Correio B

ENTREVISTA

Dose dupla: Martha Nowill

Figura fácil em séries, a atriz dá expediente em "Todas as Mulheres do Mundo", no Globoplay, e "Hard", na HBO

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Fã de Domingos de Oliveira, Martha Nowill confessa: desde que participou de uma primeira leitura de “Todas as Mulheres do Mundo”, não conseguiu mais parar de pensar no projeto. A atriz, que interpreta a descolada Laura na série do Globoplay e faz 40 anos em outubro, garante que viu todos os filmes do dramaturgo ao longo de sua vida. E vê sua personagem como o alter ego feminino da trama. “A série fala de amor, mas também de amizade. Tem um trio de amigos e Laura é a ponta que une esse triângulo. É uma mulher livre em suas escolhas, que não tem medo de ir atrás do que quer e é prática, mas muito afetuosa. Ela tem timing cômico, não perde uma piada”, valoriza. Além de “Todas as Mulheres do Mundo”, Martha também está no elenco de “Hard”, série da HBO, como Lúcia, melhor amiga da protagonista Sofia, vivida por Natália Lage.  

Martha, aliás, é presença constante nesse tipo de formato. Já atuou em “Amor em 4 Atos”, “Como Aproveitar o Fim do Mundo”, “Felizes para Sempre?” e “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, da Globo; “Oscar Freire 279”, do Multishow; e “A Garota da Moto”, do SBT, entre outras. “Gosto de fazer séries, filmes, teatro, gosto de tudo. Nunca fiz novela, mas farei um dia. O que importa é a história, a personagem e o que a obra tem a dizer”, garante. Quanto ao atual cenário brasileira, no combate ao novo coronavírus, Martha assume que o futuro do audiovisual ainda parece uma incógnita. “A visão está um pouco turva ainda. Oscilo entre o pessimismo e a sensação de que vamos nos reinventar e expandir. A vida sem arte não existe”, defende ela, que aproveita para pensar em novos trabalhos. “Comecei a ensaiar uma peça, pensando em apresentá-la virtualmente”, entrega.

Nome completo: Martha Vicente de Azevedo Nowill.

Nascimento: 30 de outubro de 1980, em São Paulo.

Atuação inesquecível: “Nunca me esqueço da primeira peça que fiz na vida, aos 9 anos, no colégio. Eu era uma Julieta bem desbocada na adaptação do clássico de Shakespeare para a ‘Turma da Mônica’, do Maurício de Souza”.

Interpretação memorável: Gloria Pires como Maria de Fátima em “Vale Tudo”, novela da Globo exibida em 1988.  

Momento marcante na carreira: A estreia do filme “Vermelho Russo” no Festival do Rio, em 2016.  

O que falta na televisão: “Um padrão de beleza mais democrático”.

O que sobra na televisão: “Maquiagem”.

Com quem gostaria de contracenar: “Com muita gente, eu não sou nada comedida nessa parte dos meus sonhos”.

Se não fosse atriz, seria: Cozinheira.

Novela preferida: “Renascer”, exibida pela Globo em 1993.  

Vilão marcante: Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall em “Vale Tudo”, na Globo, em 1988.  

Personagem mais difícil de compor: “Uma chamada Marta, inspirada na Martha Nowill, em ‘Vermelho Russo’”.

Que novela gostaria que fosse reprisada: “Vamp”, exibida pela Globo em 1991.  

Que papel gostaria de representar: “Sinceramente, não penso muito nisso. Acredito que os personagens encontram os atores certos e gosto dessa loteria da vida, da surpresa. Mas, se for para sonhar um pouco, eu adoraria dar vida a Pagu e a Anita Malfatti. Também adoraria fazer a Maria Bethânia em um filme”.  

Filme: “Jogo de Cena” de Eduardo Coutinho, de 2007.

Autor: Carlos Drummond de Andrade.

Diretor: Woody Allen.

