queria ser atriz.

Mais ou menos nessa idade minha mãe me colocou para fazer curso de teatro no Municipal de Araras. Com relação a arte minha mãe, Sandra Enedina, foi, e é a maior incentivadora, meu pai e minha irmã não ficam atrás. Nos horários de contraturno da escola, nossa mãe nos colocava, eu e minha irmã, para fazer outros cursos gratuitos disponibilizados pela Prefeitura de Araras ou por ONGs que tinham na cidade.

Eu lembro que além do teatro fiz aulas de teclado, canto, coral, corte costura, pintura em pano de prato etc, eu amava. Daí já se vê a importância do apoio da família e o incentivo público para a formação dos artistas desse país.

Eu tive a “oportunidade” de estudar em um colégio particular na cidade, era religioso, tinha aula de teatro e era extremamente racista, as crianças, os professores e a direção do colégio eram horríveis comigo e com minha irmã, despejavam todo tipo de atrocidades. E eu ainda tenho dislexia, misofonia e com todo esse quadro, óbvio, tive dificuldade de aprendizado e os formadores atribuíam essa questão da cor da minha pele.

Existia um estigma, eu sou preta e, portanto, era considerada burra e feia, foram muitas críticas e humilhação sempre, os únicos espaços onde me aceitavam era no esporte (o que ainda faz parte do estereótipo) e no teatro porque eu realmente mandava bem. Daí o teatro que eu já gostava, passou a ser o meu espaço de aceitação e segurança. 

Eu me lembro de uma peça que apresentei no colégio “Arena Conta Zumbi”, texto do Guarnieri e Boal, com a direção do querido Mussa Daniel, meu professor na época, ali foi um grande ponto de virada, descobri que tinha muita força e resistência preta e que tinha também muitos motivos para me orgulhar. 

No dia seguinte e em alguns próximos, na escola, a turma me reconheceu como gente, como um ser capaz de fazer algo, até recebi elogios. O teatro passou a ser lugar de aprovação, depois reconhecimento, lugar possível de uma existência. E até hoje me sinto assim, me sinto fazendo algo importante para a sociedade, me sinto viva quando estou atuando.

Saí de Araras, vim para São Paulo e a primeira peça que assisti foi com a Christiane Tricerri, ela estava fazendo Megera Domada, foi incrível meu coração parecia que ia sair pela boca vendo essa atriz  grandiosa atuando, eu me lembro de rezar para a peça não acabar.

Fiz o curso profissionalizante da Escola de Teatro Celia Helena, onde também me destaquei, já saí de lá fazendo um espetáculo com Rosi Campos, Tadeu de Piettro, Majeca Angelute e sendo dirigida pela própria Christiane Tricerri!  Na minha primeira peça profissional, um presente, eu não parei mais.

Estudei também na UNESP e lá passei a fazer contação de histórias, me juntei com uma amiga e contamos histórias que meu avô baiano pescador me contava, e que meu pai também recontava, nesse ponto me interessei e pesquisei muito a cultura popular, acho que ainda na busca de reconhecer as belezas de minhas raízes tanto machucada na minha infância.

Fiz peça de todo tipo, infantis, adultas, juvenis, espetáculos bem estruturados outros em companhias precárias. Vivo muito teatro. Na pandemia com tudo fechado, ainda fiz peça online do Itaú Cultural e outras apresentações nos telhados dos Sescs para as pessoas assistirem pela janela de seus prédios. O trabalho foi escasso e o audiovisual me surgiu como possibilidade. Passei a me gravar e estudar em casa, logo passei em um teste para gravar um curta no Maranhão.

Assim que o Flavio Dino liberou a vacina eu a tomei para poder gravar meu primeiro filme, fiquei dois meses lá, a partir de então  não parei mais de estudar para o audiovisual. Fiz outros filmes, entre eles “Biônicos” da Netflix em que faço uma participação e sou dublê da Gabz; e Tarã da Disney em que faço uma dança na abertura, esse ainda não saiu. Fiz dois curtas autorais e participei de outras produções independentes que receberam prêmios.

