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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Cássio Scapin, o eterno Nino, do Castelo Rá Tim Bum da TV Cultura

"Hoje quero inspirar. Falar de persistência, de beleza que vem do tempo, de como a arte salva  e de como a vida continua plena, curiosa e rica depois dos 60. Quero ser voz para quem tem medo do futuro. Porque eu também tive"

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Formado pela Escola de Arte Dramática (EAD) da Universidade de São Paulo (USP), Cássio trabalhou em mais do que 20 espetáculos no Brasil e na Itália. Cássio recebeu os prêmios Mambembe, Governador do Estado, Troféu APCA, sendo que, em 1998, foi escolhido como Melhor Ator nos prêmios Apetesp e Shell, por sua interpretação em Memórias Póstumas de Brás Cubas, comédia musical de Machado de Assis.

Ele também participou de telenovelas, filmes e minisséries. Para muitos e gerações diversas, ele será o eterno personagem Nino, do programa infantil Castelo Rá Tim Bum da TV Cultura, e o ator participou da Novela Deus Salve o Rei, interpretando o personagem Héber.

Em 2020, durante a pandemia do coronavírus, o ator apresentou o monólogo “Eu Não Dava Praquilo” e o espetáculo "Os Malefícios do Fumo". Cássio Scapin vive um lindo momento os 60 anos... Ator, diretor e representante da Parada LGBT+ de SP reflete com o B+ sobre invisibilidade, afetos, saúde mental e o direito de continuar existindo com voz, beleza e desejo.

Quando foi que envelhecer se tornou sinônimo de desaparecer? Em um mundo que ainda trata juventude como capital estético e existencial, poucas vozes têm coragem (e elegância) de dizer que o tempo pode ser potência. Cássio Scapin é uma dessas vozes.

O ator, diretor e produtor completou 60 anos em dezembro de 2024. No mesmo ciclo, tornou-se representante da 28ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, a maior do mundo, cujo tema foi: “Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro.” A escolha não foi aleatória, foi coerente com tudo o que ele representa: longevidade, presença, consciência e arte em estado de reinvenção.

Com 40 anos de carreira, Scapin é conhecido por personagens que marcaram gerações - de Nino, no inesquecível Castelo Rá-Tim-Bum, ao Santos Dumont da minissérie Um Só Coração, passando por produções teatrais aclamadas e premiadas. Mas talvez seu papel mais importante seja o que vive agora: o de provocar uma conversa pública sobre o envelhecer fora do padrão.

“Falar de longevidade não é falar apenas com quem já chegou lá. É falar com quem ainda tem tempo. Tempo de cuidar de si, de rever crenças, de pensar sobre o que estamos fazendo com a vida que temos”, afirma.

Disciplinado, Scapin mantém um corpo cênico admirável, esculpido por uma rotina de balé, alimentação saudável e exercícios diários. Mas seu discurso vai muito além da estética: fala de saúde mental, de afetos, de persistência, de propósito. “Envelhecer na comunidade LGBTQIAPN+ ainda é tabu. Não nos ensinaram a imaginar o depois. Mas ele existe. E pode ser pleno.”

Nino, do programa infantil Castelo Rá Tim Bum da TV Cultura - Divulgação

Com sensibilidade e inteligência emocional, o artista criou nas redes sociais o quadro “Reflexões no Meu Divã”, onde compartilha questões íntimas que nascem em sua terapia e tocam muitas outras vidas.

Medo, finitude, invisibilidade, o julgamento dos corpos maduros, o paradoxo entre experiência e juventude, o desejo aos 60 anos,  são alguns dos temas abordados. “Percebi que as perguntas que eu levava para a análise eram perguntas que muita gente se fazia, mas não tinha com quem falar. O divã virou partilha. Uma tentativa de dizer: você não está só.”

O tom é íntimo, mas não confessional; é público, mas não expositivo. Scapin usa sua experiência como ponte e não como palco.

Com uma trajetória marcada por prêmios, Cássio se prepara para uma nova fase: rodas de conversa, palestras e encontros com o público em que compartilha sua jornada artística e humana, sua fé, sua visão de mundo.

“Hoje quero inspirar. Falar de persistência, de beleza que vem do tempo, de como a arte salva  e de como a vida continua plena, curiosa e rica depois dos 60. Quero ser voz para quem tem medo do futuro. Porque eu também tive. E continuo aprendendo todos os dias.”

