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Entrevista exclusiva com o ator Gabriel Chadan destaque no elenco de 'Fúria' na Netflix

"Está sendo maravilhoso. A comunidade das artes marciais também está se sentindo bem representada. Fúria, da Netflix está demais"

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O ator Gabriel Chadan atualmente integra o elenco de Fúria, série que estreou na Netflix em 29 de julho, na qual interpreta Tanque, campeão de MMA e parceiro de Malamute, personagem vivido por MC Cabelinho.

Até o fim de 2026, o ator também estreia na superprodução Ben-Hur, que será lançada pelo Disney+ e pelo Univer Vídeo. Ao mesmo tempo, Chadan está no ar na reprise de Avenida Brasil, da TV Globo, e também pode ser visto em Juacas, produção original da Disney que passou a integrar o catálogo da Netflix em junho.

Ao longo da carreira, o ator já soma em seu currículo produções como Malhação, Amor à Vida, Liberdade, Liberdade, A Lei do Amor e DNA do Crime, além de projetos para diferentes plataformas de streaming.

Paralelamente à atuação, Gabriel também construiu uma carreira na música. Ex-vocalista da banda Fulanos e Ciclanos, hoje atua como diretor artístico e produtor musical, assinando conceitos criativos, shows, videoclipes e projetos de identidade artística para artistas como Terra Blanco, Ney Matogrosso, Tonny Gordon e Winnit.

Além da música, outro aspecto importante em sua vida é a relação com o esporte. Desde a infância, sonhava em ser jogador de futebol. Hoje, o ator mantém uma rotina de treinamento físico que ajuda na preparação de seus personagens, como foi o caso de Tanque, da série Fúria.

Fora dos estúdios, o ator também vive um papel que considera transformador: o de pai. A paternidade trouxe uma nova perspectiva sobre carreira, propósito e equilíbrio entre vida pessoal e profissional, tornando-se uma dimensão importante de sua identidade e da forma como enxerga a arte, o trabalho e o futuro.

Hoje, Gabriel Chadan representa uma geração de artistas que não se limita a uma única linguagem. Ele atua, dirige, produz, compõe, cria e desenvolve projetos sempre em busca de narrativas que dialoguem com pessoas reais.

Gabriel é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala sobre carreira, escolhas, personagens e estreias.

O ator Gabriel Chadan é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Bruno Rangel - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Fúria acaba de estrear na Netflix. Como está sendo para você acompanhar o lançamento da série e ver esse trabalho chegar ao público?
GC - 
Está sendo maravilhoso. A resposta do público tem sido ótima, venho recebendo mensagens de vários lugares do Brasil e do mundo. A comunidade das artes marciais também está se sentindo bem representada.

E é uma satisfação imensa, porque o processo foi muito duro, exigiu muito da gente fisicamente e psicologicamente. E tudo o que a gente faz é para esse momento, para que a obra e essas histórias cheguem às pessoas, emocionem, contem histórias e abram questões. Fúria, da Netflix, tá demais.

CE - Em Fúria, você interpreta Tanque, um lutador de MMA e parceiro de Malamute, personagem vivido por MC Cabelinho. O que mais chamou sua atenção nesse personagem quando recebeu o convite para integrar o elenco da série?
GC -
 Primeiro, o nível técnico, profissional e físico que ele tem enquanto atleta. Por ele ser um campeão de MMA, que representa a maior academia do Brasil na série, eu já entendi que esse cara era um super lutador, uma máquina, um tanque.

Então, o meu primeiro foco, no início das preparações, foi chegar nesse momento, nesse corpo, nessa habilidade, principalmente porque a luta do Tanque e do Malamute é a primeira luta da série.

Então, tinha uma importância muito grande. A partir daí, fui entendendo o personagem e decupando essa história interna, as emoções e as nuances que ele poderia ter durante a história toda.

CE - Interpretar um lutador de MMA deve ter exigido uma preparação física intensa. Como foi esse processo e quais foram os maiores desafios?
GC -
 Sim, foi uma preparação física muito dura, de segunda a sexta-feira, das nove às seis horas da tarde. Fizemos com a equipe do Piter Lee, americano, que cuidou das coreografias das lutas com os lutadores profissionais e a gente.