Vexame: “Isso a gente abafa”.

Uma mania: “Comer peixe em dia de estreia no teatro”.

Um medo: “De não viver o que tem que ser vivido. Presto muita atenção nisso”.

Projeto: “Gostaria de fazer parte de um projeto social que levasse arte e meditação a pessoas mais vulneráveis”.

Moda Correio B+

Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar.

Enraizado na memória, reimaginado para o presente.

04/04/2026 18h00

Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar.

Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar. Foto: Divulgação

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Houve um tempo em que o Rio não apenas inspirava a moda brasileira, ele a conduzia. À frente do calendário, com o mar como pano de fundo e a leveza como linguagem, o Fashion Rio não era só um evento, era atmosfera, identidade e movimento. E então, silêncio, mas toda pausa carrega intenção.

O primeiro movimento é recomeçar. Quando o Fashion Rio surgiu no início dos anos 2000, foi sob a visão de Eloysa Simão que ele ganhou forma e direção. Mais do que criar um evento, ela estruturou uma plataforma que posicionou o Rio de Janeiro como polo criativo da moda brasileira, um contraponto complementar à força industrial que se consolidava em São Paulo com o São Paulo Fashion Week.

O Rio falava outra língua, uma língua solar, autoral e sensorial. Ali, nomes como Oskar Metsavaht (Osklen), Lenny Niemeyer, Blue Man e Patricia Viera ajudaram a construir uma identidade que misturava sofisticação e natureza, urbano e orgânico. Desfiles ao ar livre, integração com a paisagem, uma estética que não separava moda de estilo de vida, mas o tempo exige ajustes.

Mudanças no mercado, reposicionamentos estratégicos e a concentração de investimentos em São Paulo fizeram com que o Fashion Rio entrasse em um hiato. Não foi um fim, foi um intervalo. Um espaço necessário para recalibrar propósito em um cenário que já não era o mesmo.

Recomeçar não é ausência, é preparação! Então chegamos ao segundo movimento: Resistir. Mesmo fora do calendário oficial, a essência do Fashion Rio nunca desapareceu. Ela resistiu na estética brasileira, na valorização do feito à mão, na narrativa de uma moda que não se separa da cultura. Projetos como o Rio Moda Rio surgiram como tentativas de reativar essa energia. Mais do que eventos, eram sinais: o Rio ainda tinha algo a dizer, e tinha!

Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar.Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar. - Divulgação

A moda brasileira começou a olhar mais para dentro: sustentabilidade, ancestralidade, brasilidade como potência e não como clichê. O que antes era cenário passou a ser discurso, e o que era estilo virou posicionamento. Resistir, aqui, não foi permanecer igual, foi evoluir sem perder essência. E então, finalmente, chegamos ao terceiro movimento: Retornar.

Em 2026, o Fashion Rio retorna sob a direção de Paulo Borges, desta vez, não como origem, mas como gesto de rearticulação. Sua entrada marca um novo capítulo, trazendo a experiência de quem consolidou o São Paulo Fashion Week como referência internacional, mas o desafio aqui é outro: não construir do zero, e sim reinterpretar um legado. Não se trata de repetir o passado, mas de traduzi-lo para o presente.

O novo momento aponta para uma moda mais consciente, mais conectada com território, diversidade e impacto. O Rio volta não só como cenário, mas como protagonista de uma narrativa que mistura cultura, arte, sustentabilidade e economia criativa.

Se antes o Fashion Rio era sobre imagem, agora é também sobre mensagem. Se antes era sobre tendência, agora é sobre identidade. Retornar não é nostalgia. É direção.

No fim, assim como no vestir, eventos também comunicam quem somos e para onde vamos. O Fashion Rio ressurge em um momento em que a moda brasileira busca coerência entre discurso e prática, entre estética e propósito, e talvez essa seja sua maior força agora.