Mais do que envelhecer, Cássio Scapin está expandindo. Amadurece sem amargura. Provoca sem hostilidade. E emociona sem esforço. Representa não apenas uma geração, mas uma possibilidade: a de que existir com plenitude é um direito, é uma arte, em todas as idades.

O ator é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala sobre longividade, sáude, sucessos, carreira e escolhas.

O ator Cássio Scapin é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Carlo Locatteli - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - 40 anos de carreira, como é olhar para trás? Qual a sensação dessa carreira premiada, personagens que o público tem memoria afetiva, já fez um balanço desses 40 anos?
CS -
Olhar pra trás é muito estranho, são mais de 40 anos. Olha, é muito estranho, eu não consigo muito olhando pra trás identificar o que foi esse percurso, tudo parece que a dimensão do tempo é muito relativa, ela se concentra e se compacta numa sequência de memórias, de personagens, junto de  tanta gente que existiu  nessa trajetória, nesse percurso de carreira, que foram super importantes para mim.

Eu não gosto de olhar muito pro passado de uma forma estática, o passado de alguma maneira ele é móvel, é mutável na minha cabeça, isso é muito relativo essa questão do passado. Mas esses 40 anos estão embutidos no que eu sou agora no presente e eu estou satisfeito com o que eu vejo hoje, do que eu sou enquanto ser humano, pessoa, com todos percaussos que uma existência não nos deixa escapar mas eu olho para mim com um olhar presente e com uma sensação de ok, estamos indo bem, esta tudo certo! 

CE - Chegar aos 62 anos como símbolo que o país ama, exemplo em longevidade, qualidade vida, qual a missão desses 62?
CS - 
Olha eu acho que a missão desses 62 anos é tentar reconfigurar esse padrão  de imagem e de entendimento do que as pessoas tem de uma pessoa com 62 anos, os tempos são outros, 62 anos na minha época eram pessoas, o homem era aquele senhor que jogava bocha, a mulher a vovó que fazia tricô, isso também foi na geração de minha mãe, minha avó morreu com 55 anos, meu avô com 60 e poucos, então essa questão da longevidade estabelecida por causa dos avanços tecnológicos, avanços da medicina, da possibilidade de se prolongar a vida de uma maneira mais útil, mais saudável, nesses 62 anos minha vontade, meu desejo é que se reconfigure esta imagem, esse entendimento de que ainda, sempre, tem um pulso que pulsa, a sexualidade pulsa, o humor, o afeto pulsam.

Hoje mais que nunca a questão da idade é bastante relativa. Hoje me relaciono, inclusive profissionalmente com pessoas muito mais jovens que eu. Acabei de fazer um show falando da vida de Noel Rosa, que era um jovem, um jovem antigo e no palco estavam la comigo jovens de diversas idades.

É como você reconfigura e entende essa dinâmica. A minha aula de dança, toda classe é muito jovem, importante é reconfigurar sua cabeça para esses novos tempos e sua forma de olhar para o mundo.

CE - O quadro em suas redes sociais, "Conversa no Divã", tem trazido grandes reflexões e necessidades de fala e pensamento como surgiu essa ideia?
CS -
Reflexões no meu Divã, surgiu da minha relação na terapia e de um amigo, meu videomaker Mateus Martini, da gente fazer essa brincadeira. E tem funcionando muito, porque nada que vai ao ar foi ensaiado ou combinado, no máximo penso no tema e na questão que gostaria de falar, antes de gravar penso 2 minutinhos e sai, absolutamente são questionamentos verdadeiros, assim como essa entrevista, ela não é elaborada ou pensada anteriormente pra que a resposta seja dada.

É uma pergunta que me faço e tento máximo possível pensar que estou conversando de fato com alguém. Acredito que tenham outras pessoas que tenham as mesmas dúvidas, da mesma interrogação sobre determinada questão, embutido de uma sinceridade, muito espontânea, é honesto, não é nenhum personagem, amigos discordam muitas vezes dos meus pensamentos, e eu penso que tudo ok, vida que segue, foi um quadro criado pra debate mesmo e explanar o meu olhar, meu modo de pensar.

