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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Cássio Scapin, o eterno Nino, do Castelo Rá Tim Bum da TV Cultura

"Hoje quero inspirar. Falar de persistência, de beleza que vem do tempo, de como a arte salva  e de como a vida continua plena, curiosa e rica depois dos 60. Quero ser voz para quem tem medo do futuro. Porque eu também tive"

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Formado pela Escola de Arte Dramática (EAD) da Universidade de São Paulo (USP), Cássio trabalhou em mais do que 20 espetáculos no Brasil e na Itália. Cássio recebeu os prêmios Mambembe, Governador do Estado, Troféu APCA, sendo que, em 1998, foi escolhido como Melhor Ator nos prêmios Apetesp e Shell, por sua interpretação em Memórias Póstumas de Brás Cubas, comédia musical de Machado de Assis.

Ele também participou de telenovelas, filmes e minisséries. Para muitos e gerações diversas, ele será o eterno personagem Nino, do programa infantil Castelo Rá Tim Bum da TV Cultura, e o ator participou da Novela Deus Salve o Rei, interpretando o personagem Héber.

Em 2020, durante a pandemia do coronavírus, o ator apresentou o monólogo “Eu Não Dava Praquilo” e o espetáculo "Os Malefícios do Fumo". Cássio Scapin vive um lindo momento os 60 anos... Ator, diretor e representante da Parada LGBT+ de SP reflete com o B+ sobre invisibilidade, afetos, saúde mental e o direito de continuar existindo com voz, beleza e desejo.

Quando foi que envelhecer se tornou sinônimo de desaparecer? Em um mundo que ainda trata juventude como capital estético e existencial, poucas vozes têm coragem (e elegância) de dizer que o tempo pode ser potência. Cássio Scapin é uma dessas vozes.

O ator, diretor e produtor completou 60 anos em dezembro de 2024. No mesmo ciclo, tornou-se representante da 28ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, a maior do mundo, cujo tema foi: “Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro.” A escolha não foi aleatória, foi coerente com tudo o que ele representa: longevidade, presença, consciência e arte em estado de reinvenção.

Com 40 anos de carreira, Scapin é conhecido por personagens que marcaram gerações - de Nino, no inesquecível Castelo Rá-Tim-Bum, ao Santos Dumont da minissérie Um Só Coração, passando por produções teatrais aclamadas e premiadas. Mas talvez seu papel mais importante seja o que vive agora: o de provocar uma conversa pública sobre o envelhecer fora do padrão.

“Falar de longevidade não é falar apenas com quem já chegou lá. É falar com quem ainda tem tempo. Tempo de cuidar de si, de rever crenças, de pensar sobre o que estamos fazendo com a vida que temos”, afirma.

Disciplinado, Scapin mantém um corpo cênico admirável, esculpido por uma rotina de balé, alimentação saudável e exercícios diários. Mas seu discurso vai muito além da estética: fala de saúde mental, de afetos, de persistência, de propósito. “Envelhecer na comunidade LGBTQIAPN+ ainda é tabu. Não nos ensinaram a imaginar o depois. Mas ele existe. E pode ser pleno.”

Nino, do programa infantil Castelo Rá Tim Bum da TV Cultura - Divulgação

Com sensibilidade e inteligência emocional, o artista criou nas redes sociais o quadro “Reflexões no Meu Divã”, onde compartilha questões íntimas que nascem em sua terapia e tocam muitas outras vidas.

Medo, finitude, invisibilidade, o julgamento dos corpos maduros, o paradoxo entre experiência e juventude, o desejo aos 60 anos,  são alguns dos temas abordados. “Percebi que as perguntas que eu levava para a análise eram perguntas que muita gente se fazia, mas não tinha com quem falar. O divã virou partilha. Uma tentativa de dizer: você não está só.”

O tom é íntimo, mas não confessional; é público, mas não expositivo. Scapin usa sua experiência como ponte e não como palco.

Com uma trajetória marcada por prêmios, Cássio se prepara para uma nova fase: rodas de conversa, palestras e encontros com o público em que compartilha sua jornada artística e humana, sua fé, sua visão de mundo.