Passei por agências, até me conectar com meu agente atual, descobrimos que íamos fechar um contrato juntos a partir de um sonho que ele me contou, interpretamos, ele conseguiu arrumar o teste para o Tremembé e eu estava pronta!

CE - Na produção, você vive Raissa, uma mulher que matou uma criança e depois ainda se casou com o pai dela.  Como foi o processo para se preparar para essa personagem?
DF - 
Foi um papel desafiador pela própria temática e crime. Primeiro fui ler a história do crime da Raissa que está no livro “Suzane Assassina e Manipuladora” do Ullissess Campbell, foi ele que deu base a primeira temporada de Tremembé, o autor também me disponibilizou a foto dela em seu casamento, e  eu fiquei horas tentando tirar informações que estavam contidas naquela foto.

Fui atrás de séries que falam sobre assassinatos, e depoimentos de pessoas que cometeram esses crimes horrorosos e dos familiares das vítimas. Também passei a frequentar uma igreja evangélica aqui perto de casa para entender um pouco sobre as emoções, os comportamentos e como seria sentir esse perdão sendo uma pessoa cristã.

Conversei com muitas amigas mães que me relataram os sintomas e sensações do puerpério. Minha irmã tinha acabado de dar a luz a minha sobrinha Luanda, eu via e sentia de perto todo esse processo transformador que acontece na vida da mulher. Falei com uma amiga psicóloga sobre depressão pós-parto. Porque Raissa era uma mulher, que fez esse ato detestável, quando ela tinha um bebê, e a defesa alegou que no momento ela vivia uma depressão pós-parto. Fui caminhando por onde conseguia me aproximar mais dela.

Ela matou, foi condenada, e depois foi perdoada e teve uma oportunidade de viver algo que a maioria das detentas não vive, além do perdão ela foi pedida em casamento. No casamento o marido diz que ela foi tomada pelo diabo ao matar a criança, eu não acredito nisso, mas me ponho a pensar se uma bomba hormonal que é o que acontece no puerpério e uma depressão  pode ou não se assemelhar com o diabo entrando no corpo de alguém?

 No presídio feminino acontece o oposto do masculino, geralmente quando são presos os homens abandonam suas companheiras, o que acontece com ela é atípico, além de ser perdoada por ele, o pai da criança, ele a pede em casamento, é uma loucura, mas me parece que ela teve a oportunidade de viver o amor. E aqui me pergunto novamente, se fosse com você, não consideraria que isso foi um milagre também?

É tudo muito complexo nessa história, e fazer as escolhas de como eu a via também. Eu decidi os movimentos dela, e tive ajuda no SET com as preparadoras Carol Fabri e Maria Laura, e contei ainda com a direção da Vera Egito e do Daniel Leiff. O assunto é muito denso e mexeu com muitas camadas, eu segui fazendo minha terapia, e também com cuidados espirituais com meu Babalorixá.

CE - Acha que Tremembé é um ponto de virada na sua carreira? Já impactou de alguma forma sua vida?
DF - 
Eu conto com isso rs! Acredito que sim porque muita gente que não me conhecia passou a conhecer o meu trabalho, inclusive produtores de elenco. Espero que me abram oportunidades para muitos trabalhos porque é o que eu quero, trabalhar no audiovisual com papéis maiores e com trama relevante. Eu sei que estou pronta e quero muito mais! Na minha vida impactou de diversas formas, algumas pessoas me reconhecem na rua, pessoas das artes que não me conheciam e eu admirava vem me parabenizar, a minha confiança aumentou também e sei que posso ir muito mais longe.

