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Cinema B+: Tudo é justo: o julgamento exagerado da série com Kim Kardashian

A nova série da Disney+ e de Ryan Murphy é acusada de tudo, mas não é pior do que já vimos antes.

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Em tempos de redes sociais, poucas coisas são tão implacáveis quanto o tribunal da opinião pública. All’s Fair (Tudo é Justo), nova criação de RyanMurphy para a FX e o Hulu (aqui no Disney+), virou ré em tempo recorde e o veredito foi unânime: culpada de exagero, superficialidade e pretensão. As críticas vieram de todos os lados, da imprensa e dos espectadores, que enxergaram no projeto um desfile de estereótipos, histrionismo e glamour vazio. Mas, olhando com alguma distância, talvez o “crime” da série seja apenas o de repetir uma fórmula que a própria televisão americana consagrou há décadas, por isso por que tanto ódio?

Um tribunal de egos e vaidades

Na trama, Kim Kardashian interpreta Allura Grant, uma poderosa advogada de divórcios que comanda um escritório de mulheres em Los Angeles, especializado lidar com separações milionárias. Ao lado de Sarah Paulson, Naomi Watts, Glenn Close e Niecy Nash-Betts, ela mergulha em um universo onde ética, imagem e espetáculo se confundem, e onde cada audiência é tão performática quanto um tapete vermelho.

Tá, ela não é atriz, mas se algo comprova que o investimento valeu a pena são os algoritmos. Tudo É Justo estreou como um dos maiores sucessos da Hulu e se mantém em evidência porque no fim das contas é um veículo para os fãs curtirem Kim, e Murphy sabia disso.

A série combina drama, ironia e autoconsciência, um retrato tão exagerado quanto fascinante da cultura americana do sucesso. Cercar Kim de atrizes consagradas é uma boa estratégia porque mesmo com situações e diálogos absurdos, elas fazem mágica. Pelo menos Sarah Paulson faz. Tudo bem que seria um enigma ter estrelas indicadas ao Oscar e vencedoras do Emmy em papéis secundários se elas não estivessem associadas aos dois nomes mais lucrativos da indústria no momento. Aqui, nada muda para Kim ou Murphy e eles seguem amados por seus fãs.

Entre Laura Wasser e Kim Kardashian

A inspiração da série vem de duas fontes claras. A primeira é Laura Wasser, advogada das celebridades e ícone real de Hollywood, conhecida como “a rainha dos divórcios”, que representou nomes como Angelina Jolie, Britney Spears e Johnny Depp. Sua persona sofisticada, estratégica e midiática é a base do tipo de advogada que Murphy retrata: uma mulher que domina a lei e as câmeras com o mesmo controle.

A segunda inspiração é a própria Kim Kardashian, bacharel em Direito, que ainda está em processo para obter a licença que lhe permitirá advogar oficialmente, repetindo o caminho de seu pai, Robert Kardashian, célebre integrante da equipe de defesa de O.J. Simpson. Ao interpretar uma advogada em Tudo É Justo, Kim faz o que Ryan Murphy mais gosta: brincar com a linha entre realidade e ficção, transformando a própria imagem em performance. Vê la mal como atriz me preocupa menos do que antecipar o dia no qual ela for estar no Fórum advogando. 

Cinema B+: Tudo é justo: o julgamento exagerado da série com Kim Kardashian - Divulgação

Um novelão com toga

Ryan Murphy nunca escondeu o gosto pelo melodrama. Desde Nip/Tuck até Feud e American Crime Story, sua assinatura mistura escândalo, ironia e crítica social. Em Tudo É Justo, ele faz o que sabe melhor: transforma o poder em espetáculo. Luxuosa, teatral e autoconsciente, a série é um novelão jurídico, com ritmo de telenovela de tribunal, figurinos de revista e diálogos repletos de sarcasmo. O problema, talvez, seja o momento: o público hoje exige sutileza, enquanto Murphy insiste na grandiosidade e no exagero, o que faz parte de seu DNA. Mesmo assim, há carisma e química.