Além de todo o trabalho que se fazia fora do ambiente de preparação da série, como treinamentos diários na academia, recuperação e fisioterapia. Então, foram dois meses intensos, com muito trabalho, muita coreografia, muitos detalhes técnicos específicos, muita dor, mas também muito cuidado.
Grandes profissionais, uma estrutura incrível que a Zola e a Netflix forneceram para todos os atores e atletas.

Além de uma equipe multidisciplinar pessoal que eu tenho, com o nutricionista Lucas Souza, que preparou uma alimentação específica para esses meses de trabalho, tanto para aguentar o ritmo dos treinos quanto para chegar à forma estética que o personagem precisou.

Então, foi um trabalho mágico. E o maior desafio era que, no momento em que a câmera me filmasse, o público visse imediatamente um lutador e que, ao ver as cenas de luta, se sentisse emocionado, adrenalizado, como se estivesse assistindo a uma luta real.

E eu recebi diversas mensagens e feedbacks falando: “Ah, mas eu tava torcendo como se fosse uma luta”. Então, acredito que a gente tenha chegado num lugar muito bacana.

CE - Até o fim do ano você também estreia em Ben-Hur, uma superprodução do Disney+ e do Univer Vídeo. As gravações já começaram? O que você pode adiantar sobre o seu personagem?
GC -
 Sim, as gravações já começaram. Produção gigantesca, grandes profissionais da área do cinema e das produções de séries no Brasil, além de um elenco incrível.

Então, o público pode esperar um grande épico, grandes cenas de ação, muita emoção, com essa história que é um dos maiores clássicos da literatura mundial. Eu faço o personagem Romulus. Ele é um tribuno romano que tem uma índole duvidosa e costuma fazer um trabalho que não necessariamente serve aos outros, mas especificamente a si mesmo. Isso é o que eu posso falar agora.

E já garanto para vocês: vai ter muita emoção, muita adrenalina, e eu aposto que esse trabalho vai surpreender todo mundo.

CE - A série será inspirada em um dos maiores clássicos da literatura e do cinema, né? O que esse projeto representa para a sua carreira?
GC -
 Representa um momento muito lindo. Primeiro, porque é meu primeiro trabalho com esse grupo, e estou me sentindo muito feliz, muito bem-quisto e muito realizado artisticamente.

É a maior produção da casa até o momento, um investimento gigantesco, não só de dinheiro, mas de tempo e de pessoas.

E representa um momento muito lindo na minha carreira. 2026 está sendo um ano muito legal. E todo esse momento que eu venho passando na minha carreira tem sido ótimo. E, como ator, poder representar um grande épico, um grande clássico da literatura, é uma honra, um sonho.

Quando a gente começa a fazer teatro, quer fazer os grandes clássicos: Tchekhov, Shakespeare. Então, todas essas obras que fizeram parte da história do mundo, ainda mais numa grande produção como essa, me deixam muito realizado.

O ator Gabriel Chadan é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Théo Dorè - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você já passou por novelas, séries e diferentes plataformas de streaming. Como enxerga essa diversidade dentro da construção da carreira?
GC -
 Eu acredito que essa diversidade é um ponto-chave na trajetória de qualquer artista, seja ele da música, das artes plásticas, do teatro, da direção ou de qualquer outro estilo.

E a minha busca sempre foi nesse sentido, de aperfeiçoar cada vez mais todas as ferramentas para que a expressão tenha a liberdade para fluir. Desde que comecei a carreira artística, seja como músico ou como ator especificamente, sempre desejei transitar e ter as formas mais potentes de me comunicar e de contar essas histórias.

Cada uma delas — o teatro, as novelas, as séries, os filmes — tem a sua especificidade, o seu detalhe e a sua forma. E nós, enquanto atores, temos que nos adaptar e entender o que cada linguagem pede para que as histórias sejam contadas da melhor forma possível.

O grande objetivo do que a gente faz é a expressão. Então, isso é algo que eu tenho desde o início. No começo é mais difícil chegar nesse lugar, mas eu venho alimentando e trabalhando isso cada vez mais e vou levar até o final. Seja nas obras das artes cênicas, escrevendo minhas poesias, compondo as minhas canções ou dirigindo outros artistas. É sobre se expressar… A arte é sobre se expressar.