O ator Cássio Scapin é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Carlo Locatteli - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Viajar o país palestrando, voz ativa em etarismo, sonhos, sucesso, longevidade, o que busca compartilhar em suas palestras e como ser um exemplo, como atingir ao publico alvo?
CS -
O que busco nas minhas palestras eu busco na verdade entender o tempo que a gente vive. Sobretudo entender que na maior parte das vezes, nós brasileiros ja nascemos com o "não", como pressuposto para muitas coisas, então eu compartilho sobre ir buscar o "sim" , ir buscar a realização!

Eu venho de uma origem bastante humilde, que se eu tivesse me contentado com a vida que me estava reservada seria muito triste pela realidade que vivia, contra monte de questões eu falei: eu vou nessa! E continuo indo! O que interessa é a trajetória que trilhamos, e é isso que compartilho. Como é importante a trajetória, como é que você faz esse percurso com dignidade com valores, uma lista de questões que tento falar com isso.

Longevidade é uma questão que falo que não começa aos 60 anos, ela começa aos 15, na idade em que se aflora a consciência, entendendo dia a dia, qual a melhor maneira de fazer um percurso bacana, como ser humano. Ser correto entre tantos valores e princípios.

Hoje quero inspirar, por meio das minhas palestras, falo de persistência, da beleza do tempo, de como a arte salva  e de como a vida continua plena, curiosa e rica depois dos 60. Quero ser voz para quem tem medo do futuro. Porque eu também tive. E continuo aprendendo todos os dias.

CE - 40 anos carreira, prêmios acumulados, dos maiores atores de sua geração, existe algum projeto, sonho a se realizar ainda?
CS -
Pois é! Tive sorte e muito suor, foi perseverança, insistência, foi abdicar de muitas coisas. Fui muito premiado, os prêmios nos endossam e nos legitimam, num determinado período e momento, mas vivemos em um país que não bastam ter prêmios, somos um país que não preserva memória, ser premiado não é uma coisa cumulativa, não aumenta seu valor profissionalmente, fui premiado, ótimo. Mas nesse momento, vivemos tempos que vale mais um número de algorítimos do que uma trajetória. As coisas não estão estáveis nunca, os sonhos continuam, para esse ano tenho dois projetos; "O Avarento" e "Distopia Hughie", ambos 

estão em fase de captação, a Distopia é sobre Inteligência artificial e o avarento vai falar sobre etarismo, uma releitura preservando o texto original, mas com um olhar do que é este homem novo de 70 anos e como é que o ciclo econômico dialoga com essa figura do poder. Dois projetos interessantíssimos em busca de recursos, as palestras em viagem pelo país .

CE - Recentemente declarou a revista Caras Brasil a importância do Nino e o carinho que recebe ate hoje por esse personagem, o Cássio de hoje, pensa ou tem qual visão do Castelo?
CS -
Sem duvida o Castelo Ra-tim-bum  foi um marco na tv brasileira e ouso dizer na tv da América latina, em conteúdo infantil e infanto juvenil, acho que foi um divisor de águas, tanto no que se diz respeito a qualidade de programação infantil pra televisão aberta como também na minha vida, como uma realização de um grande trabalho , que a gente raramente consegue fazer na televisão. 

CE - Hoje vivemos uma fase de novos formatos, novelas verticais, streaming, como você ve tudo isso? Algum personagem no áudio visual que gostaria de ainda viver?
CS -
Olha eu acho que a gente tem que se adequar aos novos formatos, a gente como artista e  pensador do teu tempo, essas linguagens novas estão chegando, se instalando e temos que estar abertos a experimentar pois faz parte do nosso oficio.

A gente não sabe se vira um padrão, não sabemos se vieram pra ficar, mas também dialogar e estar inserido nessas novas linguagens faz parte do estar atento ao progresso e que nos diz respeito. Primeiro na questão quanto a nossa profissão, quanto ao oficio, jeito de fazer e depois ao que atende ao público, fomos da tela do cinema, pra tela da televisão e agora na tela da mão, a microtela e temos sim que experimentar esses novos projetos e formatos.

E quanto aos personagens eu fui muito feliz e me realizei com Odorico Paraguaçu, Do Bem Amado, me diverti muito fazendo. Eu adoraria fazer um remake se tivesse, da Saramandaia, que eu acho uma coisa maravilhosa, as coisas do realismo fantástisco na televisão eu acho muito interessante.

