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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz Ana Costa destaque na série "Emergência Radioativa" na Netflix

"A Antonia exigiu de mim um mergulho profundo. Eu tentei entender quem ela era antes de tudo acontecer: o que ela sonhava, o que ela temia, como ela amava, como ela sobrevivia. Eu trabalhei muito com a ideia de contenção".

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Ana Costa começa o ano com grandes projetos no ar. Com mais de dez anos de carreira, a atriz ganhou mais visibilidade em Tremembé com o papel de Ana Rita, uma Asp - agente de segurança penitenciária - que trazia um tom de humor à história. "Apesar de um trabalho pequeno, teve uma ótima repercussão", conta Ana, que estreou a série Emergência Radioativa, na Netflix, no último dia 18.

Ainda este ano, Ana estreia sua primeira protagonista em um longa, dirigido por Luciana Malavasi. "O filme O que Sobrou do Céu me trouxe a oportunidade de explorar uma personagem ainda não vivida por mim, me desafiando e me tirando da zona de conforto. Luciana é uma grande profissional com quem tenho a honra de trabalhar e comemorar vitorias", conta Ana.

O novo curta que está circulando por festivais é O Novo Corpo, que estreia no Brasil no festival Curta Cinema, que acontecerá no Rio de Janeiro.

Natural de São Raimundo Nonato (Piauí), Ana mudou para São Paulo aos 18 anos e teve seu primeiro trabalho para o audiovisual em 2018, ao ser aprovada para uma participação na série Carcereiros (hoje, disponível no Globoplay), com a personagem Neide Aparecida, que aparece nos episódios 7 e 8 da segunda temporada.

No mesmo ano, ela fez participação na série Show da História, do Canal Futura, interpretando a indígena marajoara Yaci no segundo episódio da segunda temporada.

No ano seguinte participou do terceiro episódio da série Ninguém Tá Olhando.Em 2021, novamente no Canal Futura, Ana Costa participou de dois episódios da primeira temporada da série A Caverna de Petra, nos papéis de A Jardineira (Episódio 4) e Belezura (Episódio 8). Dois anos depois, participou da série DNA do Crime (Globoplay).No cinema, Ana atuou no curta-metragem A Janela de Íris, obra vencedora de diversas premiações internacionais (disponível no Prime Video).

O filme é dirigido por Luciana Malavasi, que integrou a atriz em outras duas produções posteriores: O Novo Corpo, curta-metragem do qual Ana Costa é protagonista, lançado em 2025 e sendo exibido em festivais durante 2026, que estreia no Brasil no Festival Curta Cinema; e O Que Sobrou do Céu, um longa também protagonizado por Ana (ainda sem previsão de estreia).

Ana Costa é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre sua carreira que completa 10 anos, estreias e o sucesso da Netflix que faz parte do elenco: "Emergência Radioativa".

A atriz Ana Costa é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Lito Trindade - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - Sua trajetória como atriz começou antes da televisão. Em que momento você percebeu que a atuação deixaria de ser um sonho para se tornar profissão?
AC -
Foi quando eu entendi que não era só sobre talento ou vontade, era sobre escolha, oportunidades e constância. Teve um momento em que eu parei de me ver como alguém que “queria ser atriz” e comecei a agir como alguém que já era.

Quando comecei a dizer “não” para coisas que me afastavam do meu objetivo e “sim” pro risco, eu percebi: isso não era mais um sonho distante, era um caminho real.
E quando vieram os primeiros trabalhos e eu vi que o meu corpo e minha emoção estavam a serviço de uma história, eu pensei: é aqui. Eu pertenço a esse lugar.

CE - Como surgiu o convite para integrar o elenco de Emergência Radioativa e o que mais te chamou atenção nesse projeto?
AC -
O convite veio através de teste. Primeiro teste selftape no final do ano (2024).Em dezembro eu estava em viagem pelo Piauí quando recebi a consulta pra fazer outro teste, dessa vez presencial. Mas eu só voltaria para São Paulo no início do ano.

Eles aceitaram e fizemos em fevereiro. Fui aprovada na mesma semana pra personagem Antônia. E aí, depois de aprovada, li o material e me chamou atenção a seriedade com que a história era tratada.
Não era só entretenimento. Era uma narrativa com responsabilidade, com peso humano e social.