CE - Além da atuação, você também atua como diretor artístico e produtor musical. De que forma a música influencia também no seu trabalho como ator?
GC -
 Tudo que o ator vive, o artista vive. De certa forma, abastece a sua criatividade e o seu trabalho. E poder trabalhar com grandes artistas da música durante os períodos em que eu não estou filmando, além de renovar a minha energia criativa, dar vazão à minha expressividade, faz com que cada artista desses, como Terra Blanco, Ney Matogrosso, WINNIT e Jeff.e, me abasteça de forma muito generosa para que eu saia de cada trabalho mais amadurecido, mais animado, mais reflexivo.

Então, tudo soma, tudo sempre soma. E é algo que eu amo fazer. Eu amo música e amo ajudar os artistas a potencializarem seus talentos.

CE - O esporte sempre fez parte da sua vida e da sua rotina. Como ele contribui para a preparação dos seus personagens até hoje e para a sua vida fora dos estúdios?
GC -
 O esporte sempre fez parte da minha vida. Primeiro com o futebol, brincadeiras de criança, cavalos, subir em árvore. Movimento sempre foi algo fundamental.

Depois que eu cheguei ao Rio, em 2008, comecei a surfar. Na pandemia, encontrei a corrida, que é algo que eu amo. Na realidade, acredito fortemente que o esporte é a base essencial para qualquer sociedade, para qualquer ser humano. Ali você aprende a perder, a lidar com as frustrações, a ganhar e entende que, quando você se dedica a alguma coisa, você melhora.

Eu acredito que a gente é feito de mente, corpo e espírito. Então, a melhor ferramenta para a gente se conectar é o movimento. E isso ajuda muito o nosso psicológico, as nossas relações pessoais e também a nossa relação de trabalho. Indo direto ao ponto em relação ao ator, é fundamental, porque o instrumento de trabalho dele é o corpo, é a voz.

Então, inevitavelmente, você vai ter que trabalhar a favor deles. Ora ficando forte porque você é um atleta, ora ficando mais magro. O corpo está a favor da história. Então, o que o personagem precisar será feito. Eu tenho como inspiração grandes artistas que passaram por grandes transformações, e isso me estimula muito.

CE - Você já afirmou que a paternidade transformou a sua forma de enxergar a carreira e a vida. O que mudou na prática desde que se tornou pai?
GC -
 Sim. Mudou a minha vida completamente para melhor. Na prática, mudou a forma com que eu me relaciono com o tempo, a forma com que eu me relaciono com a vida e a responsabilidade inegociável que eu tenho sobre a educação, a criação e a segurança dessa criança.

E, de formas mais afetivas, mudou também a maneira como eu me tornei mais empático com o mundo. É um amor incondicional indescritível. E eu tenho o privilégio de ser pai de uma menina, a Gaia. Acho que, para um homem, isso é um dos maiores presentes do mundo.

Porque, através das experiências dela e do contato com ela, com a minha companheira, a Terra Blanco, eu vou tendo lições e aprendizados diários sobre a minha masculinidade, sobre como a nossa sociedade é muito mais dura e muito mais difícil para uma mulher. E como essa nossa estrutura naturaliza muito tudo isso.

Então, viver com a Gaia, curtir essas experiências e estar do lado dela me faz crescer como ser humano, como homem, como marido, como pai, como amigo, enfim. E aí, através da minha arte, consigo abrir novos questionamentos, novas informações e reinaugurar, junto com todo um movimento, novas realidades. É um grande presente. Minha filha é o maior presente da minha vida.

CE - O público acompanha um artista que atua, dirige, produz e transita por diferentes áreas criativas. Quais são os próximos desafios e o que você ainda sonha em realizar na carreira?
GC - 
Ah, são muitos, muitos, muitos. Esse ano ainda estou terminando de filmar a série Ben-Hur. Muita expectativa. É uma série que vai ser incrível, um projeto gigantesco, épico, que eu tenho o privilégio de fazer.

E, na sequência, tem alguns projetos da música em que eu venho trabalhando forte, como os novos trabalhos da Terra Blanco. Um pouco mais à frente, quero voltar a lançar músicas e projetos autorais meus novamente. Tenho a banda Fulanos e Ciclanos há 14 anos, mais de 30 faixas lançadas, clipes e participações com grandes artistas.

