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Claudio Lins - Destaque no sucesso "Bonnie&Clyde; - O musical", o ator fala com exclusividade ao B+

"Interpretando o Buck de "Bonnie&Clyde;", apostei numa desconstrução do Claudio e mergulhei numa composição arriscada, mas as pessoas estão gostando muito".

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O ator e cantor carioca Claudio Lins (50), cresceu em uma família de artistas. Ele é filho da cantora e atriz Lucinha Lins e do cantor e compositor Ivan Lins. Claudio pisou pela primeira vez no palco aos onze anos, no musical infantil “Sapatinho de cristal”, de Claudio Tovar.

No teatro, ele trabalhou com diferentes diretores e estreou na televisão em 1995, no sucesso “História de amor”, de Manoel Carlos. Desde então, atuou em mais de 15 novelas e séries, protagonizando algumas delas, como “Perdidos de amor” (Band), “Terra-mãe” (RTP- Portugal) e “Uma rosa com amor” (SBT), e também foi finalista do reality musical “PopStar” (TV Globo).

No cinema, Claudio trabalhou recentemente com a diretora portuguesa Maria de Medeiros no filme “Aos nossos filhos” que ainda será lançado.

Em sua cerreira musical, são dois CDs, e suas músicas foram gravadas por nomes como Maria Rita, Luciana Mello, Pedro Mariano e Ivan Lins. Também é compositor de trilhas originais para o espetáculo “O beijo no asfalto – o musical”  e para o premiado documentário “Dzi Croquettes” (pelo qual recebeu a indicação ao Prêmio de Cinema Brasileiro de Melhor Trilha Sonora).

Ator premiado, desde o início da pandemia, co-produz e participa do festival online #ZiriguidumEmCasa. Também criou as Lives “Sensorial” e “Ivan Lins 75”.

Atualmente Claudio Lins está em cartaz em "Bonnie & Clyde", musical que chega pela primeira vez à América Latina e que marca sua estreia no palco em um musical internacional.

Desconstruindo a imagem de galã cultivada por trabalhos anteriores, Claudio assume uma versão que se despe da vaidade e dá lugar a um homem rústico e de sotaque interiorano, Buck Barrow, um dos membros da famosa Gangue Barrow, que aterrorizou os EUA na década de 30, ele encara aventuras ao lado do irmão, Clyde Barrow, vivido por Beto Sargentelli, com quem realizou pequenos e grandes roubos, sendo preso algumas vezes e perdendo a vida em um ação policial, deixando para trás seu grande amor e cúmplice, Blanche Barrow, vivida pela atriz Adriana Del Claro.

"Pra além de toda construção, que é deliciosa, tenho a oportunidade de fazer comédia. Ao longo da minha carreira foram poucas as oportunidades nessa área. Mas ultimamente elas tem aparecido, e acho que estou conseguindo mostrar pro público essa faceta com algum louvor! Fora que a região do humor tem uma certa liberdade a mais, é mais leve e depende de um tempo, um ritmo que domino cada vez mais. Está sendo um grande aprendizado", explica.

Claudio Lins é a nossa Capa exclusiva do Correio B+ desta semana. Ele conversou com o Caderno sobre crescer em uma família de artistas, trabalhos, realizações e do atual sucesso no musical em cartaz na capital paulista, "Bonnie&Clyde".

O ator Claudio Lins é a Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Alexandre Moreira - Diagramação: Dennis Felipe/Denise Neves

CE -Você é filho de pais artistas, por isso escolheu o mesmo caminho?
CL -
A gente nunca sabe direito porque escolhe ser artista. Desde criança já me interessava por arte. Me lembro de imitar o Sidney Magal na escola, e de querer ser igual ao Ferrugem - ator mirim famoso nos anos 70. Mas acho que o fato de ter pais artistas também influenciou muito.

CE - Seus pais são conhecidos positivamente da grande mídia, escolher esse caminho tem um pouco de pressão?
CL -
Nunca me senti pressionado. Trabalhar como cantor ou ator sempre foi um prazer. Mas percebo que existe uma inevitável comparação, principalmente com meu pai. Geralmente, não me incomoda, mas as vezes fica exagerado. Quando participei do programa PopStar, em 2017, todos os dias citavam o meu pai. E a Preta Gil, que sabe bem o que é isso, ficava me defendendo. Amo a Preta!

