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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Gabriel Chadan destaque no elenco de 'Fúria' na Netflix

"Está sendo maravilhoso. A comunidade das artes marciais também está se sentindo bem representada. Fúria, da Netflix está demais"

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O ator Gabriel Chadan atualmente integra o elenco de Fúria, série que estreou na Netflix em 29 de julho, na qual interpreta Tanque, campeão de MMA e parceiro de Malamute, personagem vivido por MC Cabelinho.

Até o fim de 2026, o ator também estreia na superprodução Ben-Hur, que será lançada pelo Disney+ e pelo Univer Vídeo. Ao mesmo tempo, Chadan está no ar na reprise de Avenida Brasil, da TV Globo, e também pode ser visto em Juacas, produção original da Disney que passou a integrar o catálogo da Netflix em junho.

Ao longo da carreira, o ator já soma em seu currículo produções como Malhação, Amor à Vida, Liberdade, Liberdade, A Lei do Amor e DNA do Crime, além de projetos para diferentes plataformas de streaming.

Paralelamente à atuação, Gabriel também construiu uma carreira na música. Ex-vocalista da banda Fulanos e Ciclanos, hoje atua como diretor artístico e produtor musical, assinando conceitos criativos, shows, videoclipes e projetos de identidade artística para artistas como Terra Blanco, Ney Matogrosso, Tonny Gordon e Winnit.

Além da música, outro aspecto importante em sua vida é a relação com o esporte. Desde a infância, sonhava em ser jogador de futebol. Hoje, o ator mantém uma rotina de treinamento físico que ajuda na preparação de seus personagens, como foi o caso de Tanque, da série Fúria.

Fora dos estúdios, o ator também vive um papel que considera transformador: o de pai. A paternidade trouxe uma nova perspectiva sobre carreira, propósito e equilíbrio entre vida pessoal e profissional, tornando-se uma dimensão importante de sua identidade e da forma como enxerga a arte, o trabalho e o futuro.

Hoje, Gabriel Chadan representa uma geração de artistas que não se limita a uma única linguagem. Ele atua, dirige, produz, compõe, cria e desenvolve projetos sempre em busca de narrativas que dialoguem com pessoas reais.

Gabriel é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala sobre carreira, escolhas, personagens e estreias.

O ator Gabriel Chadan é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Bruno Rangel - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Fúria acaba de estrear na Netflix. Como está sendo para você acompanhar o lançamento da série e ver esse trabalho chegar ao público?
GC - 
Está sendo maravilhoso. A resposta do público tem sido ótima, venho recebendo mensagens de vários lugares do Brasil e do mundo. A comunidade das artes marciais também está se sentindo bem representada.

E é uma satisfação imensa, porque o processo foi muito duro, exigiu muito da gente fisicamente e psicologicamente. E tudo o que a gente faz é para esse momento, para que a obra e essas histórias cheguem às pessoas, emocionem, contem histórias e abram questões. Fúria, da Netflix, tá demais.

CE - Em Fúria, você interpreta Tanque, um lutador de MMA e parceiro de Malamute, personagem vivido por MC Cabelinho. O que mais chamou sua atenção nesse personagem quando recebeu o convite para integrar o elenco da série?
GC -
 Primeiro, o nível técnico, profissional e físico que ele tem enquanto atleta. Por ele ser um campeão de MMA, que representa a maior academia do Brasil na série, eu já entendi que esse cara era um super lutador, uma máquina, um tanque.

Então, o meu primeiro foco, no início das preparações, foi chegar nesse momento, nesse corpo, nessa habilidade, principalmente porque a luta do Tanque e do Malamute é a primeira luta da série.

Então, tinha uma importância muito grande. A partir daí, fui entendendo o personagem e decupando essa história interna, as emoções e as nuances que ele poderia ter durante a história toda.

CE - Interpretar um lutador de MMA deve ter exigido uma preparação física intensa. Como foi esse processo e quais foram os maiores desafios?
GC -
 Sim, foi uma preparação física muito dura, de segunda a sexta-feira, das nove às seis horas da tarde. Fizemos com a equipe do Piter Lee, americano, que cuidou das coreografias das lutas com os lutadores profissionais e a gente.