CE - Poderemos ver Raissa na já anunciada segunda temporada da série? E o que gostaria de mostrar mais sobre ela que você tem conhecimento, mas o público não?
DF - Eu acredito que ela estará sim na próxima… rs ouvi boatos … Tem tanta coisa que eu gostaria que contassem dessa personagem, como por exemplo, como ela se converteu ao evangelismo?  Ver ela conduzindo Suzane a chegar nessa religião; gostaria de faze-la pregando como pastora da cadeia, de contar como ela se sentiu depois de ter casado e ainda assim voltado para cadeia. Como essa relação se deu, como vive um casamento uma pessoa presa e outra livre? Gostaria que contassem o crime dela, levantassem essas situações de puerpério e depressão pós-parto. Eu aqui fico me imaginando fazendo várias cenas rs.

CE - Você já passou por situações de racismo na infância conforme falou em recentes entrevistas. Como isso impactou na sua vida? E na sua arte?
DF -
 O racismo me violentou mais quando eu era criança porque eu não tinha defesa, não entendia o tamanho dessa estrutura silenciadora. Hoje eu sou letrada racialmente, tenho consciência e sei me defender, e não mais acredito em situações que tentam me deprimir e me humilhar, mas frequentemente eu passo por situações racistas ainda hoje, infelizmente.

Além das violências diretas verbais e físicas tem as sutis da estrutura que são devastadoras, a estrutura precisa ser modificada. Um sintoma, por exemplo, é a pouca oportunidade para atores pretos no audiovisual ou quando tem pessoas negras atuando. Ainda sim a importância dos personagens para a trama é menor. Esse quadro por hora é determinante, então sempre influenciou meu trabalho e nas minhas oportunidades.

Por outro lado, eu amo ser uma mulher preta, e tenho muito orgulho das riquezas do meu povo, das culturas e artes. Desde quando me reconheço por artista trabalho com culturas populares relacionadas, faço parte de coletivos que fazem contação de histórias africanas, afro-brasileiras  e indígenas. Faço muitas peças com essa temática como Sankofa, Estrela do Encante e Jornada Heroica de Maria, que fiz esse ano.

Sou capoeirista do grupo Quilombolas de Luz, onde atuo com a comunidade cozinhando nas festas e doou minhas contações de histórias. Sou filha do Asè do Rio das Pedras  e nesse terreiro colaboro com a formação artística e de letramento racial  dos membros. Eu tenho um sonho que nenhuma criança passe pelo que eu passei na infância… Mas infelizmente ainda acontece, e elas me contam. Eu me sinto a serviço da arte, a serviço da arte preta, porque onde eu estiver atuando, em qualquer temática que eu estiver desenvolvendo vai ser a partir desse meu corpo preto com todas as experiências somadas em mim.

A atriz Débora Fernanda é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Thom Foxx - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Além de atuar, você é escritora e já lançou quatro livros. O que inspira sua escrita? Há planos para novas obras literárias?
DF - 
Eu sou colaboradora desses livros, gosto muito de escrever, quando vou ver já tô escrevendo alguma coisa, é meio que natural, uma necessidade! Eu acabei de escrever uma música de capoeira que eu quero muito que se transforme em clipe, submeti a lei Rouanet, e agora estou na busca de patrocinadores, tem toda uma caminhada para essa produção.

Eu sempre sinto vontade de escrever, geralmente está ligado com os próprios processos que estou passando na vida. Acho que escrevo para ver outras realidades, ou novas possibilidades de resolver minhas questões. Tenho cada dia mais me interessado por escrever roteiros. Eu tenho escrito alguns, estão guardados, vai chegar a hora de eu conseguir produzir.

CE - Débora Fernanda se assiste? É muito crítica?
DF -
 Eu me assisto sim… acho que faz parte do processo… até para eu entender o que foi legal e o que não. Gosto muito de fazer isso como forma de exercício, decorar alguns textos, gravar e ver como está, ou pensar novas possibilidades.

