Correio B

Dia do Professor

Ensinar na era da inteligência artificial é o desafio da educação nos tempos atuais

Novas tecnologias modelam tendências e atualizam a rotina do "fazer" do docente e, quando o assunto é expandir aplicação de ferramentas baseadas em inteligência artificial para o estudo, especialistas mostram que há tempos existe uma série de exemplos que

Continue lendo...

Celebrado hoje, o Dia do Professor relembra a importância dos profissionais que voltam suas carreiras para auxiliar na formação dos caminhos da humanidade, geração após geração, profissão essa que atravessa o tempo e precisou adequar o lecionar à era da inteligência artificial (IA). Essa e outras tecnologias modelam a rotina e ditam novas tendências no “fazer” do docente, que trava uma batalha constante para manter também atualizados os próprios saberes.

Historicamente, no País, a data aparece ligada ainda aos tempos de Dom Pedro I, que assinou uma lei no dia 15 de outubro de 1827, estabelecendo há quase 200 anos que todas as cidades brasileiras teriam as chamadas Escolas de Primeiras Letras, com intuito de fornecer um ensino elementar à população. Entretanto, foi somente por meio da formação da Comissão Pró-oficialização do Dia do Professor, em 1947, cerca de 120 anos depois, que a celebração foi instituída.

Ainda assim, o Dia do Professor só passou a compor o calendário escolar, por meio do Decreto n° 52.682, durante o governo do presidente João Goulart, há exatos 63 anos. Como à época a sociedade tinha características distintas, as novas tecnologias que foram impulsionadas com o avanço da era digital, em meados da década de 1990, modificaram não somente o cotidiano da população como influenciaram um novo jeito de “fazer” da docência e de passar os saberes em sala de aula. 

NOVA ERA

Importante explicar que, por mais moderno que pareça, o termo inteligência artificial foi empregado pela primeira vez em 1956, cunhado pelo cientista da computação John McCarthy, com Marvin Minsky e Claude Shannon. Porém, essas características como conhecemos hoje, de aprendizado de máquina (do termo em inglês machine learning) e demais conceitos de caracterização e classificação surgiram já a partir do final dos anos 1990 e começo dos anos 2000.

Nesse sentido, o Ministério da Educação (MEC) frisa que a formação de professores para o uso pedagógico das tecnologias digitais aparece como um dos pilares do principal objetivo da Pasta: transformar essa conectividade, de fato, em uma aprendizagem significativa. 

Com isso, a chamada Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), definida no Decreto nº 11.713/2023, lançou um Referencial de Saberes Digitais Docentes, no dia 29 de agosto de 2024, para orientar o desenvolvimento de saberes digitais desses professores. 

“Para que a tecnologia faça parte das práticas escolares com intencionalidade e propósito, é fundamental que os docentes estejam preparados para integrá-la aos conteúdos curriculares, desenvolver competências digitais e adaptar metodologias conforme os desafios do seu território. O desenvolvimento dos saberes digitais envolve também a compreensão crítica e ética do mundo digital, incluindo aspectos como cidadania digital, segurança, colaboração em rede e participação ativa na cultura digital. Trata-se de um processo que fortalece o papel do professor como sujeito central nos processos de ensino e aprendizagem mediados pelas tecnologias”, frisa a Pasta.

Importante explicar que esse Referencial de Saberes Digitais Docentes é organizado em três dimensões: ensino e aprendizagem com uso de tecnologias digitais; cidadania digital; e desenvolvimento profissional.

Como bem esclarece a Pasta da Educação Federal, essas três dimensões foram escolhidas fundamentadas na necessidade de um desenvolvimento abrangente e equilibrado dos saberes digitais dos professores para a era digital. 

“Cada dimensão aborda aspectos críticos que, juntos, promovem uma prática pedagógica eficaz, consciente e atualizada às demandas da sociedade”, pontua o Ministério da Educação.

Para justamente apoiar a formação continuada de professores e demais profissionais da educação na implementação do currículo de educação digital na educação básica, o MEC disponibiliza cursos no Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação (Avamec).