Além de todo o trabalho que se fazia fora do ambiente de preparação da série, como treinamentos diários na academia, recuperação e fisioterapia. Então, foram dois meses intensos, com muito trabalho, muita coreografia, muitos detalhes técnicos específicos, muita dor, mas também muito cuidado.
Grandes profissionais, uma estrutura incrível que a Zola e a Netflix forneceram para todos os atores e atletas.

Além de uma equipe multidisciplinar pessoal que eu tenho, com o nutricionista Lucas Souza, que preparou uma alimentação específica para esses meses de trabalho, tanto para aguentar o ritmo dos treinos quanto para chegar à forma estética que o personagem precisou.

Então, foi um trabalho mágico. E o maior desafio era que, no momento em que a câmera me filmasse, o público visse imediatamente um lutador e que, ao ver as cenas de luta, se sentisse emocionado, adrenalizado, como se estivesse assistindo a uma luta real.

E eu recebi diversas mensagens e feedbacks falando: “Ah, mas eu tava torcendo como se fosse uma luta”. Então, acredito que a gente tenha chegado num lugar muito bacana.

CE - Até o fim do ano você também estreia em Ben-Hur, uma superprodução do Disney+ e do Univer Vídeo. As gravações já começaram? O que você pode adiantar sobre o seu personagem?
GC -
 Sim, as gravações já começaram. Produção gigantesca, grandes profissionais da área do cinema e das produções de séries no Brasil, além de um elenco incrível.

Então, o público pode esperar um grande épico, grandes cenas de ação, muita emoção, com essa história que é um dos maiores clássicos da literatura mundial. Eu faço o personagem Romulus. Ele é um tribuno romano que tem uma índole duvidosa e costuma fazer um trabalho que não necessariamente serve aos outros, mas especificamente a si mesmo. Isso é o que eu posso falar agora.

E já garanto para vocês: vai ter muita emoção, muita adrenalina, e eu aposto que esse trabalho vai surpreender todo mundo.

CE - A série será inspirada em um dos maiores clássicos da literatura e do cinema, né? O que esse projeto representa para a sua carreira?
GC -
 Representa um momento muito lindo. Primeiro, porque é meu primeiro trabalho com esse grupo, e estou me sentindo muito feliz, muito bem-quisto e muito realizado artisticamente.

É a maior produção da casa até o momento, um investimento gigantesco, não só de dinheiro, mas de tempo e de pessoas.

E representa um momento muito lindo na minha carreira. 2026 está sendo um ano muito legal. E todo esse momento que eu venho passando na minha carreira tem sido ótimo. E, como ator, poder representar um grande épico, um grande clássico da literatura, é uma honra, um sonho.

Quando a gente começa a fazer teatro, quer fazer os grandes clássicos: Tchekhov, Shakespeare. Então, todas essas obras que fizeram parte da história do mundo, ainda mais numa grande produção como essa, me deixam muito realizado.

O ator Gabriel Chadan é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Théo Dorè - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você já passou por novelas, séries e diferentes plataformas de streaming. Como enxerga essa diversidade dentro da construção da carreira?
GC -
 Eu acredito que essa diversidade é um ponto-chave na trajetória de qualquer artista, seja ele da música, das artes plásticas, do teatro, da direção ou de qualquer outro estilo.

E a minha busca sempre foi nesse sentido, de aperfeiçoar cada vez mais todas as ferramentas para que a expressão tenha a liberdade para fluir. Desde que comecei a carreira artística, seja como músico ou como ator especificamente, sempre desejei transitar e ter as formas mais potentes de me comunicar e de contar essas histórias.

Cada uma delas — o teatro, as novelas, as séries, os filmes — tem a sua especificidade, o seu detalhe e a sua forma. E nós, enquanto atores, temos que nos adaptar e entender o que cada linguagem pede para que as histórias sejam contadas da melhor forma possível.