“Hoje quero inspirar. Falar de persistência, de beleza que vem do tempo, de como a arte salva  e de como a vida continua plena, curiosa e rica depois dos 60. Quero ser voz para quem tem medo do futuro. Porque eu também tive. E continuo aprendendo todos os dias.”

Mais do que envelhecer, Cássio Scapin está expandindo. Amadurece sem amargura. Provoca sem hostilidade. E emociona sem esforço. Representa não apenas uma geração, mas uma possibilidade: a de que existir com plenitude é um direito, é uma arte, em todas as idades.

O ator é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala sobre longividade, sáude, sucessos, carreira e escolhas.

O ator Cássio Scapin é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Carlo Locatteli - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - 40 anos de carreira, como é olhar para trás? Qual a sensação dessa carreira premiada, personagens que o público tem memoria afetiva, já fez um balanço desses 40 anos?
CS -
Olhar pra trás é muito estranho, são mais de 40 anos. Olha, é muito estranho, eu não consigo muito olhando pra trás identificar o que foi esse percurso, tudo parece que a dimensão do tempo é muito relativa, ela se concentra e se compacta numa sequência de memórias, de personagens, junto de  tanta gente que existiu  nessa trajetória, nesse percurso de carreira, que foram super importantes para mim.

Eu não gosto de olhar muito pro passado de uma forma estática, o passado de alguma maneira ele é móvel, é mutável na minha cabeça, isso é muito relativo essa questão do passado. Mas esses 40 anos estão embutidos no que eu sou agora no presente e eu estou satisfeito com o que eu vejo hoje, do que eu sou enquanto ser humano, pessoa, com todos percaussos que uma existência não nos deixa escapar mas eu olho para mim com um olhar presente e com uma sensação de ok, estamos indo bem, esta tudo certo! 

CE - Chegar aos 62 anos como símbolo que o país ama, exemplo em longevidade, qualidade vida, qual a missão desses 62?
CS - 
Olha eu acho que a missão desses 62 anos é tentar reconfigurar esse padrão  de imagem e de entendimento do que as pessoas tem de uma pessoa com 62 anos, os tempos são outros, 62 anos na minha época eram pessoas, o homem era aquele senhor que jogava bocha, a mulher a vovó que fazia tricô, isso também foi na geração de minha mãe, minha avó morreu com 55 anos, meu avô com 60 e poucos, então essa questão da longevidade estabelecida por causa dos avanços tecnológicos, avanços da medicina, da possibilidade de se prolongar a vida de uma maneira mais útil, mais saudável, nesses 62 anos minha vontade, meu desejo é que se reconfigure esta imagem, esse entendimento de que ainda, sempre, tem um pulso que pulsa, a sexualidade pulsa, o humor, o afeto pulsam.

Hoje mais que nunca a questão da idade é bastante relativa. Hoje me relaciono, inclusive profissionalmente com pessoas muito mais jovens que eu. Acabei de fazer um show falando da vida de Noel Rosa, que era um jovem, um jovem antigo e no palco estavam la comigo jovens de diversas idades.

É como você reconfigura e entende essa dinâmica. A minha aula de dança, toda classe é muito jovem, importante é reconfigurar sua cabeça para esses novos tempos e sua forma de olhar para o mundo.

CE - O quadro em suas redes sociais, "Conversa no Divã", tem trazido grandes reflexões e necessidades de fala e pensamento como surgiu essa ideia?
CS -
Reflexões no meu Divã, surgiu da minha relação na terapia e de um amigo, meu videomaker Mateus Martini, da gente fazer essa brincadeira. E tem funcionando muito, porque nada que vai ao ar foi ensaiado ou combinado, no máximo penso no tema e na questão que gostaria de falar, antes de gravar penso 2 minutinhos e sai, absolutamente são questionamentos verdadeiros, assim como essa entrevista, ela não é elaborada ou pensada anteriormente pra que a resposta seja dada.