Por sua vez, essas capacitações são desenvolvidas por blocos temáticos, sendo: Bloco Temático 1 – Práticas Pedagógicas com Tecnologias; Bloco Temático 2 – Educação Digital e Midiática; Bloco Temático 3 – Inteligência Artificial na Educação; e Bloco Temático 4 – Apoio à Gestão e Infraestrutura Digital.

No bloco temático voltado para a inteligência artificial na educação, o MEC compila oito formações específicas que contabilizam 480 totais dos mais diversos cursos e saberes digitais que podem melhor capacitar os professores para um cotidiano mais moderno.

A de maior carga horária (180 horas) é justamente a formação para professores em inteligência artificial, um curso introdutório sobre IA voltado aos docentes da educação básica, que apresenta fundamentos como reconhecimento de padrões, representação e raciocínio, aprendizado de máquina, processamento de linguagem natural (PLN) e impactos sociais, além de incluir sugestões de atividades para diferentes etapas da educação.

Há ainda uma formação específica, de 80 horas, para uso ético, criativo e pedagógico da IA na prática, voltado para docentes do Ensino Médio. Esta aborda fundamentos conceituais, aspectos técnicos, implicações éticas e aplicações pedagógicas da inteligência artificial na educação. 

Os professores ainda têm acesso a curso de como usar a IA generativa para curadoria e criação de recursos digitais para a sala de aula, apresentando em uma linguagem transmídia noções para emprego dessa inteligência artificial para criação de recursos personalizados que promovam inovação, segurança digital e personalização do ensino. 

Nessa lista de cursos há ainda a opção de aprender sobre a IA na prática docente, seu uso criativo para transformação da aprendizagem e uma formação específica para aqueles que buscam aplicar metodologias ativas e tecnologias digitais no ensino.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco) destaca que é importante os professores não apenas terem habilidades digitais e a capacidade de integrar a inteligência artificial aos processos de ensino e de aprendizagem, mas também de expandir essa integração para proporcionar novas oportunidades de aprendizado aos estudantes, ajudando-os a se tornarem cidadãos colaborativos, criativos e produtivos.

RAIO-X REGIONAL

Dentro dessa estratégia do governo federal em parceria com os estados e municípios, o foco é a busca por uma internet de qualidade para uso pedagógico das tecnologias. Em abril do ano passado, a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SED) liberou para os docentes a ferramenta de autodiagnóstico, para que os professores pudessem medir seus níveis de desenvolvimento. 

Em todo o Brasil, foram submetidas mais de 244 mil respostas para autodiagnóstico, com 1.619 desses referentes ao corpo docente sul-mato-grossense. Boa parte dessas avaliações (874) foi de professores da rede municipal. 

Esses números, entretanto, mostram uma realidade dura, já que a média geral indica um estado apenas de “familiarização” dos professores com as tecnologias digitais, o segundo estágio em uma escala que vai de um a cinco. Importante destacar que esse autodiagnóstico estava aberto não somente para as redes públicas, mas também para os demais profissionais. 

Ou seja, sobre essa média de apenas “familiarização”, em Mato Grosso do Sul boa parte dos professores apenas reconhece os potenciais e explora ainda formas de usar as tecnologias em suas práticas pedagógicas. 

Em outras palavras, estão ainda distantes das classes de adaptação, integração e liderança dos níveis três, quatro e cinco, em que essas tecnologias já são usadas em diversos contextos, ou até mesmo tornam-se prática consistente e inovadora daqueles que alcançam o domínio a ponto de atuarem como líderes e mentores para os demais colegas. 

IA NA EDUCAÇÃO

Quando o assunto é expandir a aplicação de ferramentas baseadas em inteligência artificial para o estudo, há uma série de exemplos que já estavam “na fila” para serem usados em escolas até 2030, como dizem especialistas. 

É o que mostra o estudo “Tendências em Inteligência Artificial na Educação”, encomendado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), realizado pela professora universitária Rosa Maria Vicari.