O grande objetivo do que a gente faz é a expressão. Então, isso é algo que eu tenho desde o início. No começo é mais difícil chegar nesse lugar, mas eu venho alimentando e trabalhando isso cada vez mais e vou levar até o final. Seja nas obras das artes cênicas, escrevendo minhas poesias, compondo as minhas canções ou dirigindo outros artistas. É sobre se expressar… A arte é sobre se expressar.

CE - Além da atuação, você também atua como diretor artístico e produtor musical. De que forma a música influencia também no seu trabalho como ator?
GC -
 Tudo que o ator vive, o artista vive. De certa forma, abastece a sua criatividade e o seu trabalho. E poder trabalhar com grandes artistas da música durante os períodos em que eu não estou filmando, além de renovar a minha energia criativa, dar vazão à minha expressividade, faz com que cada artista desses, como Terra Blanco, Ney Matogrosso, WINNIT e Jeff.e, me abasteça de forma muito generosa para que eu saia de cada trabalho mais amadurecido, mais animado, mais reflexivo.

Então, tudo soma, tudo sempre soma. E é algo que eu amo fazer. Eu amo música e amo ajudar os artistas a potencializarem seus talentos.

CE - O esporte sempre fez parte da sua vida e da sua rotina. Como ele contribui para a preparação dos seus personagens até hoje e para a sua vida fora dos estúdios?
GC -
 O esporte sempre fez parte da minha vida. Primeiro com o futebol, brincadeiras de criança, cavalos, subir em árvore. Movimento sempre foi algo fundamental.

Depois que eu cheguei ao Rio, em 2008, comecei a surfar. Na pandemia, encontrei a corrida, que é algo que eu amo. Na realidade, acredito fortemente que o esporte é a base essencial para qualquer sociedade, para qualquer ser humano. Ali você aprende a perder, a lidar com as frustrações, a ganhar e entende que, quando você se dedica a alguma coisa, você melhora.

Eu acredito que a gente é feito de mente, corpo e espírito. Então, a melhor ferramenta para a gente se conectar é o movimento. E isso ajuda muito o nosso psicológico, as nossas relações pessoais e também a nossa relação de trabalho. Indo direto ao ponto em relação ao ator, é fundamental, porque o instrumento de trabalho dele é o corpo, é a voz.

Então, inevitavelmente, você vai ter que trabalhar a favor deles. Ora ficando forte porque você é um atleta, ora ficando mais magro. O corpo está a favor da história. Então, o que o personagem precisar será feito. Eu tenho como inspiração grandes artistas que passaram por grandes transformações, e isso me estimula muito.

CE - Você já afirmou que a paternidade transformou a sua forma de enxergar a carreira e a vida. O que mudou na prática desde que se tornou pai?
GC -
 Sim. Mudou a minha vida completamente para melhor. Na prática, mudou a forma com que eu me relaciono com o tempo, a forma com que eu me relaciono com a vida e a responsabilidade inegociável que eu tenho sobre a educação, a criação e a segurança dessa criança.

E, de formas mais afetivas, mudou também a maneira como eu me tornei mais empático com o mundo. É um amor incondicional indescritível. E eu tenho o privilégio de ser pai de uma menina, a Gaia. Acho que, para um homem, isso é um dos maiores presentes do mundo.

Porque, através das experiências dela e do contato com ela, com a minha companheira, a Terra Blanco, eu vou tendo lições e aprendizados diários sobre a minha masculinidade, sobre como a nossa sociedade é muito mais dura e muito mais difícil para uma mulher. E como essa nossa estrutura naturaliza muito tudo isso.

Então, viver com a Gaia, curtir essas experiências e estar do lado dela me faz crescer como ser humano, como homem, como marido, como pai, como amigo, enfim. E aí, através da minha arte, consigo abrir novos questionamentos, novas informações e reinaugurar, junto com todo um movimento, novas realidades. É um grande presente. Minha filha é o maior presente da minha vida.

CE - O público acompanha um artista que atua, dirige, produz e transita por diferentes áreas criativas. Quais são os próximos desafios e o que você ainda sonha em realizar na carreira?
GC - 
Ah, são muitos, muitos, muitos. Esse ano ainda estou terminando de filmar a série Ben-Hur. Muita expectativa. É uma série que vai ser incrível, um projeto gigantesco, épico, que eu tenho o privilégio de fazer.