É uma pergunta que me faço e tento máximo possível pensar que estou conversando de fato com alguém. Acredito que tenham outras pessoas que tenham as mesmas dúvidas, da mesma interrogação sobre determinada questão, embutido de uma sinceridade, muito espontânea, é honesto, não é nenhum personagem, amigos discordam muitas vezes dos meus pensamentos, e eu penso que tudo ok, vida que segue, foi um quadro criado pra debate mesmo e explanar o meu olhar, meu modo de pensar.

O ator Cássio Scapin é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Carlo Locatteli - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Viajar o país palestrando, voz ativa em etarismo, sonhos, sucesso, longevidade, o que busca compartilhar em suas palestras e como ser um exemplo, como atingir ao publico alvo?
CS -
O que busco nas minhas palestras eu busco na verdade entender o tempo que a gente vive. Sobretudo entender que na maior parte das vezes, nós brasileiros ja nascemos com o "não", como pressuposto para muitas coisas, então eu compartilho sobre ir buscar o "sim" , ir buscar a realização!

Eu venho de uma origem bastante humilde, que se eu tivesse me contentado com a vida que me estava reservada seria muito triste pela realidade que vivia, contra monte de questões eu falei: eu vou nessa! E continuo indo! O que interessa é a trajetória que trilhamos, e é isso que compartilho. Como é importante a trajetória, como é que você faz esse percurso com dignidade com valores, uma lista de questões que tento falar com isso.

Longevidade é uma questão que falo que não começa aos 60 anos, ela começa aos 15, na idade em que se aflora a consciência, entendendo dia a dia, qual a melhor maneira de fazer um percurso bacana, como ser humano. Ser correto entre tantos valores e princípios.

Hoje quero inspirar, por meio das minhas palestras, falo de persistência, da beleza do tempo, de como a arte salva  e de como a vida continua plena, curiosa e rica depois dos 60. Quero ser voz para quem tem medo do futuro. Porque eu também tive. E continuo aprendendo todos os dias.

CE - 40 anos carreira, prêmios acumulados, dos maiores atores de sua geração, existe algum projeto, sonho a se realizar ainda?
CS -
Pois é! Tive sorte e muito suor, foi perseverança, insistência, foi abdicar de muitas coisas. Fui muito premiado, os prêmios nos endossam e nos legitimam, num determinado período e momento, mas vivemos em um país que não bastam ter prêmios, somos um país que não preserva memória, ser premiado não é uma coisa cumulativa, não aumenta seu valor profissionalmente, fui premiado, ótimo. Mas nesse momento, vivemos tempos que vale mais um número de algorítimos do que uma trajetória. As coisas não estão estáveis nunca, os sonhos continuam, para esse ano tenho dois projetos; "O Avarento" e "Distopia Hughie", ambos 

estão em fase de captação, a Distopia é sobre Inteligência artificial e o avarento vai falar sobre etarismo, uma releitura preservando o texto original, mas com um olhar do que é este homem novo de 70 anos e como é que o ciclo econômico dialoga com essa figura do poder. Dois projetos interessantíssimos em busca de recursos, as palestras em viagem pelo país .

CE - Recentemente declarou a revista Caras Brasil a importância do Nino e o carinho que recebe ate hoje por esse personagem, o Cássio de hoje, pensa ou tem qual visão do Castelo?
CS -
Sem duvida o Castelo Ra-tim-bum  foi um marco na tv brasileira e ouso dizer na tv da América latina, em conteúdo infantil e infanto juvenil, acho que foi um divisor de águas, tanto no que se diz respeito a qualidade de programação infantil pra televisão aberta como também na minha vida, como uma realização de um grande trabalho , que a gente raramente consegue fazer na televisão. 

CE - Hoje vivemos uma fase de novos formatos, novelas verticais, streaming, como você ve tudo isso? Algum personagem no áudio visual que gostaria de ainda viver?
CS -
Olha eu acho que a gente tem que se adequar aos novos formatos, a gente como artista e  pensador do teu tempo, essas linguagens novas estão chegando, se instalando e temos que estar abertos a experimentar pois faz parte do nosso oficio.

