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Fashionista lança livro sobre cultura afro com expressões atuais

Fashionista Carol Lee Lemos Dutra lança almanaque sobre afrofuturismo em que aborda expressões contemporâneas da cultura afro

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O afrofuturismo vem ganhando protagonismo no contexto dos movimentos globais de afirmação e luta por igualdade racial, estendendo a sua presença – e das causas que representa – a ambientes da sociedade e da mídia que normalmente não se ocupam da pauta militante.

 

O termo reúne um conjunto de informações históricas, científicas e filosóficas que alia ancestralidade, gosto pela tecnologia e apuro estético.

Em Mato Grosso do Sul, o afrofuturismo também já possui ao menos uma representante oficial, a fashionista Carol Lee Lemos Dutra, de 45 anos, que atua principalmente na ponte Brasília-Campo Grande-São Paulo e lançou, este ano, o livro “Moda, Estética e Comportamento do Afrofuturo – Sociedade Afro-Brasileira Além da Ótica Eurocentrista” (Editora Life). 

Em formato de almanaque, a publicação reúne a pesquisa que a autora desenvolveu em seus estudos de moda e desdobramentos relacionados ao seu ofício, sensibilidade e experiência pessoal.

Correio do Estado – poderia resumir a sua trajetória até este livro?

Carol Lee Lemos Dutra – Sou formada em Gestão e Design de Moda pela Universidade Euro-Americana de Brasília, onde atuei como designer. 

Ao me mudar para MS, atuei em gerenciamento de projetos, como colunista de moda de uma plataforma de assuntos afrocentrados e como designer de moda do Imnegra [Instituto da Mulher Negra do Pantanal], instituição que atua na qualificação de mulheres vítimas de violência doméstica e/ou vulnerabilidade social e racial. 

Durante o isolamento social em consequência da pandemia, iniciei o desenvolvimento de cursos on-line sempre direcionados à moda afrocentrada. 

Em paralelo, atuo como voluntária na startup Vamo como redatora das redes sociais para ações de inclusão na indústria da moda.

O que pretendia quando decidiu escrevê-lo?

O livro faz parte de um projeto maior: levar conhecimento literário de moda afrocentrada para que seja introduzido na grade curricular dos cursos e das universidades de moda brasileiros.

E agora, depois de publicado, o que pensa sobre ele?

Almejo que sirva de material didático e que seja utilizado, além de escrever outras edições, incluindo a cultura de povos indígenas como fonte de inspiração de moda. 

Não há necessidade de se inspirar na cultura do estrangeiro para o processo criativo da moda brasileira se há tanto que explorar dentro de casa.

Para quem você o escreveu?

Escrevi a todos curiosos, criativos, designers e estilistas de moda que desejam ter um olhar para a produção de moda além da ótica eurocentrista.

O que, afinal, é o afrofuturismo?

Respondendo sob a ótica de moda afrofuturista, é o que almejo de estética do afrofuturo de forma utópica e imaginária, pautada por ficção especulativa e sustentada pelos pilares de fantasia, ficção científica e o sobrenatural inspirados na ancestralidade negra.

Quando percebeu que não estava mais falando somente de/sobre moda?

Durante o processo de imersão e pesquisas do comportamento da sociedade afrobrasileira. 

Escrever sobre moda é traduzir em peças de uma coleção o comportamento e as transformações de uma determinada sociedade em determinada época. 

Vivemos na atualidade um momento importante de transformação de pensamentos da sociedade afrodescendente.

O formato e a abordagem têm, de certa forma, uma pegada de almanaque. Como chegou a essa estruturação?

Escrevo como atuo na plataforma digital. Linguagem objetiva, didática, ilustrada e de fácil entendimento ao público conectado, porém interessado em se aprofundar no tema.

Como foi o processo de pesquisa, escrita e edição?

Um mergulho profundo em livros de História do Brasil e do continente africano. Além de visitas a diversos museus que tratam do tema com mentoria de estudiosos e escritores de moda e de conceitos como afropresentismo e afrofuturismo.

Qual a mais remota manifestação de racismo de que se lembra?

Diariamente, os olhares de desconfiança dos seguranças que eu e a maioria dos negros brasileiros recebe ao entrar em um estabelecimento comercial. 

Imediatamente, somos vistos como suspeitos e perseguidos em lojas e supermercados.

E a mais dolorosa ou revoltante?

A morte de um cidadão negro no estacionamento de um supermercado por motivações racistas.

O que pensa, de modo geral, sobre o discurso das militâncias raciais no Brasil?  