Eu sou bem crítica comigo mesma, não queria ser tão assim, tento a cada dia ter mais gentileza comigo. Eu gosto muito de ouvir as pessoas falando do meu trabalho geralmente me dá uma aliviada.

CE - Muitos artistas sonham em fazer novela. E você? Qual personagem dos sonhos?
DF - 
Eu também sonho em fazer novela! Ficar um pouco mais estável porque a novela é longa, se grava por alguns meses, e deve ser uma experiência maravilhosa! Eu tô pronta! Não vejo a hora de ter essa oportunidade! Eu amaria fazer vários papéis … deve chegar ao infinito rs , tenho sonho de fazer uma capoeirista, uma dona da boca, uma mulher influente em uma escola de samba, uma rainha, dona de um bar, funkeira, uma vilã bruxona ….. eu sou capoeirista adoraria fazer mais papéis de ação em que eu possa usar a luta, o jogo de capoeira em si.

CE - Se não fosse atriz, o que seria? E já pensou em desistir da arte?
DF -
 Eu penso em desistir constantemente, tem muito desafio e falta de oportunidade...ainda mais com esses desgovernos que vão cortando leis de incentivo para arte, São Paulo está uma lástima e sei que o resto do pais não está diferente ...  mas daí eu me pergunto, o que é que eu vou fazer? E só me vem  arte como resposta....

Acho que se eu não fosse atriz eu seria dançarina ou escritora, ou ainda tentaria viver da capoeira. Eu não sei acho que morreria sem arte, acho que não seria eu. A arte me salva e me faz perder, mas não me vejo em outro lugar, mesmo porque se eu penso em não ser atriz já penso em outros tipos de arte. Artista é a maneira que eu sei existir.

CE - Quais os próximos projetos de Débora Fernanda?
DF - Espero grandes surpresas do universo! Desejo com todas as minhas forças trabalhar muito mais com audiovisual em 2026. Fazer mais filmes, séries e novelas. Gostaria muito de desenvolver esse clipe de capoeira “A nega voou”, para isso preciso arrumar patrocínio. Tenho alguns projetos de teatro que seguirei fazendo “A Estrela do Encante”, “ Sankofa” “Jornada Heroica de Maria”.

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada...Leia a coluna de hoje

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25/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Millôr Fernandes - escritor brasileiro

"Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala”.

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada fiscalização que realiza e posta em suas redes sociais, torna-se alvo de saraivada de ataques, inclusive dos seus colegas da Câmara Municipal de Dourados. Persistente, ela anda se desviando das minas espalhadas em cada órgão público que visita para constatar se os serviços estão indo ao encontro do que a população quer. Ela verifica, inclusive, o que teria sido varrido para debaixo do tapete. A realidade, dizem, é que há aqueles que desejam tirá-la do páreo de voos mais altos. Vai saber...

Diálogo

Eclético

O deputado Paulo Duarte está buscando novo rumo e, assim, deve deixar o PSB para se filiar, ao que tudo indica, no PSDB. O parlamentar tem trajetória partidária um tanto quanto extensa em sua vida política. Ele foi filiado ao PT.

Mais

E, inclusive, integrou o “núcleo duro” da administração petista em MS. Saiu do PT em 2016 e migrou para o PDT. Mas não durou muito, pois logo mudou de sigla, filiando-se ao MDB. Posteriormente, buscou abrigo no PSB e agora consta que estaria indo para o PSDB. Ufa!

DiálogoDr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo

 

DiálogoFlávia Ceretta

Eu juro!

O governador Eduardo Riedel jurou por todos os santos e arcanjos que não conversou sobre política com Lula, quando ele esteve em Campo Grande. Disse que o diálogo entre eles foi sobre, em suas palavras, “investimentos no Estado; falei para ele a respeito da rota bioceânica, da necessidade de manter o aporte para o acesso; conversamos do êxito da concessão, que foi uma delegação de parte das rodovias federais, e também de projetos que estão na Casa Civil e devem ser enviados ao Senado para aprovação da CAE, aqueles 200 milhões de dólares, que temos 50 de contrapartida”. Então, tá...