E, na carreira de ator, eu quero sempre poder contar boas histórias, fazer novos personagens, circular nas melhores produtoras e empresas que rodeiam esse mundo. Então, sonho muito e quero muito. E é um passo atrás do outro.

Esse ano ainda tem muita coisa para acontecer. Tenho grandes novidades para o ano que vem, mas ainda são sigilosos. Então, o que eu posso dizer é: sonhem, sonhem, porque eu estou sonhando muito e estou sonhando alto.

 

Pet Correio B+

Essa semana celebramos o Dia do Veterinário, e a data acende alerta sobre a saúde mental deles

Psicóloga alerta sobre os impactos emocionais de uma profissão que diariamente lida com sofrimento, perdas e decisões difíceis

05/09/2026 16h00

Essa semana celebramos o Dia do Veterinário, e a data acende alerta sobre a saúde mental deles

Essa semana celebramos o Dia do Veterinário, e a data acende alerta sobre a saúde mental deles Foto: Divulgação

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No dia  9 de setembro vamos celebrar o Dia do Veterinário, destacando na data a dedicação de profissionais que cuidam da saúde e do bem-estar dos animais. Mas existe uma dimensão dessa rotina que ainda recebe pouca atenção: o impacto emocional de quem está diariamente diante da doença, do sofrimento, da morte e também da dor dos responsáveis.

Um estudo publicado em 2025 na revista científica Veterinary Sciences, da MDPI (Multidisciplinary Digital Publishing Institute) ajuda a dimensionar o problema. A pesquisa avaliou 1.992 veterinários brasileiros e identificou que 32,8% apresentaram níveis elevados de sofrimento psicológico, segundo a escala K6, instrumento utilizado para avaliar sintomas relacionados a ansiedade e depressão.

Entre os principais fatores associados ao sofrimento estão a sobrecarga de trabalho, a insatisfação com a carreira e o desequilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Para a psicóloga Juliana Sato, especializada em luto, vínculo humano-animal e em saúde mental no universo PetVet, esses dados precisam ser analisados também sob a perspectiva da natureza emocional do trabalho. 

“O veterinário não lida apenas com protocolos, diagnósticos e tratamentos: frequentemente precisa comunicar más notícias, acompanhar processos de adoecimento, participar de decisões de fim de vida e, ao mesmo tempo, acolher responsáveis que estão enfrentando a possibilidade ou a concretização de uma perda”, relata.

Até porque numa mesma consulta, o veterinário pode precisar ocupar o lugar de autoridade técnica e, poucos minutos depois, assumir uma postura de acolhimento emocional. “Essa alternância constante exige muito do profissional e pode fazer com que ele deixe as próprias emoções em segundo plano”, explica Juliana.

Essa semana celebramos o Dia do Veterinário, e a data acende alerta sobre a saúde mental deles  Juliana Sato - Divulgação

O luto também faz parte dessa realidade. A perda de um paciente pode representar uma experiência significativa para o profissional, especialmente quando houve vínculo construído ao longo de anos.

Há ainda outras perdas menos evidentes: casos que não evoluem como esperado, insucessos em tratamentos ou resgates, a sensação de impotência diante do sofrimento e até situações vivenciadas pela equipe que nunca encontram espaço para serem reconhecidas e elaboradas.

“Luto é um processo natural diante da perda de um vínculo significativo e, no ambiente veterinário, ele pode aparecer de muitas maneiras. O problema é que nem sempre existe tempo ou espaço para que o profissional reconheça o que está sentindo antes de seguir para o próximo atendimento”, observa a psicóloga.

A situação ganha um significado especial em setembro, quando a discussão sobre prevenção e preservação à vida ganha maior visibilidade. Para Juliana, falar sobre o bem-estar psicológico dos veterinários é também uma forma de discutir a sustentabilidade da própria profissão.

A exposição contínua ao sofrimento, aliada à necessidade de manter uma postura técnica e acolhedora, pode favorecer exaustão emocional, redução da empatia, irritabilidade e distanciamento afetivo.

“O cuidado com a saúde mental do veterinário não deve ser visto como algo separado da prática profissional. Quando o profissional encontra recursos para reconhecer seus limites, elaborar as perdas e buscar apoio, ele também consegue oferecer um cuidado mais consistente ao responsável e ao animal”, afirma Juliana.