Após revisão de pesquisadores das Universidades de São Paulo (USP), Federal Fluminense (UFF) e da Pontifícia Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), os estudiosos apontaram que quatro dessas tecnologias já deveriam chegar a pelo menos metade das escolas brasileiras até 2030.

Como há quase uma década a educação aparece relacionada às produções científicas em inteligência artificial, o chamado learning analytics já despontava como essa “mão na roda” do “fazer” do professor, para análise de uma grande quantidade de dados e na formulação de melhores ferramentas de aprendizagem para, por exemplo, evitar a evasão escolar.

Na prática, atualmente muitas ferramentas ligadas à inteligência artificial já compõem o cotidiano dos professores. Essa linha de funções traz para os docentes até mesmo uma nova rotina para correção automática de provas. Pela análise de uma foto do cartão-resposta ou até mesmo da prova impressa, a IA é capaz de reconhecer as questões respondidas e o gabarito do profissional. 

Segundo analistas, essa interação rápida possibilita ainda que, com os dados referentes a todos os alunos e suas respectivas notas centralizados em um só ponto, seja possível elaborar relatórios de desempenho específicos e destacar as dificuldades que a classe ou um estudante estão apresentando.

Além disso, há outras três tecnologias que “saltam aos olhos” por estarem mais diretamente conectadas com a impressão que se tem sobre um futuro tecnológico. É o caso dos óculos inteligentes, que adquirem mais funcionalidades com o passar do tempo e são listados na previsão de aparecerem em pelo menos 50% das escolas até 2030. 

Cabe destacar também os fones de ouvido para tradução, que tem o intuito de ampliar a troca de conhecimentos entre estudantes e professores de nações diferentes, o que se mostra vantajoso em um país com dimensões continentais como o Brasil ou uma terra tão acolhedora aos imigrantes como é Mato Grosso do Sul, onde há a presença forte de colônias japonesas, paraguaias, libanesas, e outras.

Além disso, nessa mesma linha, favorecida também pela diminuição dos custos, que tornam as tecnologias mais acessíveis pelo ponto de vista econômico, vale citar a gamificação do saber por meio de jogos que envolvem inteligência artificial ou realidades aumentadas e mistas.

Apesar da proibição dos celulares em escolas, ferramentas de realidade aumentada, que sobrepõem gráficos e criam animações 3D, ou exibem informações digitais no mundo físico, já são mais comumente vistas atualmente. Já para a chamada mista há uma fusão entre os dois mundos, que se utiliza de um mapeamento espacial para uma interação real com hologramas como se esses estivessem ao toque da mão.

Segundo o MEC, o referencial pode ser utilizado a partir das especificidades de cada contexto; como instrumento para identificar pontos fortes e necessidades de desenvolvimento e até orientar a participação em comunidades de aprendizagem on-line.

Diálogo

O senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) recebeu 903.554 votos, a maior... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (14)

14/10/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

Continue Lendo...

Paulo Coelho - Escritor brasileiro

"Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que o seu caminho é o único. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia”.

FELPUDA 

O senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) recebeu 903.554 votos, a maior votação para o Senado na história de Mato Grosso do Sul. O resultado consolida o ex-governador como presidente estadual do PL e principal liderança do partido no Estado. A legenda elegeu os dois senadores, três dos oito deputados federais, nove dos 24 deputados estaduais, e passa a ter a maior bancada sul-mato-grossense tanto na Câmara quanto na Assembleia. Na política, quem é bem votado não só se torna o “cacique da aldeia”, como também passa a dar as cartas. 

Diálogo

Especial

Entre os dias 26 e 30 deste mês, acontecerá a Mega Semana da Mega Sena. Serão cinco sorteios consecutivos correspondentes aos concursos 3076, 3077, 3078, 3079 e 3080.  A modalidade, em caráter especial, terá sorteios de segunda a sexta-feira, substituindo o calendário regular de concursos.

Mais

Após o encerramento dos concursos especiais, a Mega-Sena retomará seu calendário regular de sorteios e fará a abertura das vendas paralelas da Mega da Virada 2026, prevista para novembro. O limite de horário permanece o mesmo adotado nos concursos regulares.