A gente não sabe se vira um padrão, não sabemos se vieram pra ficar, mas também dialogar e estar inserido nessas novas linguagens faz parte do estar atento ao progresso e que nos diz respeito. Primeiro na questão quanto a nossa profissão, quanto ao oficio, jeito de fazer e depois ao que atende ao público, fomos da tela do cinema, pra tela da televisão e agora na tela da mão, a microtela e temos sim que experimentar esses novos projetos e formatos.

E quanto aos personagens eu fui muito feliz e me realizei com Odorico Paraguaçu, Do Bem Amado, me diverti muito fazendo. Eu adoraria fazer um remake se tivesse, da Saramandaia, que eu acho uma coisa maravilhosa, as coisas do realismo fantástisco na televisão eu acho muito interessante.

CE - Você acabou de estrear dando vida a Noel Rosa, em 3 sessões na Pinacoteca, como foi esse projeto e haverá nova temporada?
CS - 
Sim, pretendemos voltar em temporada por todo país, divido palco com Jefferson Rodrigues e mais 4 músicos. Celebrando os 115 anos de Noel Rosa  em um formato de pocket show, com roteiro de Cássio Junqueira, revisitando a vida e a obra do compositor que transformou o samba e revelou, com ironia e sensibilidade, as contradições do homem brasileiro. Entre os 19 e 26 anos de vida, Noel compôs mais de 300 canções, eternizando clássicos como “Com Que Roupa”, “Conversa de Botequim”, “Último Desejo”, “Feitiço da Vila” e “Filosofia”.

Gosto de destacar que o espetáculo parte da palavra (a poesia que vem antes da música) explorando a força literária e a atualidade do autor. Noel foi um poeta antes de ser um músico. Toda a obra dele é estruturada nas letras das canções, e nelas está um olhar sobre o Brasil que continua muito atual.

A arte tem o poder de permitir um trânsito social, uma movimentação que o samba proporcionou a Noel. O Brasil de hoje ainda se parece muito com o Brasil de Noel Rosa — e isso torna o olhar dele ainda mais potente. Um espetáculo que adoro fazer e seguiremos neste ano!

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada...Leia a coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (25)

25/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Millôr Fernandes - escritor brasileiro

"Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala”.

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada fiscalização que realiza e posta em suas redes sociais, torna-se alvo de saraivada de ataques, inclusive dos seus colegas da Câmara Municipal de Dourados. Persistente, ela anda se desviando das minas espalhadas em cada órgão público que visita para constatar se os serviços estão indo ao encontro do que a população quer. Ela verifica, inclusive, o que teria sido varrido para debaixo do tapete. A realidade, dizem, é que há aqueles que desejam tirá-la do páreo de voos mais altos. Vai saber...

Diálogo

Eclético

O deputado Paulo Duarte está buscando novo rumo e, assim, deve deixar o PSB para se filiar, ao que tudo indica, no PSDB. O parlamentar tem trajetória partidária um tanto quanto extensa em sua vida política. Ele foi filiado ao PT.

Mais

E, inclusive, integrou o “núcleo duro” da administração petista em MS. Saiu do PT em 2016 e migrou para o PDT. Mas não durou muito, pois logo mudou de sigla, filiando-se ao MDB. Posteriormente, buscou abrigo no PSB e agora consta que estaria indo para o PSDB. Ufa!

DiálogoDr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo

 

DiálogoFlávia Ceretta

Eu juro!

O governador Eduardo Riedel jurou por todos os santos e arcanjos que não conversou sobre política com Lula, quando ele esteve em Campo Grande. Disse que o diálogo entre eles foi sobre, em suas palavras, “investimentos no Estado; falei para ele a respeito da rota bioceânica, da necessidade de manter o aporte para o acesso; conversamos do êxito da concessão, que foi uma delegação de parte das rodovias federais, e também de projetos que estão na Casa Civil e devem ser enviados ao Senado para aprovação da CAE, aqueles 200 milhões de dólares, que temos 50 de contrapartida”. Então, tá...

