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música clássica

Gabriel Ramos de Souza, talento revelado pelo Instituo Moinho Cultural, passará 6 meses no RJ

A apresentação, pela série de concertos "Terra", sob a regência do maestro Stefan Geiger, é apenas uma das várias experiências que Gabriel

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O Theatro Municipal do Rio de Janeiro é um dos palcos mais importantes do País e, para quem toca música erudita, pode ser visto como o ponto alto da carreira. Pois foi lá que um jovem violinista nascido em Ribas do Rio Pardo se apresentou no fim de semana, como parte do elenco de instrumentistas da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).

A apresentação, pela série de concertos “Terra”, sob a regência do maestro Stefan Geiger, é apenas uma das várias experiências que Gabriel Ramos Pereira de Souza, do município sul-mato-grossense localizado a 100 km de Campo Grande, terá ao lado da orquestra carioca nos próximos meses.

Ele e mais dois artistas promissores, que, após uma rigorosa seleção, vão cumprir a intensa jornada imersiva.

A Orquestra Sinfônica Brasileira recebeu, na semana passada, três jovens músicos oriundos do programa Vale Música, iniciativa de estímulo à inclusão social pela arte do Instituto Cultural Vale. Eles foram escolhidos em um processo seletivo entre 27 candidatos, para mais uma edição da Residência Vale Música.

Além de Gabriel, que está com 20 anos de idade, o tubista Paulo Sérgio Fonseca, de 30 anos, e o trompista Ezequiel da Rocha, de 24 anos, ambos do Pará, terão a oportunidade de viver a rotina da OSB durante os próximos seis meses. Eles vão conviver, fazer aulas, participar dos ensaios e tocar com uma das maiores orquestras do País, fundada em 1940.

“Eu pensava que a música seria um hobby na minha vida, mas hoje vejo como o meu futuro profissional”, afirma Gabriel Ramos.

O violinista de Ribas do Rio Pardo começou sua carreira aos 5 anos. Nascido em família de artistas, ele sempre teve contato com a arte e toca violino desde muito pequeno.

Aos 17 anos, quando decidiu morar em Corumbá para fazer um curso técnico em TI, conheceu o Instituto Moinho Cultural e sua vida mudou. “Lá eu cresci muito musicalmente. Terminei o curso de TI, mas foi na música que me encontrei”, conta o instrumentista.

EXTREMO TALENTO

Os três músicos foram escolhidos após um rigoroso processo seletivo, que durou cerca de três meses e que incluiu diversas fases: inscrição, seleção, vídeos e seleção presencial.

Puderam se candidatar instrumentistas participantes de orquestras dos polos atendidos pelo Conexões Musicais – projeto de democratização do acesso à música de concerto, realizado pela Fundação OSB desde 2017 e que já promoveu atividades educacionais e culturais em cerca de 30 municípios brasileiros.

A Residência Vale Música começou em 2022, e a Orquestra Sinfônica Brasileira pretende repetir anualmente a ação, gerando oportunidades para jovens instrumentistas.

“É um misto de privilégio e responsabilidade para a OSB receber músicos de extremo talento. A Residência Vale Música já se consolidou como programa educacional capaz de proporcionar desenvolvimento musical, social e humano a cada participante. Entre aulas, workshops, ensaios e concertos, criamos um verdadeiro ecossistema de aprendizado e muita troca, propiciando o amadurecimento necessário para que cada músico alcance seu sonho de maneira sustentável”, comenta Elber Ramos, coordenador educacional da OSB.

OPORTUNIDADE ÚNICA

Paulo Sérgio e Ezequiel são oriundos do programa Vale Música Belém, no Pará. Paulo Sérgio Fonseca optou pela tuba aos 14 anos. Ao longo de sua carreira, pensou em desistir algumas vezes, principalmente pela dificuldade de encontrar ensino adequado em Belém, pois a tuba é um instrumento raro, com poucas vagas em orquestras, e não tão popular quanto os demais.

O artista, que também é educador e que há três anos atua em um centro de ensino de música para pessoas com deficiência, pensava em abandonar o sonho de viver de música quando surgiu a oportunidade da residência.

“Espero absorver o máximo de conhecimentos nesse novo ambiente profissional e será uma experiência única, tanto pessoal quanto para a minha carreira”, revela o jovem, que possui licenciatura em Música e atualmente finaliza uma pós-graduação em Musicoterapia.

Quem também está ansioso é Ezequiel da Rocha, que conheceu a trompa ainda criança. O musicista, que também estudou no Instituto Baccarelli, em São Paulo, conta que já sofreu preconceito de amigos e familiares quando dizia que queria ser músico.

“Em Belém, nós não temos tanto acesso a professores, cursos, orquestras, então, parece realmente uma loucura quando você diz que pretende viver de música. A residência vai ser uma experiência única”, diz o jovem, que também estuda Fisioterapia.

GRANDE CONCERTO

A residência de longa duração seguirá até o fim do ano, quando os alunos se apresentarão em um grande concerto de encerramento, ao lado da OSB, previsto para acontecer em dezembro.

A Orquestra Sinfônica Brasileira é reconhecida como um dos conjuntos sinfônicos mais importantes do País.

Em seus 82 anos de trajetória ininterrupta, a OSB já realizou mais de 5 mil concertos e é reconhecida pelo pioneirismo de suas ações, tendo sido a primeira orquestra a realizar turnês pelo Brasil e exterior, apresentações ao ar livre e projetos de formação de plateia.

Composta atualmente por mais de 70 músicos brasileiros e estrangeiros, a OSB contempla uma programação regular de concertos, apresentações especiais e ações educativas, além de um amplo projeto de responsabilidade social e democratização de acesso à cultura.

Para viabilizar suas atividades, a Fundação OSB conta com recursos públicos, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, tendo o Instituto Cultural Vale como mantenedor, além de outros patrocinadores e apoiadores culturais e institucionais.

cinema

Seis filmes seguem na disputa para representar o Brasil no Oscar

Decisão sobre o título deverá ser tomada em 16 de setembro

09/09/2026 22h00

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027 Foto: Divulgação

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A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (9) os seis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027.  A decisão sobre o longa que vai tentar uma vaga na categoria de melhor filme internacional será tomada em 16 de setembro.

Os títulos que continuam em disputa são:

  • 100 Dias, de Carlos Saldanha;
  • A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai;
  • A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo;
  • Feito Pipa, de Allan Deberton;
  • Nosso Segredo, de Grace Passô;
  • Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.

A lista dos finalistas saiu de uma pré-lista de 15 filmes,  divulgada pela Academia Brasileira de Cinema no mês de agosto.

Oscar

Ter sido escolhido como o representante brasileiro ao Oscar não significa que o filme já terá garantida uma indicação ao prêmio. Cada país indica um filme como representante para a disputa. O Oscar analisa essas indicações e faz uma seleção dos filmes que, de fato, vão concorrer ao principal prêmio do cinema mundial.

A cerimônia que premiará os melhores filmes do Oscar está marcada para 14 de março de 2027.

Em 2025, o Brasil conquistou o primeiro Oscar com o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, na categoria de melhor filme internacional. Neste ano, o Brasil voltou a ser indicado com o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que acabou perdendo o prêmio para o norueguês Valor Sentimental.

 

Preservação da fauna

Projeto monitora bugios e macacos-prego no corredor do Rio Sucuriú

Nove grupos de primatas já foram identificados na região; entre eles, a família formada por Baru, Pequi e o filhote Bacuri, acompanhada ao longo das campanhas de campo

09/09/2026 08h30

Mãe e filhote bugio-preto

Mãe e filhote bugio-preto Foto: Divulgação

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No alto das árvores que formam o corredor do Rio Sucuriú, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, famílias de bugios e macacos-prego vêm sendo acompanhadas de perto por pesquisadores do projeto Sucuriú, da Arauco.

O trabalho busca entender como esses animais vivem, se deslocam e utilizam a paisagem, reunindo informações que podem contribuir para a conservação das espécies e para a manutenção da conectividade entre áreas de vegetação.

Ao todo, nove grupos de primatas já foram identificados na área monitorada pelo projeto Sucuriú. O acompanhamento é direcionado principalmente ao bugio-preto (Alouatta caraya) e ao macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay), espécies classificadas como Vulneráveis (VU) no Brasil, categoria que indica alto risco de extinção na natureza.

“Esse é um trabalho construído ao longo do tempo. Não se trata apenas de saber se determinada espécie está presente, mas de reunir informações sobre os grupos, seus deslocamentos e as áreas que utilizam. A combinação das metodologias permite ampliar esse conhecimento e criar uma base cada vez mais consistente para as ações de conservação”, afirma Gonzalo Flores, Especialista de Biodiversidade da Arauco.

Entre os grupos que passaram a ser reconhecidos pelas equipes está uma família de bugios formada por Baru (pai), Pequi (mãe) e Bacuri (filho).

O filhote nasceu durante o período de monitoramento e recebeu o nome após uma votação que reuniu mais de 270 participantes, entre trabalhadores da obra e integrantes da comunidade externa.

Desde então, a família continua sendo reencontrada durante as campanhas. Nos registros mais recentes, Bacuri apareceu interagindo com os pais, enquanto outros filhotes do grupo foram observados em momentos de brincadeira.

As imagens ajudam os pesquisadores a acompanhar o desenvolvimento dos animais e compreender melhor a dinâmica das famílias ao longo do tempo.