CE - Você sempre teve facilidade com a música Claudio?
CL -
Sim. Quando criança, gostava de sentar no piano junto com meu pai e ficar solando enquanto ele fazia uma base simples. E me lembro também de montar uma bateria improvisada na escola.

CE - Ainda muito jovem você fez musicais, ali você se identificou?
CL -
Comecei a fazer teatro com 11 anos, no musical infantil “Sapatinho de Cristal”. Era divertido, mas me lembro também da sensação chata do compromisso de ir pro teatro todos os finais de semana, durante quase 1 ano, já que a peça foi um sucesso. Ainda fiz mais um musical nessa época, mas depois só voltei ao teatro com 16 anos, na escola.

O ator Claudio Lins faz o personagem Buck no musical - Divulgação

CE - Depois veio o Tablado, o teatro, junto com a música, novelas... Como foram esses processos?
CL -
Entre os 16 e 18 anos morei em São Paulo com a minha família. Isso quebrou o fluxo de fazer teatro, que tinha recomeçado na escola em que eu estudava. Quando voltei pro Rio, fui tentar vestibular pra Regência. Sim, eu queria ser maestro, mas não passei, então tirei um ano meio sabático, estudando percepção musical e piano. Foi quando eu entrei no O Tablado, tradicional escola de teatro do Rio. Ali eu disse pra mim mesmo: encontrei minha turma. Ainda cursei Comunicação Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas quando me vi ensaiando duas peças ao mesmo tempo, larguei no 5º período.

CE - Eu me lembro de sua estreia na TV, como foi e qual a diferença para o teatro?
CL -
Fui selecionado para a Oficina de Atores da Globo com meu eterno mestre Tônio Carvalho. A partir dali fiz algumas participações em episódios do programa “Você Decide” e, acredite, estive no programa-piloto de “Malhação”. Essas experiências foram muito importantes para chegar na minha primeira novela, “História de Amor” (1995/96), que foi um grande sucesso. Então essa passagem do palco para a telinha não foi tão difícil pra mim.

CE - O que não pode faltar para um ator Claudio?
CL -
Concentração e prazer. Parecem duas coisas antagônicas, mas não são. Eu sou muito concentrado no trabalho. Uma vez o Dennis Carvalho me disse: “você é muito fechado, não se diverte.” E eu disse: “Me divirto muito, exatamente porque sou concentrado. Depois vamos sair para um chopp que você vai conhecer outro Claudio.” E como eu estava sempre lendo, ele me deu o apelido de Google Lins! Aliás, ler é essencial para atores e atrizes, ajuda a ativar a criatividade para construir as personagens.

Claudio Lins - Foto: Alexandre Moreira

CE - Seus pais são suas inspirações e referências? Quem mais?
CL -
Sem dúvida, me espelho muito nos meus pais. Quem na minha profissão não gostaria de ter uma linha direta com o Ivan Lins ou com a Lucinha Lins? Eu tenho! Hahaha, mas é lógico que outros artistas me encantam e inspiram. São tantos… Nesse momento estou muito impressionado com a cantora Vanessa Moreno, e estou assistindo uma série com o Harrison Ford e sempre penso: quero ser uma ator velho como ele. E estou fascinado com o talento da Eline Porto e do Beto Sargentelli, meus colegas em “Bonnie e Clyde”.

CE - Uma experiência desafiadora que viveu em sua carreira?
CL -
A bem da verdade, todas as experiências são desafiadoras. Mas adoro me colocar em risco, mesmo que dê tudo errado. Agora mesmo, interpretando o Buck de “Bonnie e Clyde - o musical”, apostei numa desconstrução do Claudio como todos conhecem e mergulhei numa composição arriscada, e me parece que as pessoas estão gostando muito.

Outro grande desafio foi transformar em musical o clássico “Beijo no Asfalto”, do Nelson Rodrigues, que estreou em 2015 no Rio de Janeiro. Tinha tudo pra dar errado, mas fui até premiado pela ousadia. Aliás, e não por acaso, as duas experiências que citei tinham o diretor João Fonseca segurando minha mão. Em teatro, jogo coletivo é tudo!

