Correio B

Programação gratuita de arte & cultura

Festival Mais Cultura reúne dança, música, moda autoral e cinema na UFMS

Programação de amanhã até sexta-feira inclui apresentações artísticas, oficinas, palestras, Feira Geek, moda autoral, shows e exibição de documentários no Autocine

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A programação do Festival Mais Cultura deste ano entra, a partir de amanhã, em sua reta final com uma série de atividades gratuitas em diferentes espaços da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande.

Com o tema “O que é Arte?”, o festival reúne linguagens como música, dança, teatro, cinema, artes visuais, moda e economia criativa, além de oficinas, palestras e atividades voltadas a diferentes públicos.

Realizado desde a segunda-feira até sexta-feira, o Festival Mais Cultura conta com mais de 100 atividades nos campus da UFMS. A proposta desta edição é ampliar a compreensão sobre o que pode ser considerado arte e aproximar a comunidade universitária e a população de diferentes formas de expressão.

A partir de hoje, a programação ocupa espaços como o Teatro Glauce Rocha, o Laboratório de Práticas Pedagógicas em Artes, Letras e Comunicação (Faalc), o Auditório para Questões Delicadas do Gramado do complexo multiúso, o Autocine UFMS e outros equipamentos da Cidade Universitária.

Na avaliação da reitora da UFMS, Camila Ítavo, a presença das manifestações artísticas integra a função da universidade.

“Universidade não é só ciência e educação, da maneira tradicional, em sala de aula. É também um mundo de oportunidades para apresentar a riqueza das expressões artísticas e todas as suas formas. É muito lindo ver a UFMS engajada com esse movimento”, afirma.

Para a pró-reitora de Extensão, Cultura e Esporte, Lia Brambilla, a diversidade da programação é uma das características desta edição.

“É uma alegria ter uma semana inteira com atividades para as famílias, para a comunidade universitária, e em todos os campus. É um momento importante de promover a arte em todos os seus sentidos e incentivar as pessoas a experimentarem tudo o que ela proporciona”, destaca.

HOJE

Nesta quarta-feira, a programação começa pela manhã com uma apresentação do Moinho Cultural, no Teatro Glauce Rocha. Intitulada “Torillo”, a atividade está marcada para as 9h30min e reúne dança e música.

Às 14h, o público poderá participar da oficina “O que é texto/arte? Oficina de leitura e criação com linguagens verbal, imagética, audiovisual e sonora”, no Faalc – Setor 1.

A programação segue às 16h30min com a conversa “Bem viver Trans”, no Auditório para Questões Delicadas do Gramado do complexo multiúso – Setor 1. A atividade propõe um espaço de diálogo sobre experiências e perspectivas relacionadas à população trans.

À noite, às 19h, o Teatro Glauce Rocha recebe a Mostra de Dança, encerrando a programação do dia dedicada às artes do movimento.

AMANHÃ

Na quinta-feira, o festival amplia a programação para diferentes áreas da Cidade Universitária.

Às 8h, o Anfiteatro do curso de Artes Visuais, no Bloco 8 – Setor 1, recebe a palestra “Do Clique à Criação – Photoshop e IA na construção da imagem”, que aborda ferramentas e processos relacionados à produção visual.

Às 8h30min, o estacionamento do Teatro Glauce Rocha recebe o Sesc em Movimento, enquanto, às 9h30min, o teatro será palco da apresentação da Banda Sinfônica Municipal Isaac Borges Capillé (IBC).

No período da tarde, às 14h, o Anfiteatro do curso de Artes Visuais recebe o minicurso “Antropologia dos museus e das artes: um sobrevoo”. Já às 15h, o Madrigal MS se apresenta no Auditório Prof. Luis Felipe de Oliveira, no curso de Música.

A programação também contempla manifestações da cultura pop. Às 16h30min, o Grupo Clover – K-Pop se apresenta no Autocine. No mesmo espaço, a partir das 17h, começa a Feira de Economia Criativa e Feira Geek, reunindo iniciativas ligadas à produção criativa e à cultura geek.