Palanque

A ministra Simone Tebet bateu o martelo com Lula e trocará MDB, seu partido por três décadas, pelo PSB, cuja figura mais ilustre é o vice-presidente Alckmin. Ela disputará uma das vagas ao Senado, mas por São Paulo, estado com maior colégio eleitoral do País, para “fazer palanque” para o lulismo. Em sua trajetória política em Mato Grosso do Sul foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora.

Recuo

Com a reta final da janela partidária e algumas definições para composição de chapas e, até mesmo, interesse de alçar outros voos, políticos decidiram fazer análise mais detidamente do cenário eleitoral. Assim, já se verifica certa disposição de algumas pré-candidaturas serem mantidas. Uma delas seria a da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL). Ela teria cogitado até se filiar ao Novo para disputar o Senado. Porém...

Aniversariantes

Elaine Batista de Oliveira,
Alfredo Zamlutti Júnior,
Lauane Braz Andrekowiski Volpe Camargo,
Vilmar Vendramin,
Andréa Elizabeth Ojeda,
Clelia Casanobas Pereira,
Ilda Vilalba Lima,
Aline de Oliveira Silva,
Cicero Pucci,
Antônio Fernandes Teixeira,
Constantinos Mastroyannis,
Goro Shiota,
Izaura Saad do Amaral,
José Aparecido Miguel,
Luis Adolar Camargo Kieling,
Paulo Ricardo Sbardelote,
Darci Rocha Rodovalho,
Elcimar Serafim de Souza,
Marizeth de Faria Molina,
Eva Lefreve,
Miguel Cherbakian Primo,
Amaury D’Anunzio de Miranda Leal,
Eduardo Orsi Abdul Ahad,
Dra. Janete Lima Miguel,
Dr. Sidney Valieri,
Pércio de Andrade Filho,
Ana Carolina Correia,
Adelino Augusto Arakaki Martins,
Maria Neusa de Souza,
Thomaz Lipparelli,
Cristiane Iguma Câmara,
Bertildes Oliveira de Abreu,
Rose Mary Monteiro,
Joaquim Alcides Carrijo,
Luis Antonio de Oliveira,
Wagner Dagoberto Baptista,
Osmar Marques do Amaral,
Aparecido Camazano Alamino,
Alceu Roque Rech,
Zely Vieira Recalde,
Antônio Vladimir Furine,
Hélio Aldo dos Santos,
Magdalena Ferraz Baís,
Roseny Rodrigues Nogueira,
Maria Pereira Motta,
Leôncio de Souza Brito Filho,
Dr. Carlos Benigno Tokarski,
Nilza Maria Coutinho,
Maria Helena Pinheiro,
Zulmira de Freitas,
Nilton Nantes Coelho,
Arialú Paula Nogueira,
José Ernesto de Souza Faria,
Gabriel Meudau Lemos,
Marilda Coelho Lima,
Otávio Otaviano da Silva Pereira,
Maria Emília da Silva,
Pedro Paulo Gentil,
Dirceu Teixeira Nogueira,
Mirna Gonçalves,
Geraldo Carvalho Corrêa,
Nilson Arantes,
Altagno Sandin Bacarje,
Dilma Alvarenga da Silva,
Agenor de Figueiredo,
Fábio da Costa Rondon,
Maria Aparecida Barros de Moura,
Lodemir Cânepa Penajo,
Carlos Augusto Melke,
Taís Oliveira Pena,
Cristina de Melo Hamana,
Assis Alves Pimenta,
Allan Kardec Victor Hugo dos Santos,
Juliene Aparecida da Silva Gomes,
Wanir Maria Gasparetto da Silva,
Edilson Carlos Araujo de Oliveira,
Dayselene de Lara,
Anuncia Gimenes Ayala,
Antonio da Silva,
José Mário Facioli,
Gustavo Kiotoshi Shiota,
Everton Santos Garcia,
Edmilson Amaral da Rosa,
Carlos Uechi,
José Antonio Amaral Camargo,
Milton de Souza Leite,
Rodrigo Fernandes Ramos,
Silvia Aparecida da Silva Rocha,
Eloisa Fernandes dos Santos,
Ademir Gonçalves da Silva,
Thamara Silva Dauzacker Furlan,
Andreia Gomes Gusman,
Guilherme Coppi,
Rubens José Franco Cozza,
Silvania Gobi Monteiro Fernandes,
Márcio José da Cruz Martins,
Cenise Fatima do Vale Montini Jonson,
Dianary Carvalho Borges,
Carlos Eduardo Tedesco Silva,
Douglas Tiago Campos,
Katiussia Ribeiro Vieira,
Nelma Ortolan Franzim,
Sara Rosane Barcelos Moreira,
Luciane de Araújo Martins,
Everton Armôa Martos,
Humberto Dauber,
Carlos Henrique Suzuki,
Vicente Martins,
Quirino Areco