O quarteto central — Paulson, Watts, Close e Kim — domina a tela, mesmo quando o roteiro tropeça nas próprias ambições.  O julgamento do público — e o carisma do elenco Na recente passagem pelo Brasil, para divulgar a série no Rio de Janeiro, as estrelas foram cercadas por fãs e curiosos, e conquistaram todos. Naomi Watts, Sarah Paulson, Niecy Nash-Betts e Kim Kardashian mostraram jogo de cintura raro: sorriram, brincaram com as críticas, tiraram fotos, atenderam fãs e deram respostas espirituosas sobre o “tribunal das redes”. Em meio à acidez que recebem desde a estreia, foram simpáticas, disponíveis e autodepreciativas, num contraste delicioso com o tom severo que as acompanha na ficção. Como resistir?

Veredito

No tribunal de Ryan Murphy, ninguém é inocente, nem o público. Tudo é Justo pode ser um exagero, mas é também um retrato do nosso tempo: elegante, caótico e irresistivelmente julgador. E, como o título já avisa, tudo é justo, ou, como sabemos no Brasil, vale tudo.

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His & Hers na Netflix: um crime que vira disputa de narrativa

Ao adaptar o livro de Alice Feeney, a série transforma o mistério em um estudo sobre trauma, silêncio e o poder destrutivo das versões que escolhemos contar.

07/02/2026 13h30

His & Hers na Netflix: um crime que vira disputa de narrativa

His & Hers na Netflix: um crime que vira disputa de narrativa Foto: Divulgação

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Nem todo thriller quer apenas revelar quem matou. Alguns querem revelar o que acontece quando duas pessoas que se conhecem demais começam a disputar a mesma história, cada uma com sua própria edição moral, sua própria memória seletiva, sua própria forma de sobreviver ao que viveu. His & Hers, minissérie da Netflix baseada no romance homônimo de Alice Feeney, parte de um assassinato para chegar a um lugar mais desconfortável: a percepção de que intimidade e verdade raramente andam de mãos dadas quando o passado volta exigindo respostas.

A trama começa quando Anna Andrews, jornalista e ex âncora de TV, vive em reclusão em Atlanta, emocionalmente paralisada, afastada da carreira e de qualquer senso de continuidade. Ao ouvir sobre um assassinato em Dahlonega, a pequena cidade da Geórgia onde cresceu, Anna é puxada de volta a um território que mistura memória, culpa e identidade.

O impulso profissional se mistura ao pessoal, e ela decide acompanhar o caso de perto. O problema é que o detetive responsável pela investigação oficial é Jack Harper, seu marido separado, um policial experiente que conhece demais aquela cidade e talvez conheça demais a mulher que voltou sem aviso.

A série se organiza então como o título promete: a versão dele e a versão dela avançando em paralelo, às vezes se tocando, muitas vezes se anulando, sempre competindo.

Desde o início, His & Hers deixa claro que o crime é apenas o gatilho. O verdadeiro conflito está na maneira como essas duas pessoas interpretam o mundo e, principalmente, uma à outra. Anna investiga com faro jornalístico, mas também com feridas abertas.

Jack investiga com método policial, mas carrega ressentimentos, segredos e perdas que contaminam qualquer pretensão de objetividade. O suspense não nasce apenas das pistas, mas do atrito entre dois modos de construir verdade.

O elenco sustenta essa tensão com precisão. Tessa Thompson faz de Anna uma personagem que vive calibrando o que diz, o que cala e o que realmente acredita, como alguém que aprendeu cedo que sobreviver também é saber narrar. 

Jon Bernthal constrói Jack como um homem que tenta ser correto, mas cujas decisões revelam impulsos possessivos e uma dificuldade profunda de lidar com aquilo que não pode controlar. Ao redor deles, a série desenha uma comunidade inteira onde todos sabem algo, escondem algo e participam, consciente ou inconscientemente, de uma mentira coletiva.