E, na sequência, tem alguns projetos da música em que eu venho trabalhando forte, como os novos trabalhos da Terra Blanco. Um pouco mais à frente, quero voltar a lançar músicas e projetos autorais meus novamente. Tenho a banda Fulanos e Ciclanos há 14 anos, mais de 30 faixas lançadas, clipes e participações com grandes artistas.

E, na carreira de ator, eu quero sempre poder contar boas histórias, fazer novos personagens, circular nas melhores produtoras e empresas que rodeiam esse mundo. Então, sonho muito e quero muito. E é um passo atrás do outro.

Esse ano ainda tem muita coisa para acontecer. Tenho grandes novidades para o ano que vem, mas ainda são sigilosos. Então, o que eu posso dizer é: sonhem, sonhem, porque eu estou sonhando muito e estou sonhando alto.

 

Artes Cênicas

"A menina e o Fim" traz três sessões gratuitas e terá bonecos gigantes em cena

Espetáculo apresentado hoje, amanhã e na sexta-feira, sempre às 20h, aborda perdas vividas na infância e o poder que há na arte como "possibilidade de existência"

14/10/2026 09h00

Segundo a criadora,

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentos Foto: Marcelo Henrique

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Durante três dias de apresentação, o campo-grandense poderá acompanhar, entre hoje e sexta-feira, sempre às 20h, na sede do Grupo Casa, que fica no Bairro Amambaí, um espetáculo que traz mensagens profundas que passam por cenários de fugas, perseguições e perdas, em um verdadeiro grito de resgate à infância que envolve até mesmo bonecos gigantes em cena.

Escrito e dirigido por Ligia Tristão Prieto, sobre o texto, que tem uma década de existência, ela diz que sabia desde 2017 que “A Menina e o Fim” não sairia do papel à época.

“Tenho alguns textos que, quando eu escrevi de forma individual, no meu computador, sozinha, escrevendo esse texto, eu sabia que, ao escrevê-lo, eu não ia conseguir executar ele naquele momento, porque eu, enquanto diretora cênica, ainda precisava percorrer um caminho”, afirma Ligia. 

“A Menina e o Fim” nasce inspirado em relatos documentados sobre a fuga das irmãs Lispector da Ucrânia para o Brasil, ainda em 1922, por causa da Guerra Civil Russa, tentando escapar dos ataques violentos, batizados com o termo russo pogrom, que visavam massacrar, subjugar e expulsar a população judia do território. Entre as inspirações para o espetáculo estão textos como “No Exílio”, de Elisa Lispector, bem como a poesia sul-mato-grossense de Emmanuel Marinho, autor de “Margem de Papel”.

Ao Correio do Estado, Ligia destacou os pilares fundamentais que tornaram a execução deste espetáculo não somente possível atualmente, como também urgente para os dias contemporâneos. 

Segundo a criadora, “A Menina e o Fim” exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentos, o que, ela afirma, precisa ser feito de forma muito delicada. 

BONECOS GIGANTES

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentosFoto: Marcelo Henrique

Nessa montagem, o público acompanha a jornada de fuga de Maria, que é interpretada por Kiohara, após a personagem perder seu lar e até mesmo seus familiares. Os bonecos gigantes surgem justamente para dar vida ao universo fantasioso e imaginário que servirá também de sustentação para a menina.

“A Maria vem e prova que é possível, sim, esses dois mundos coexistirem, que podemos ver o mundo com cor sem perder a noção da realidade”, cita Kiohara.

Ligia Prieto lembra que à época que o texto nasceu não havia, de fato, parceiros e pessoas profissionais suficientes para enfrentar a batalha de trazer o espetáculo à vida.

“Eu precisava lidar com a criação de bonecos gigantes, com uma trilha autoral muito específica, com uma iluminação autoral muito delicada. Essa estrutura toda... Olhava ao meu redor e pensava quem eram os profissionais que poderiam alcançar esse lugar também de criação. Precisava de artistas resistentes, inspirados, que pudessem se entregar de fato à criação do projeto”, diz.