O que mais me impactou foi perceber que aquela história fala de algo muito maior do que um acontecimento: fala sobre negligência, sobre silêncio, sobre o impacto na vida de pessoas comuns, e isso me atravessou imediatamente

CE - A Antonia é uma personagem intensa. Como foi o seu processo de construção emocional e psicológica para vivê-la?
AC -
A Antonia exigiu de mim um mergulho profundo. Eu tentei entender quem ela era antes de tudo acontecer: o que ela sonhava, o que ela temia, como ela amava, como ela sobrevivia.
Eu trabalhei muito com a ideia de contenção.

Porque nem toda dor é escancarada. Muitas vezes ela se manifesta no olhar, no corpo, na forma de respirar, no silêncio. Foi um processo de muita escuta interna e também de respeito, porque eu sentia que ela carregava uma dor coletiva, não apenas individual.

CE - Quais foram os maiores desafios durante as gravações da série, especialmente considerando o contexto dramático da história?
AC -
O maior desafio foi sustentar emocionalmente a densidade da história sem me perder nela. O clima frio em São Paulo, porque filmamos no inverno. A caracterização da personagem também foi bem intensa. Alguns desafios rs.

Mas ter uma equipe como a que tivemos tornou todo o processo mais leve. Todos com um compromisso técnico enorme e o elenco disposto a entregar verdade emocional sem exagero, sem melodrama, com precisão.

CE - Você acredita que Emergência Radioativa traz reflexões importantes para o público? Quais mensagens mais te marcaram?
AC -
Com certeza. A série provoca reflexões urgentes sobre responsabilidade, sobre como tragédias acontecem quando a vida humana é tratada como detalhe. O que mais me marcou foi perceber como o silêncio e a negligência podem ser tão destrutivos quanto o próprio acidente.

E também a força das pessoas que seguem vivendo mesmo depois de tudo. A série fala sobre sobrevivência, mas também sobre memória, justiça e cuidado.

CE - Ao longo da sua carreira, quais trabalhos foram mais decisivos para moldar a atriz que você é hoje?
AC -
Cada trabalho foi uma escola, mas alguns me transformaram mais profundamente porque exigiram coragem.  Eu venho do teatro, então posso dizer que tive a melhor escola pra hoje viver esses grandes personagens no audiovisual.

Eu sinto que projetos como Emergência Radioativa me fizeram crescer muito, porque me exigiram maturidade emocional e responsabilidade artística. E eu também valorizo muito os trabalhos menores, mais íntimos, porque eles me lembram o essencial: presença, verdade e escuta.

A atriz Ana Costa é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação Netflix - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - Existe algum tipo de personagem ou gênero que você sonha em explorar, e ainda não teve oportunidade?
AC -
Eu tenho muita vontade de explorar personagens sertanejos. Sonho com um projeto no Piauí, filmar nas serras , algo assim. Um trabalho reforçando minha ancestralidade, com camadas, que o público não entende completamente de cara.

Também tenho desejo de fazer comédia, porque acho que é um gênero muito desafiador e inteligente, e ao mesmo tempo libertador. E personagens que fujam do óbvio: mulheres que não precisam ser explicadas o tempo inteiro, apenas vividas.

CE - Você já pode adiantar algo sobre novos projetos ou planos para o futuro próximo?
AC -
Acabamos de estrear no festival Curta Cinema, Rio de Janeiro, um curta-metragem que filmei em 2024 com a Pulsante Filmes, com direção e roteiro de Luciana Malavasi chamado O NOVO CORPO, e que agora segue circulando por diversos festivais.

Ainda neste semestre tenho o lançamento do livro "Quando me perdi de mim" que reúne relatos de 25 autores compartilhando experiências reais sobre momentos de ruptura, perda de identidade e redescoberta de propósito. É minha estreia como escritora e eu estou muito animada pra esse momento.

Estamos em negociação para a segunda temporada de uma série lançada ano passado que foi sucesso na qual fiz uma participação e tive um excelente retorno do público. E estamos na expectativa do lançamento ( ainda sem data definida) do longa-metragem O Que Sobrou do Céu, também da Luciana Malavasi, onde faço minha primeira protagonista em um longa, a Beatriz!

To muito feliz, realizada e estou em um momento muito fértil, com projetos em andamento e novos caminhos se abrindo. Tenho buscado personagens que me desafiem e histórias que tenham impacto, que deixem algo no público. E também estou aberta a novas linguagens, novos formatos e possibilidades dentro do audiovisual.