Todos os discursos com objetivo de estancar o racismo estrutural no Brasil são válidos e urgentes, porém, ainda há falta de ações mais assertivas em prol da sociedade afrodescendente. 

O discurso teórico se constitui por emoções motivadas por gatilhos históricos que desvirtuam os propósitos da militância, na prática, funcionando como bomba de fumaça. 

Por outro lado, o discurso assume papel de extrema importância ao dar relevância e destaque a temas afrocentrados não discutidos em instâncias que poderiam melhorar as condições do indivíduo racializado em um Brasil ainda muito racista.

 

 

O que o afrofuturismo, porventura, traz de novidade a esses discursos?

Traz um mote, mesmo que utópico e imaginário, de como afrodescendentes almejam alcançar o afrofuturo, cujo protagonismo negro assume todos os setores da sociedade.

Qual seria o papel da moda nessa dinâmica e nessa expressão?

A moda reflete o comportamento da sociedade, e não o contrário. 

Uma vez que negros se proponham a voltar seus olhares à sua própria história, ressignificar o presente e projetar o futuro inspirado nos saberes e na estética de seus ancestrais, a moda acompanha esta movimentação replicando a estética proposta por essas transformações.

Em alguns momentos, o afrofuturismo não corre o risco de resvalar no culto de personalidade, especialmente entre as camadas mais jovens ou desinformadas?

Acredito que não afetará o comportamento, a personalidade ou os ideais do indivíduo que não se aprofundar no tema. 

O que geralmente ocorre aos desinformados é a exploração e o uso da estética do movimento, até mesmo como moda efêmera, portanto, passageira.

O que pensa da política pública de Mato Grosso do Sul para as questões relacionadas à pessoa negra ou, talvez mais amplamente, relacionadas ao ideário afrofuturista?

Como membro do conselho da Subsecretaria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial e Cidadania pelo Imnegra, afirmo que muito tem sido feito sobre o tema e ratifico minha afirmação sobre ações em prol do ideário afrofuturista. 

Ações afirmativas bem elaboradas são um dos vários caminhos a este cenário. Entendo que MS está caminhando positivamente neste propósito.

Temos representantes da cultura e da expressão afrofuturista em MS?

Atuando em São Paulo, minhas pesquisas em busca de profissionais afrofuturistas se focaram nos representantes daquele estado, porém, tenho observado alguns criativos da arte em MS com trabalhos que poderiam ser classificados como afrofuturistas. 

Em tempo: Campo Grande é a cidade que minha mãe adotou como sendo dela e reside há mais de 30 anos. É prática comum na minha rotina estar na ponte aérea São Paulo-Campo Grande.

Uma pessoa não negra pode ser ou se tornar afrofuturista?

Sim. Uma vez que um indivíduo não negro vislumbre de forma especulativa um futuro de protagonismo negro, inspirado nos saberes da ancestralidade negra, e crie ações ou arte que torne este imaginário possível no cenário do afrofuturo, mesmo que a princípio de forma utópica, isso o torna um indivíduo de ideais afrofuturistas.

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ALTAS TEMPERATURAS

Calor pode alterar a eficácia dos remédios

06/01/2026 11h30

Divulgação

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Nos meses mais quentes do ano, um detalhe pode definir o sucesso de um tratamento: a temperatura em que o medicamento é armazenado. O calor, tão comum durante grande parte do ano, pode alterar substâncias presentes em muitos remédios.

Alguns são tão sensíveis que poucos minutos acima do recomendado já bastam para comprometer o efeito. Em um país de altas temperaturas, cuidar da conservação dos medicamentos deixa de ser um gesto técnico e passa a ser um hábito de proteção cotidiana.

A farmacêutica Denise Basílio explica que a eficácia depende diretamente de como o produto é armazenado. “Cada medicamento tem sua faixa segura de temperatura. Quando ultrapassamos esse limite, a substância ativa pode se degradar e deixar de funcionar, mesmo que o comprimido, a solução ou a caneta pareçam exatamente iguais”, afirma.

Entre os que mais exigem atenção estão as insulinas – como NPH, Regular, Lispro, Aspart e Glargina – e as canetas injetáveis usadas para controle glicêmico e emagrecimento. Semaglutida e liraglutida, por exemplo, precisam de refrigeração antes do uso e podem perder potência rapidamente se expostas ao calor intenso.

“Esses medicamentos são extremamente sensíveis. Uma falha na conservação pode levar ao descontrole glicêmico e gerar riscos imediatos ao paciente”, reforça Denise, que é coordenadora do curso de farmácia da Estácio, em Campo Grande, e possui doutorado na área.