Ela faz questão de frisar a criatividade de todas as partes, o que exigiu da mente por trás da obra toda uma trajetória a ser percorrida tanto como pessoa quanto como artista.

Ligia ressalta que as políticas públicas de incentivo à arte e à cultura que existiram nos últimos quatro anos foram o fator predominante para que essa e outros de seus textos para teatro e cinema pudessem ser colocados em cena, já que a execução de “A Menina e o Fim” foi viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc (Pnab) do Ministério da Cultura (Minc).

“Acho muito importante dizer que consigo também executar esse projeto hoje, e não há quase 10 anos, porque nos últimos quatro anos eu tive políticas públicas para a cultura e para a arte. Porque quando eu chego na montagem, na criação coletiva, aí eu estou falando de um grupo de pessoas. Esse projeto tem 26 artistas envolvidos, que precisam ser pagos, dedicar o trabalho deles a um projeto específico e mergulhar fundo na criação, na delicadeza desse espetáculo”.

Nesse quesito, as cabeças de papietagem dos personagens do primeiro ato são trabalhos de Sarah Caires e Said Danilo, enquanto Rafael Mareco assina a execução das cabeças gigantes que aparecem no segundo ato.

“O maior desafio aqui é construir grandes bonecos que sejam leves, expressivos e componham a cena de forma conjunta”, avalia Mareco, sobre a criação dos elementos cênicos.

Como comentou Ligia, a trilha sonora de “A Menina e o Fim” tem direção musical assinada por Sofia Maciel, que a executará ao vivo durante os três dias de apresentação, ao lado do maestro Eduardo Martinelli.
Renomado maestro, Martinelli lembra que tem certo costume de fazer trilhas sonoras, com trabalhos em documentários, curta-metragens e demais produções, mas afirmou ao Correio B que a execução ao vivo é muito diferente. 

“Porque a gente tem uma sensação de, além de criar a música, estar atuando. E sempre existem as nuances do fazer ao vivo, isso é uma coisa que diferencia muito de quando fazemos uma criação musical, gravamos e encaixamos em uma cena de filme ou o que quer que seja”, diz.

Martinelli também rememora a experiência que teve em um monólogo como ator, em São Paulo, há cerca de duas décadas, reforçando que a experiência com Sofia está lhe trazendo muitas sensações boas. Algo distinto do que está acostumado a viver, o maestro classifica a atual vivência como muito rica. 

“É uma sensação diferente a cada ensaio, a cada preparação. Já havia feito uma vez um monólogo do [Franz] Kafka [‘A Metamorfose’], mas faz muito tempo, já deve ter uns 20 anos ou mais, então, reviver essa experiência é muito interessante. E o mais rico e desafiador é tudo sendo executado ao vivo. Era sozinho, agora em dupla também torna a coisa diferente, a comunhão de fazer e executar. Para mim, por mais que tenha muita experiência com a música, porque só faço isso na vida [brinca], não deixa de ser uma sensação e uma situação nova”, complementa.

Como bem completa Sofia a respeito da trilha sonora, “A Menina e o Fim” emprega uma série de diversos instrumentos e sonoridades, que acompanham principalmente as mudanças vividas por Maria e ajudam a caracterizar propriamente cada personagem.

“Estamos usando instrumentos acústicos, percussões, sons produzidos pelo próprio corpo e pequenos motivos musicais que reaparecem em diferentes momentos. Na canção de Maria, por exemplo, temos um arranjo mais melancólico e introspectivo, que vai crescendo aos poucos. Já no encontro com o Rato, a proposta foi criar outra atmosfera, com uma sonoridade mais próxima do blues, trazendo humor, movimento e uma mudança na energia do espetáculo”, adianta. 

“A MENINA E O FIM”

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentosFoto: Marcelo Henrique

Sobre o espetáculo e sua mensagem, Ligia destaca que há uma necessidade urgente de se falar sobre infância, reforçando que esta etapa da vida é fortemente atravessada pelas escolhas tomadas na fase adulta. 