 

Cinema Correio B+

Top 10 do streaming (30 de agosto a 05 de setembro de 2026): seis estratégias muito diferentes

Netflix, HBO Max, Disney+, Prime Video, Paramount+ e Apple TV lado a lado que os rankings começam realmente a contar uma história. E a desta semana é particularmente interessante.

05/09/2026 14h30

Death of the Pastor's Wife - Netflix

Death of the Pastor's Wife - Netflix Foto: Divulgação

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Olhar para um Top 10 isoladamente pode ser enganoso. Uma posição mostra o que está sendo escolhido naquele momento, mas é quando colocamos Netflix, HBO Max, Disney+, Prime Video, Paramount+ e Apple TV lado a lado que os rankings começam realmente a contar uma história. E a desta semana é particularmente interessante.

Há muito conteúdo novo no topo, mas quase nenhuma plataforma parece estar tentando ser outra coisa. Ao contrário. Os rankings mostram serviços cada vez mais definidos por seus próprios hábitos de consumo. A Netflix continua movida pela urgência.

A HBO Max combina evento com catálogo. A Disney+ vive a tensão entre franquia e renovação. O Prime Video espalha suas apostas. A Paramount+ conhece perfeitamente seu público. E a Apple TV talvez tenha finalmente alcançado aquilo que passou anos construindo: profundidade de catálogo.

Como sempre, vale lembrar: o ranking do FlixPatrol indica popularidade relativa, e não número absoluto de espectadores.

Netflix: a urgência ainda é sua maior arma

É quase impossível encontrar uma fotografia melhor da Netflix do que esta semana. Death of the Pastor’s Wife lidera as séries, enquanto The Whisper Man ocupa o primeiro lugar entre os filmes.

Dois títulos recentes, dois produtos capazes de gerar curiosidade imediatamente e duas escolhas que dependem muito daquilo que a Netflix domina: transformar uma estreia em assunto.

Ao mesmo tempo, The Gentlemen, Beauty in Black e Outer Banks continuam entre as séries mais procuradas. É a segunda camada do funcionamento da plataforma.

A novidade atrai, mas títulos já conhecidos permanecem circulando suficientemente bem para impedir que o ranking seja inteiramente substituído de uma semana para outra.

O cinema apresenta a mesma mistura. The Whisper Man chama o público para dentro, enquanto filmes de catálogo e gêneros reconhecíveis sustentam o restante da lista.

A Netflix não precisa necessariamente criar vínculo com um único universo. Seu talento continua sendo outro: criar sensação de urgência. Há sempre alguma coisa que parece precisar ser vista agora.

HBO Max: o evento na televisão, o catálogo no cinema

A liderança de Lanterns mostra exatamente o que a HBO Max ainda consegue fazer melhor: transformar determinadas séries em eventos. Mais abaixo, a permanência de House of the Dragon em quarto lugar confirma que grandes marcas da HBO continuam trabalhando muito depois do momento inicial de estreia.

Mas é no cinema que o ranking fica curioso. Blade Runner 2049 aparece em primeiro, enquanto The Revenant e até Eyes Wide Shut convivem com vários filmes da franquia Despicable Me.
É um Top 10 muito menos dependente de novidade e muito mais apoiado no enorme valor de biblioteca.

É uma diferença importante. Nas séries, a Max quer criar o presente. Nos filmes, consegue monetizar o passado. Poucas plataformas dispõem dessa combinação com a mesma facilidade.

Disney+: duas plataformas praticamente convivendo dentro de uma

Talvez o ranking mais interessante da semana seja justamente o da Disney+. Entre as séries, Furious ocupa o primeiro lugar, Chad Powers está em terceiro e The Shards em quarto.

São três títulos que ajudam a ampliar a percepção do Disney+ para além daquela associação automática com Marvel, Star Wars e programação familiar. Há uma audiência adulta sendo trabalhada ali de forma cada vez mais evidente.

Então olhamos para os filmes e tudo muda. The Mandalorian & Grogu está em primeiro, enquanto diferentes produções dos Avengers reaparecem ao longo do Top 10, acompanhadas por outros títulos ligados a marcas imediatamente reconhecíveis.