CE - Você acabou de estrear dando vida a Noel Rosa, em 3 sessões na Pinacoteca, como foi esse projeto e haverá nova temporada?
CS - 
Sim, pretendemos voltar em temporada por todo país, divido palco com Jefferson Rodrigues e mais 4 músicos. Celebrando os 115 anos de Noel Rosa  em um formato de pocket show, com roteiro de Cássio Junqueira, revisitando a vida e a obra do compositor que transformou o samba e revelou, com ironia e sensibilidade, as contradições do homem brasileiro. Entre os 19 e 26 anos de vida, Noel compôs mais de 300 canções, eternizando clássicos como “Com Que Roupa”, “Conversa de Botequim”, “Último Desejo”, “Feitiço da Vila” e “Filosofia”.

Gosto de destacar que o espetáculo parte da palavra (a poesia que vem antes da música) explorando a força literária e a atualidade do autor. Noel foi um poeta antes de ser um músico. Toda a obra dele é estruturada nas letras das canções, e nelas está um olhar sobre o Brasil que continua muito atual.

A arte tem o poder de permitir um trânsito social, uma movimentação que o samba proporcionou a Noel. O Brasil de hoje ainda se parece muito com o Brasil de Noel Rosa — e isso torna o olhar dele ainda mais potente. Um espetáculo que adoro fazer e seguiremos neste ano!

 

cinema

Em "Hotel Amor", Marcelo Adnet encara comédia portuguesa dirigida pelo brasileiro Hermano Moreira

Quando o hotel onde uma mulher viciada em trabalho trabalha é vendido, ela precisa mostrar suas habilidades para gerenciar funcionários não profissionais, cuidar de hóspedes excêntricos e lidar com fantasmas do passado

08/10/2026 09h00

Adnet interpreta uma versão de si mesmo em nova comédia nacional

Adnet interpreta uma versão de si mesmo em nova comédia nacional Foto: Reprodução

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Doze minutos. É esse o tempo do plano mais longo de “Hotel Amor”, comédia dirigida pelo brasileiro Hermano Moreira e rodada em um hotel de Lisboa. Durante esse período, atores, câmera, equipe de som e figurantes precisam executar uma coreografia sem espaço para erros. Se alguma coisa dá errado no minuto 11, todo o trabalho é perdido e o take precisa começar novamente.

Para Marcelo Adnet, que interpreta no filme uma versão de si mesmo, é justamente aí que está a graça. “Acho o plano-sequência maravilhoso, fantástico, porque me sinto num jogo. Você está sempre com uma adrenalina a mais, aquela excitação de ‘vamos acertar essa cena de primeira’”, conta. “Se algo sai errado no minuto 11, todos aqueles minutos não valeram de nada e tem que fazer tudo de novo”.

“Hotel Amor”, que chegou aos cinemas brasileiros no dia 24 de setembro, conta a história de Catarina (Jessica Athayde), gerente de um tradicional hotel lisboeta que vê a sua rotina virar de cabeça para baixo quando o estabelecimento é vendido. Para mostrar serviço à nova administração, ela precisa administrar uma equipe imprevisível, hóspedes excêntricos e um fantasma do passado que reaparece pelos corredores.

Adnet, enquanto isso, surge como um comediante brasileiro que chega a Lisboa para fazer um show e, por acaso, se hospeda justamente no hotel onde tudo parece dar errado.

Um hotel cheio de histórias

Adnet interpreta uma versão de si mesmo em nova comédia nacional

A ideia de fazer um filme ambientado em um hotel surgiu da relação antiga de Moreira com esse tipo de espaço. Quando criança, ele associava hotéis a férias, viagens e à possibilidade de conhecer pessoas novas. Na vida adulta, a experiência ganhou outro significado, ligado também às viagens profissionais.

A ideia ganhou forma em Portugal, em 2022. Na época, Moreira dirigiu uma campanha publicitária para um hotel pertencente à mesma rede do Hotel Roma, onde “Hotel Amor” seria posteriormente filmado. O diretor estava encantado com “The White Lotus” e chegou a conversar com o proprietário sobre a possibilidade de transformar aquele universo em uma série.

A resposta, porém, veio acompanhada de uma alternativa: três meses de filmagem seriam inviáveis, mas um longa poderia ser realizado em cerca de um mês. Foi assim que começou o projeto.