Claudio com o pai o cantor e compositor Ivan Lins - Divulgação

CE - Como foi  co-produzir e participa do festival online #ZiriguidumEmCasa?
CL -
Naquela fatídica sexta-feira de março de 2020 em que foi decretada a pandemia de Covid-19, eu tive que cancelar um show, assim como outros colegas. Alguns transferiram rapidamente o evento presencial para o online, e me ocorreu de juntar todo mundo num festival para incentivar as pessoas a ficarem em casa. Liguei pro Beto Feitosa, do site Ziriguidum, e na semana seguinte conseguimos fazer a primeira edição. Como a pandemia não passava, fizemos na segunda semana, na terceira, e acabou sendo o festival online mais longevo do período de isolamento. Foi incrível!

CE - Como foi o convite para fazer “Bonnie & Clyde”?
CL -
O João Fonseca me ligou perguntando se eu poderia fazer um teste pro espetáculo. Disse que sim, lógico! Chegando lá, encontrei na banca o Thiago Gimenes (direção musical) e a Keila Bueno (direção de movimento). Aí já me senti em casa. Depois fiz teste de cena com a Adriana Del Claro (que interpreta a Blanche) e o Beto Sargentelli (o nosso Clyde), e a química foi instantânea. Já tinha visto o Beto em “West Side Story” e seu trabalho havia me emocionado muito. Então acho que tudo conspirou a favor.

CE - Antes da estreia o musical já era um sucesso, como foi a preparação do elenco e a estreia ?
CL -
 Foi uma preparação muito intensa porque só tivemos 5 semanas de ensaios. E eu ainda tinha alguns compromissos de “Amor por Anexins”, que estava fazendo antes, o que complicou bastante. Mas logo percebi que tínhamos um elenco muito qualificado e deu tudo certo.

O ator com a mãe Lucinha Lins - Divulgação

CE - Conta pra gente como foi se preparar para assumir uma versão que se despe da vaidade e dá lugar a um homem rústico e de sotaque interiorano?
CL -
Olha, se você não consegue se despir da vaidade, você não pode ser um ator. Faz parte do trabalho saber colocar a vaidade no bolso e só usá-la quando for útil para o trabalho. Mas logicamente não foi um trabalho fácil. Primeiro, é preciso se inteirar da personagem, da sua trajetória, suas motivações, da sua função no espetáculo. Paralelo a isso, nossa diretora de movimento Keila Bueno foi nos incentivando a buscar um corpo apropriado pra época, uma voz, um andar. Fui colocando isso tudo no caldeirão, e a direção foi limpando e lapidando até chegar ao Buck que todos amam tanto!

CE - Muita satisfação em fazer esse papel?
CL -
Muita! Mas muita mesmo! Pra além de toda construção, que é deliciosa, tenho a oportunidade de fazer comédia. Ao longo da minha carreira foram poucas as oportunidades nessa seara. Mas ultimamente elas tem aparecido, e acho que estou conseguindo mostrar pro público essa faceta com algum louvor! Fora que a região do humor tem uma certa liberdade a mais, é mais leve e depende de um tempo, um ritmo que domino cada vez mais. Está sendo um grande aprendizado.

CE - Novos projetos?
CL -
Em junho, logo depois da temporada de “Bonnie e Clyde”, eu e a Mariana Galindo (que interpreta a mãe da Bonnie) voltamos com uma nova temporada de “Amor por Anexins” no teatro Paschoal Carlos Magno, ou seja, mais uma oportunidade de o público me assistir fazendo comédia, sob a direção de Elias Andreato. No segundo semestre devo voltar ao Rio para uma nova temporada de “Copacabana Palace- o musical”. De volta ao galã! Também estamos batalhando para transformar o festival online #ZiriguidumEmCasa num evento presencial. E depois de lançar o single “Entrar na dança” no final do ano passado, já tenho um single novo saindo do forno. Ou seja, não para não para não para não!