Palanque

A ministra Simone Tebet bateu o martelo com Lula e trocará MDB, seu partido por três décadas, pelo PSB, cuja figura mais ilustre é o vice-presidente Alckmin. Ela disputará uma das vagas ao Senado, mas por São Paulo, estado com maior colégio eleitoral do País, para “fazer palanque” para o lulismo. Em sua trajetória política em Mato Grosso do Sul foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora.

Recuo

Com a reta final da janela partidária e algumas definições para composição de chapas e, até mesmo, interesse de alçar outros voos, políticos decidiram fazer análise mais detidamente do cenário eleitoral. Assim, já se verifica certa disposição de algumas pré-candidaturas serem mantidas. Uma delas seria a da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL). Ela teria cogitado até se filiar ao Novo para disputar o Senado. Porém...

Aniversariantes

Elaine Batista de Oliveira,
Alfredo Zamlutti Júnior,
Lauane Braz Andrekowiski Volpe Camargo,
Vilmar Vendramin,
Andréa Elizabeth Ojeda,
Clelia Casanobas Pereira,
Ilda Vilalba Lima,
Aline de Oliveira Silva,
Cicero Pucci,
Antônio Fernandes Teixeira,
Constantinos Mastroyannis,
Goro Shiota,
Izaura Saad do Amaral,
José Aparecido Miguel,
Luis Adolar Camargo Kieling,
Paulo Ricardo Sbardelote,
Darci Rocha Rodovalho,
Elcimar Serafim de Souza,
Marizeth de Faria Molina,
Eva Lefreve,
Miguel Cherbakian Primo,
Amaury D’Anunzio de Miranda Leal,
Eduardo Orsi Abdul Ahad,
Dra. Janete Lima Miguel,
Dr. Sidney Valieri,
Pércio de Andrade Filho,
Ana Carolina Correia,
Adelino Augusto Arakaki Martins,
Maria Neusa de Souza,
Thomaz Lipparelli,
Cristiane Iguma Câmara,
Bertildes Oliveira de Abreu,
Rose Mary Monteiro,
Joaquim Alcides Carrijo,
Luis Antonio de Oliveira,
Wagner Dagoberto Baptista,
Osmar Marques do Amaral,
Aparecido Camazano Alamino,
Alceu Roque Rech,
Zely Vieira Recalde,
Antônio Vladimir Furine,
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Magdalena Ferraz Baís,
Roseny Rodrigues Nogueira,
Maria Pereira Motta,
Leôncio de Souza Brito Filho,
Dr. Carlos Benigno Tokarski,
Nilza Maria Coutinho,
Maria Helena Pinheiro,
Zulmira de Freitas,
Nilton Nantes Coelho,
Arialú Paula Nogueira,
José Ernesto de Souza Faria,
Gabriel Meudau Lemos,
Marilda Coelho Lima,
Otávio Otaviano da Silva Pereira,
Maria Emília da Silva,
Pedro Paulo Gentil,
Dirceu Teixeira Nogueira,
Mirna Gonçalves,
Geraldo Carvalho Corrêa,
Nilson Arantes,
Altagno Sandin Bacarje,
Dilma Alvarenga da Silva,
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Maria Aparecida Barros de Moura,
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Taís Oliveira Pena,
Cristina de Melo Hamana,
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Juliene Aparecida da Silva Gomes,
Wanir Maria Gasparetto da Silva,
Edilson Carlos Araujo de Oliveira,
Dayselene de Lara,
Anuncia Gimenes Ayala,
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Gustavo Kiotoshi Shiota,
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Ademir Gonçalves da Silva,
Thamara Silva Dauzacker Furlan,
Andreia Gomes Gusman,
Guilherme Coppi,
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Cenise Fatima do Vale Montini Jonson,
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Carlos Eduardo Tedesco Silva,
Douglas Tiago Campos,
Katiussia Ribeiro Vieira,
Nelma Ortolan Franzim,
Sara Rosane Barcelos Moreira,
Luciane de Araújo Martins,
Everton Armôa Martos,
Humberto Dauber,
Carlos Henrique Suzuki,
Vicente Martins,
Quirino Areco