“Além de mostrar os bastidores de um hotel, as pessoas que trabalham freneticamente para te proporcionar o melhor na sua estadia, me interessavam as histórias inusitadas de hóspedes que fui colecionando”, afirma Moreira.

Para desenvolver o roteiro, o diretor chamou Bruno Bloch. Moreira criou a ideia original, enquanto Bloch ficou responsável pelo roteiro. Por coincidência, a mulher do roteirista trabalha em um hotel – e acabou se tornando uma fonte involuntária de histórias.

“Eu levei as histórias que tinha ouvido e pesquisado, e ele trouxe outras tantas, verdadeiras, contadas por ela. Nosso laboratório foi bem eficiente, e o que não faltou foi história”, diz Moreira. “Ficaram de fora várias histórias tão esdrúxulas quanto as do filme, porque são 90 minutos, e não 300 [minutos], como numa série”.

O funcionamento do hotel também serviu de matéria-prima. Para Moreira, a equipe é tão importante quanto os hóspedes na construção desse universo, já que são os funcionários que precisam lidar diariamente com desejos, reclamações e situações inesperadas.

É nesse ambiente que o diretor também coloca uma personagem que considera central para o filme: Catarina, uma mulher que dedica praticamente toda a vida ao trabalho. A escolha, segundo ele, tem um componente crítico. “Nos tempos modernos, muitas vezes as pessoas colocam todo o seu esforço no trabalho e esquecem o que é mais importante. O trabalho é fundamental, claro, mas não é o mais importante na vida de um ser humano. Aliás, não deve ser”, diz.

Uma comédia sem espaço para erro

A estrutura do filme permitiu a Moreira colocar em prática uma ideia que o acompanha desde a faculdade: o plano-sequência. Filmes como “Arca Russa”, “Festim Diabólico” e “Birdman” alimentaram o interesse do diretor pela técnica, que em “Hotel Amor” aparece com alguns cortes escondidos.

O desafio não ficou restrito aos atores. Os ensaios aconteceram simultaneamente em diferentes frentes: enquanto Moreira trabalhava com o elenco, o diretor de fotografia ensaiava os movimentos da câmera com sua equipe, e o técnico de som estudava como acompanhar a ação pelo elevador, pelas escadas e até do lado de fora do hotel. “Foi muito bacana, porque exige 100% da atenção de todo mundo. Um errinho só, seja de foco, seja de um figurante, estraga o take inteiro”, explica Moreira.

Para Adnet, a experiência criou uma sensação de trabalho coletivo pouco comum. “É uma sensação de ‘caramba, está todo mundo aqui de mão dada para fazer cada take valer’”, afirma.

O ator diz que o desafio técnico não foi, porém, o principal motivo para aceitar o convite. O que mais o interessou foi a possibilidade de trabalhar pela primeira vez fora do Brasil. “Fazer algo inédito para mim, em Portugal, foi o que mais me motivou”, conta.

A experiência também mostrou a Adnet que as diferenças entre uma produção portuguesa e uma brasileira não são tão grandes no cotidiano de um set. Havia, inclusive, vários profissionais brasileiros na equipe, entre eles Moreira e o diretor de fotografia. O contraste maior, segundo ele, estava no contato com atores de outros países lusófonos.

A escolha de trabalhos também mudou com o tempo. Hoje pai, Adnet diz procurar projetos que ofereçam alguma experiência nova, mas que também façam sentido diante do tempo que ficará longe da filha.

“Busco prazer. Uma experiência que me acrescente alguma coisa, com a qual eu possa aprender. Algo desafiador e, ao mesmo tempo, prazeroso”, afirma. “Hoje sou pai e quero muito estar perto da minha filha. Então não pode ser qualquer coisa, porque é isso que vai me deixar longe dela”.

Poderia acontecer em qualquer lugar

Embora “Hotel Amor” seja ambientado em Lisboa e reúna personagens portugueses, brasileiros e americanos, Moreira não vê a história como exclusivamente portuguesa.

“Poderia muito bem se passar no Japão, com personagens coreanos”, diz. Para ele, o filme trata de uma relação reconhecível em qualquer lugar: a convivência entre quem trabalha em um hotel e quem está hospedado nele.