“A possibilidade de reencontrar os mesmos grupos ao longo das campanhas é muito importante porque permite acompanhar essas famílias no tempo. No caso de Baru, Pequi e Bacuri, seguimos registrando o grupo e reunindo informações que ajudam a compreender sua composição, o uso da paisagem e seus deslocamentos pelo corredor do Rio Sucuriú”, explica Carolina Garcia, bióloga e responsável técnica da Sauá Consultoria Ambiental.

HABITANTES DA MATA

A vida dos bugios e macacos-prego está diretamente ligada à continuidade da vegetação. Como vivem e se deslocam predominantemente pelas árvores, essas espécies dependem da conexão entre as copas para alcançar alimento, abrigo e outras áreas utilizadas pelos grupos.

Mãe e filhote bugio-pretoPai bugio-preto - Foto: Divulgação

Por isso, saber onde os animais estão e como circulam pelo território é uma informação importante para compreender a conectividade dos ambientes ao longo do corredor do Rio Sucuriú.

Além de sua importância como parte da fauna local, os primatas exercem funções fundamentais nos ecossistemas. Ao consumirem frutos e se deslocarem entre diferentes áreas, transportam e dispersam sementes, contribuindo para a regeneração da vegetação e para a diversidade das florestas.

A dependência que possuem de ambientes florestais também faz com que sejam considerados bioindicadores, já que a presença e a dinâmica desses animais podem ajudar a revelar as condições de conservação e conectividade das áreas onde vivem.

TECNOLOGIA ALIADA

Para acompanhar os animais, as equipes combinam diferentes métodos. O trabalho inclui observação direta em campo, armadilhas fotográficas – as chamadas câmeras-trap – e drones equipados com sensores termais.

Cada ferramenta oferece uma possibilidade diferente de observação. Enquanto o acompanhamento em solo permite registrar mais detalhes sobre o comportamento e a composição dos grupos, os drones ajudam a localizar animais em regiões onde a vegetação fechada dificulta a visualização.

Os números mostram a diferença no alcance das metodologias. Em aproximadamente 25 horas de busca ativa em campo, dois grupos foram identificados. Já em cerca de 24 horas de voo, os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos na área monitorada: seis de bugios e um de macacos-prego.

A tecnologia, no entanto, não substitui o trabalho realizado diretamente na mata. A combinação dos métodos permite ampliar a capacidade de localizar e reencontrar os animais durante as campanhas.

Nas próximas etapas, também está previsto o uso de GPS – telemetria em macacos-prego, recurso que poderá fornecer novas informações sobre os deslocamentos da espécie.

O trabalho técnico é desenvolvido pela Sauá Consultoria Ambiental, parceira do projeto Sucuriú e integrante do Grupo de Assessoramento Técnico (GAT) do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção da Ictiofauna, Herpetofauna e Primatas do Cerrado, Pantanal e Amazônia (PAN CERPAM), coordenado pelo ICMBio.

FAUNA DIVERSA

Embora os primatas sejam um dos principais focos do acompanhamento, o monitoramento também vem revelando a diversidade de outros animais presentes na região.

As câmeras instaladas no território já registraram espécies como tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira e jaguatirica. Um grupo de queixadas com mais de 10 indivíduos também foi identificado.

A construção dessa base de informações permite acompanhar a fauna antes, durante e depois das intervenções previstas na região. Parte dos dados será utilizada para avaliar medidas de mitigação relacionadas às obras de captação de água e do emissário de efluentes tratados.

As intervenções exigirão alterações em trechos de vegetação próximos ao rio e podem criar descontinuidades no dossel – a camada formada pelas copas das árvores –, afetando especialmente espécies arborícolas.

Para reduzir esse impacto, estão previstas duas passagens superiores de fauna, estruturas suspensas com aproximadamente 180 metros de vão livre. A expectativa é de que elas ajudem a restabelecer a conexão entre os trechos de vegetação.

O monitoramento atual permitirá entender como os primatas utilizam a paisagem antes da implantação das estruturas, prevista para o primeiro semestre de 2027. Depois, as campanhas continuarão para verificar se os animais passam a utilizar as travessias e se elas cumprem a função de reconectar os ambientes.

Ao todo, estão previstas 20 campanhas de monitoramento ao longo de cinco anos, com quatro etapas realizadas anualmente.

RECONHECIMENTO

O uso de drones termais para localizar primatas em áreas de vegetação fechada também rendeu reconhecimento ao trabalho realizado no corredor do Rio Sucuriú. A iniciativa conquistou o Prêmio Destaques do Setor ABTCP 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia.

Entre os pontos destacados estão o caráter não invasivo do monitoramento, o desenvolvimento de parâmetros específicos para detectar primatas e a combinação de diferentes metodologias para acompanhar os grupos e avaliar a conectividade da paisagem.

A entrega do prêmio está marcada para o dia 6 de outubro.

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