DiálogoDra. Luciana Darrot - Foto: Arquivo Pessoal

 

DiálogoValentina Herszage - Foto: Lu Prezia

Bênção!

Nos bastidores, já ferve a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de MS. Duas correntes disputam o segundo posto político mais cobiçado do Estado, e não é à toa: a Casa administra mais de meio bilhão de reais, quantia que boa parte dos 79 municípios de MS nem sonha em ter no caixa. Só que ninguém se elege presidente da Assembleia sem a bênção do governo. E é quando a queda de braço costuma terminar sempre do mesmo jeito: chapa de consenso.

Vilã

A inflação ganhou força após a deflação registrada em agosto, subindo para 0,82% em setembro, apontam dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Estimulada pela disparada dos preços das contas de luz, a variação é a maior para o mês desde 2021. Em 12 meses ela atingiu 4,58%, estourando novamente o teto da meta de 4,5% do Conselho Monetário Nacional.

Encolheu

Nem mesmo com votação recorde de Camila Jara, o PT conseguiu eleger dois deputados federais. Os seus companheiros não contribuíram para alcançar o quociente eleitoral. A diferença da votação de Camila de quase 155 mil votos para o segundo mais votado do PT é bem grande. Esse companheiro na disputa para Câmara Federal é Elias Ishy. Ele obteve apenas 18.045 votos. Não conseguiu conquistar a cadeira de Vander Loubet, que desistiu da reeleição para concorrer ao Senado. Como se vê...

ANIVERSARIANTES 

  • Renata Paula Possari Mendonça, 
  • Marçal Gonçalves Leite Filho, 
  • Silmara Silva Guimarães,
  • José Octaviano de Andrade,
  • Lilian Ajul Miyasato de Arruda, 
  • Ney Correa Dias,
  • Elaine Soares de Moraes,
  • Ernestina Braz Dias,
  • Deonisio Guedin Neto Deotti,
  • Manoel Macena de Souza,
  • Dr. Eduardo Ferreira da Motta,
  • Fernanda Barros Piovano,
  • Kátia Moreira Carneiro,
  • Leda Santiago Ramos,
  • Regiane Aparecida  Ferreira,
  • Iria Pedrassa Ortiz,
  • João Carlos Correa Fernandes,
  • Ivone Paetzold Soares, 
  • Tereza da Silva,
  • Marcio de Almeida,
  • Luely Sperandio da Costa,
  • Cid Ramos de Oliveira,
  • Paulo Cesar Zeni,
  • Dra. Fátima Aparecida Antônio Margarido, 
  • Geovana Souza,
  • Vera Denise Diogo Chama,
  • Elisabete Lescano Ferraz, 
  • Ronald Calixto Nunes,
  • Wlademir de Souza Volk,
  • Noilza Rodrigues Noronha,
  • Cecília do Carmo Raslan Silva, 
  • Vanessa Silva, 
  • Ricardo Kubitz Junior,
  • Edson Vieira,
  • Geraldo Teixeira de Almeida, 
  • Vera Odete Pires Caminha,
  • Antônio Carlos Castelo Branco,
  • Jairo Alves Fontoura,
  • Ivaldo Gonçalves Medeiros,
  • Nely Nakazato,
  • Sérgio Pereira de Assis, 
  • José Alves de Rezende,
  • Luiz Calixto de Bastos,
  • Calisto Peralta Alvarez,
  • José Henrique Cavalcante,
  • José Antônio Rabello de Moura Brasil, 
  • Luciana Angelita Ferreira Menezes,
  • Frederico Soares Júnior,
  • José Ricardo Corrêa Nasser,
  • Sandra Maria Espíndola,
  • Flaviano Januario da Silva,
  • Nelson Sabino de Oliveira,
  • Emmanuel Leander de Souza,
  • Antônio Marques,
  • Argentino José Nepomuceno,
  • Fortunato Silva Sanches,
  • Nancy Girão Arruda,
  • Wanderlei Luiz de Oliveira,
  • Vanilda Queiroz Yared,
  • Oscar Peixoto Ennes,
  • Bianca Soares de Brittes,
  • Carlos Antônio Campos,
  • Jefferson Greco Justino,
  • Maria Inês Milanezi,
  • João Seiko Shirado,
  • Isidoro Ribeiro,
  • André Bassil Fioravanti,  
  • Karla Regina Borges Bittelbrunn,
  • João Vieira Neto,
  • Márcia Casamassa Tiago Quinteiro,
  • Bianca Freitas Jorge Vieira,
  • Paulo Henrique Soares,  
  • Cineio Heleno Moreno,
  • Fernando Guimarães de Souza,
  • Luís Antonio Marchiori Perícolo,
  • Júlio César da Silva,
  • Aguinaldo Araújo de Sousa Júnior,
  • Jeanny Santa Rosa Monteiro de Oliveira,
  • Francisco Grisai Leite da Rosa,
  • Edimar Tania Bertolucci de Araújo Martins,
  • Gustavo Ferreira Santos,
  • Irineu Pimentel Pinto,
  • Jordelino Garcia de Oliveira,
  • Roberto Prado do Nascimento,
  • Mohamad Hassam Hommaid,
  • Oswaldo Vieira Andrade,
  • Maria Tereza de Moraes,
  • Wagner Roberto Pereira de Lima,
  • Aline Yonamine Miyahira, 
  • Thaís Teixeira Lopes,
  • Oséias Vitorino do Nascimento,
  • Raquel Canton,
  • João Alves Mendes,
  • Marcos Ivan Silva,
  • Silvio Pereira Filho,
  • Wanderley José de Freitas,
  • Valdete Souza Yarzon,
  • Luiz Alberto Menezes,
  • Valdenir Correa Mendes,
  • Maria Sílvia Barbosa Lemos,
  • Tyanna Flôres de Assis,
  • Telma Nantes Arruda,
  • Ana Maria Pimenta Garcia,
  • Fátima Luzia de Souza Vieira,
  • Vivianne Soares Silva,
  • Suzana Carolina Franco,
  • Mário Henrique Lima,
  • Gilberto de Oliveira Cardoso.