E talvez esteja justamente aí a estratégia. No cinema, a Disney continua usando propriedade intelectual como fortaleza. Na televisão, começa a experimentar mais.

A coexistência funciona porque uma coisa financia emocionalmente a outra: o público entra pelos universos que já ama e encontra cada vez mais razões para permanecer.

Prime Video: Reacher e The Runner explicam quase tudo

Reacher liderando as séries e The Runner liderando os filmes formam uma dupla bastante reveladora. Ação, suspense, personagens colocados em movimento e narrativas com ganchos muito claros continuam sendo uma das maiores forças do Prime Video.

Mas seria simplificar demais a plataforma reduzi-la a isso. Logo atrás de Reacher aparecem Sterling Point e Off Campus, enquanto The Summer I Turned Pretty continua no Top 10. Ou seja: o Prime mantém simultaneamente a audiência que procura ação e aquela que procura romance, personagens jovens e envolvimento emocional.

Essa mistura às vezes faz o catálogo parecer menos definido que o de concorrentes como Paramount+ ou Apple TV+, mas ela é deliberada. O Prime não concentra. Distribui. E justamente por isso consegue trocar seus líderes sem precisar reinventar completamente sua audiência.

Paramount+: talvez o ranking mais coerente de todos

Olhe para a sequência: Lioness, South Park, Yellowstone, SEAL Team, Sheriff Country, Criminal Minds, Tulsa King e Dutton Ranch. Isso não parece apenas um ranking. Parece uma declaração de identidade.

Lioness chegando ao primeiro lugar é particularmente significativo porque mostra que a série já não precisa viver à sombra do universo Yellowstone para representar o Paramount+.

Mas ela conversa perfeitamente com aquilo que a plataforma oferece: personagens sob pressão, estruturas de poder, perigo, lealdade, violência, operações, famílias e instituições.

No cinema, o mecanismo é semelhante. Avatar: Aang, Top Gun: Maverick, World War Z, Scream 7 e Transformers mostram um serviço muito confortável ao trabalhar com marcas reconhecíveis.

A Paramount+ talvez seja a menos interessada em surpreender o público. Ela prefere saber exatamente quem é seu público. E o ranking sugere que está certa.

Apple TV: agora existe um catálogo

Aqui está, para mim, o dado mais forte da semana inteira. Silo está em primeiro. Ted Lasso, em segundo. Dark Matter, em terceiro. Severance, em quarto. Depois ainda aparecem Slow Horses, Your Friends & Neighbors, Widow’s Bay, Shrinking e Monarch: Legacy of Monsters.

Isso já não é mais uma plataforma dependendo do sucesso: é um catálogo. E essa diferença é enorme. Durante anos, o problema da Apple TV foi bastante óbvio: podia ter duas ou três das melhores séries disponíveis no streaming e, ainda assim, parecer pequena. Agora, o ranking mostra títulos de épocas, gêneros e ciclos diferentes sendo consumidos simultaneamente.

Silo beneficia-se naturalmente do momento atual, mas Ted Lasso, Severance, Slow Horses e Shrinking provam outra coisa: o público não está apenas esperando a próxima estreia da Apple. Está circulando dentro da Apple.

Até o cinema começa a demonstrar esse efeito. Mayday assume a liderança e empurra F1 para o segundo lugar, mas The Gorge, The Family Plan, Napoleon e outros originais continuam presentes.

A Apple passou anos tentando construir prestígio. O que aparece agora é mais importante: hábito.

O desenho por trás dos rankings

Se eu tivesse que resumir esta semana em uma palavra para cada plataforma, mudaria ligeiramente nosso mapa tradicional. Netflix é urgência. HBO Max é um evento. Disney+ é um ecossistema. Prime Video é amplitude. Paramount+ é identidade. Apple TV+ é profundidade.

E há uma segunda leitura especialmente forte: as grandes franquias continuam dominando boa parte do cinema, mas não são suficientes para explicar o sucesso das séries. Ali, as plataformas precisam oferecer personagens e universos aos quais o espectador queira voltar semana após semana.

Isso talvez explique por que Silo, Lioness, Furious e Reacher conseguem ocupar simultaneamente o primeiro lugar em quatro plataformas diferentes. Não são produtos intercambiáveis. Cada uma representa com enorme clareza o tipo de experiência que seu serviço oferece.

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