“Infelizmente ainda, no Brasil, a gente tem uma média de 64 crianças sendo abusadas por dia. Tivemos mais de um milhão de crianças ficando órfãs, perdendo parentes na pandemia. A gente ainda tem muitas sendo mortas na guerra. E como que a gente sustenta a imaginação de uma criança, a alegria e a construção sensível e poética da infância num país sem arte?”, questiona a diretora. 

Lançando luz sobre a importância da arte na infância, o espetáculo busca mostrar esse potencial da expressão artística como ferramenta para melhor elaborar as feridas, ressignificar situações e imaginar saídas para o que, muitas vezes, nas palavras da diretora, a gente entende ser o fim. 
“Enquanto escritora, poeta, era um texto que me atravessava, me atravessou muito”.

O espetáculo conta com produção de Zuri Oliveira e produção-executiva assinada por Jessica Santos, com Leonardo de Medeiros como assistente. A direção de arte e cenografia é feita por Rafael Mareco e assistência é de Fannyah, Kyane Bravo e Lethícia Rodrigues. 

Maria encontra em sua jornada alguns personagens icônicos, como a boneca Buzuza, interpretada por Lethícia Rodrigues, o Rato, vivido por Tero Queiroz, a Borboleta, interpretada por Sofepoar Minott, e a avó em tamanho gigante, vivida por Zyan Nalrad (Anna Burton).

Os figurinos de “A Menina e o Fim” são assinados por Zyan Nalrad. No processo de montagem, o espetáculo contou com preparação de elenco de Lívia Lopes e preparação de equilíbrio de Bibi Gonçalves. A iluminação é de Anderson Lima.

O elenco é composto por: Kiohara, Leonardo de Medeiros, Lethícia Rodrigues, Lívia Lopes, Sofepoar Minott, Tero Queiroz e Zyan Nalrad (Anna Burton). Alex Cavalheri assina a sonoplastia e a direção de som, enquanto Douglas Luiz aparece como diretor de palco. 

Por fim, Ligia revela ao Correio B um lado que há nas mensagens que tenta transmitir ao público, já que o cenário de fugas, perdas e perseguições se liga às realidades externas e internas do ser humano. Segundo Ligia, esse grupo de adultos, ao desenhar a trajetória dessa menina, foi percebendo as solidões que existem dentro de cada um. 

“Ao ver a história dessa menina que vai ficando sozinha, percebe a solidão que já causou em uma criança, a solidão dentro de si durante a infância, que nunca morre, essa perda constante que a gente sente, essa saudade que não sabe dar nome, que a gente sente dentro do peito. As perdas e o desejo de casa, de conforto, do amor, de amar e ser amado são sensações que atravessam toda a humanidade. Então, ali a gente torna esse espetáculo universal. É muito difícil fazer arte no País, ainda mais aqui em Mato Grosso do Sul. Então, quando a gente tem essa chance, parece que estamos vivendo um sonho”, conclui.

Com classificação livre, esse espetáculo, realizado na sede do Grupo Casa, terá interpretação em Língua brasileira de Sinais (Libras) feita pela Comunique Acessibilidade. A entrada é gratuita, mas é necessário reservar os ingressos na plataforma Sympla, em razão da capacidade do espaço.

Serviço: 

Espetáculo: “A Menina e o Fim”
Data: de hoje até sexta-feira.
Horário: às 20h. 
Local: Grupo Casa – Rua Visconde de Taunay, nº 306, Bairro Amambaí, Campo Grande.
Entrada: gratuita.