Colaborou com Tatyane Gameiro

MÚSICA

De Campo Grande ao Top do Spotify: quem escreveu "Flash", a música da trend dos perfumes

Gabriel Guima conta como a música nasceu em uma sessão em Goiânia, como chegou a Hugo & Guilherme e o que muda na vida de quem compõe quando uma canção explode

13/10/2026 14h37

ARQUIVO PESSOAL

Continue Lendo...

No dia em que terminaram de escrever "Flash", em 18 de agosto de 2025, os quatro compositores criaram um grupo de mensagens chamado "FLASH - TOP 1". Pouco mais de um ano depois, a música gravada por Hugo & Guilherme está entre as mais ouvidas do país e virou trilha da trend em que famosos e anônimos mostram suas coleções de perfume nas redes. Por trás dela estão quatro amigos que saíram de Campo Grande para compor em Goiânia.

Um deles é Gabriel Guima, de 30 anos, nascido em Campo Grande e criado na região do Monte Castelo.

"A Flash nasceu de quatro amigos que saíram de Campo Grande pra escrever esse sucesso em Goiânia", conta. Os parceiros são Atayde Filho e Rafa Conter, também nascidos na Capital, e Will Andrade, que nasceu em Rondonópolis (MT), mas sempre morou em Campo Grande.

Lançada pela dupla em agosto, a faixa já soma mais de 23 milhões de reproduções no Spotify e ocupa o 3º lugar do ranking diário da plataforma no Brasil, com quase 1 milhão de execuções por dia, segundo o levantamento de domingo (11).

A primeira gravação da música, feita pela dupla Lucas & Higor, também está entre as mais ouvidas do país, com mais de 20 milhões de reproduções. Somadas, as duas versões passam de 43 milhões de plays só no Spotify. No YouTube, o clipe oficial de Hugo & Guilherme já passava de 23 milhões de visualizações na semana passada.