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

COMPORTAMENTO E SOCIEDADE

Sociedade Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros se sentem felizes

Levantamento da Ipsos mostra crescimento nos níveis de bem-estar, com destaque para relações pessoais, saúde e espiritualidade como pilares da felicidade entre brasileiros

24/03/2026 08h00

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil Freepik

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Os brasileiros estão mais felizes atualmente do que estavam há um ano. É o que revela o Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede a percepção de felicidade em 29 países e aponta um avanço significativo nos níveis de satisfação da população.

No Brasil, 80% dos entrevistados afirmam estar felizes ou muito felizes (um crescimento de dois pontos porcentuais em relação a 2025), colocando o País entre os mais satisfeitos do mundo, na sétima posição do ranking internacional.

O levantamento mostra que 28% dos brasileiros se consideram muito felizes e 52% felizes. Enquanto 15% dizem não estar muito felizes e apenas 5% afirmam não estar felizes de forma alguma. Os números brasileiros superam a média global, que registra 74% de pessoas felizes, sendo 18% muito felizes.

O cenário nacional acompanha uma tendência internacional: em 25 dos 29 países pesquisados, os níveis de felicidade aumentaram em comparação ao ano anterior.

Apenas três países registraram queda. O dado indica uma melhora generalizada na percepção de bem-estar, possivelmente influenciada por fatores como maior estabilidade econômica e recuperação social após períodos de crise.

Os dados do levantamento revelam uma compreensão mais ampla sobre o que significa ser feliz. No Brasil, essa percepção está fortemente associada a vínculos afetivos, saúde e propósito de vida – elementos que, mesmo diante de desafios econômicos, sustentam níveis elevados de satisfação.

Ao mesmo tempo, o estudo evidencia que a felicidade não é distribuída de forma uniforme e pode variar de acordo com fatores como idade, renda e contexto social.

MOTOR DA FELICIDADE

No Brasil, a felicidade tem raízes profundas nas relações humanas e no bem-estar emocional. O principal fator apontado pelos entrevistados é o sentimento de ser amado ou valorizado, citado por 34%. Em seguida, aparecem a saúde física e mental (31%) e o relacionamento com a família e os filhos (29%).

Esses resultados mostram que, mais do que condições materiais, são os vínculos afetivos e a qualidade de vida que sustentam a sensação de felicidade entre os brasileiros.

A tendência também se repete globalmente: sentir-se apreciado e ter boas relações familiares aparecem como os principais motores da felicidade em diversos países.

Outro ponto de destaque é o papel da espiritualidade. No Brasil, 22% dos entrevistados apontam a fé ou a vida espiritual como um fator relevante para a felicidade – mais que o dobro da média global, que é de 10%.

O dado reforça uma característica cultural marcante do País, onde a religiosidade segue sendo um elemento importante na construção do bem-estar.

Além disso, fatores como perceber que a vida tem sentido e ter controle sobre a própria trajetória também aparecem entre os elementos que contribuem para a felicidade, indicando uma combinação entre aspectos emocionais, sociais e subjetivos.

DIFERENÇAS ENTRE GÊNEROS

A pesquisa também revela nuances importantes quando se observa o recorte por gênero. Entre os brasileiros que se dizem muito felizes, os homens aparecem em maior proporção (29%) em comparação às mulheres (26%).

No entanto, quando se trata do grupo que se declara feliz, as mulheres lideram, com 54%, frente a 50% dos homens.