A pergunta já não é se o Fashion Rio ainda tem relevância, a pergunta é: estamos prontos para enxergar o Rio e a moda brasileira sob essa nova luz?

Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar.Gabriela Rosa - Consultora de Imagem e Estilo - Divulgação

 

Saúde Correio B+

Especialista fala sobre os cuidados que mães atípicas precisam ter com a própria saúde

Psiquiatra infantil destaca que, para atender melhor às necessidades dos filhos, essas mães também precisam olhar para o próprio bem-estar

04/04/2026 16h30

Especialista fala sobre os cuidados que mães atípicas precisam ter com a própria saúde

Especialista fala sobre os cuidados que mães atípicas precisam ter com a própria saúde Foto: Divulgação

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Felizmente, o conhecimento sobre o autismo e outras condições do neurodesenvolvimento está cada vez mais disseminado na sociedade. Hoje, especialmente quando se trata de crianças neurodivergentes, ambientes como as escolas se preparam melhor para atender suas necessidades e promover inclusão.

Apesar desses avanços, a realidade das chamadas mães atípicas, termo utilizado para definir mulheres que cuidam de filhos com condições como autismo ou outras neurodivergências, ainda é pouco discutida, especialmente no que diz respeito à sobrecarga física e emocional enfrentada no dia a dia.

Grande parte das discussões públicas costuma se concentrar nas estratégias de cuidado e inclusão das pessoas neurodivergentes. No entanto, quando o tema envolve quem acompanha esse processo desde a infância, muitas vezes falta espaço para refletir sobre os desafios enfrentados por essas mães.

Sobre a saúde da mãe atípica

De acordo com Luana Gomez, psiquiatra infantil do Hospital HSANP, muitas mães atípicas vivem em um estado constante de vigilância para atender às necessidades dos filhos, o que pode desencadear problemas como ansiedade, depressão e exaustão física e mental, especialmente quando não há uma rede de apoio estruturada.

“Uma mãe atípica precisa estar constantemente atenta às necessidades do filho, o que pode gerar um nível elevado de estresse. Em alguns casos, simples notificações no celular ou ligações acabam se tornando gatilhos para episódios de ansiedade, mesmo em momentos que deveriam ser de descanso, algo que já é escasso na rotina dessas mães”, explica.

A participação ativa da mãe é fundamental para o desenvolvimento da criança, especialmente no manejo de comportamentos desafiadores e no estímulo à autonomia, independência e funcionalidade. Esses aspectos são importantes para que, no futuro, a pessoa tenha mais facilidade de se integrar em diferentes ambientes, como o escolar e o profissional.

Ao mesmo tempo, é essencial que essas mulheres também busquem cuidado para si mesmas. Quando a rotina se torna totalmente centrada nas demandas do filho, o desgaste emocional pode afetar não apenas a saúde da mãe, mas também a qualidade do cuidado oferecido à criança.

Rede de apoio

“Ninguém prepara uma mulher para ter um filho neurodivergente. Por isso, quando uma mãe se sente cansada ou estressada, isso não significa que ela ama menos o filho, mas sim que muitas vezes não há espaço para o autocuidado e, em muitos casos, existe uma ausência completa de rede de apoio”, acrescenta a especialista.

Essa rede de apoio pode ser formada por familiares, amigos, outras mães atípicas e, principalmente, por profissionais de saúde que acompanhem tanto o desenvolvimento da criança quanto o bem-estar emocional da mãe.

“Para que a criança neurodivergente tenha a melhor qualidade de vida possível, especialmente nas fases mais importantes do desenvolvimento, é fundamental que a saúde emocional de quem cuida dela também esteja preservada. Esse cuidado não é sobre mudar quem essas mães são ou exigir que sejam ainda mais fortes, mas sobre ajudá-las a recuperar aspectos da própria vida que muitas vezes precisaram deixar de lado diante de uma rotina tão exigente”, finaliza Luana Gomez.

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