No último domingo (11), a música ganhou uma versão em forró gravada por Zé Vaqueiro, com participação de Hugo & Guilherme, durante o DVD "Diamante – Ao Vivo em Belém".

Uma ideia, um violão e um refrão pronto

Segundo Gabriel, a música foi montada em etapas, cada parceiro somando uma parte. Atayde Filho chegou com a história e leu a ideia para o grupo. Gabriel pegou o violão e criou a melodia do começo. Will Andrade mexeu na entrada da segunda parte. O refrão veio de uma vez só. "O Rafa saiu do quarto e soltou o refrão inteiro", lembra. Depois, os quatro definiram juntos a repetição do refrão e fecharam a canção.

"Quando terminamos, todos estávamos convictos de que tínhamos feito algo especial ali", diz.
A música foi gravada primeiro pela dupla Lucas e Higor, que não tinha exclusividade sobre ela. Foi por esse registro, de acordo com Gabriel, que Hugo & Guilherme conheceram "Flash" e decidiram gravá-la com exclusividade.

A trend dos perfumes, segundo ele, partiu de Guilherme, que coleciona fragrâncias, e de Zé Vaqueiro, e se espalhou de forma orgânica, sem ação de marca. "Sempre acreditamos muito no potencial dela, mas essa proporção que tomou acredito que ninguém imaginava", afirma. Para ele, o que está acontecendo é inédito no mercado da composição, "e acreditamos que está só no começo".

Sobre a versão em forró, a avaliação é positiva. "Acho que encaixou perfeitamente. Acredito que deu outro gás pra música, em todos os sentidos."

Do palco para a composição

Gabriel começou a compor profissionalmente em 2019, quando ainda cantava em dupla com Marco Antônio, que hoje segue carreira solo com o projeto CountryBoy. Marco escrevia desde os 13 anos, e os dois precisavam de repertório para gravar um DVD. Foi assim que Gabriel entrou no processo de criação. "Comecei a entender como funcionava e o quão importante era a composição, que é onde a música nasce", diz.

Em 2023, ele se mudou para Goiânia para ficar mais perto do mercado. Em 2025, deixou os palcos para se dedicar só à composição. Hoje, segundo ele, são praticamente 100 músicas gravadas, entre elas "Tem Amor, Tem Volta", de Jorge & Mateus, no álbum Check-in (2024); "Oposto", do Grupo Menos é Mais, no Churrasquinho 3; "Vai que Bate um Vento", de Fiduma & Jeca com Rio Negro & Solimões; e "Piscininha" e "Cessar Fogo", de João Gustavo & Murilo.

O compositor e o sucesso

Quando uma música vira trend, explica Gabriel, a divulgação e o consumo da obra aumentam, e o retorno financeiro acompanha. Em "Flash", os direitos são divididos de forma igual entre os quatro autores.

Perguntado se o compositor ainda é invisível no sertanejo, ele discorda, mas faz ressalvas. "Não somos invisíveis, mas acredito que muitas coisas em relação a isso podem melhorar e precisam mudar. O importante é o compositor saber o seu valor e dar o devido valor à sua obra."

A letra de "Flash" brinca com o duplo sentido. Sobre críticas, Gabriel defende a liberdade de quem escreve. "Pra nós, o limite e a interpretação ficam pra quem ouve. Por isso, nós, compositores, temos o direito de explorar a licença poética."

A rota Campo Grande–Goiânia

Gabriel afirma que existe uma cena de composição sertaneja em Mato Grosso do Sul, mas que ela já foi mais forte. Ele conhece muitos compositores de Campo Grande que hoje vivem em Goiânia, que aponta como um dos principais polos do setor, ao lado de Londrina, Fortaleza e São Paulo.

Para quem está começando no Estado, o conselho é unir "estratégia, persistência e estudo de mercado", usar a internet para divulgar as músicas e criar contato com artistas, e, sempre que possível, passar temporadas em Goiânia para compor por lá.
Sobre os próximos passos, ele não adianta nomes. "Tem muita coisa boa pra vir, muita música boa saindo. Se Deus quiser, em breve estarei contando muitas novidades."

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).