Fernanda Torres pode “vingar” a mãe no Oscar 2025? A cerimônia de premiação será realizada neste domingo, em Los Angeles.
A brasileira é uma das cinco indicadas ao Oscar 2025 na categoria de Melhor Atriz, por sua atuação no longa-metragem “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles Jr.
Com isso, ela repete o feito de sua mãe, Fernanda Montenegro, que concorreu à estatueta por “Central do Brasil”, do mesmo diretor, em 1999.
Fernandona, como a matriarca é carinhosamente conhecida, acabou sendo derrotada por Gwyneth Paltrow, que levou o prêmio pela (questionada) performance em “Shakespeare Apaixonado”.
Desta vez, a representante da família – cujo pai, Fernando Torres (1927-2008), também brilhou por seis décadas no teatro, na tevê e no cinema – parece chegar de um jeito bem mais promissor à reta final da maior premiação da indústria do cinema global. Vários termômetros que antecedem o tapete vermelho do Oscar indicam o excelente momento de Fernandinha.
CLÁSSICA
Uma das referências é a tradicional seção “Anonymous Oscar Ballots”, da revista Variety, que entrevistou votantes anônimos do Oscar. Alguns membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA declararam ter escolhido a brasileira como Melhor Atriz.
Um dos votantes afirmou que, inicialmente, votaria em Mikey Madison, por “Anora”, mas, ao assistir “Ainda Estou Aqui”, mudou de opinião. “Vou marcar o nome de Torres, que tem o apelo clássico para o Oscar”, comentou.
A votação terminou no dia 18, e os vencedores da 97ª edição do Oscar serão revelados na cerimônia programada para este domingo, no Dolby Theatre, em Los Angeles, com transmissão ao vivo, a partir das 20h (horário de MS), pelo canal TNT (TV fechada) e pela plataforma de streaming Max.
Além dos seguidos e rasgados elogios à sua atuação como Eunice Paiva no filme brasileiro, Fernanda Torres, com a possibilidade de conquistar o prêmio, reacende a discussão sobre o papel da genética no talento artístico.
HERDA-SE TALENTO?
Talento pode ser herdado? Os genes têm um papel enorme na nossa vida, mas até que ponto a genética influencia também no talento? De acordo com o pós-doutor em Neurociências Fabiano de Abreu Agrela, a herança genética tem um papel importante no desenvolvimento de habilidades.
“Nossos genes carregam informações que influenciam nossas capacidades cognitivas, habilidades manuais, artísticas e várias propensões, desde profissão até vícios, por exemplo. Se um pai ou uma mãe tem uma habilidade muito desenvolvida, a probabilidade de que seus filhos também apresentem essa aptidão na mesma área também é muito alta”, afirma o especialista, que também é licenciado em História e Biologia.
“No caso de Fernanda Torres, a conexão com a arte já estava presente em sua carga genética pelo que vemos de sua mãe, por exemplo, mas é importante reforçar que o meio também é importante para que essa predisposição se manifeste, apesar de o precursor ser sempre genético”, explica Agrela.
GENÉTICA OU AMBIENTE
O que é mais importante, genética ou ambiente? Inteligência, coordenação motora e criatividade têm fortes componentes hereditários, mas fatores externos, como ambiente familiar, estímulos e educação, são essenciais para que o talento se manifeste, a chamada epigenética.
“As predisposições do DNA também são influenciadas pelo estímulo, o ambiente em que a pessoa cresce pode potencializar ou inibir suas habilidades naturais”, afirma o neurocientista.
“Filhos de artistas, por exemplo, podem já nascer com predisposição para a atuação, mas sem um ambiente favorável, esse talento pode não se desenvolver completamente, já se ele cresce no mesmo ambiente, essa propensão se torna ainda maior”, diz dr. Fabiano.
“Genes que expressam para maior habilidade, vão ser mais vantajosos quando fatores ambientais forem favoráveis”, explica o especialista.
SAIBA
Cynthia Erivo, por “Wicked”, Karla Sofía Gascón, por “Emilia Pérez”, Mikey Madison, por “Anora”, e Demi Moore, por “A Substância”, são as concorrentes de Fernanda Torres (“Ainda Estou Aqui”)
na disputa pela estatueta.

Dr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo
Flávia Ceretta
Espiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik


