Correio B

Programação gratuita de arte & cultura

Festival Mais Cultura reúne dança, música, moda autoral e cinema na UFMS

Programação de amanhã até sexta-feira inclui apresentações artísticas, oficinas, palestras, Feira Geek, moda autoral, shows e exibição de documentários no Autocine

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A programação do Festival Mais Cultura deste ano entra, a partir de amanhã, em sua reta final com uma série de atividades gratuitas em diferentes espaços da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande.

Com o tema “O que é Arte?”, o festival reúne linguagens como música, dança, teatro, cinema, artes visuais, moda e economia criativa, além de oficinas, palestras e atividades voltadas a diferentes públicos.

Realizado desde a segunda-feira até sexta-feira, o Festival Mais Cultura conta com mais de 100 atividades nos campus da UFMS. A proposta desta edição é ampliar a compreensão sobre o que pode ser considerado arte e aproximar a comunidade universitária e a população de diferentes formas de expressão.

A partir de hoje, a programação ocupa espaços como o Teatro Glauce Rocha, o Laboratório de Práticas Pedagógicas em Artes, Letras e Comunicação (Faalc), o Auditório para Questões Delicadas do Gramado do complexo multiúso, o Autocine UFMS e outros equipamentos da Cidade Universitária.

Na avaliação da reitora da UFMS, Camila Ítavo, a presença das manifestações artísticas integra a função da universidade.

“Universidade não é só ciência e educação, da maneira tradicional, em sala de aula. É também um mundo de oportunidades para apresentar a riqueza das expressões artísticas e todas as suas formas. É muito lindo ver a UFMS engajada com esse movimento”, afirma.

Para a pró-reitora de Extensão, Cultura e Esporte, Lia Brambilla, a diversidade da programação é uma das características desta edição.

“É uma alegria ter uma semana inteira com atividades para as famílias, para a comunidade universitária, e em todos os campus. É um momento importante de promover a arte em todos os seus sentidos e incentivar as pessoas a experimentarem tudo o que ela proporciona”, destaca.

HOJE

Nesta quarta-feira, a programação começa pela manhã com uma apresentação do Moinho Cultural, no Teatro Glauce Rocha. Intitulada “Torillo”, a atividade está marcada para as 9h30min e reúne dança e música.

Às 14h, o público poderá participar da oficina “O que é texto/arte? Oficina de leitura e criação com linguagens verbal, imagética, audiovisual e sonora”, no Faalc – Setor 1.

A programação segue às 16h30min com a conversa “Bem viver Trans”, no Auditório para Questões Delicadas do Gramado do complexo multiúso – Setor 1. A atividade propõe um espaço de diálogo sobre experiências e perspectivas relacionadas à população trans.

À noite, às 19h, o Teatro Glauce Rocha recebe a Mostra de Dança, encerrando a programação do dia dedicada às artes do movimento.

AMANHÃ

Na quinta-feira, o festival amplia a programação para diferentes áreas da Cidade Universitária.

Às 8h, o Anfiteatro do curso de Artes Visuais, no Bloco 8 – Setor 1, recebe a palestra “Do Clique à Criação – Photoshop e IA na construção da imagem”, que aborda ferramentas e processos relacionados à produção visual.

Às 8h30min, o estacionamento do Teatro Glauce Rocha recebe o Sesc em Movimento, enquanto, às 9h30min, o teatro será palco da apresentação da Banda Sinfônica Municipal Isaac Borges Capillé (IBC).

No período da tarde, às 14h, o Anfiteatro do curso de Artes Visuais recebe o minicurso “Antropologia dos museus e das artes: um sobrevoo”. Já às 15h, o Madrigal MS se apresenta no Auditório Prof. Luis Felipe de Oliveira, no curso de Música.

