A Fundação Barbosa Rodrigues, em parceria com a professora Edineide Dias de Oliveira, deu início nesta terça-feira (27) ao “Curso de Regência e suas diversas áreas”, voltado para professores e musicistas que queiram criar novos coros e corais.
O curso, que terá duração de seis meses, será ministrado por um grupo de mestres, doutores e professores que, juntos, viram a necessidade de se aprofundarem nessa ciência para aplicarem em seus coros já existentes ou, ainda, nos novos que virão.
Essa é a primeira vez que o curso será ministrado. Para a professora Edineide, o principal objetivo da oficina é a capacitação dos novos regentes para o exercício dessa arte que se perdeu ao longo dos anos.
“O coro é uma expressão de arte, você se expressa através da música, da voz. Alguns músicos do coro lírico sentiram vontade de criar novos coros em suas igrejas, empresas, mas não sabiam como começar. Então, nós resolvemos montar uma oficina permanente, um curso, onde várias áreas serão trabalhadas, como a questão da técnica de voz, de gestual e questões históricas de músicas”, explicou a regente.
Professora e musicista Edineide Dias / Foto: Gerson OliveiraUma das participantes contempladas pelo curso é a professora da Fundação Barbosa Rodrigues, Thayná Ribeiro. Ela foi aluna de música na Fundação e hoje é professora e atual regente da Orquestra Jovem.
“Hoje, o nosso carro chefe é a Orquestra Jovem, mas muito em breve, iremos instalar o Coral da Fundação Barbosa Rodrigues. Para isso, é muito importante que a gente tenha todo o conhecimento que pudermos, e essas aulas vão me trazer isso. Estar em contato com regentes e outros músicos, me faz pegar um pouco de conhecimento de cada um e melhorar a base para poder começar o Coral da Fundação”, contou ao Correio do Estado.
Segundo a professora, a expectativa é que as divulgações para o Coral comecem a partir do segundo semestre de 2026, para todas as pessoas a partir de 12 anos de idade.
“Queremos aperfeiçoar a orquestra, levar as crianças para cantar e tocar em outros lugares, continuar alavancando as crianças para que elas continuem no mundo da música”, completou.
Professora Thayná Ribeiro / Foto: Gerson Oliveira
Estão participando do curso os regentes e futuros regentes Sérgio Cipriano, Lusmena Ferraz, Patrícia Ribeiro, Robson Souza, Jéssica Cipriano, Lauane Ferraz, Igor Luciano, Mariana Maeoca, Antônio de Pádua e Thayná Ribeiro.
“Todos eles são mestres e doutores da área, e eu acho esse um ponto muito importante. Eles assinam embaixo disso que estamos fazendo, da qualidade do trabalho que nós estamos tentando implementar”, explicou a professora.
Novos coros
Edineide explica que, ao longo dos anos, o número de coros e corais entrou em decrescente, especialmente nos anos da pandemia da Covid-19.
Após períodos sem contato e sem aglomerações, quando os encontros voltaram a ser permitidos, muitas pessoas não tinham mais vontade de continuar a participar. Isso desmotivou os que permaneceram, que também não tiveram mais vontade de continuar.
“Antigamente, nós tínhamos os festivais de coros. De 1996 a 2008, eram 4 dias de festival. Em julho, tínhamos os coros sacros e em setembro, no festival da primavera, os coros de empresas, escolas, universidades, em Campo Grande, dada a quantidade de coros que havia na cidade. Onde estão esses coros hoje?”, questionou.
Isso motivou a criação do coro lírico Cant'arte, em 2007, com o objetivo de divulgar a música erudita, também conhecida como música clássica, além de formar coralistas e solistas.
Hoje, o coro conta com a participação de 28 coristas, regido pela professora Edineide e pelo musicista Antônio Coura. Em 2026, o Coro completa 19 anos de atividade ininterrupta.
Mas o conhecimento não é voltado somente para futuros regentes. Sérgio Cipriano está à frente do Coral e Orquestra da Igreja Apostólica há mais de dez anos. Atualmente, são mais de duzentas pessoas envolvidas, entre cantores e instrumentistas.
Ele explicou que, muitas vezes, corais de igreja são formados muito rapidamente, sem base e sem fundamentos, “deixando rolar para ver onde vai dar”, como disse.
“O desenvolver da base, formação de um estatuto de coral, como se distribui as vozes, como se controlam as vozes, leituras de grade e instrumentos são partes fundamentais. Esse curso fundamenta a gente. Eu consigo expandir os conhecimentos para algo muito maior”, explicou.
Mesmo assim, na própria igreja, é onde muitos músicos se desenvolvem, seja em canto ou no instrumento. Com isso, muitos acabam indo para outros lugares para aprimorarem os conhecimentos e se desenvolverem profissionalmente.
“Temos muitos músicos da nossa igreja que cantam em corais grandes de São Paulo. Então, eles vão embora e não estão aqui para nos ajudar a melhorar. Por isso, precisamos procurar caminhos para que a gente se desenvolva também e continuar se desenvolvendo”.
Regente Sérgio Cipriano / Foto: Gerson OliveiraDourados para o mundo
Nascida na cidade de Dourados e de etnia Terena, a Edineide Dias de Oliveira é nome conhecido na música lírica brasileira. Formada bacharel em música pelo Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro, e em Regência Coral no Conservatório de Música Lourenzo Fernandes (RJ), coleciona especializações em diversos estados do País.
Também possui graduação em Pedagogia, Neuropsicopedagogia Institucional, pós graduação em metodologia de ensino superior e musicoterapia.
Participou de vários cursos de Reciclagem em Regência em Campo Grande e em Cuiabá (MT) e também da fundação da Associação Internacional de Regentes na Convenção Internacional de Regentes de Coros em 1999, em Brasília.
Atuou como professora e preparadora vocal em igrejas, fundações e institutos e foi representante do Órgão Municipal no Conselho Municipal de Cultura (CMC).
Edineide também produziu o CD Música Cerimonial Terena e escreveu o livro bilíngue (português-terena) “Registro de Lendas e Estória Terena”, em 2003.
Também participou de vários recitais de Ópera desde 1996 até 2018, além de receber diversos prêmios, como a Comenda Carlos Gomes, em 2017 em Campinas e a Medalha do Mérito Cultural, no Cinquentenário das Forças de Paz do Brasil (ONU) em 2017.
Para a professora, a música é uma arte e, para fazê-la, precisa ser sentida, que é o maior objetivo do curso.
“O curso busca capacitar os participantes na regência aprimorando as técnicas de gestual, interpretação, liderança, a fim de transformar uma partitura em uma experiência de arte. Cantar é uma experiência e pode ser contagiante para outras pessoas através do seu bem estar”, finalizou.
Em parceria com a Fundação Barbosa Rodrigues, a expectativa da musicista é que o curso continue e que possa formar novos talentos e continuar transmitindo o conhecimento de algo tão amplo como a música.
“Meus agradecimentos à Fundação por terem nos cedido o espaço para que pudéssemos usar para o curso e pelo investimento e vontade que fazem. É uma parceria que estamos fazendo e tem sido excelente”.

Professora Thayná Ribeiro / Foto: Gerson Oliveira
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Dra. Ana Rottili
Ticiana Villas Boas, Amanda Ferber e Matheus Gait