Essa universalidade também é, para o diretor, uma das portas de entrada para o público brasileiro. A expectativa é de que os espectadores reconheçam situações, tipos de hóspedes, funcionários ou até experiências pessoais vividas em hotéis e viagens. “Espero, primeiro, que o público vá ao cinema, assista e se divirta, porque todo o processo foi muito divertido, não só para mim, mas para a equipe inteira”, diz. 

diálogo

A partir do ano que vem, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul...Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo desta quinta-feira (8)

08/10/2026 00h02

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Rita Levi-Montalcini - escritora italiana

"As mulheres que mudaram o mundo nunca precisaram mostrar nada além da sua inteligência”

Felpuda

A partir do ano que vem, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul será dominada por bolsonaristas. Só o PL, partido do ex-presidente Bolsonaro, elegeu a maior bancada, com nove deputados. Se se juntarem com PP, parceiro e aliado do PL, os bolsonaristas vão controlar totalmente aquela Casa. O PP elegeu três deputados e o Republicanos, que tem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como maior estrela, terá uma bancada de dois parlamentares. Mas que fique bem claro: tem que combinar com os demais colegas, senão...

 

Amanhã, a partir das 18h, a banda Beatles Maníacos tem uma apresentação especial marcada para acontecer no Sesc Camillo Boni. Idealizada em 2002 pelo compositor e multi-instrumentista Jaime Miguel (Miguelito), a banda tem como proposta resgatar a trajetória do quarteto de Liverpool, interpretando canções que marcaram gerações e influenciaram a cultura musical mundial. O grupo é composto por Miguelito (bateria e voz), Eloy Paulucci (guitarra e voz), Daniel Aigner (baixo, gaita e voz), Guilherme Baioni (guitarra, violão e voz) e Ana Gabriella Floriano Santos (teclados e percussão). Durante as apresentações, os músicos também incorporam elementos visuais inspirados nos anos 1960, com figurinos e instrumentos que remetem ao período de maior destaque da banda inglesa. O repertório reúne sucessos da discografia oficial dos Beatles, proporcionando ao público a experiência de uma viagem no tempo. Após uma breve pausa, a Beatles Maníacos retornou aos palcos neste ano, mantendo viva a essência do trabalho do grupo que, mesmo décadas após o encerramento das atividades, continua presente na história da música. Além do menu musical, o público poderá saborear um cardápio diferenciado, com pratos selecionados, porções e bebidas especiais. A entrada é gratuita.

Carla Stephanini, Maria Olga e Dr. Hélio Mandetta
Camila Queiroz e Klebber Toledo

"Lapada"

Historicamente, Londres Machado e André Puccinelli sempre foram grandes rivais em Fátima do Sul. André foi médico na cidade e bom de voto. Só que, nas eleições deste ano, o eleitor do município do interior parece ter esquecido dele, que obteve apenas 557 votos, enquanto Londres recebeu 4.334 votos. Conhecido e antenado político disse: “Foi uma lapada!...”

Influência

Recordista brasileiro com mais de 3 milhões de votos para deputado federal por Minas Gerais, Nikolas Ferreira ajudou a eleger parlamentar em Mato Grosso do Sul. Daverson Matos, vereador de Rio Brilhante, conseguiu gravar vídeo com Nikolas pedindo votos para sua candidatura. E não é que deu certo? “Choveram” mais de 30 mil votos nas urnas e ele foi eleito deputado estadual. E, também com a influência de Nikolas, Cassy Monteiro, bolsonarista, por pouco não foi eleita deputada federal. Ela ficou na primeira-suplência, com quase 45 mil votos.

De fora

Essas eleições não foram das melhores para a família Trad, que sempre foi boa de voto. Primeiro, começou com a desistência do senador Nelson Trad Filho (PSD) de concorrer à reeleição. Depois, veio a derrota nas urnas de Fábio Trad, que disputou a cadeira de governador pelo PT. Quem também perdeu foi o ex-prefeito da Capital e vereador Marcos Trad, que não conseguiu se eleger deputado federal, mesmo “empurrado” por Camila Jara. Ele é filiado ao PV, que forma federação com o PT.