Ficha técnica

  • Direção e Dramaturgia – Ligia Tristão Prieto
  • Produção Executiva – Jessica Santos
  • Produção Geral – Grupo Casa Produções
  • Produção – Zuri Oliveira
  • Assistente de Produção – Leonardo de Medeiros
  • Direção de Arte e Cenografia – Rafael Mareco
  • Assistência de Arte – Fannyah, Kyane Bravo e Lethícia Rodrigues
  • Cabeças de Papietagem Personagens Ato I – Sarah Caires e Said Danilo
  • Cabeças Gigantes Personagens Ato II – Rafael Mareco
  • Figurino e Beleza – Zyan Nalrad
  • Direção Musical – Sofia Maciel
  • Composição Musical Autoral – Ligia Tristão Prieto, Sofia Maciel, José Maciel e Eduardo Martinelli
  • Trilha Sonora – Eduardo Martinelli e Sofia Maciel
  • Elenco – Kiohara, Leonardo de Medeiros, Lethícia Rodrigues, Lívia Lopes, Sofepoar Minott, Tero Queiroz e Zyan Nalrad (Anna Burton)
  • Preparação de Elenco – Lívia Lopes
  • Preparação de Equilíbrio – Bibi Gonçalves
  • Contrarregragem – Jessica Santos e Rafael Mareco
  • Sonoplastia e Direção de Som – Alex Cavalheri
  • Iluminação – Anderson Lima
  • Direção de Palco – Douglas Luiz
  • Interpretação em Libras – Comunique Acessibilidade
  • Assessoria de Imprensa – Mariana Castelar e Tero Queiroz
  • Assessoria de Comunicação – Hevo Mídia – Mario Oshiro e Paula Chermont
  • Social Media – Marcelo Henrique
  • Design Gráfico e Animação – Sudório

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Diálogo

O senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) recebeu 903.554 votos, a maior... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (14)

14/10/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Paulo Coelho - Escritor brasileiro

"Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que o seu caminho é o único. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia”.

FELPUDA 

O senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) recebeu 903.554 votos, a maior votação para o Senado na história de Mato Grosso do Sul. O resultado consolida o ex-governador como presidente estadual do PL e principal liderança do partido no Estado. A legenda elegeu os dois senadores, três dos oito deputados federais, nove dos 24 deputados estaduais, e passa a ter a maior bancada sul-mato-grossense tanto na Câmara quanto na Assembleia. Na política, quem é bem votado não só se torna o “cacique da aldeia”, como também passa a dar as cartas. 

Diálogo

Especial

Entre os dias 26 e 30 deste mês, acontecerá a Mega Semana da Mega Sena. Serão cinco sorteios consecutivos correspondentes aos concursos 3076, 3077, 3078, 3079 e 3080.  A modalidade, em caráter especial, terá sorteios de segunda a sexta-feira, substituindo o calendário regular de concursos.

Mais

Após o encerramento dos concursos especiais, a Mega-Sena retomará seu calendário regular de sorteios e fará a abertura das vendas paralelas da Mega da Virada 2026, prevista para novembro. O limite de horário permanece o mesmo adotado nos concursos regulares.

DiálogoDra. Luciana Darrot - Foto: Arquivo Pessoal

 

DiálogoValentina Herszage - Foto: Lu Prezia

Bênção!

Nos bastidores, já ferve a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de MS. Duas correntes disputam o segundo posto político mais cobiçado do Estado, e não é à toa: a Casa administra mais de meio bilhão de reais, quantia que boa parte dos 79 municípios de MS nem sonha em ter no caixa. Só que ninguém se elege presidente da Assembleia sem a bênção do governo. E é quando a queda de braço costuma terminar sempre do mesmo jeito: chapa de consenso.

Vilã

A inflação ganhou força após a deflação registrada em agosto, subindo para 0,82% em setembro, apontam dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Estimulada pela disparada dos preços das contas de luz, a variação é a maior para o mês desde 2021. Em 12 meses ela atingiu 4,58%, estourando novamente o teto da meta de 4,5% do Conselho Monetário Nacional.

Encolheu

Nem mesmo com votação recorde de Camila Jara, o PT conseguiu eleger dois deputados federais. Os seus companheiros não contribuíram para alcançar o quociente eleitoral. A diferença da votação de Camila de quase 155 mil votos para o segundo mais votado do PT é bem grande. Esse companheiro na disputa para Câmara Federal é Elias Ishy. Ele obteve apenas 18.045 votos. Não conseguiu conquistar a cadeira de Vander Loubet, que desistiu da reeleição para concorrer ao Senado. Como se vê...

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  • Vivianne Soares Silva,
  • Suzana Carolina Franco,
  • Mário Henrique Lima,
  • Gilberto de Oliveira Cardoso.

Colaborou com Tatyane Gameiro

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