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

COMPORTAMENTO E SOCIEDADE

Sociedade Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros se sentem felizes

Levantamento da Ipsos mostra crescimento nos níveis de bem-estar, com destaque para relações pessoais, saúde e espiritualidade como pilares da felicidade entre brasileiros

24/03/2026 08h00

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil Freepik

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Os brasileiros estão mais felizes atualmente do que estavam há um ano. É o que revela o Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede a percepção de felicidade em 29 países e aponta um avanço significativo nos níveis de satisfação da população.

No Brasil, 80% dos entrevistados afirmam estar felizes ou muito felizes (um crescimento de dois pontos porcentuais em relação a 2025), colocando o País entre os mais satisfeitos do mundo, na sétima posição do ranking internacional.

O levantamento mostra que 28% dos brasileiros se consideram muito felizes e 52% felizes. Enquanto 15% dizem não estar muito felizes e apenas 5% afirmam não estar felizes de forma alguma. Os números brasileiros superam a média global, que registra 74% de pessoas felizes, sendo 18% muito felizes.

O cenário nacional acompanha uma tendência internacional: em 25 dos 29 países pesquisados, os níveis de felicidade aumentaram em comparação ao ano anterior.

Apenas três países registraram queda. O dado indica uma melhora generalizada na percepção de bem-estar, possivelmente influenciada por fatores como maior estabilidade econômica e recuperação social após períodos de crise.

Os dados do levantamento revelam uma compreensão mais ampla sobre o que significa ser feliz. No Brasil, essa percepção está fortemente associada a vínculos afetivos, saúde e propósito de vida – elementos que, mesmo diante de desafios econômicos, sustentam níveis elevados de satisfação.

Ao mesmo tempo, o estudo evidencia que a felicidade não é distribuída de forma uniforme e pode variar de acordo com fatores como idade, renda e contexto social.

MOTOR DA FELICIDADE

No Brasil, a felicidade tem raízes profundas nas relações humanas e no bem-estar emocional. O principal fator apontado pelos entrevistados é o sentimento de ser amado ou valorizado, citado por 34%. Em seguida, aparecem a saúde física e mental (31%) e o relacionamento com a família e os filhos (29%).

Esses resultados mostram que, mais do que condições materiais, são os vínculos afetivos e a qualidade de vida que sustentam a sensação de felicidade entre os brasileiros.

A tendência também se repete globalmente: sentir-se apreciado e ter boas relações familiares aparecem como os principais motores da felicidade em diversos países.

Outro ponto de destaque é o papel da espiritualidade. No Brasil, 22% dos entrevistados apontam a fé ou a vida espiritual como um fator relevante para a felicidade – mais que o dobro da média global, que é de 10%.

O dado reforça uma característica cultural marcante do País, onde a religiosidade segue sendo um elemento importante na construção do bem-estar.

Além disso, fatores como perceber que a vida tem sentido e ter controle sobre a própria trajetória também aparecem entre os elementos que contribuem para a felicidade, indicando uma combinação entre aspectos emocionais, sociais e subjetivos.

DIFERENÇAS ENTRE GÊNEROS

A pesquisa também revela nuances importantes quando se observa o recorte por gênero. Entre os brasileiros que se dizem muito felizes, os homens aparecem em maior proporção (29%) em comparação às mulheres (26%).