As atividades seguem à noite no Autocine. Às 18h acontece a Batalha de Random Play Dance, seguida, às 19h, pelo desfile Moda Autoral. No Teatro Glauce Rocha, também às 19h, o público poderá acompanhar o recital de música clássica brasileira “Madeiras Dedilhadas”.

Às 19h15min, o Autocine recebe um Flash Mob. A abertura do evento está prevista para 19h30min e, às 20h, o espaço recebe o show de Jonavo, um dos destaques musicais da programação.

A agenda do dia também inclui o Caminhão de Experiência Tecnológica do Sebrae-MS, integrado às atividades realizadas no Autocine.

ÚLTIMO DIA

Na sexta-feira, último dia do Festival Mais Cultura, a programação começa cedo, às 8h, com Apresentações Culturais no Corredor da Saúde, localizado no Corredor Central. Às 8h30min e às 14h, acontece o Desafio Urban – Hacking Autocine, no Autocine.

Às 14h, o Teatro de Bolso – Setor 1 recebe a oficina “Exploração sensorial por Handpan 432Hz escala D menor Kurd”. No mesmo horário, o Autocine sedia a Feira de Economia Criativa e Feira Geek, que segue movimentando o espaço.

A música toma conta do Autocine a partir das 17h com o Show Alquimistas, seguido pelo Show Pilotos do Oeste, às 18h. Também às 19h, o Auditório Prof. Luis Felipe de Oliveira recebe o Concerto-Palestra com Denise Garcia.

Ainda no período noturno, às 19h, a Sala Imersiva – Museu de Ciência e Tecnologia – Estádio Morenão recebe o Teatro e Roda de Conversa com os temas “Geni e o Zepelim: uma releitura crítica” e “Transições e Interseccionalidades em Roda: Arte, Corpo e Resistência”.

Às 19h30min, o Teatro Glauce Rocha apresenta “Oliver Twist livre adaptação da obra de Charles Dickens – Ato histórico”.

O cinema ganha destaque no encerramento. A partir das 19h, no Autocine, ocorre a Mostra Autocine – Sessão Especial, com as exibições dos documentários “Jardim de Pedra – Vida e Morte de Glauce Rocha” e “Higa Ke – Olho por Olho”.

As escolhas dialogam com a história cultural de Campo Grande. O Teatro Glauce Rocha, um dos principais espaços culturais da universidade, leva o nome da atriz campo-grandense que se destacou no teatro e no cinema brasileiro. Já Roberto Higa tem sua trajetória ligada à fotografia e à documentação da vida cultural e social de Mato Grosso do Sul.

A programação cinematográfica também reforça a proposta do festival de tratar a arte a partir de diferentes linguagens, colocando em diálogo produção audiovisual, memória e patrimônio cultural.

AÇÕES CONTÍNUAS

Ao longo de todos os dias do evento, o público pode conferir a exposição “Itinerâncias 2026”, no Foyer do Auditório Prof. Luis Felipe de Oliveira – Curso de Música, e a mostra “Reencontro de Trajetórias – pinturas e desenhos de Carla de Cápua e Darwin Longo”, na Galeria de Artes Visuais (GAV) – Bloco 8 – Setor 1.

A Mostra Bolsa Artista ocupa o Foyer do Teatro Glauce Rocha e o Autocine. Além disso, a ação “Pintura Container 1 – com Caio Green” acontece hoje, amanhã e na sexta-feira, no Autocine, mesmo local onde o Caminhão de Experiência Tecnológica do Sebrae-MS estaciona amanhã ena sexta-feira.

ARTE ESPALHADA

O Festival Mais Cultura não concentra as atividades em um único palco, mas utiliza diferentes espaços da UFMS. Entre eles estão a GAV, o Teatro Glauce Rocha, o Autocine, a Concha Acústica, a Esplanada do Morenão, o Mercado Escola, a Casa da Ciência e Cultura e os auditórios da universidade.

A Galeria de Artes Visuais, localizada no Bloco 8 da Cidade Universitária, é dedicada à produção contemporânea e recebe trabalhos de professores, estudantes e artistas convidados. O espaço também promove atividades educativas e visitas guiadas.