                     O ator e cantor Claudio Lins - Divulgação

Música

Projeto "Afroafetos" chega hoje às plataformas digitais unindo música, poesia, moda e artes visuais

Projeto sul-mato-grossense e coletivo, "Afroafetos" chega hoje às plataformas digitais unindo música, poesia, moda e artes visuais em uma celebração da arte preta, LGBTQIA+ e periférica

21/05/2026 09h30

Além de música, poesia e moda, projeto Afroafetos envolve artes plásticas, que ajudam a compôr a identidade visual do coletivo

Além de música, poesia e moda, projeto Afroafetos envolve artes plásticas, que ajudam a compôr a identidade visual do coletivo Foto: Manu Komiyama

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Entre sons que atravessam o soul, o pagodão baiano, o R&B e a MPB, existe um fio condutor que costura o primeiro álbum de Silveira Soul: o afeto. Não o afeto simplificado ou romantizado, mas aquele construído como resistência, acolhimento e reencontro de identidade.

Hoje, o cantor e compositor sul-mato-grossense lança oficialmente “Afroafetos”, trabalho que nasce da música, mas ultrapassa as fronteiras do som para se tornar manifesto artístico, político e coletivo.

Natural de Corumbá, no interior de Mato Grosso do Sul, Silveira canta desde os 13 anos, quando começou no coral da igreja.

Anos depois, a voz potente e a presença de palco o levaram aos principais festivais culturais do Estado, como Festival de Inverno de Bonito, Festival América do Sul, MS ao Vivo, Sesc Cultura e Som da Concha. Também abriu shows para artistas como Liniker, Majur, Iza, Dudu Nobre e Rico Dalasam. Agora, transforma toda essa trajetória em seu primeiro álbum autoral.

“Afroafetos” nasce como um espetáculo afrofuturista e multidisciplinar. O projeto reúne música, poesia, moda, dança, artes visuais e audiovisual para imaginar novas possibilidades de existência preta no Brasil. Em vez de narrativas centradas apenas na dor histórica, a obra aposta no protagonismo, na ancestralidade e na construção de futuros possíveis sem opressão racial.
“‘Afroafetos’ já se tornou um coletivo. Nós temos diversas linguagens artísticas envolvendo todo o ‘Afroafetos’. Tem artes plásticas, poesia dentro do álbum. Tem essa coisa de se juntar e agregar arte”, explicou Silveira.

O lançamento oficial acontece após uma audição especial realizada na Casa de Cultura de Campo Grande na sexta-feira, em uma noite marcada por emoção, espiritualidade e senso de comunidade.

O evento reuniu referências afro-brasileiras, banhos energéticos, símbolos ligados às religiões de matriz africana e uma atmosfera de celebração coletiva que refletia exatamente o espírito do projeto.

“É muito bom quando a gente encontra ouvidos e olhos atentos para nossa arte. Não importa se eu não tenho um grande público, o que importa para mim é ter pessoas observando o que a gente está fazendo com o ‘Afroafetos’, como a gente está se aquilombando, se reorganizando para fazer uma arte com essência”, declarou o artista durante a pré-estreia.

REENCONTRO DA IDENTIDADE

Com cinco músicas e duas poesias, “Afroafetos” foi gestado ao longo de pelo menos cinco anos. Algumas composições nasceram em parceria com amigas que hoje integram o coletivo artístico criado em torno do projeto. O processo de construção, segundo Silveira, também foi uma forma de reencontro consigo mesmo.

“É um álbum muito diverso. Quem ouvir vai entender que a gente passeia por muitas sonoridades. Tem pagodão baiano, black music, várias referências. Eu cresci ouvindo isso, então, tem essa pluralidade. É o que nós somos”, afirmou.

Ao mesmo tempo em que dialoga com o futuro imaginado pelo afrofuturismo, o álbum mantém conexão direta com a ancestralidade negra e com os afetos construídos em comunidade. Essa dualidade aparece tanto nas letras quanto na estética visual e sonora do trabalho.

“‘Afroafetos’ surge como um grito que pretende não só expor uma produção artística autoral, mas também contar uma história através da ancestralidade e dos afetos que cercam a vivência de um homem preto e gay no Brasil”, resumiu o cantor.

As músicas falam sobre amor, desejo, pertencimento, liberdade e identidade. Em uma das poesias apresentadas no evento de pré-lançamento, versos como “Ser afetada, afeminada, com fome de mundo” e “É tudo sobre o amor e o amor sabe dizer o nosso nome” sintetizam a proposta do projeto: transformar vulnerabilidade em potência.

PROJETO COLETIVO

Embora o álbum carregue o nome de Silveira Soul, o artista faz questão de enfatizar que o projeto pertence a muitas mãos. Durante a audição, ele citou uma a uma as pessoas envolvidas na construção de “Afroafetos”, reforçando o caráter coletivo da obra.

“‘Afroafetos’ não sou só eu. Esse álbum está carregando o meu nome, mas não sou só eu. Somos vários, e eu quero que isso se multiplique muito”, disse.

Entre os nomes envolvidos estão as poetas Maria Carol e Afroqueer, integrante do ColetivA De Trans Pra Frente, as artistas visuais Lua Maria e Erika Pedraza, a estilista Jéssica Rabelo e o produtor musical Ton Alves. O projeto ainda envolve audiovisual, figurino, artes plásticas e performances.

Para Silveira, essa construção coletiva também é uma forma de resistência cultural em Mato Grosso do Sul, estado historicamente marcado pela predominância do sertanejo na cena musical.

“Eu faço uma música popular, mas diferente do comum aqui. Existe barreira, mas acredito no meu público e na minha arte. Fazer isso aqui é, sim, resistência”, pontuou.

AFETO AFRO

A coordenadora do projeto, Jéssica Rabelo, define Afroafetos como um espaço de acolhimento e reconstrução afetiva entre pessoas pretas, LGBTQIA+ e periféricas.

“Nós, pessoas pretas, não fomos ensinadas a amar e a contemplar por meio do amor. E na Afroafetos a gente conseguiu amar. Amar por meio da verdade, da constância e até da raiva”, declarou, emocionada, durante o evento.
Segundo ela, o projeto funciona como um “novo quilombo”, onde arte, espiritualidade e afeto caminham juntos.

“Todas as vezes que a gente se encontra é uma grande oração. A gente ri, chora, dança e cria um universo paralelo quando chega a qualquer lugar dessa cidade”, afirmou.

A dimensão coletiva também impactou profundamente o produtor musical Ton Alves, responsável pelos arranjos do álbum. Ele conta que inicialmente se impressionou pela potência vocal de Silveira, mas que acabou sendo conquistado pelas pessoas e pela proposta do projeto.

“O Afroafetos me impactou de várias formas. Não só musicalmente, mas pelas pessoas. Engloba literatura, teatro, dança, artes plásticas, religião de matriz africana. Tudo entrou no caldeirão e formou o Afroafetos”, disse.
Ton também lembrou a apresentação de abertura para Liniker como um momento simbólico.

“A gente não tinha 1% do orçamento daquela artista e entregou 250%. Aquilo me fez entender que o Afroafetos é muito mais do que música”, afirmou.

ARTE DE MS

Ao falar sobre o conceito do álbum, Silveira destaca que o afrofuturismo presente na obra parte da realidade de Mato Grosso do Sul e das experiências negras periféricas locais.

“É muito louco imaginar onde nossos objetos e acessórios já chegaram. Estarmos onde jamais imaginamos estar. O resgate vem muito disso: acreditar novamente no nosso potencial e reencontrar nosso valor”, afirma.

A ideia de territorialidade aparece como um elemento central do projeto. Em meio a uma realidade cultural frequentemente dominada por referências externas, o artista defende a valorização da produção preta local.

“Aqui a gente é devorado todos os dias por culturas e artes que não são as nossas. Então, quando a gente faz música, moda ou arte, a gente quer fazer o melhor possível. Isso é o mínimo. O máximo ainda está por vir”, pontuou.

Essa valorização também passa pela construção de referências positivas e pelo incentivo à criação artística dentro das próprias comunidades.

“A gente quer fazer arte, viver de arte, consumir arte, mas também criar. E para isso a gente precisa de incentivo”, reforçou o cantor.

Produzido de forma independente, “Afroafetos” foi viabilizado com financiamento do Fundo Municipal de Investimentos Culturais (Fmic), ligado à Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande.

Segundo Silveira, o apoio foi fundamental para que o projeto alcançasse a dimensão desejada. “Foi um investimento crucial para que a grandiosidade desse projeto acontecesse”, destacou.