Anticoncepcionais orais, antibióticos líquidos, colírios, soluções orais e cremes dermatológicos também podem sofrer alterações quando aquecidos além do ideal.

Quando a temperatura interfere na estrutura do medicamento, a perda de eficácia não é apenas possível, mas muito provável. A degradação reduz o efeito esperado e pode até gerar substâncias irritantes.

Em muitos casos, o problema passa despercebido: o paciente continua tomando tudo corretamente, mas o organismo não responde. “Esse é o cenário mais perigoso. A pessoa acredita estar protegida ou tratando a doença, mas o medicamento já não atua como deveria”, explica a farmacêutica.

O QUE FAZER

Viagens, deslocamentos prolongados e atividades ao ar livre aumentam a chance de exposição inadequada. Um carro fechado, por exemplo, alcança rapidamente temperaturas extremas, e qualquer medicamento esquecido no porta-luvas, no banco traseiro ou em bolsas sob o sol pode perder estabilidade.

Por isso, recomenda-se manter produtos sensíveis em bolsas térmicas e, sempre que possível, transportá-los na bagagem de mão em viagens de avião ou de ônibus, onde a temperatura é mais controlada.

Para Denise, a conservação adequada é essencial. “O paciente costuma se preocupar apenas com a dose e o horário, mas a forma como o remédio é guardado é tão importante quanto. Um medicamento mal conservado pode simplesmente não fazer efeito, e isso pode trazer consequências sérias”, afirma.

Sinais como mudança de cor, odor ou textura, além de turvação e formação de partículas, podem indicar que o medicamento foi prejudicado. Insulinas amareladas ou com pequenos pontos suspensos também exigem atenção.

Mesmo assim, nem sempre há alterações visíveis: muitas vezes, a perda de eficácia ocorre silenciosamente. Em caso de dúvida, o mais seguro é interromper o uso e procurar orientação profissional.

ADEUS fim de ano

Árvore de Natal deve ser desmontada nesta terça-feira (6)

Festividades natalinas encerram no Dia de Reis, celebrado anualmente em 6 de janeiro

06/01/2026 11h15

Você pode desmontar sua árvore de Natal a partir de hoje

Você pode desmontar sua árvore de Natal a partir de hoje Bruno Henrique/ARQUIVO/CORREIO DO ESTADO

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Natal e Ano Novo se passaram, mas, as decorações de fim de ano ainda estão expostas.

Casas, comércios e empresas estão decorados, há dias, com árvores de Natal, guirlandas, coelhos, pinhas, corações, flores, papai noel, pisca pisca, enfeites, bonecos de neve, entre outros. 

Com isso, a dúvida é: quando desmontar a árvore de Natal, o presépio e demais decorações?

As festividades natalinas encerram no Dia de Reis, celebrado anualmente em 6 de janeiro. Portanto, a árvore de Natal e o presépio devem ser desmontados e guardados neste dia, que neste ano cai em uma terça-feira.

A data é marcada pela visita dos três reis magos – Belchior, Baltasar e Gaspar – ao reino, onde comunicam o nascimento de Jesus.

No Brasil, muitas regiões e culturas comemoram a data com festas tipicamente folclóricas chamadas de Folia de Reis ou Ternos de Reis.

De acordo com o catolicismo, a árvore de Natal deve ser montada no primeiro domingo do Advento, mais conhecido como quatro semanas antes do Natal. Em 2024, essa data caiu no dia 30 de novembro, em um domingo.

Com isso, a árvore fica exposta por 36 dias, de 30 de novembro a 6 de janeiro.

ÁRVORE DE NATAL

A árvore de Natal, além de ser um símbolo tradicionalmente associado às celebrações natalinas, carrega significados profundos que permeiam diversas culturas e tradições.

Em sua essência, representa a vida e a renovação, simbolizando a esperança em meio ao inverno, quando muitas árvores perdem suas folhas.

Decorar a árvore com luzes, enfeites e ornamentos coloridos também é uma forma de expressar a alegria e a beleza que a vida oferece.

Segundo uma antiga tradição alemã, a decoração de uma árvore de natal deve incluir 12 ornamentos para garantir a felicidade de um lar. Confira:

  • Casa: proteção
  • Coelho: esperança 
  • Xícara: hospitalidade
  • Pássaro: alegria    
  • Rosa: afeição
  • Cesta de frutas: generosidade 
  • Peixe: benção de Cristo
  • Pinha: fartura
  • Papai Noel: bondade  
  • Cesta de flores: bons desejos 
  • Coração: amor verdadeiro

 

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