A programação também contempla manifestações da cultura pop. Às 16h30min, o Grupo Clover – K-Pop se apresenta no Autocine. No mesmo espaço, a partir das 17h, começa a Feira de Economia Criativa e Feira Geek, reunindo iniciativas ligadas à produção criativa e à cultura geek.

As atividades seguem à noite no Autocine. Às 18h acontece a Batalha de Random Play Dance, seguida, às 19h, pelo desfile Moda Autoral. No Teatro Glauce Rocha, também às 19h, o público poderá acompanhar o recital de música clássica brasileira “Madeiras Dedilhadas”.

Às 19h15min, o Autocine recebe um Flash Mob. A abertura do evento está prevista para 19h30min e, às 20h, o espaço recebe o show de Jonavo, um dos destaques musicais da programação.

A agenda do dia também inclui o Caminhão de Experiência Tecnológica do Sebrae-MS, integrado às atividades realizadas no Autocine.

ÚLTIMO DIA

Na sexta-feira, último dia do Festival Mais Cultura, a programação começa cedo, às 8h, com Apresentações Culturais no Corredor da Saúde, localizado no Corredor Central. Às 8h30min e às 14h, acontece o Desafio Urban – Hacking Autocine, no Autocine.

Às 14h, o Teatro de Bolso – Setor 1 recebe a oficina “Exploração sensorial por Handpan 432Hz escala D menor Kurd”. No mesmo horário, o Autocine sedia a Feira de Economia Criativa e Feira Geek, que segue movimentando o espaço.

A música toma conta do Autocine a partir das 17h com o Show Alquimistas, seguido pelo Show Pilotos do Oeste, às 18h. Também às 19h, o Auditório Prof. Luis Felipe de Oliveira recebe o Concerto-Palestra com Denise Garcia.

Ainda no período noturno, às 19h, a Sala Imersiva – Museu de Ciência e Tecnologia – Estádio Morenão recebe o Teatro e Roda de Conversa com os temas “Geni e o Zepelim: uma releitura crítica” e “Transições e Interseccionalidades em Roda: Arte, Corpo e Resistência”.

Às 19h30min, o Teatro Glauce Rocha apresenta “Oliver Twist livre adaptação da obra de Charles Dickens – Ato histórico”.

O cinema ganha destaque no encerramento. A partir das 19h, no Autocine, ocorre a Mostra Autocine – Sessão Especial, com as exibições dos documentários “Jardim de Pedra – Vida e Morte de Glauce Rocha” e “Higa Ke – Olho por Olho”.

As escolhas dialogam com a história cultural de Campo Grande. O Teatro Glauce Rocha, um dos principais espaços culturais da universidade, leva o nome da atriz campo-grandense que se destacou no teatro e no cinema brasileiro. Já Roberto Higa tem sua trajetória ligada à fotografia e à documentação da vida cultural e social de Mato Grosso do Sul.

A programação cinematográfica também reforça a proposta do festival de tratar a arte a partir de diferentes linguagens, colocando em diálogo produção audiovisual, memória e patrimônio cultural.

AÇÕES CONTÍNUAS

Ao longo de todos os dias do evento, o público pode conferir a exposição “Itinerâncias 2026”, no Foyer do Auditório Prof. Luis Felipe de Oliveira – Curso de Música, e a mostra “Reencontro de Trajetórias – pinturas e desenhos de Carla de Cápua e Darwin Longo”, na Galeria de Artes Visuais (GAV) – Bloco 8 – Setor 1.

A Mostra Bolsa Artista ocupa o Foyer do Teatro Glauce Rocha e o Autocine. Além disso, a ação “Pintura Container 1 – com Caio Green” acontece hoje, amanhã e na sexta-feira, no Autocine, mesmo local onde o Caminhão de Experiência Tecnológica do Sebrae-MS estaciona amanhã ena sexta-feira.

ARTE ESPALHADA

O Festival Mais Cultura não concentra as atividades em um único palco, mas utiliza diferentes espaços da UFMS. Entre eles estão a GAV, o Teatro Glauce Rocha, o Autocine, a Concha Acústica, a Esplanada do Morenão, o Mercado Escola, a Casa da Ciência e Cultura e os auditórios da universidade.

A Galeria de Artes Visuais, localizada no Bloco 8 da Cidade Universitária, é dedicada à produção contemporânea e recebe trabalhos de professores, estudantes e artistas convidados. O espaço também promove atividades educativas e visitas guiadas.

Já a Concha Acústica, com capacidade para cerca de 750 pessoas, é utilizada para apresentações musicais, teatrais e eventos comunitários. A Esplanada do Morenão, por sua vez, funciona como espaço aberto para shows, exposições e atividades culturais, além de abrigar o Parque da Ciência.

O Autocine UFMS, que já foi utilizado para sessões cinematográficas e atividades de lazer, também passou a receber eventos culturais de diferentes formatos. Durante o festival, o local se transforma em um dos principais pontos de encontro da programação, reunindo música, dança, feiras, tecnologia e cinema.

A iniciativa é desenvolvida pelo Programa Mais Cultura UFMS, espaço destinado à valorização, divulgação e promoção das ações culturais realizadas pela universidade. O programa busca aproximar a comunidade acadêmica da sociedade por meio de projetos, festivais, mostras, oficinas e apresentações.

>> SERVIÇO

Festival Mais Cultura 2026 – “O que é Arte?”

Data: até sexta-feira.
Local: diferentes espaços da UFMS.

Diálogo

A campanha eleitoral de 2026 está a todo vapor lá pelas bandas da... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (22)

22/09/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Bráulio Bessa - Escritor brasileiro

"Recomece! Se refaça! Relembre o que foi bom. E se um dia lá na frente, a vida der uma ré, recupere a sua fé, e recomece novamente”.

FELPUDA 

A campanha eleitoral de 2026 está a todo vapor lá pelas bandas da Prefeitura Municipal de Campo Grande. Mas engana-se quem pensar que funcionários com cargos comissionados estão engajados nas eleições para presidente, governador, senador ou deputado federal. O foco mesmo é na eleição de candidato a uma cadeira para chamar de sua na Assembleia de MS. Não se sabe se a adesão é voluntária ou “por livre e espontânea pressão”, mas os servidores mergulharam de cabeça. Como diria vovó: “O que não se faz para manter a amizade...”.

Livres

Está vigorando desde o último sábado, a proibição da prisão de candidatos que disputam eleições deste ano. A determinação vai até 48h após o encerramento da votação do primeiro turno.

Mais

A prisão ou detenção dos candidatos, durante o período da vigência da medida, que vai até o dia 6 de outubro, só poderá ocorrer em casos de flagrante delito.

DiálogoFoto: Divulgação/Sesc

Nesta quinta-feira (24), às 19h, será realizado o show do Trimanos Brasil, formado pelos irmãos paraenses Gleydson, Yvison e Lohan. A jovem banda vem ampliando sua projeção nacional e acumula milhões de visualizações e seguidores nas redes sociais. Parte dessa conexão com o público está na releitura de músicas conhecidas , interpretadas a partir da identidade musical construída pelos trio. A apresentação acontecerá no Sesc Teatro Prosa. Os ingressos são gratuitos e estão disponíveis pelo Sympla.

DiálogoDra. Maria Auxiliadora Budib - Foto: Studio Vollkopf

 

DiálogoMarcella Zorzo - Foto: Arquivo pessoal

Nem aí...

Na reta final da campanha eleitoral, os plenários da Câmara Municipal de Campo Grande e da Assembleia Legislativa de MS deverão ficar esvaziados, na medida em que os candidatos correm contra o tempo em busca dos votos dos indecisos. Como se a Capital não estivesse em estado de emergência e, portanto, não precisasse de atenção redobrada neste momento.

Em campanha

A tal força-tarefa anunciada em alto e bom som 24 horas após o temporal parece não ter decolado como o cidadão que paga seus impostos esperava. Na Assembleia, o assunto entre os deputados estaduais é um só: a reeleição. Todos em plena campanha para garantir mais quatro anos de mandato. Nada como viver numa cidade e num estado sem problemas, né?! Dá licença!

Resgate

Uma postagem do secretário da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, nas redes sociais resgatou registros de 2010 para reforçar sua trajetória na política. No resgate histórico, ele relembra a criação do Bloco de Desenvolvimento Regional e a consolidação do municipalismo como pauta central, destacando a ascensão do ex-governador Reinaldo Azambuja, hoje candidato ao Senado. Ao conectar o trabalho realizado ao longo da última década às transformações vividas pelo MS, Walter Carneiro aproveita a publicação para reafirmar seu compromisso com a gestão pública, e não por acaso, para manter o municipalismo em evidência.

ANIVERSARIANTES

  • Carla Guizzo Couto Rocha de Lima;  
  • Leide Simioli de Brito;  
  • Giovanna Maria Assis Trad Cavalcanti;  
  • Ariane Pina Ferreira Moreira;  
  • Luciana Gonçalves Rolo;  
  • Marcia Arashiro de Lima;  
  • João Komathu;  
  • Sandra Moragas Leite de Barros;  
  • Mauricio Ramão Fernandes;  
  • José Leite da Silva Sobrinho;  
  • Mauricia de Arruda Cortez;  
  • Zoleni Santos de Mattos;  
  • Maria Angelica de Freitas Oliveira;  
  • Florentino Edmundo Talgatti;  
  • Pablo Henrique Avelino da Silva;  
  • Marlene Pontim Gomes;  
  • Van Hanegam Donero;  
  • Edgar Calixto Paz;  
  • Rubens Clayton Pereira de Deus;  
  • Humberto Ivan Massa;  
  • Sônia Gonçalves Kaneshige;  
  • Fagner Saltarelli;  
  • Jacqueline Folley Coelho;  
  • Adão Rodrigo Coene;  
  • Sergio Costa dos Santos;  
  • Claudiney Guimarães Alves;  
  • Leonardo Kling;  
  • Luiz D’Ávila;  
  • Domingos Alves da Silva;  
  • José Luiz Forte Filho;  
  • Maquielves Lopes Grison;  
  • Brunella Meura;  
  • Livia Alves Barcelos;  
  • João Dias;  
  • Cristina Hebe Scardini;  
  • Norberto Antonio Soares;  
  • Marco Aurélio Pallacio;  
  • Paula Helena Saab Mujica;  
  • Maria de Lourdes Calixto Mendes;  
  • Maria Nadir Militão;  
  • Marcelo Barbosa da Fonseca;  
  • Leonardo Coimbra;  
  • Marilda da Silva Tôrres;  
  • Rafael Mendonça;  
  • Gervásio Scheid;  
  • Alomah Rizk;  
  • Mary Radeck de Carvalho;  
  • Danilo Antonio Bruschi;  
  • Waldir Roma Ferreira;  
  • Diana Moreira Santana;  
  • Dra. Regina Célia Azuaga;  
  • Simone Ribeiro Pereira;  
  • Rocino Ramiro Cavalcanti;  
  • José Pereira de Souza;  
  • Erik Pereira de Castro;  
  • Aureo Franco Vilela;  
  • Maria Helena Fonseca;  
  • Rosa Maria de Barros;  
  • Meire Teixeira;  
  • Claudete Oliveira da Vera Cruz;  
  • Francisca Auzenir da Silva;  
  • Ivaneide de Araújo Armoa;  
  • Jean Kleber Paiva Barbosa;  
  • Santos de Oliveira Junior;  
  • Edson Ferreira da Silva;  
  • André Luiz Ossuna;  
  • Luiz Carlos de Lima;  
  • Jorge Ossamo Karimata;  
  • Dr. Renato Lúcio Martins;  
  • Paulo Cesar de Santos de Barros;  
  • Akiko Kanayama;  
  • Julião Flaves Gauna;  
  • Maria Eunice Corrêa;  
  • Gilda Lopes Braga;  
  • Rodrigo Targino de Almeida;  
  • Luiz Carlos Rodrigues;  
  • Antônio Henrique Nantes;  
  • Juliana Nunes;  
  • Adelina Tocie Miyashiro;  
  • Ronivaldo Farias de Mendonça;  
  • Augusto César Sepalho;  
  • Gilmar Javorski;  
  • Maria Cristina Coutinho da Silva;  
  • Márcio Teruhiko Yamamoto;  
  • Iedenilda Yocie Oyadomari;  
  • Nedir Migueis Pinto;  
  • Richard Alexandre Lima Siqueira;  
  • Francisco Maia Nogueira;  
  • Mirian Bezerra Sesper;  
  • Rogério Pereira Spotti;  
  • Sílvio Lucas Costa;  
  • Miguel Antunes de Miranda Sá;  
  • João Carlos Klaus;  
  • Fábio Medeiros Szukala;  
  • Lowatto Yuuichi Yamasaki;  
  • Eliana de Jesus Gonçalves Tiecher;  
  • Ana Helena Bastos e Silva Cândia;  
  • Kleber Vieira Cação;  
  • Antônio Neves de Medeiros;  
  • Carlos Roberto de Faria;  
  • Arianne Gonçalves Mendonça;  
  • Wania Helena de Carvalho;  
  • Arlindo Mariano de Farias;  
  • Marilda do Carmo Rodrigues;  
  • Heber Seba Queiroz;  
  • Adenil José de Oliveira;  
  • Maria Aparecida Corrêa Marques;  
  • Fernando Tatsunori Kuboyama;  
  • Andrea Luiza Tôrres de Figueiredo;  
  • Macoto Okuda;  
  • Alberto Angelisio Spani.

Colaborou com Tatyane Gameiro

bons hábitos & autodesenvolvimento

Aulas de teatro vão muito além da arte e contribuem para uma boa saúde

Da timidez à descoberta de novas habilidades, aulas de teatro trabalham comunicação, criatividade, expressão corporal, convivência e autoconfiança

21/09/2026 09h00

 O processo teatral envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação, ferramentas que contribuem para as habilidades sociais dos alunos

O processo teatral envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação, ferramentas que contribuem para as habilidades sociais dos alunos Divulgação

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Para algumas pessoas, fazer teatro começa com o desejo de subir ao palco. Para outras, nasce da curiosidade, da vontade de conhecer novas pessoas ou até da necessidade de enfrentar uma dificuldade.

Há quem procure as aulas para melhorar a comunicação, quem queira desenvolver a expressão corporal e quem simplesmente esteja em busca de uma atividade diferente.

O que acontece depois, porém, muitas vezes ultrapassa o objetivo inicial.

Durante uma aula de teatro, decorar e interpretar um texto são apenas algumas das etapas de um processo que envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação.

Aos poucos, o participante é colocado diante de situações que exigem presença, criatividade e disposição para experimentar – inclusive quando existe vergonha ou medo de errar.

É nesse processo que o teatro pode se tornar uma ferramenta que vai além da formação artística.

As habilidades trabalhadas em cena podem aparecer em situações cotidianas, como uma apresentação na escola ou na faculdade, uma entrevista de emprego, uma reunião de trabalho, uma conversa com desconhecidos ou simplesmente na maneira como alguém passa a perceber o corpo e a se relacionar com outras pessoas.

“Eu não acredito que todo mundo que faz teatro precisa querer ser ator”, afirma Daniel Smidt, diretor da Escola e Companhia de Teatro (Adote), que atua há 25 anos em Campo Grande.

Para ele, cada aluno pode encontrar na experiência uma transformação particular.

“Cada pessoa pode encontrar uma coisa diferente aqui. Pode ser a coragem para falar, a confiança para se posicionar, a capacidade de trabalhar em grupo, a criatividade ou simplesmente a liberdade de ser quem é”, afirma.

O PRIMEIRO APRENDIZADO

A comunicação é uma das primeiras habilidades que podem ser percebidas no trabalho teatral. No palco, não basta saber o que dizer: é preciso pensar em como aquilo será dito, compreender o espaço, perceber quem está ouvindo e utilizar voz, corpo e expressão para transmitir uma ideia.

Esse exercício pode ser levado para fora da sala de aula.

Falar diante de outras pessoas, sustentar uma opinião, apresentar um trabalho ou participar de uma conversa exigem, em diferentes níveis, algumas dessas mesmas ferramentas. O teatro permite que o aluno experimente essas situações em um ambiente de aprendizagem, no qual errar também faz parte do processo.

Daniel conhece essa transformação por experiência pessoal.

“Eu também já fui uma pessoa tímida. O teatro foi me dando ferramentas para me expressar, para me comunicar, para olhar para o outro e também para me enxergar de uma maneira diferente. Quando olho para quem eu sou hoje, percebo o quanto tudo aquilo que aprendi através da arte contribuiu para a minha vida”, reflete o diretor.

O CORPO FALA

Outro aspecto trabalhado no teatro é a expressão corporal. Antes mesmo de uma pessoa dizer qualquer palavra, sua postura, seus movimentos e sua maneira de ocupar um espaço podem transmitir informações.

Perceber isso ajuda o aluno a desenvolver consciência sobre o corpo. Em cena, ele precisa compreender como determinado movimento contribui para a construção de uma personagem ou para a comunicação de uma situação. Fora dela, essa percepção pode ajudar na forma como se posiciona e se expressa.

A estudante Charlie Budib, de 19 anos, chegou ao teatro justamente buscando enfrentar a timidez e se sentir mais segura para se expressar. A recomendação partiu de sua psicóloga e a identificação com as artes ajudou a transformar a sugestão em experiência.

“Eu buscava me abrir mais para as pessoas. Conseguir falar melhor em público, me desafiar, sair da zona de conforto. Me sentir mais segura em me expressar”, conta.

Depois das aulas, ela percebe mudanças inclusive em situações que não têm relação direta com o palco.

“O teatro mudou bastante o jeito que eu ajo. Eu me sinto muito mais tranquila sobre a minha expressão corporal no dia a dia. Coisas que antes eu não conseguiria dizer ou fazer agora são muito mais simples”, diz.
Para Charlie, a sala de aula também se tornou um espaço de segurança para experimentar.

“É um ambiente que eu me sinto acolhida. Eu posso acertar ou errar, mas no final, a gente sempre bate palmas um para o outro. Todo mundo está sempre evoluindo e se ajudando. É um lugar que eu posso realmente me soltar”, afirma.

A ARTE DO IMPROVISO

Quem nunca fez teatro pode imaginar que a atividade depende principalmente da memorização de textos. Mas a preparação de um ator envolve muito mais do que decorar falas.

Improvisações e jogos teatrais fazem parte do processo justamente porque colocam os participantes diante do inesperado. Uma proposta pode mudar no meio do exercício, uma cena pode tomar um caminho diferente do planejado e o aluno precisa encontrar uma maneira de continuar.

A habilidade de improvisar, nesse sentido, não significa simplesmente “inventar qualquer coisa”. Ela envolve atenção, escuta e capacidade de responder ao que está acontecendo naquele momento.

Essa experiência pode contribuir para que o participante lide melhor com situações nas quais não possui controle absoluto sobre o resultado.

Foi algo que Maysa Garcia encontrou nas aulas. Ela chegou ao teatro pensando na formação necessária para se tornar atriz e, posteriormente, seguir o caminho da dublagem. Procurava técnicas para trabalhar voz, postura e presença.

