Ah, o Carnaval! Seguir o trio elétrico, acompanhar o ritmo da bateria, dançar, subir e descer ladeiras… essa será a rotina de muitos foliões durante os quatro dias de festa. Para não perder o gingado e manter o pique para brilhar na avenida, é fundamental se alimentar bem e manter a hidratação em dia.
O Carnaval é uma verdadeira prova de resistência e, para aproveitar ao máximo, é preciso estar preparado. Pensando nisso, a nutricionista Elaine Klein reuniu dicas de alimentos para consumir antes, durante e depois da folia, além de orientações para amenizar os efeitos da ressaca.
Durante a intensa sequência de blocos, é comum pular refeições, exagerar no consumo de bebidas alcoólicas e optar por alimentos vendidos nas ruas. Para conseguir curtir todos os dias de Carnaval, alguns cuidados básicos com a alimentação são essenciais.
“Antes de cair na folia, é importante realizar uma refeição completa, que inclua carboidratos, proteínas, verduras, legumes e frutas. Já o consumo de leguminosas, como o feijão, pode favorecer o aparecimento de desconfortos gástricos, como gases, e deve ser evitado”, explica Elaine Klein, nutricionista e consultora da Bodytech.
Para quem vai curtir os blocos pela manhã, a recomendação é começar o dia com um bom café da manhã. Aposte em pães integrais, tapioca com semente de chia, suco natural, café sem açúcar e frutas com maior teor de água, como laranja, maçã, melão, melancia, abacaxi, kiwi e uva.
Outros alimentos que são ótimas opções para consumir antes da folia incluem pães, arroz, macarrão, aipim, inhame, ovos, queijo, frango, peixe, beterraba, cenoura, abóbora, couve, além de frutas como abacate, banana, uva, melancia, melão e laranja. Café e chá verde gelado também podem ajudar a manter a disposição.
Vale ainda contar com alimentos práticos, fáceis de transportar em uma pochete ou bolsa pequena. Oleaginosas (“nuts”) como castanha-de-caju e do Pará, amêndoas, nozes, macadâmia, pistache, avelã, além de grão-de-bico, barrinhas de proteína e frutas, são boas opções. Para hidratar, os isotônicos ajudam. Já para quem precisa comer algo rápido na rua, pão de queijo, pipoca e picolé de fruta podem ser alternativas.
Carnaval B+: Especialista dá dicas para amenizar os efeitos da ressaca durante a folia - Divulgação“Quando a fome aperta, muitos foliões recorrem à comida de rua. Porém, é preciso cuidado na escolha. Evite alimentos gordurosos, frituras e, principalmente, aqueles expostos à temperatura inadequada, molhos caseiros como maionese e itens que necessitam de refrigeração, como sanduíche natural. Esses alimentos apresentam risco de contaminação e podem provocar gastroenterite”, alerta a nutricionista.
Outro ponto fundamental é não descuidar da hidratação. A orientação é intercalar o consumo de água com a ingestão de bebidas alcoólicas, além de evitar longos períodos sem se alimentar e nunca beber em jejum. Água de coco, sucos naturais e isotônicos são boas opções para manter o corpo hidratado.
Consumo de bebida alcoólica
O excesso de bebida alcoólica sobrecarrega o fígado — cerca de 90% do álcool ingerido é metabolizado nesse órgão por enzimas específicas. Esse processo pode causar desequilíbrio da microbiota intestinal, inibir a produção de vitaminas e desregular a resposta imunológica e metabólica, provocando um estado pró-inflamatório.
No dia seguinte à bebedeira, a recomendação é priorizar o consumo de vegetais, especialmente folhas cruas, legumes e frutas cítricas.
“A ingestão desses alimentos aumenta o consumo de prebióticos. Inclua pelo menos duas frutas diferentes por dia (uma delas com casca) e verduras e legumes em pelo menos uma refeição, crus ou cozidos no vapor. Evite ao máximo alimentos gordurosos, como queijos e carnes vermelhas nesse período. Dê preferência a carboidratos de qualidade e proteínas magras. Cereais integrais como aveia, linhaça e chia (no café da manhã e lanches), arroz integral e cevadinha (no almoço ou jantar) são muito bem-vindos”, orienta Elaine.
Dica da especialista: não se esqueça de beber muita água. O tempo e a absorção do álcool dependem de diversos fatores, como a presença de alimento no estômago (nunca beba em jejum), o tipo de alimento ingerido antes do consumo e a velocidade da ingestão da bebida. Cerca de 75% do álcool é absorvido pelo intestino delgado; o restante, pela mucosa da boca, esôfago, estômago e intestino grosso.

Dr. Fernando Cury e Dra. Hanna Mosciaro
Fátima Scarpa