Além do álbum, o coletivo prepara um documentário e uma série de vídeos mostrando os bastidores do processo criativo. A intenção é de revelar o cotidiano da construção artística para além do palco. “Muitas vezes as pessoas só veem o show, mas existe muita coisa acontecendo no dia a dia que faz parte desse processo”, disse o cantor.

A expectativa agora é de que o trabalho reverbere para além das fronteiras de Mato Grosso do Sul. “É o melhor trabalho da minha vida até aqui. A gente não fez só música, despertou outros talentos também. E agora vamos deixar isso reverberar pelo mundo”, declarou.

O álbum “Afroafetos”, de Silveira Soul, está disponível nas plataformas digitais a partir hoje.

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Diálogo

Lideranças do PT em MS têm afirmado, de boca cheia, que haverá... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (21)

21/05/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Eleanor Roosevelt - diplomata americana

"As pessoas crescem através da experiência se elas enfrentam a vida honesta e corajosamente. É assim que o caráter é construído”.

FELPUDA 

Lideranças do PT em MS têm afirmado, de boca cheia, que haverá segundo turno nas eleições de 2026. Entre outras coisas, a aposta maior é num eventual “racha” da direita e projeções que são, digamos, um tanto quanto “estratosféricas” e carregadas de muito otimismo. Aliás, na declaração de um petista da cúpula nacional, o entendimento é que as redes sociais estariam sendo usadas pelos adversários de maneira metódica para divulgação de “preconceitos” contra Lula, que pensa em disputar a reeleição.  Se depender dessa galera, a “fatura estaria liquidada”. Sei não...

Outro rumo

A vice-prefeita de Dourados Gianni Nogueira poderá tentar conquistar uma das cadeiras na Assembleia Legislativa de MS.  Ela vinha tentando se viabilizar como pré-candidata ao Senado.

Mais

Isso, fiando-se numa manifestação do ex-presidente Bolsonaro de que poderia ser o nome para a disputa. Diante da indefinição, chegou a anunciar que poderia mudar de partido. Mas acabou recuando.

DiálogoFoto: Divulgação

No próximo dia 25, o Insted realizará a cerimônia que marcará sua transformação institucional, passando a ser Centro Universitário, proporcionando a oferta de bolsas de estudo, atendimentos gratuitos à população, projetos de extensão e novas oportunidades acadêmicas em Mato Grosso do Sul. A expectativa da Instituição é ampliar significativamente os programas de bolsas acadêmicas vinculadas à pesquisa, extensão universitária e monitoria, com percentuais que podem variar entre 40% e 100%, dependendo dos critérios de participação e dedicação dos estudantes. “Teremos experiência acadêmica com mais qualidade e com mais entrega à sociedade, sem deixar de lado as metodologias ativas e protagonismo dos nossos acadêmicos”, afirmou Neca Bumlai, reitora do Centro Universitário.

DiálogoDione Anache - Foto: Studio Vollkopf

 

DiálogoDra. Eduarda Dias - Arquivo Pessoal 

“Tinta”

A moção de apoio em favor da vereadora Eliane Feitosa Tel, como era de se esperar, “levou tinta” na Assembleia de MS, sendo rejeitada por 12 votos a três, o que gerou descontentamento da trinca de parlamentares petistas, um deles protagonizando cena de incitação à violência e vociferando como se estivesse em uma briga de rua. No caso, foi o deputado José Orcírio.

À altura

O deputado Coronel David teve que responder à altura a “solicitação” do petista para que o colega do parlamento estadual desse “aviso” ao deputado federal Rodolfo Nogueira que ele iria apanhar. A moção de apoio foi apresentada por Gleice Jane à vereadora responsável por ato considerado uma agressão a Rodolfo, durante evento em Mundo Novo. Davi  disse que não poderia aprovar uma moção a quem teria praticado tal ato e que pessoas de ideologias diferentes têm é que debater no campo de ideias. Nada como viver num Estado sem problemas, né?...

Análise

Na bolsa de apostas políticas, há quem diga que o deputado estadual João Henrique Catan (Novo) poderá ultrapassar o petista Fábio Trad na corrida para o governo do estado. Embora ambos estejam muito aquém de Eduardo Riedel, primeiro colocado nas pesquisas divulgadas até agora, o perfil do eleitorado de MS poderá contribuir muito para isso. Nos bastidores, a análise é que a população é conservadora e já demonstrou que não “engole” o PT. Sendo assim...