Nos bastidores, a criação da série ajuda a entender por que ela se recusa a funcionar como um procedural tradicional. A adaptação, liderada por William Oldroyd, preserva do livro a regra mais importante: não existe narrador confiável.

Cada episódio reposiciona o espectador, convida a escolher um lado e, logo depois, sabota essa escolha. A série não quer conforto. Quer dúvida.

Esse jogo se intensifica no último episódio, quando His & Hers decide abraçar sem medo o excesso. Há tantos twists que o thriller se aproxima do melodrama, quase de um dramalhão clássico, cheio de revelações tardias, identidades ocultas e violências acumuladas.

His & Hers na Netflix: um crime que vira disputa de narrativaHis & Hers na Netflix: um crime que vira disputa de narrativa - Divulgação

Ainda assim, curiosamente, tudo permanece coerente com a proposta inicial. Mesmo quando flerta com o inverossímil, a série não abandona sua lógica emocional. Cuidado com os SPOILERS.

A transformação de Lexy Jones é o melhor exemplo disso. A revelação de que a âncora carismática é, na verdade, Catherine Kelly, a adolescente excluída à margem do grupo de amigas de Anna no colégio, exige uma suspensão de descrença considerável.

A reconstrução física, social e simbólica de Lexy beira o exagero. Mas a série aposta nesse excesso porque precisa que o espectador aceite a solução mais óbvia dentro do gênero: a vítima que retorna como algoz, a mulher que se reinventa para se vingar. Tudo aponta para ela. A polícia aponta para ela. Anna aponta para ela. O público também.

E então vem o desvio decisivo. Um último twist, guardado não para os personagens, mas apenas para o espectador. Lexy não era a assassina. A verdadeira responsável pelas mortes de Rachel, Helen e Zoe é Alice, a mãe de Anna.

A revelação não funciona como choque vazio. Ela reorganiza retroativamente toda a narrativa e desloca o centro moral da série. O crime deixa de ser sobre vingança individual e passa a ser sobre justiça materna, algo muito mais perturbador porque não cabe em categorias simples de bem e mal.

Alice mata não por impulso, mas por convicção. Explora o fato de ser uma mulher velha, subestimada, vista como frágil ou confusa. Finge descontrole, simula demência, se torna invisível. A série é cruelmente precisa ao mostrar como idade e gênero funcionam como álibi social.

Ninguém suspeita de Alice porque ninguém imagina que uma mãe seja capaz de violência calculada. Ela vence justamente por ocupar um lugar que o imaginário coletivo considera incapaz de agir.

O que move Alice, porém, não é apenas raiva. É trauma herdado. Ao longo da série, há alusões insistentes a algo terrível ocorrido na noite do aniversário de 16 anos de Anna. Quando o passado finalmente se revela, o que vem à tona é a violência sexual sofrida por Anna, orquestrada e permitida por aquelas que ela chamava de amigas.

O detalhe mais perturbador não é apenas o ato em si, mas o silêncio que se seguiu. Anna nunca contou a ninguém. Nem à mãe. Nem ao marido. Nem a si mesma, de forma plena. Aliás, nem para nós.

E aqui está um dos movimentos mais sofisticados da série. No momento da “revelação”, Anna não diz explicitamente que foi a vítima. O discurso é ambíguo, quase deslocado, como se tivesse escapado ilesa. Para o mundo, parece que ela atravessou aquele episódio sem marcas profundas.

Para a mãe, ao assistir às gravações antigas e perceber o que realmente aconteceu, fica claro que a filha não escapou de nada. Ela apenas aprendeu a funcionar apesar do trauma.

É essa dissociação que revolta Alice. Não apenas o que fizeram com Anna, mas o fato de que a filha seguiu vivendo sem jamais nomear a própria dor.