CE - Como você equilibra a vida profissional intensa com a sua vida pessoal e momentos de descanso?
AC -
Eu aprendi que descanso não é luxo, é parte do trabalho. Se eu não estiver bem, eu não consigo criar com profundidade.
Então eu tento manter uma rotina possível: cuidar do meu corpo, da minha energia, e respeitar meus limites.
Hoje eu entendo que equilíbrio não é fazer tudo perfeitamente, é saber quando acelerar e quando parar.

CE - Fora das telas, quem é a Ana Costa? O que te inspira, te acalma e te faz feliz no dia a dia?
AC -
Fora das telas, eu sou uma mulher muito ligada à dinâmica de alguém que vive numa grande metrópole. Muito teatro, cinemas, exposições, bares com os amigos. Sou muito festiva!  

Quando decido me recolher aí eu foco em ter mais contato com a natureza e cuidar da minha espiritualidade.
Me inspira observar gente, histórias reais, a força das mulheres, especialmente as mulheres nordestinas, de onde eu venho. E o que me faz feliz é sentir que estou vivendo com verdade, na arte e na vida.

 

Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 06 e 12 de abril. Manter o foco e seguir em frente.

A carta do Carro simboliza a superação de desafios e o domínio sobre sua jornada. É um convite para assumir o controle da sua vida com coragem e determinação. Mantenha o foco e siga em frente, sem hesitar!

05/04/2026 12h00

A energia do Tarô da semana entre 06 e 12 de abril. Manter o foco e seguir em frente.

A energia do Tarô da semana entre 06 e 12 de abril. Manter o foco e seguir em frente. Foto: Divulgação

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A carta de O Carro é um dos arcanos mais poderosos e animadores do Tarô. Ela chega para anunciar vitória, progresso e superação, trazendo consigo a energia de quem assumiu o controle da própria vida e segue em frente com determinação e foco. Se esta carta rege a sua semana, prepare-se: o caminho está aberto e você é quem pilota.

Pegue o Volante da Sua Vida

O Carro convida você a sair do banco do carona e assumir, de forma consciente, o volante da sua jornada. Não é momento de esperar que as coisas se resolvam sozinhas, nem de delegar ao destino aquilo que depende da sua atitude. Existe um chamado claro à ação: ligar o motor, definir a rota e seguir com firmeza em direção ao que faz sentido para você.

Mais do que agir, trata-se de agir com direção. Porque não basta estar em movimento é preciso saber para onde se está indo. O Carro não simboliza pressa, mas propósito. Ele pede decisão, comprometimento e, principalmente, responsabilidade pelas próprias escolhas.

Na ilustração tradicional desta carta, o cocheiro conduz duas esfinges, uma branca e uma preta, representando forças opostas e futuros possíveis. Ele não as controla com rédeas, mas com pura força de vontade e domínio interno. Essa imagem revela uma das maiores lições deste arcano: não é eliminando conflitos que se avança, mas aprendendo a conduzi-los.

Você pode sentir, ao longo da semana, emoções ambíguas, dúvidas ou até impulsos contraditórios. Parte de você pode querer avançar, enquanto outra hesita. O Carro não pede perfeição emocional, pede consciência. É essa integração entre razão e emoção que mantém você no caminho, mesmo quando forças contrárias tentam desviá-la.

O Número 7 e a Energia do Triunfo

O Carro é o sétimo Arcano Maior, e o número 7 carrega um simbolismo profundo. Ele representa a união entre o plano material e o espiritual: o 4, associado à estrutura e à matéria, somado ao 3, ligado à criação e ao divino. Juntos, formam o 7 — número da consciência, da busca interior e da evolução.

É o número de quem não apenas caminha, mas compreende o caminho.

Na mitologia greco-romana, a quadriga — carro puxado por quatro cavalos — era símbolo de conquista e glória, conduzindo deuses e heróis em suas entradas triunfais. O Carro do Tarô carrega essa mesma energia: a vitória que vem após esforço, disciplina e superação.

Mas existe um detalhe importante: o triunfo aqui não é apenas externo. Ele é, acima de tudo, interno. É a vitória sobre a dúvida, sobre o medo, sobre a tendência de desistir no meio do caminho.

O véu estrelado ao fundo da carta nos lembra que existe um plano maior em ação. Algo que orienta, que guia, que sussurra direções, mas que não substitui o seu livre-arbítrio. Você recebe os sinais, mas é você quem decide o movimento.