ANIVERSARIANTES 

Maria Elisabete (Bete) Jeronimo Dias;
Dr. Thiago Alonso Domingos;
Paloma Ujacow Martins Rodrigues;
José Alberto D´Lamônica Guimarães;
Rafael de Cristo;
Eloisa Jorge Caiado;
Daniela Marques Caramalac;
Derci de Souza Moraes;
Elizete Miranda Granze;
Lidia Almada;
Tailini Xavier;
João Batista Pereira;
Cecilio Toledo Filho;
Eduardo Silva Rocha;
Antônio de Oliveira Valadão;
Severino Leandro da Silva;
Edson Zandonadi;
Domingos Henrique Medeiros Rostey;
Gilcinei Clovis de Oliveira;
Manoel Rezende;
Deusamar Rangel da Silva;
Artur Monteiro de Barros;
José Carlos Pettengill;
Miguel Pontes Pimentel;
Adir Gaffuri;
Eduardo dos Anjos dos Santos;
Silvia Martinez;
Walter Ferraz Pinto Pacheco;
Marcos Castilho Lopes;
José Ney Mendonça Silva;
Celso de Souza Martins;
Celia Gonçalves Ferreira;
Tecilio Toledo Filho;
Alina Munhoz;
Cibele Araújo Almeida;
Sérgio Teruya;
Iara Rosana Baseggio;
Solange de Fátima Duarte Vaz da Silva;
Adão de Arruda Sales;
Juarez Augusto de Carvalho;
Eveline Muller Azevedo;
José Hindo;
Aparecido Kavano dos Santos;
Dra. Karine Casartelli Falkenburg;
Dra. Lázara Sulzer;
Ibrahim Miranda Cortada Filho;
Auzeneide Maria da Silva;
Alice da Silva Moreira;
Maria Auxiliadora Meira;
Ana Cristina Rocha Negrão;
Sônia Assis de Oliveira Souza;
Elisa Guerrieri da Silva;
Hermes dos Santos Mourão;
Rosilange Ferreira Golveia;
Maria llka Guerreiro;
Luiz Seiji Tada;
Carlos Henrique Botura;
Lúcia Daniel dos Santos;
Teobaldo Velasques;
Marcelo Batistela Damasceno;
Elizeu Ferreira D’ Anunciação;
Shirlei Paz Pereira;
Dorisney Lima de Oliveira;
Júlio Cezar Ribeiro;
José Rogério Cotrim de Medeiros;
Élio dos Santos Mourão;
Dr. Marcilio Vargas Peixoto;
Dr. Rodrigo de Mello Scalla;
Solange Aguni;
Fernando Cremonesi Ferreira;
Daltro José Ferreira;
João Pantaleão Filho;
Luiz Gomes Cabral;
Edilsom José da Silva;
Wagner Chilavier Oliveira;
Felipe Laburu;
Francisco Juarez de Souza;
Carine Andréia Previatti Alves;
Gilberto Domingos;
Venâncio Josiel dos Santos;
Irma Foscaches Medina;
Edilson Morais de Araujo;
Maria Silvia Moreira dos Santos;
Luiz Henrique Augusto Costa;
Paulo Ricardo Junqueira;
Luciana de Morais Cândido;
Agner Cristina Maldonado Silva;
Key Fabiano Souza Pereira;
Vânia Meire Moreira;
Celso Massayuki Arakaki;
Sirley Cândida de Almeida Kowalski;
Ednéia Aparecida Santos Lisboa;
Patricia Zanatta Aranha Coneglian;
Luiz Carlos Silva;
José Evaristo de Freitas Pereira;
Lisandra Moreira Martins;
Heraldo Medeiros de Oliveira;
Marcelo Nogueira da Silva;
Ivan Figueiredo Chaves;
Daniel Florentin de Novaes;
José Garcez da Costa;
Laércio Araújo Souza Neto;
Astolfo Lopes Cançado Júnior;
Luiz Eduardo Lopes;
Neusa Maria Faria da Silva;
Luis Henrique de Sousa Rodrigues;
Edgar Martins Veloso;
Fernanda Lanteri de Almeida;
Luísa Mendonça Nunes.

Colaborou Tatyane Gameiro

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