Mas acabou encontrando também uma forma de enfrentar inseguranças.

“Me deu mais confiança para viver o mundo como eu mesma, de realmente ocupar um espaço sem culpa”, relata. Para ela, o teatro ajudou a transformar uma orientação comum dentro das aulas – enfrentar uma cena mesmo quando existe medo – em uma postura que também pode ser aplicada à vida.

“O teatro nos ensina: se está com medo, vai com medo mesmo. Isso é para a cena, mas na nossa vida isso também se aplica”, pontua.

ABRAÇO ÀS DIFERENÇAS

O teatro também pode ser uma experiência de inclusão. Cada participante chega com características, habilidades e dificuldades únicas e a aprendizagem não acontece necessariamente no mesmo ritmo.

É o caso de Evelyn Machado, que tem deficiência intelectual e participa das atividades da Adote há alguns anos.

Ela conta que, no início, tinha dificuldades principalmente para memorizar, falar diante de outras pessoas e realizar atividades novas. O nervosismo e a vergonha também apareciam, mas não impediram sua permanência.

“No teatro eu encontrei um espaço onde eu posso fazer as coisas do meu jeito, aprender no meu tempo e também ser incentivada a tentar”, conta.

Ao longo desse período, Evelyn participou de apresentações, atividades e festivais. Também recebeu duas premiações em competições.

“Para mim foi uma felicidade muito grande, porque eu nunca imaginei que poderia subir em um palco, competir e ainda receber um prêmio”, relata.

A experiência, segundo ela, também contribuiu para a comunicação e a autoconfiança.

“O teatro me ajudou muito. Eu fiquei mais comunicativa, perdi um pouco da vergonha e passei a acreditar mais em mim. Cada vez que eu entro no palco é uma conquista”, pontua.

Para Evelyn, a deficiência não define o que ela é. “Eu tenho minhas dificuldades, assim como todo mundo tem as suas, só que algumas coisas para mim são mais difíceis e eu preciso de mais tempo ou de ajuda. Mas também tenho minhas capacidades e gosto muito quando as pessoas acreditam em mim e me dão oportunidade”, destaca.

EXPERIÊNCIA COMPARTILHADA

Se para alguns o teatro é uma descoberta individual, para Miriam Amada de Oliveira, de 54 anos, que faz teatro ao lado do marido, Sueiyoshi Altino de Lima, de 55 anos, a atividade também se tornou uma experiência compartilhada.

Os dois decidiram fazer o curso juntos. Sueiyoshi chegou interessado pela relação entre cinema e atuação.

Queria entender como funciona o processo de construção de um ator e descobriu, nas aulas, que interpretar vai muito além de decorar e repetir falas.

Miriam, por sua vez, carregava desde jovem a curiosidade de conhecer os bastidores e entender como uma pessoa se prepara para atuar.

Fazer o curso lado a lado acrescentou uma dimensão inesperada à experiência: conhecer melhor um ao outro.

“Então, o fato de fazer o teatro junto com minha esposa fez eu conhecer mais um lado dela que não está ali no cotidiano, no dia a dia. Eu consigo ver mais a pessoa, a parte mais criativa dela, outras partes que a gente não vê no dia a dia”, conta Sueiyoshi.

Miriam também percebeu mudanças na relação.

“Quando a gente tem as mesmas vontades, tudo fica melhor”, afirma. Segundo ela, os dois passaram a conversar sobre os exercícios, ensaiar em casa e discutir as atividades realizadas nas aulas.

Para ela, o teatro ampliou a admiração que já existia entre os dois. “Você começa a conhecer o outro lado dela [da pessoa]. Então foi muito bom a gente fazer juntos, porque assim como ele vê como eu interpreto, como eu faço os exercícios, ele também vê esse meu lado, eu vejo o lado dele”, relata.

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