A Mensagem do Carro para Esta Semana

Esta semana pede ação, mas também pede consciência. É um período em que oportunidades podem surgir, caminhos podem se abrir e decisões precisarão ser tomadas. E, diante disso, a postura que você adota faz toda a diferença.

O Carro não favorece a indecisão. Ele impulsiona quem já entendeu, ainda que minimamente, o que quer e está disposto a caminhar nessa direção.

Se existe algo que você vem adiando, este é o momento de dar o primeiro passo. Não espere o cenário ideal, a certeza absoluta ou a ausência de medo. O movimento, muitas vezes, precede a clareza.

Ao mesmo tempo, é importante manter o foco. Distrações podem surgir, assim como atalhos aparentemente mais fáceis. Mas o Carro ensina: o caminho mais rápido nem sempre é o mais sólido. Persistir na rota escolhida é o que garante consistência nos resultados.

Entre a Luz e a Sombra: O Equilíbrio no Caminho

Um dos maiores aprendizados desta carta está na capacidade de equilibrar forças internas. Luz e sombra, coragem e medo, impulso e cautela, tudo isso faz parte da experiência humana.

O Carro não pede que você ignore suas emoções. Pelo contrário: ele convida você a reconhecê-las, compreendê-las e, então, conduzi-las.

O signo de Câncer, associado a este arcano, reforça essa ideia. Existe aqui uma forte ligação com o mundo emocional, com a sensibilidade e com a intuição. Avançar, sim, mas sem se desconectar de si mesmo.

Gerenciar o que acontece dentro de você é tão importante quanto lidar com o que acontece fora. Porque, no fim das contas, é o seu estado interno que define a forma como você atravessa qualquer situação.

O Carro e o Pós-Páscoa: Movimento Após o Renascimento

Há uma camada ainda mais profunda quando conectamos o Carro ao simbolismo da Páscoa. Se a Páscoa representa a morte simbólica e o renascimento, o Carro representa o que vem depois: o movimento. E não por acaso, sua energia se manifesta justamente na semana que sucede esse momento de renovação.

Renascer não é o fim do processo. É o começo.

Depois de atravessar dores, compreender ciclos e acessar uma nova versão de si mesmo, surge a necessidade de caminhar. De dar forma concreta à transformação interna. De viver, na prática, aquilo que foi ressignificado.

O Carro, portanto, é a libertação que se traduz em atitude. É a consciência que se transforma em escolha.

O Carro no Amor

No campo afetivo, o Carro pede clareza e posicionamento. Não há espaço para jogos, dúvidas constantes ou falta de direção emocional.

Se você está em um relacionamento, este é um momento de alinhar expectativas e avançar juntos. Conversas importantes podem acontecer, e decisões que estavam sendo adiadas tendem a ganhar força.

Se está solteiro, o Carro convida você a agir com mais coragem. Às vezes, o maior obstáculo não está no outro, mas no medo de se expor, de tentar, de se permitir viver algo novo.

O amor, aqui, se constrói com atitude.

O Carro no Trabalho e nas Finanças

No trabalho, a energia é de movimento e progresso. Projetos tendem a ganhar ritmo, decisões precisam ser tomadas e oportunidades podem surgir de forma mais dinâmica.

Mas, junto com isso, vem a necessidade de organização. Avançar sem planejamento pode gerar desgaste. Já a ação consciente potencializa resultados.

Este é um período favorável para assumir protagonismo, mostrar iniciativa e confiar mais na própria capacidade. Se existe uma mudança sendo considerada, o Carro indica que pode ser o momento de agir, desde que haja clareza de direção.

Nas finanças, o foco deve ser estratégia. Resolver pendências, organizar prioridades e agir com disciplina serão atitudes fundamentais para garantir estabilidade e crescimento.

Perguntas para sua Jornada

O Carro também convida à reflexão. Pergunte-se:

Estou realmente no controle da minha vida ou apenas reagindo ao que acontece?

Sei para onde estou indo ou apenas estou em movimento?

O que, dentro de mim, precisa ser alinhado para que eu avance com mais segurança?

Essas perguntas não exigem respostas imediatas, mas abrem caminhos importantes de consciência.

A Mensagem Final

Quando o Carro surge como regente, ele traz um lembrete poderoso: você tem mais controle sobre sua vida do que imagina.

Isso não significa que tudo está sob seu domínio, mas que suas escolhas, sua postura e sua direção fazem toda a diferença.