No entanto, quando se trata do grupo que se declara feliz, as mulheres lideram, com 54%, frente a 50% dos homens.

Os dados sugerem que, embora os níveis gerais de felicidade sejam semelhantes entre os gêneros, a intensidade dessa percepção pode variar. Ainda assim, a soma total de pessoas satisfeitas com a vida se mantém elevada em ambos os grupos.

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no BrasilEspiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik

VARIAÇÃO AO LONGO DA VIDA

O estudo também analisa como a felicidade muda com a idade – e os resultados mostram um padrão curioso. A satisfação com a vida tende a ser alta na juventude, sofre uma queda por volta dos 50 anos e volta a crescer nas décadas seguintes, atingindo seu pico após os 70 anos.

Globalmente, pessoas com mais de 70 anos apresentam os maiores níveis de felicidade, enquanto aquelas na faixa dos 50 anos estão entre as menos satisfeitas.

No Brasil, a faixa etária entre 50 e 74 anos concentra o maior índice de felicidade, com 82% das pessoas se declarando felizes ou muito felizes. O dado indica que, apesar de desafios comuns à meia-idade, como questões profissionais ou financeiras, há uma retomada significativa do bem-estar com o avanço da idade.

Por outro lado, a geração Z – formada por jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 – é a que apresenta o maior porcentual de pessoas que se dizem nada felizes, embora esse número ainda seja relativamente baixo, de 6%.

UM DOS MAIS FELIZES

No ranking global, o Brasil aparece entre os países com maior índice de felicidade. As primeiras posições são ocupadas por Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). Com 80% da população feliz, o Brasil figura logo atrás, consolidando-se como um dos países mais satisfeitos entre os pesquisados.

A trajetória também é positiva no longo prazo. Desde 2011, o índice de felicidade no Brasil aumentou três pontos porcentuais, contrariando uma tendência de queda observada em alguns países ao longo dos anos.

Esse crescimento indica que, apesar de desafios econômicos e sociais, a percepção de bem-estar no País tem se mantido resiliente, sustentada principalmente por fatores não materiais.

DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE, MAS AJUDA

Se por um lado a felicidade está ligada a aspectos emocionais e relacionais, a infelicidade tem uma origem mais concreta. No Brasil, a situação financeira é o principal fator de insatisfação, citado por 54% dos entrevistados.

Na sequência, aparecem a saúde mental e o bem-estar (37%) e as condições de moradia (27%). O padrão é semelhante ao observado globalmente, em que a situação financeira também lidera como principal causa de infelicidade, com 57% das menções.

O impacto das finanças é transversal e atinge todas as gerações. Entre os baby boomers, 68% apontam esse fator como a principal causa de infelicidade. O índice cai para 62% na geração X e para 49% entre millennials e geração Z, mas ainda se mantém como o principal motivo em todos os grupos.

A pesquisa também evidencia uma relação direta entre renda e felicidade. Pessoas com maior poder aquisitivo tendem a ser mais felizes (79%) do que aquelas com renda mais baixa (67%), o que reforça a importância das condições materiais na qualidade de vida.

Apesar do peso das finanças na infelicidade, a percepção sobre a economia apresentou melhora este ano. Em 18 dos 29 países analisados, mais pessoas passaram a acreditar que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior.

Essa mudança pode ter contribuído para o aumento geral da felicidade, visto que reduz a insegurança e melhora as expectativas em relação ao futuro.

O estudo sugere que, embora fatores econômicos não sejam os principais responsáveis pela felicidade, eles exercem forte influência quando se trata de insatisfação, especialmente em contextos de instabilidade.

METODOLOGIA

O Ipsos Happiness Report 2026 foi realizado entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, com a participação de 23.268 adultos em 29 países. As entrevistas foram conduzidas por meio de plataformas on-line, com exceção da Índia, onde parte da coleta foi feita presencialmente.

No Brasil, a amostra contou com cerca de mil entrevistados, com margem de erro estimada em 3,5 pontos porcentuais. Os dados foram ajustados para refletir o perfil demográfico da população adulta, com base nos censos mais recentes.

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