Os dados sugerem que, embora os níveis gerais de felicidade sejam semelhantes entre os gêneros, a intensidade dessa percepção pode variar. Ainda assim, a soma total de pessoas satisfeitas com a vida se mantém elevada em ambos os grupos.

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no BrasilEspiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik

VARIAÇÃO AO LONGO DA VIDA

O estudo também analisa como a felicidade muda com a idade – e os resultados mostram um padrão curioso. A satisfação com a vida tende a ser alta na juventude, sofre uma queda por volta dos 50 anos e volta a crescer nas décadas seguintes, atingindo seu pico após os 70 anos.

Globalmente, pessoas com mais de 70 anos apresentam os maiores níveis de felicidade, enquanto aquelas na faixa dos 50 anos estão entre as menos satisfeitas.

No Brasil, a faixa etária entre 50 e 74 anos concentra o maior índice de felicidade, com 82% das pessoas se declarando felizes ou muito felizes. O dado indica que, apesar de desafios comuns à meia-idade, como questões profissionais ou financeiras, há uma retomada significativa do bem-estar com o avanço da idade.

Por outro lado, a geração Z – formada por jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 – é a que apresenta o maior porcentual de pessoas que se dizem nada felizes, embora esse número ainda seja relativamente baixo, de 6%.

UM DOS MAIS FELIZES

No ranking global, o Brasil aparece entre os países com maior índice de felicidade. As primeiras posições são ocupadas por Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). Com 80% da população feliz, o Brasil figura logo atrás, consolidando-se como um dos países mais satisfeitos entre os pesquisados.

A trajetória também é positiva no longo prazo. Desde 2011, o índice de felicidade no Brasil aumentou três pontos porcentuais, contrariando uma tendência de queda observada em alguns países ao longo dos anos.

Esse crescimento indica que, apesar de desafios econômicos e sociais, a percepção de bem-estar no País tem se mantido resiliente, sustentada principalmente por fatores não materiais.

DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE, MAS AJUDA

Se por um lado a felicidade está ligada a aspectos emocionais e relacionais, a infelicidade tem uma origem mais concreta. No Brasil, a situação financeira é o principal fator de insatisfação, citado por 54% dos entrevistados.

Na sequência, aparecem a saúde mental e o bem-estar (37%) e as condições de moradia (27%). O padrão é semelhante ao observado globalmente, em que a situação financeira também lidera como principal causa de infelicidade, com 57% das menções.

O impacto das finanças é transversal e atinge todas as gerações. Entre os baby boomers, 68% apontam esse fator como a principal causa de infelicidade. O índice cai para 62% na geração X e para 49% entre millennials e geração Z, mas ainda se mantém como o principal motivo em todos os grupos.

A pesquisa também evidencia uma relação direta entre renda e felicidade. Pessoas com maior poder aquisitivo tendem a ser mais felizes (79%) do que aquelas com renda mais baixa (67%), o que reforça a importância das condições materiais na qualidade de vida.

Apesar do peso das finanças na infelicidade, a percepção sobre a economia apresentou melhora este ano. Em 18 dos 29 países analisados, mais pessoas passaram a acreditar que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior.

Essa mudança pode ter contribuído para o aumento geral da felicidade, visto que reduz a insegurança e melhora as expectativas em relação ao futuro.

O estudo sugere que, embora fatores econômicos não sejam os principais responsáveis pela felicidade, eles exercem forte influência quando se trata de insatisfação, especialmente em contextos de instabilidade.

METODOLOGIA

O Ipsos Happiness Report 2026 foi realizado entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, com a participação de 23.268 adultos em 29 países. As entrevistas foram conduzidas por meio de plataformas on-line, com exceção da Índia, onde parte da coleta foi feita presencialmente.

No Brasil, a amostra contou com cerca de mil entrevistados, com margem de erro estimada em 3,5 pontos porcentuais. Os dados foram ajustados para refletir o perfil demográfico da população adulta, com base nos censos mais recentes.

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