Esta é uma semana de movimento, de decisão e de avanço. Uma semana para confiar mais em si mesma, ajustar o que for necessário e seguir.

Não espere perfeição. Não espere ausência de medo. Não espere garantias. Apenas comece.

Porque o caminho se revela enquanto você caminha.

E, neste momento, o Carro já está em movimento, esperando apenas que você assuma o volante. Portanto, nunca desista, mesmo diante de obstáculos aparentemente impossíveis de serem superados. “A persistência é o caminho do êxito”. (Charles Chaplin).

Uma ótima semana e muita luz,


Ana Cristina

Moda Correio B+

Coluna Entre Costuras & CuLturas: Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar.

Enraizado na memória, reimaginado para o presente.

04/04/2026 18h00

Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar.

Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar. Foto: Divulgação

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Houve um tempo em que o Rio não apenas inspirava a moda brasileira, ele a conduzia. À frente do calendário, com o mar como pano de fundo e a leveza como linguagem, o Fashion Rio não era só um evento, era atmosfera, identidade e movimento. E então, silêncio, mas toda pausa carrega intenção.

O primeiro movimento é recomeçar. Quando o Fashion Rio surgiu no início dos anos 2000, foi sob a visão de Eloysa Simão que ele ganhou forma e direção. Mais do que criar um evento, ela estruturou uma plataforma que posicionou o Rio de Janeiro como polo criativo da moda brasileira, um contraponto complementar à força industrial que se consolidava em São Paulo com o São Paulo Fashion Week.

O Rio falava outra língua, uma língua solar, autoral e sensorial. Ali, nomes como Oskar Metsavaht (Osklen), Lenny Niemeyer, Blue Man e Patricia Viera ajudaram a construir uma identidade que misturava sofisticação e natureza, urbano e orgânico. Desfiles ao ar livre, integração com a paisagem, uma estética que não separava moda de estilo de vida, mas o tempo exige ajustes.

Mudanças no mercado, reposicionamentos estratégicos e a concentração de investimentos em São Paulo fizeram com que o Fashion Rio entrasse em um hiato. Não foi um fim, foi um intervalo. Um espaço necessário para recalibrar propósito em um cenário que já não era o mesmo.

Recomeçar não é ausência, é preparação! Então chegamos ao segundo movimento: Resistir. Mesmo fora do calendário oficial, a essência do Fashion Rio nunca desapareceu. Ela resistiu na estética brasileira, na valorização do feito à mão, na narrativa de uma moda que não se separa da cultura. Projetos como o Rio Moda Rio surgiram como tentativas de reativar essa energia. Mais do que eventos, eram sinais: o Rio ainda tinha algo a dizer, e tinha!

Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar.Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar. - Divulgação

A moda brasileira começou a olhar mais para dentro: sustentabilidade, ancestralidade, brasilidade como potência e não como clichê. O que antes era cenário passou a ser discurso, e o que era estilo virou posicionamento. Resistir, aqui, não foi permanecer igual, foi evoluir sem perder essência. E então, finalmente, chegamos ao terceiro movimento: Retornar.

Em 2026, o Fashion Rio retorna sob a direção de Paulo Borges, desta vez, não como origem, mas como gesto de rearticulação. Sua entrada marca um novo capítulo, trazendo a experiência de quem consolidou o São Paulo Fashion Week como referência internacional, mas o desafio aqui é outro: não construir do zero, e sim reinterpretar um legado. Não se trata de repetir o passado, mas de traduzi-lo para o presente.

O novo momento aponta para uma moda mais consciente, mais conectada com território, diversidade e impacto. O Rio volta não só como cenário, mas como protagonista de uma narrativa que mistura cultura, arte, sustentabilidade e economia criativa.

Se antes o Fashion Rio era sobre imagem, agora é também sobre mensagem. Se antes era sobre tendência, agora é sobre identidade. Retornar não é nostalgia. É direção.

No fim, assim como no vestir, eventos também comunicam quem somos e para onde vamos. O Fashion Rio ressurge em um momento em que a moda brasileira busca coerência entre discurso e prática, entre estética e propósito, e talvez essa seja sua maior força agora.

A pergunta já não é se o Fashion Rio ainda tem relevância, a pergunta é: estamos prontos para enxergar o Rio e a moda brasileira sob essa nova luz?

Fashion Rio: Recomeçar. Resistir. Retornar.Gabriela Rosa - Consultora de Imagem e Estilo - Divulgação

 

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