Já a Concha Acústica, com capacidade para cerca de 750 pessoas, é utilizada para apresentações musicais, teatrais e eventos comunitários. A Esplanada do Morenão, por sua vez, funciona como espaço aberto para shows, exposições e atividades culturais, além de abrigar o Parque da Ciência.

O Autocine UFMS, que já foi utilizado para sessões cinematográficas e atividades de lazer, também passou a receber eventos culturais de diferentes formatos. Durante o festival, o local se transforma em um dos principais pontos de encontro da programação, reunindo música, dança, feiras, tecnologia e cinema.

A iniciativa é desenvolvida pelo Programa Mais Cultura UFMS, espaço destinado à valorização, divulgação e promoção das ações culturais realizadas pela universidade. O programa busca aproximar a comunidade acadêmica da sociedade por meio de projetos, festivais, mostras, oficinas e apresentações.

>> SERVIÇO

Festival Mais Cultura 2026 – “O que é Arte?”

Data: até sexta-feira.
Local: diferentes espaços da UFMS.

Cinema Correio B+

VisionQuest: entre a memória e o sentimento

Entre memórias e afetos, VisionQuest revisita o legado da Marvel, mas tropeça no excesso de explicações.

17/10/2026 14h00

VisionQuest: entre a memória e o sentimento

VisionQuest: entre a memória e o sentimento Foto: Divulgação

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Antes de voltar a reunir seus heróis no cinema em Vingadores: Doutor Destino, previsto para dezembro, a Marvel faz uma pausa para olhar para um personagem que carrega uma de suas perguntas mais interessantes: o que nos torna humanos?

Em VisionQuest, no Disney+, o Visão de Paul Bettany precisa descobrir quem é depois de recuperar as lembranças de uma vida com a qual já não consegue se conectar emocionalmente. Uma premissa excelente. A execução, porém, nem sempre acompanha.

A série completa a trilogia iniciada com WandaVision e continuada por Agatha Desde Sempre. É uma herança pesada. A primeira transformou o formato das comédias de televisão numa expressão do luto, enquanto a segunda encontrou personalidade no encontro entre bruxaria, perda e desejo.

Agora, cabe ao Visão dar continuidade a essa discussão pelo caminho da inteligência artificial. Entre os três, talvez seja ele quem tenha o conflito mais diretamente ligado ao nosso presente.

Para quem perdeu algum capítulo desse universo, estamos acompanhando o Visão branco, reconstruído depois da morte do original.

Ele recebeu as memórias de sua versão anterior, mas lembrar de Wanda e da família que tiveram não significa recuperar o amor que sentia por eles. Sabe o que aconteceu. Não necessariamente sente o que viveu. A distância entre essas duas experiências é o melhor material da série.

Uma memória pode registrar um acontecimento sem restituir o afeto que lhe dava sentido. O Visão consegue acessar seu passado, mas precisa construir uma relação com ele.

Bettany trabalha bem essa suspensão, entre o reconhecimento e o estranhamento, sem perder a delicadeza que sempre distinguiu o personagem. Há algo doloroso em observar alguém diante da própria história sem saber quanto dela ainda lhe pertence.

O problema é que VisionQuest parece desconfiar da nossa capacidade de perceber tudo isso. Explica, repete, reforça. O roteiro frequentemente transforma uma dúvida existencial em conversa didática, alongando situações que poderiam ganhar força com menos palavras.

A música e os cenários também procuram ampliar emoções que a própria narrativa ainda está tentando produzir. Em vez de nos aproximar, esse esforço às vezes evidencia a distância.

É James Spader quem dá à série a personalidade que lhe falta em vários momentos. Seu retorno como Ultron recupera o humor, a ameaça e a vaidade de uma inteligência que sempre teve opiniões demais sobre a humanidade. A interação com Bettany movimenta a trama e permite que as contradições apareçam sem tanta explicação.

A presença de Ultron também reconecta o Visão às suas origens e ao legado de Tony Stark. J.A.R.V.I.S., a criação que ajudou a formar esse herói, pertence a uma época em que a tecnologia da Marvel tinha a personalidade de seu inventor.