A vingança de Alice é silenciosa porque nasce de um amor igualmente silencioso, de uma tentativa desesperada de reparar aquilo que nunca foi dito. Ao matar, ela acredita estar devolvendo à filha algo que lhe foi roubado: justiça, controle, voz.

O desfecho leva essa ambiguidade ao limite. Anna descobre a verdade, mas não a denuncia. O olhar final entre mãe e filha não é de horror, nem de aprovação plena. É reconhecimento. Alice fez tudo por Anna, inclusive o imperdoável. E Anna entende isso.

O casamento com Jack, por sua vez, sobrevive, mas à base de lacunas. Eles se reconciliam, adotam Meg, constroem uma nova vida, esperam outro filho. Tudo parece resolvido. Mas não está. Jack não sabe da verdade completa.

Não sabe que a sogra matou sua irmã. Não sabe que a mulher com quem voltou a viver carrega esse segredo. Anna escolhe não contar. A série termina reafirmando sua tese central: em uma história de “dele” e “dela”, alguém sempre está mentindo.

É raro ver uma trama que entrega um final tão claro e, paradoxalmente, tão ambíguo. His & Hers não deixa dúvidas sobre o que aconteceu, mas deixa todas as dúvidas possíveis sobre o que isso significa.

O trauma não resolvido molda não apenas os personagens, mas a própria estrutura da narrativa. O crime não fecha a história. Ele apenas cristaliza os silêncios que sempre estiveram ali.

No fim, His & Hers assume seus excessos e quase os transforma em virtude. É um thriller que vira melodrama, um melodrama que se ancora em dor real, e uma história que ousa dizer que verdade, amor e justiça raramente coincidem.

Coerente com sua proposta, a série não oferece conforto moral. Oferece algo mais inquietante: a certeza de que, quando a sobrevivência depende da versão que contamos, a mentira pode ser o único pacto possível.

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Thiaguinho é atração confirmada da Expogrande 2026

Exposição ocorre de 9 a 19 de abril e já tem Thiaguinho e Luan Santana confirmados

07/02/2026 13h03

Crédito: Wadson Henrique (@wadsonhenrique_)

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A Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) confirmou, por meio do Instagram, o show do cantor Thiaguinho na Expogrande 2026, que será realizada de 9 a 19 de abril, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande.

Esta será a 86ª edição da tradicional exposição agropecuária de Mato Grosso do Sul, que, além das atrações musicais, contará com leilões, julgamentos de animais, cursos, workshops, opções de lazer e exibição de produtos de todas as cadeias do agronegócio e dos setores industriais e de serviços.

Essa é a segunda atração divulgada. A primeira foi a confirmação do sul-mato-grossense Luan Santana. O show marca o retorno do cantor à tradicional feira, para alegria das luanetes, e será realizado no dia 18 de abril.

Retorno

Em agosto de 2025, Thiaguinho se apresentou no Parque Laucídio Coelho em comemoração aos 10 anos do projeto Tardezinha. Familiarizado com o espaço, o pagodeiro deve se surpreender com o calor do público da Expogrande.

 

 

 

Laços com MS

Nascido em Presidente Prudente (SP), Thiaguinho cresceu em Ponta Porã, município onde deu os primeiros passos na carreira.

Após algum tempo, mudou-se para Campo Grande, onde iniciou apresentações em bares e restaurantes. O impulso na carreira ocorreu quando decidiu se mudar para o Rio de Janeiro (RJ).

Na capital fluminense, participou do programa Fama, da TV Globo, onde alcançou projeção nacional, o que mudou os rumos de sua trajetória artística e o consolidou como um dos principais pagodeiros do país.

Na última vez em que esteve no Estado, o cantor chegou a passar por Ponta Porã e levou a namorada, Carol Peixinho, para conhecer a cidade fronteiriça onde foi criado.

Expogrande

A data do show ainda não foi divulgada. Para mais informações, o público pode acompanhar a página da Acrissul no Instagram, @acrissulms, que vem divulgando desde expositores até os artistas confirmados para a feira.


 

 

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