Aniversariantes

  • Dr. Aluízio Pessoa Frazão,
  • Maria José Xavier,
  • Nailor Vargas Marcondes de Souza,
  • Eva Maria Katayama Negrisolli,
  • Paulo César Katayama,
  • Jonas Chaves Junior,
  • Solange Mitsuko Yamamoto,
  • Eloá Subtil Padial,
  • Dario Pegoraro,
  • Jorge Yoshimitsu Kurauchi,
  • Rodrigo Soares de Freitas,
  • Alexandre Maluf Victório,
  • Ilma de Maria de Lima e Silva,
  • Mitsuru Kurauchi,
  • Walsao Maciel de Oliveira,
  • Jair Perin,
  • Sadi Bertin,
  • Samuel Ferreira Sampaio,
  • Erliete Palhano Canavarros,
  • Vanderlei Amado,
  • Ises Ferreira Nasser,
  • Laura Achucarro,
  • Simar Dias de Lessonier,
  • Dr. Izaias Pereira da Costa,
  • Renata Kamiya Abdala,
  • Dra. Áisa Haidar Lani,
  • Raquel Silva Fernandes,
  • Aurenice Rodrigues Pinheiro Pilatti,
  • Dr. Antônio Carlos Vasques,
  • Adriano Magno de Oliveira,
  • Cláudia Helena Bitencourt,
  • Nelson Inácio Moreno,
  • Francisco Alves de Araújo,
  • Aparecido Ney Rodrigues,
  • Idalino Alves da Silva,
  • Heloisa Helena Mota Peres,
  • Elisangela da Silva,
  • Marcos Antonio Nery da Silva,
  • Jomil Vinicius de Albuquerque,
  • Terezinha Aparecida de Freitas,
  • José Claudio Fabris,
  • Aldo de Oliveira,
  • Laerte Garcia Ferreira,
  • Emílio Arruda Filho,
  • Luiz Souza Meira,
  • Eneide Gomes do Nascimento,
  • Dr. César Aníbal Aguiar Benavides,
  • Dra. Manuela Janini Gonçalves,
  • Jonas de Paula Diniz,
  • Haydeé Inácio Ribeiro,
  • Jayme de Andrade Júnior,
  • Marco Aurélio Vilanova,
  • Dr. Evódio Teodoro da Silva,
  • João Batista da Costa Vieira,
  • Luiz Carlos Mello Castanheira,
  • Marcolino Rodrigues,
  • João Martins,
  • Antonio Oshiro,
  • Joaquim Pereira Alves Junior,
  • Arnaldo Bastos da Silva,
  • Nori Mateus Vieira,
  • Anizio de Almeida Borges,
  • Milton Mambelli,
  • César Braga Maidana,
  • Luiz Alberto de Souza,
  • Wagner Lima,
  • Moisés Teodoro Erbano,
  • Alcides Rodrigues Filho,
  • Maria Aparecida Mendes,
  • Munira Ferzeli Neta,
  • Paulo Henrique Souto,
  • Maria Eunice Gomes,
  • Cristina Ferreira,
  • Renato Vilhena Silva,
  • Samira Lopes,
  • José Luiz da Silva Neto,
  • Nelson Vieira de Souza,
  • João Irinei Guimarães de Souza,
  • Aparício Lopes Filho,
  • João Marcelo Lima,
  • Izabel Gomes da Silva,
  • Mercedes Rodrigues de Brito,
  • Brigida Brites Marques,
  • Adauto Ribeiro de Souza,
  • Isabel Cristina Rodrigues,
  • Aparecida Quicue Koyanagui Inoue,
  • Sônia Cristina Valtuille França Saigali,
  • Leandro Martins de Almeida,
  • Maxmiliano Alves Barbosa,
  • Claudete Elias da Silva,
  • Jânio Ribeiro Souto,
  • Dr. Alberto de Oliveira Rosa Pires,
  • Gustavo Silva Pelissaro,
  • Diva Maria Valente Soares,
  • Vivian de Josilco Olegário,
  • Paola Azambuja Marcondes,
  • Erondina Garcia Rodrigues,
  • Ana Cláudia Araújo Santos,
  • Thaissa de Sena Moraes,
  • Brígido Fernandes,
  • Mário Sérgio Pires,
  • Rosinéia Brito de Oliveira Lopes,
  • Leonardo Nicaretta,
  • Euclides Nunes Junior,
  • Sidnei Camargo do Nascimento,
  • Ademar Amâncio Pereira Machado,
  • Daniel Cavalcanti Hayashi,
  • Thays da Silva Rosa Schwanz,
  • Lidiane de Ávila Carpejani,
  • Priscilla Anuda Quarti Vieira,
  • Adilson Stiguvitis Lima.

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