Tony está ausente, mas suas escolhas continuam produzindo consequências. Nesse sentido, a série reúne pontas importantes sem precisar transformar cada conversa num anúncio do próximo filme.

Ainda assim, viver à sombra de WandaVision cobra seu preço. Recuperar a célebre reflexão sobre o luto como amor que persevera não garante o impacto que ela teve quando foi pronunciada pela primeira vez.

A repetição pode até diminuir sua força. Ali, a frase emergia de uma experiência; aqui, corre o risco de funcionar como uma lembrança de como aquela série nos emocionou.

Eu queria me emocionar mais com VisionQuest. Gosto do personagem, da delicadeza de Paul Bettany e dessa ideia de que recuperar uma memória não significa reencontrar o que sentimos.

Mas, por enquanto, é James Spader quem me faz querer continuar. Há uma ironia nisso: numa série sobre a humanidade do Visão, é Ultron quem traz mais vida.

Crônica

O brioche e o aplicativo

17/10/2026 09h45

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Conversando ao telefone com uma amiga de infância – daquelas que a vida brindou com uma conta bancária de muitos dígitos e que mora longe daqui –, o assunto caiu na nossa saudade e na distância. Falei que estava complicado planejar uma viagem para visitá-la por conta do preço das passagens aéreas nacionais, que andam se igualando aos valores dos bilhetes internacionais. A resposta dela veio rápida, embalada por uma naturalidade surreal: “Ah, amiga, então venha de Uber!”

Sorri em silêncio do outro lado da linha. Não havia maldade no tom dela, nem arrogância. Havia apenas o hábito e o conforto de quem habita uma realidade tão distante da minha, que a lógica do cotidiano ganha outras réguas.

No mundo dela, o deslocamento interestadual para me receber é uma questão de clique, não de orçamento. O episódio acabou por me lembrar um dos mitos mais duradouros da história: a famosa frase atribuída a Maria Antonieta.

Diz a lenda que, ao ser informada de que os camponeses parisienses passavam fome e não tinham pão, a última grande rainha de Versalhes teria respondido: “Se não têm pão, que comam brioches”. Os historiadores já provaram que a rainha francesa nunca proferiu essas palavras.

A frase, na verdade, apareceu pela primeira vez na obra do filósofo Jean-Jacques Rousseau e foi colada à imagem de Maria Antonieta anos após a sua morte, no dia 16 de outubro de 1793, como parte de uma impiedosa guerra de propaganda revolucionária para pintar a monarquia como o ápice da futilidade.

Embora Maria Antonieta não tenha dito a frase, o mito colou porque traduzia perfeitamente o abismo que separava o palácio do vilarejo. A rainha não odiava o povo; ela apenas não fazia a menor ideia de quanto custava um pedaço de pão, muito menos um brioche.

Séculos depois da queda de Versalhes, percebo que os palácios mudaram de endereço, mas as bolhas continuam intactas.

O “venha de Uber” da minha amiga é o brioche da nossa era tecnológica. Ele revela como o privilégio extremo anestesia a percepção das dificuldades alheias. Não se trata de falta de empatia, mas de uma profunda desconexão geográfica e social. 

A tecnologia avançou, os transportes encurtaram distâncias, mas o topo da pirâmide continua flutuando em um éter em que as engrenagens do mundo real – o preço do combustível, a fatura do cartão, a tarifa dinâmica do aplicativo – simplesmente não fazem barulho.

No fim das contas, só resta perdoar minha amiga e a sugestão do Uber interestadual, assim como a história deveria suavizar o julgamento sobre a ignorância econômica da rainha guilhotinada. Afinal, viver em Versalhes – seja na França do século 18 ou em um condomínio fechado de alta classe hoje em dia – deve ser mesmo um lugar muito confortável e bonito.

O único problema é que, de lá de cima, é impossível enxergar o tamanho do abismo que nos separa.
Minha amiga, infelizmente, não está sozinha nessa anestesia coletiva que toma conta da elite deste País.
* Jornalista e cronista.

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